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[Review] Quem diz que a perfeição não existe, não ouviu o álbum da Barbara Pravi

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"On n'enferme pas les oiseaux" é o primeiro álbum de Barbara Pravi, segunda qualificada da Eurovisão deste ano. E que álbum! 

Não sei o que é que nós fizemos para merecer que a Barbara Pravi partilhasse connosco o seu talento, mas certamente terá sido algo tão grandioso quanto este álbum. "On n'eferme pas les oiseaux" é um álbum de música muito francesa, como a sua proposta eurovisiva, com um twist de modernidade que assenta na perfeição em cada canção e na voz da cantora. 


Canção 1: Voilà (10/10)

Não há nada que eu possa dizer sobre esta música que não se tenha dito já e, por isso mesmo, vou abster-me de grandes comentários. "Voilà" é uma obra prima da Barbara e do Igit, era a minha preferida deste ano e uma das minhas preferidas de sempre. Quem diz que não há perfeição na música, certamente nunca ouviu esta canção.

Canção 2: Le jour se lève (10/10)

A melodia desta canção é absolutamente extraordinária. A voz da Barbara e maneira como cresce e se enrola na música é de arrepiar. Aliás, estou a escrever isto enquanto oiço a música e a arrepiar-me. O segundo verso ligeiramente mais intenso e o crescendo para a explosão que nunca chega, mas ao invés se transforma em mais suavidade, são feitos de forma perfeita (sim, vou usar esta palavra muitas vezes).


Canção 3: interlude 

Tenho para mim que todos os álbuns deviam ter uma coisa assim: um instrumental só para nos dar conta daquilo que podemos esperar da generalidade do álbum. É difícil classificar algo assim, por isso, poupo-me a esse trabalho.


Canção 4: l’homme et l’oiseau (10/10)

Se o início desta música é das coisas mais bonitas que já ouvi na vida? Sim. E depois desse instrumental, temos uma chanson française com uma melodia de piano estonteante. O segundo verso é incrível e o seguimento do mesmo mostra-nos a garra da voz doce da Barbara. A construção musical é diferente do usual, que só torna a canção mais maravilhosa.

Canção 5: Saute (10/10)

Em repeat há tempo suficiente para esta ser oficialmente uma relação de dependência pouco saudável. É a música mais comercial e mexida do álbum, mas nem por isso perde a identidade da Barbara Pravi. Nem sempre fazer algo diferente resulta, mas estamos a falar de uma artista a sério e, portanto, nada é mal feito. 


Canção 6: je l’aime, je l’aime, je l’aime (9,5/10)

Eu percebo pouco de francês e, portanto, não consigo perceber o que é que a Barbara ama, mas sei perfeitamente que o que eu amo são compassos ternários aka valsas cantadas em francês. Outra coisa de que eu percebo pouco é de dançar, mas olhem que dançava agora uma valsa ao som desta música. Fica para dia 25 de abril, se já pudermos levantar-nos das cadeiras.

Canção 7: la vague (8,5/10)

Fortíssimo o início a conversar que nem um Pedro Abrunhosa. Se eu sei o que ela está a dizer? Não, mas sinto-me na mesma incrivelmente inspirada por estas palavras. E, para quem acha que realmente isto é falar, não tem a noção da dificuldade que é cantar esta música. 

Canção 8: la femme (9/10)

Uma canção com toques mais dark e com notas mais altas que mostram bem que a Barbara consegue cantar o que quiser, mas também escolhe o que quer porque pode. As sonoridades, estando no estilo, acabam por ser diferentes de todas as outras do álbum. É assim que se tem consistência sem nos aborrecer com 10 músicas iguais.

Canção 9: mes maladroits (9/10)

Num ritmo mais latino (mas do bom), perfeito para a condução em pleno verão, "mes maladroits" é uma música animada com aquele meio mais parado que ninguém esperava, mas que funciona tão bem como todo o resto do álbum. Consegue esta mulher fazer uma música má? Talvez, mas, se conseguir, não se encontra neste álbum. 

Canção 10: la ritournelle (de la vieille qui oublie) (9/10)

Se isto não vos leva diretamente para as ruas de paris com pessoas de boina e baguetes debaixo do braço, não sei o que leva. Eu nunca estive em Paris e nem preciso de fechar os olhos para ver o Louvre à minha frente. Louvre esse que é o lugar onde devia estar este álbum.

Canção 11: prière pour rester belle (8/10)

Se todas as orações fossem como esta, eu ia à missa todos os dias. Talvez seja, nas primeiras audições, a música que achei menos interessante do álbum (mas a fasquia está tão alta que mesmo a menos interessante é incrível). 


Avaliação final (0-10): 9,3

Foto/Vídeos: Barbara Pravi

[Review] Os novos sons da "Tribù Urbana" de Ermal Meta

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"Tribù Urbana" é o quarto albúm de Ermal Meta, representante italiano de 2018, juntamente com Fabrizio Moro. 

É, no meu ponto de vista, um pouco um regresso às origens, na medida em que as sonoridades mais alternativas se aproximam mais do seu primeiro álbum, "Umano", que dos dois anteriores. É, como sempre, um conjunto de músicas, mas também um conjunto de poemas lindíssimos. De álbum para álbum, nota-se o amadurecimento, enquanto autor e escritor, do Ermal. 



Canção 1:  Uno (8.5/10)  

É a maneira perfeita de começar este álbum e dá-nos um excelente panorâma do que aí vem. É arriscado misturado tantos sons diferentes, mas o resultado final é maravilhoso. A maneira como os versos crescem para depois "morrerem" totalmente antes do refrão está muito bem conseguida. O refrão, não sendo uma obra de arte literária, é exatamente aquilo que a música pedia.

Canção 2:  Stelle cadenti (7/10)

A importância da bateria neste álbum é muito visível nas transições desta música. Não era algo que acontecia com tanta frequência nos outros álbuns. Também as teclas com sonoridade mais eletrónica estão muito mais presentes neste álbum que as "normais" dos precedentes. A letra desta música tem passagens deliciosas, apesar de não ser a melhor do álbum.


Canção 3:  Un millione di cose da dirti (9/10)

A canção que Ermal Meta levou ao Sanremo 2021 não é a melhor canção dele. Nem de perto, nem de longe. Tem partes muito interessantes. Há partes mais eletrónicas que me recordaram imediatamente, à primeira audição, "Le luci di Roma". Esta música torna-me incrível por dois motivos: a letra lindíssima (e ninguém escreve sobre um tema banal como o amor da mesma forma que o Ermal) e a interpretação fenomenal.


"È la mia mano che stringi, niente paura
E se non riesco ad alzarti, starò con te per terra"
(É a minha mão que te agarra, não tenhas medo
E se não conseguir levantar-te ficarei contigo em terra)

Canção 4:  Il destino universale (9.5/10)

A letra desta música (ou pelo menos a interpretação que lhe dou - e é isso que interessa quando ouvimos uma música) toca-me muito. Não sei se são pessoas reais aquelas de que fala a letra, ou simbolismos de pessoas génericas, mas a forma como estes 4 minutos nos fazer crer que toda a gente tem problemas, mas toda a gente é importante, é deliciosa.

"Ermal ha tredici anni e non vuole morire
Della vita non sa niente tranne che
La vita è importante, la vita è importante"
(O Ermal tem 13 anos e não quer morrer.
Não sabe nada sobre a vida a não que
A vida é importante, a vida é importante)

Canção 5:  Nina e Sara (6/10)

Acho-a a canção menos fácil de digerir do álbum e, talvez por isso, ainda não a tenha apreciado na totalidade. Gosto muito da parte final em que há uma explosão moderada, mas tudo o resto fica um pouco aquém. A letra fala de um amor proibido, nos anos 80, entre Nina e Sara, e do quanto este era considerado um pecado pelas suas mães. Gostava de saber se é uma história real e se a Nina e a Sara conseguiram ficar juntas.

Canção 6: No satisfaction (8.5/10)

Não sou fã do autotune de maneira nenhuma e acho muito difícil usá-lo com sucesso, mas aconteceu. Uma música com influências mais rock (e foi com essas influências que o Ermal começou a sua carreira) e muito moderna. A letra é uma ode aos dias de hoje e ao quanto estamos sempre insatisfeitos mesmo com tudo aquilo que temos.



Canção 7: Non bastano le mani (7.5/10)

Estou há dias a pensar de onde conheço a introdução desta música. Já pensei que fosse de uma música passada do Ermal, mas não consigo lembrar-me de nenhuma. Ocorreu-me então que, o mais provável, é o início desta música, pelo piano e pelo tom mais grave, me fazer lembrar as músicas do Ultimo. É, a par da música do Sanremo, a mais parecida aos últimos álbuns, mas o refrão encaixa-a no conceito deste álbum. E é mais uma letra extraordinária.

Canção 8: Un altro sole (9/10)

Declaro esta como a melhor música do álbum para ouvir no carro. Tem tudo: ritmo que nos deixa felizes, mas não nos impede de ter os reflexos necessários para travar caso um otário não tenha metido pisca, uma letra alegre e um refrão alto o suficiente para o pessoal na rua ouvir bem a nossa voz. Uma das minhas preferidas.


Canção 9:  Gli invisibili (10/10)

"Gli invisibili" é muito mais que apenas uma música. Aliás, a música está ali só para acompanhar a mensagem do poema e, talvez por isso, seja tão mais simples e nua que as outras músicas do álbum. É uma música que vai crescendo ligeiramente para culminar na parte final que é também a melhor parte da letra. Não há nada deixado ao acaso neste canção.



"Siamo gli ultimi di questa lunga fila
Siamo quelli che ci manca ancora una salita
Quelli che vedi quasi sempre sullo sfondo
Siamo gli invisibili che salveranno il mondo"
(Somos os últimos desta longa fila
Somos aqueles que ainda têm mais uma subida
Aqueles que vês quase sempre no fundo
Os invisiveis que salvarão o mundo)

Canção 10:  Vita da fenomeni (6.5/10)

Diria que é a música perfeita para um passeio à beira-mar ao pôr-do-sol. Não lhe vejo um grande ponto de interesse nem nada que a distinga, mas deixa-me feliz. É a típica música de meio do álbum.

Canção 11:  Un po' di pace (5.5/10)

Vês, Adelaide Ferreira? É possível pedir um pouco de paz de andar aos berros a furar tímpanos às pessoas. Digo isto, apesar de ser a música que menos goste do álbum. Não a vou passar à frente, mas acho-a muito mais fraca que as restantes.




Avaliação final (0-10): 7.9


Foto/Vídeos: Ermal Meta

[Review] As tramas da vida em "a little dramatic" de VICTORIA

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VICTORIA, representante da Bulgária no Festival Eurovisão 2020 e 2021, estreia-se com o EP "a little dramatic".

Victoria Georgieva ficou conhecida e deu início à sua carreira musical após participar na 4.ª edição do The X Factor Bulgaria, em 2015. A artista lançou alguns singles em búlgaro, mas foi com "I Wanna Know", canção em inglês, que deu o salto. 

Convidada pela emissora da Bulgária para representar o país no Festival Eurovisão 2020, VICTORIA, como se afirma enquanto artista, despertou olhares internacionais com "Tears Getting Sober", considerada por muitos uma masterpiece, e foi, durante vários e largos meses, até ao cancelamento do Festival, devido à Covid-19, a favorita a erguer o troféu. Reconvidada para representar o país em 2021, a artista lançou "a little dramatic", o seu EP de estreia de onde saiu o tema para a Eurovisão, elevando-se ainda mais a nível europeu.


Canção 1: imaginary friend (9.5/10)

Abrir o EP assim deixa-nos a pensar no que poderá vir a seguir; cinco segundos de música e já se sentem as vibes da VICTORIA. Seguramente a minha favorita do EP. "imaginary friend" é uma canção capaz de nos captar (a nós, ouvintes), atenção e de nos deixar vulneráveis. Com um instrumental rico em harmonias e coros incrivelmente perfeitos, é também impossível não notar a letra intimista, que retrata um amor não correspondido de alguém que, no fundo, nunca se fez sentir presente.


"how can you miss someone
that you never knew at all
feels like I made you up
were you real at all?
my imaginary friend"



Canção 2: growing up is getting old (8/10)

"growing up is getting old" tem das melhores letras do EP. Dá para sentir pelo instrumental, pelas suas harmonias, e pela letra que é uma canção especial, um pouquinho diferente das restantes quatro. Sem dúvida que a artista quer transmitir uma mensagem de coragem e de esperança.


"if your world is breaking
and growing up is getting old
know that you're worth saving 
and getting up is all you've got"



Canção 3: dive into unknown (8/10)

Em "dive into unknown", VICTORIA fala-nos sobre a toma de decisões em contexto de incertezas; presa a esse contexto de incertezas e de insegurança, a artista prefere "mergulhar no desconhecido", fazendo uma escolha que a leve a crescer. Se há forma de retratar a angústia de dar um passo sem direção definida, esperando que haja imponência no final, é esta. À semelhança de "imaginary friend", também "dive into unknown" é rica em harmonias extremamente bem conseguidas e tem um instrumental de luxo.


"I'm slowly letting go
as I dive into unknown"



Canção 4: phantom pain (9/10)

As semelhanças com Billie Eilish são inegáveis, mas o estilo VICTORIA das canções anteriores continua bem presente. Um estilo bem diferente do ouvido até aqui. A ansiedade de ultrapassar uma relação está patente em "phantom pain"; através desta faixa, é-nos refletido o estado de uma pessoa mentalmente afetada pelo final de uma relação. Através da letra e de uma batida meio obscura, é possível perceber que a artista está sozinha, só se tem a ela própria, e, como se encontra numa profunda escuridão, não consegue encontrar os seus próprios cacos e recompor-se, chegando ao ponto de não se reconhecer por estar in pieces; esta situação é retratada de forma visual através do videoclip. O final de "phantom pain" oferece uma transição muito boa para a faixa seguinte (e última) – "the funeral song".


"to the mirror and back again 
next time maybe I won't see myself 
to the mirror - black again 
next time maybe I won't see myself 
I can't seem to
find the pieces again"



Canção 5: the funeral song (8.5/10)

"the funeral song" é tudo menos o que o título sugere. Com um instrumental bem mais catchy, esta canção transmite um q.b. de alegria e animação, contrastando um pouco com os instrumentais das faixas transatas. "a little dramatic" conta uma série de 'histórias', sendo que "the funeral song" é a faixa de viragem; até aqui a artista retratava situações mais tristes e pesadas, mas passou a falar-nos da necessidade de positivismo, após as situações menos boas, da necessidade de abraçar a vida e de viver os seus momentos. Não havia, de todo, melhor maneira de terminar esta caminhada de histórias e de situações.


"life is a mess that makes you mad
I tried so hard to make it count
but now that I'm done, 
I find it's really not sad
cause in the end,
I realise
that i have no problems left"




Avaliação final (0-10):


Imagem: ESCplus/Vídeos: VICTORIA

[Review] A rainha da Grécia voltou com "Apohrosis"

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"Apohrosis" (em português, "Tons") é o nome do novo álbum de Helena Paparizou, vencedora da Eurovisão em 2005, e o nome feminino maior da música grega atual.

Este é o 10.º álbum de estúdio da cantora e o 7.º cantado em grego. Conta com 13 canções e todas elas vão ter videoclips. Os videoclips que faltam, a serem lançados nos próximos dias, pelos teasers, parecem centrar-se, cada um, numa cor diferente, indo de encontro ao nome do álbum. A maioria das músicas e da produção ficaram a cargo do grupo Arcade, que se tem afirmado cada vez mais na indústria musical grega. Quem me conhece sabe o quão fã eu sou, há muitos anos, da Helena. O meu álbum preferido é o "Giro Apo T'Oneiro". Será que este "Apohrosis" consegue superá-lo?  


Canção 1:  Αδιέξοδο - Adiexodo (9.5/10)  

É uma canção misteriosa e meio sombria com um refrão poderoso que enfatiza a voz grave. As raízes do laiko estão presentes muito subtilmente juntamente com os sons mais modernos. É uma excelente maneira de abrir um álbum que descreveria exatamente desta forma. Só o final é que deixa um pouco a desejar.

Canção 2:  Σε Ξένο Σώμα - Se Xeno Soma (9.5/10)

"Se Xeno Soma" segue a lógica da canção anterior, mas é muito mais poderosa que esta. Os elementos étnicos estão mais presentes e o refrão é mais forte. Um pouco repetitiva a certa altura, mas das melhores deste álbum. A voz adapta-se na perfeição à música. Sinto que a Helena passou anos e anos a cantar músicas que não assentavam na sua voz, mas finalmente começou, desde o último álbum, a redimir-se disso mesmo. Pontos para o videoclip que é muito bom.



Canção 3:  Αποχρώσεις - Apohrosis (8/10)

A música que dá nome ao álbum é estranha. Parece ter caído aqui de para-quedas. Na verdade, depois de a ter ouvido meia dúzia de vezes, ainda não sei se gosto ou não, mas tenho algumas certezas que se vai tornar numa das minhas mais ouvidas. A letra fica no ouvido, o solo de guitarra pós-refrão é muito bom e, apesar de ser totalmente oposta ao estilo mais dark do álbum, não deixa de ser interessante.

Canção 4:  Μη - Mi (8/10)

Das músicas "novas", esta parece-me a que mais facilmente fica na cabeça. É um ritmo simples, mas muito moderno, sem as raízes mais gregas deste álbum. O refrão é muito catchy e, sendo repetitivo com a palavra que dá nome à canção, torna-se memorável. Faz lembrar a era "Ti Ora Tha Vgoume?".

Canção 5:  Για Ποια Αγάπη - Gia Poia Agapi (9/10)

A música mais ritmada dentro do conceito do álbum. Um refrão forte e uma letra igualmente forte sobre amor inexistente. Acho que é a que mais potencial tem para se destacar das demais num concerto ao vivo.

Canção 6: Άσκοπα Ξενύχτια - Askopa Xenihtia (7.5/10)

Tudo certo nesta música, mas ninguém imagina a confusão que me faz a falta de uns segundos a mais na transição do primeiro verso para o refrão. Para mim faria tudo mais sentido se fosse como na segunda transição. Ninguém me tira da cabeça que isto foi um erro de corte na edição. Não consigo explicá-lo de outra forma. Posto isto, a música é muito boa e duvido que alguém repare neste pormenor. 



Canção 7: Μια Σταγόνα Αμαρτία - Mia Stagona Amartia (9/10)

Os sons étnicos desta música lembram-me, de certa forma, algo relacionado com o mundo oriental e talvez tenha sido precisamente essa ideia com eles e com a referência às mil e uma noites e ao tapete mágico no refrão. 

Canção 8: Έτσι Είναι Η Φάση - Etsi Einai I Fasi (8.5/10)

Sinto que nós, os eurofãs, e todo o povo grego precisávamos disto para a nossa vida estar completa: um dueto entre os reis da Grécia aka Helena Paparizou e Sakis Rouvas. Aquando do anúncio, tive medo que a canção fosse ao jeito do Sakis e fiquei com medo. Felizmente, foi precisamente o oposto. Uma canção sofrida, com um crescendo a culminar num refrão fortíssimo. As vozes, sendo a dela muito mais forte e imponente que a dele, combinam na perfeição.



Canção 9:  Κάτι Σκοτεινό - Kati Skoteino (10/10)

"Kati Skoteino" é o tipo de música que ouvimos uma vez e sabemos imediatamente que é um 10. Não é preciso ouvir mais nenhuma vez, mas vamos voltar a fazê-lo porque não é possível parar. O crescendo até ao refrão e a intensidade que se vai criando até ao mesmo é fenomenal. Há pouco que possa dizer sobre esta música. Oiçam-na, só.



Canção 10:  Μίλα Μου - Mila Mou (6/10)

Esta é uma música descontraída, mas talvez descontraída demais. O ritmo é interessante, sem dúvida, e diferente de todo o resto do álbum, mas "Mila mou" não vai a lado nenhum, fica perdida nas mesmas notas e no mesmo ritmo durante 3 minutos. A versão acústica é melhor.

Canção 11:  Déjà Vu (5.5/10)

Se a música é boa dentro do estilo? Considero que sim. Também considero que a voz encaixa aqui muito bem e que a produção é muito boa. Qual é que é, então, o meu problema com "Déjà Vu"? O género em si. Não consigo adorar esta música. De todas, seria a primeira que passaria à frente. Também não considero esta parceria com a Marseaux (que eu não conhecia) lá muito bem sucedida.

Canção 12:  Δεν Επέστρεψα - Den Epestrepsa (6.5/10)

Não que seja uma música má, mas considero-a a mais esquecível das 13. É uma canção típica de final de álbum que vai ser a favorita de zero pessoas. Lembra-me muito a era "Vrisko To Logo Na Zo" pelo ritmo mais rock do refrão.

Canção 13:  Αναμονή - Anamoni (8.5/10) 

O baladão do álbum. Apesar de muitas músicas se poderem encaixar nesta categoria, esta é a que mais facilmente identificamos como tal por ser a mais lenta de todas. Eu sou uma pessoa simples: metam-me um piano e cordas numa música e estou conquistada, mas há aqui qualquer coisa que não me convence a 100%, talvez a melodia do piano e da voz não casem totalmente em todas as partes da canção. Update: esta review foi escrita no dia em que o álbum saiu. Passaram-se 2 dias, ouvi-a mais umas vezes (inclusive ao vivo). Não é de fácil audição à primeira, mas é incrível depois de algumas vezes. 




Avaliação final (0-10): 8

"Apohrosis" é um álbum extremamente bem conseguido com um seguimento lógico e adaptado à voz da cantora. Atrevo-me a dizer que, juntamente com o antecessor "Ouranio Toxo", é o melhor da vencedora de 2005 até à data. Tem duas músicas que dispensava no alinhamento, mas é um gosto muito pessoal. O álbum é incrivelmente bem produzido e consegue juntar ritmos muito modernos e tradicionais de forma irrepreensível.

Foto/Vídeos: Helena Paparizou

[Review] "Viceversa" de Francesco Gabbani ou "como se superar álbum após álbum"

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"Viceversa" é o quarto álbum de estúdio de Francesco Gabbani e o nome do mesmo é também o nome da canção com a qual chegou ao segundo lugar no Sanremo deste ano. 

Francesco Gabbani faz da música a sua vida há muitos anos, mas apenas em 2016 conseguiu um lugar de destaque no panorama musical italiano com a vitória no Sanremo Nuove Proposte com a canção "Amen". Desde aí que era fácil perceber que estava ali um artista diferente, que tinha algo a acrescentar. No ano seguinte, regressou ao concurso e venceu com "Occidentali's Karma". Foi, durante meses, o grande favorito a ganhar a Eurovisão.

Acabou no 6.º lugar eurovisivo e a canção tem mais de 200 milhões de visualizações. O álbum "Magellano" (em português, "Magalhães", nome dado em jeito de homenagem ao navegador Fernão de Magalhães) foi número um durante semanas e semanas. Era o nascer de uma nova estrela com um público de todos os géneros e idades. Em dezembro de 2019 anunciou o seu regresso ao Sanremo com uma música mais intimista. "Viceversa" acabou no 2.º lugar da prova tendo vencido a votação do público. O álbum com o mesmo nome é, novamente, a cara do artista.


Canção 1: Einstein (10/10)

Einstein é, como o autor afirma, um diálogo imaginário com entre ele e o cientista com muitas alusões à relatividade no refrão. É uma espécie de ode à não desistência, com Einstein a dizer "mas que m*rda é que estás a fazer, Francesco?" incentivando o sujeito a continuar a tentar. É  a música mais "eu fumei drogas das boas" deste álbum já que há várias partes todas muito diferentes e é bastante complicado articulá-las de forma harmoniosa.

Canção 2: Il Sudore Ci Appiccica (10/10)

Esta é a canção que mais grita Gabbani em todo o álbum. É uma canção animada, fresca, que nos faz querer cantar e dançar e perfeita para o verão. Se isto não é a cara do Gabbani, nada é. Ele tem um dom para pegar em músicas animadas e fazê-las como mais ninguém as faz e esta é só mais uma prova disto mesmo.


Canção 3: Viceversa (9.5/10)

"Viceversa" é o tipo de canção que eu não espero ouvir do Gabbani, mas que ele faz tão bem. Ele tem muito poucas baladas, é verdade, mas todas elas são de um sentimento tremendo. A forma como "Viceversa" nos agarra até explodir no final é fenomenal. Os assobios tornaram-na perfeita para o Sanremo. E, como sempre, a letra, apesar de mais lamechas, é fenomenal.


"Parlano di pace e fanno la rivoluzione, dittatori in testa e partigiani dentro al cuore"

Canção 4: Cinesi (7.5/10)

Para mim esta é a música menos interessante do álbum. Não que seja má, mas fica aquém quando em comparação com as restantes. "Cinesi", parece passar muito tempo entre os versos e refrões e a parte final que é, sem dúvida, a mais interessante.

Canção 5: Shambola (9/10)

Se esta música não vos dá vontade de ir para uma esplanada à beira mar beber um cocktail qualquer com nome em estrangeiro e um mini chapéu espetado numa fruta tropical qualquer que há dentro do copo, não sei de que planeta são. "Shambola" tem um ritmo que me faz lembrar a música brasileira e uma letra que eu escolho interpretar com uma homenagem a Dark (Adão e Eva, alguém?). Há imensos pormenores deliciosos nesta música. Oiçam-na com atenção e deliciem-se.

"Ti chiederanno come è andata la vita, tra un lato oscuro e una facciata pulita"

Canção 6: Duemiladiciannove (8.5/10)

Cá está, a letra mais Gabbani do álbum. "Duemiladiciannove" foi lançada no final do ano passado e é uma espécie de retroespetiva do ano da prespetiva do cantor. O videoclip é fenomenal com aquele q.b. de crítica social que tanto carateriza o italiano.


Canção 7: È Un'Altra Cosa (7/10)

Esta música leva a pontuação mais baixa por um motivo muito específico: não acrescenta grande coisa. É uma música muito ligada ao verão, que nos deixa com vontade de passear à beira-mar a ver o pôr do sol, mas, na prática, fica aquém de tudo o resto que temos no álbum.

Canção 8: Bomba Pacifista (8/10)

"Bomba Pacifista" remeteu-me, à primeira audição, para um significado diferente daquele que o autor lhe queria dar (apercebi-me disso mais tarde a ouvir uma entrevista). Esse é o poder das canções: transmitirem-nos qualquer coisa. Mesmo que não seja a coisa que quem a escreveu queria transmitir. A maioria das canções não conseguem fazer isso de tão básicas que são.

"Quando scoppia non dire mayday, la bomba è quel che sono e che sei, oh. Un'esplosione che rompe tutto ma, la luce entra di già"

Canção 9: Cancellami (9.5/10)

"Cancellami" é mais um excelente exemplo do que disse acima: o Gabbani faz poucas baladas, mas, quando faz, são incríveis. Esta canção foge à estrutura mais normal de uma música: verso - refrão - verso - refrão - ponte - refrão. É isso que a torna fascinante. O final, mais calmo que o resto da música, é meio brusco como aliás me parece que é a maioria da canção ainda que de forma disfarçada.



Avaliação final (0-10): 
Foto: Francesco Gabbani/Vídeos: Francesco Gabbani, MrPrimoDj

[Review] A viagem reflexiva de Blanche em "Empire"

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Empire é o álbum de estreia da cantora e compositora belga Blanche (ESC 2017), lançado a 29 de maio de 2020. 

"Empire é um álbum para ser digerido do início ao fim, onde todas as canções foram organizadas com uma certa intenção. (...) é rico em arranjos, matizado nos seus ritmos e diverso nos seus temas. Este é o meu álbum; estas são as minhas canções e os meus sentimentos. Algumas canções são mais pessoais, outras são como contos modernos". Uma descrição feita pela própria acerca do seu primeiro disco e que que não falha na sua concretização, colocando Blanche no mapa do cenário musical europeu. 

Foi na Eurovisão de 2017 que conhecemos Blanche, uma menina tímida de timbre grave, que enfrentou uma plateia de milhões de pessoas pela primeira vez em sua vida. City Lights, o tema com o qual defendeu a bandeira belga, era indiscutivelmente o melhor tema pop em competição e uma promessa da qualidade do que vinha por aí. "Empire" é a concretização dessa promessa, vagueando pelo obscuridade do seu tema eurovisivo e florescendo através de uma diversidade de ritmos e arranjos introspetivos.


Canção 1: Empire (9/10)

A faixa título de disco é uma canção rica em elementos orquestrais e eletrónicos que realçam o incomparável timbre da cantora. Empire é lúgubre, profunda e envolvente, expondo o medo do desconhecido e da insegurança. Blanche abre a porta do seu coração e libera destemidamente os seus receios. 

"Fever for people, fever for people, fever for people, fever for people..."


Canção 2: Till we collide (7/10)

Em Till we collide, Blanche expressa o seu amor de uma forma mais direta, mas menos efervescente do que na faixa anterior. Uma produção mais radiofónica, que embora não atinja a grandiosidade de outros temas deste disco, é ainda um bom momento de música pop.   

Canção 3: Fences (10/10)

Que se destruam as barreiras da rejeição, que se abram os corações e que se aceitem as diferenças. Fences é sobre quebrar muros e descobrirmos o próximo, numa entrega sincera e indispensável. A canção é executada na perfeição, através de uma produção pop sublime e um ritmo mais acelerado que o das faixas anteriores. 


"Fences, right where it starts, where life ends"



Canção 4: Only you (8/10)

Blanche mergulha, mais uma vez, num tema apaixonante, numa das progressões melódicas mais orgânicas de Empire. Uma canção envolvente e com um arranjo de cordas brilhante. O refrão é simples, contrastando com a complexidade da produção.

Canção 5: Lonely (7/10)

Em Lonely, a cantora constrói uma metáfora em torno da solidão e da severidade e frieza do inverno. Mais uma vez se mesclam elementos de música eletrónica com instrumentos de cordas, conceito que se prolonga ao longo de Empire. Não é a canção mais bem trabalhada deste álbum, embora contribua para a sua consolidação musical.

"Are you cold outside, when the rain won't stop?"

Canção 6: How does that sound (10/10)

Chegados a meio do álbum, Blanche canta-nos a canção mais contemporânea e uma das mais bem produzidas de Empire. Em How does that sound são abordados temas como a saúde mental e a auto-aceitação, através da revelação dos conflitos internos da cantora. Um das maiores destaques, tanto a nível técnico como a nível lírico.

"In the mirror, do you see what you wanna see?"




Canção 7: Soon (7/10)

Soon começa simples e envolvente, apenas com o som do dedilhar de uma guitarra, ao qual se sobrepõe os  vocais quentes de Blanche. A canção vai crescendo ao longo da sua duração, através do acréscimo de outros instrumentos, como o piano e a tambor. No entanto, Soon falha na construção de uma melodia mais memorável. 

Canção 8: 1, 2, Miss you (7/10)

Neste faixa, Blanche continua a sua jornada amorosa, por meio de uma produção contida, que peca apenas pelo refrão pouco efetivo. É, ainda assim, um momento de paz interior, necessário num álbum deste género.

Canção 9: Summer nights (8/10)

Tal como em How does that sound, Blanche arrisca-se mais uma vez numa produção e sonoridades mais contemporâneas e radiofónicas. Em Summer nights, a compositora fala sobre memórias que nos trazem alegria e que nos fazem enfrentar os momentos mais sombrios do presente, contraste bem definido através da soturnidade dos versos e pelo sentimento de esperança transmitido pelo refrão.


Canção 10: Pain (9/10)

É em Pain que entramos na reta final deste belo trabalho discográfico e não poderia ser de melhor forma. Aqui, Blanche explora o lado dolorosa da relação, evidenciando as suas mágoas e tristezas. A produção é distinta das anteriores, estando a carga de uma banda e não de elementos da música eletrónica.

"Now my tears are filling up my pink pillow which is now black"

Canção 11: We had (9/10)

Mais uma vez, a produção soa menos eletrónica em We had. Uma canção com diferentes dinâmicas, capaz de criar uma atmosfera envolvente, pavimentando o caminho para a faixa final de Empire.

Canção 12: Stubborn (8/10)


Chegados à conclusão desta jornada, Blanche sintetiza toda a sua viagem reflexiva numa das melhores letras do álbum. Em Stubborn o ritmo desacelera, ao mesmo tempo que cantora se apercebe que ainda há muitas questões por responder.

"Do I really wanna feel?"
Avaliação (0-10):
Imagens: Blanche (Facebook) /Vídeos: Blanche (YouTube)
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