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[Crónica] Festival Eurovisão da Canção 2012 - por Cláudia Matos

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Após um ano de espera, surge a semana mais ambicionada de 2012: a semana do ESC. E após esse ano de preparação na organização deste evento, só tenho que dar os parabéns a todos os profissionais que trabalharam arduamente para nos proporcionar este grandioso espetáculo! A Baku Crystal Hall foi construída propositadamente para a Eurovisão deste ano e esteticamente ficou maravilhosa! A sua luminosidade espelhava sobre o rio, dando um efeito de cores lindíssimo. No interior, o palco marcou pela diferença: de formato retangular e de grande dimensão, a sua disposição fez com que tivesse voltado para todo o público, em 360º. No entanto, apesar de ter sido essa a intenção, penso que não facilitou muito a visibilidade do espetáculo, pois pareceu demasiado alto. Destaco o trabalho de toda a equipa de realização, pois como sempre, assistimos pela tv a bons planos de câmara que, juntamente com os efeitos especiais e fogos-de-artifício, atribuíram às atuações uma carga emocional que nos fez deliciar ainda mais todo o espetáculo.


Antes das atuações de cada concorrente, foram surgindo imagens do Azerbaijão, relacionadas com a cultura, o turismo e a gastronomia. O marketing utilizado transmitia ao telespectador um país com várias vertentes para explorar (Baku, cidade de mar, de neve, de fogo, de vento, de luz, de poder…). Penso que esta “publicidade” foi muito bem conseguida e apelativa. E foi evidente também o sucesso das cores das bandeiras de cada país no exterior da arena, muito original!


A apresentação dos diretos foi competente, mas não espetacular. Os apresentadores não nos proporcionaram grandes momentos de diversão e transpareceram muito nervosismo e inexperiência. Será que não existe melhor no Azerbaijão? Sei que é uma grande responsabilidade, e por isso não é qualquer profissional que tem a sorte de poder estar à frente de um evento como este, mas não pareceu que tivessem muito entusiasmados por estar ali: para o mundo! Além disso, um dos momentos cruciais é a revelação da votação (semifinais), e aí não conseguiram transmitir qualquer suspense.

Os espetáculos de abertura e durante o intervalo tiveram como objetivo, sobretudo, evidenciar a cultura musical azeri. Foram bons momentos de entretenimento, embora a atuação de Ell & Nikki na final “soubesse a pouco” e, infelizmente, cantaram em playback. 


Relativamente às atuações e aos resultados, as injustiças evidenciaram-se logo na primeira semi-final. Seria a semi-final mais fraca (e de facto foi), em que os países apurados eram previsíveis. No entanto, faltou um: a Suiça. Os Sinplus foram excelentes em palco, interagiram com o público e a música era uma das melhores de todo o concurso (quanto mais da semifinal mais fraca). Não esperava que ficasse retida e fez muita falta na final. Também não se estava à espera que Montenegro não fosse a última classificada, tendo sido a pior atuação da noite. 


Na segunda semi-final, as coisas mudaram de figura e relevou-se muito mais competitiva. Eva Boto, para mim, fez uma das melhores performances. É ainda muito jovem mas já tem uma voz assim, tão pura. Estava nervosa mas a desfrutar cada momento. Foi uma grande injustiça não ter passado à final, e pior, ter ficado em penúltimo lugar, quando eu a poria num top 5. A Eslováquia, apesar de ter tido uma prestação menos boa, devido às desafinações de Max, também fez falta na final, por ter marcado pelo estilo diferente. Portugal teve o resultado que já se esperava, apesar de todos nós acreditarmos que seria possível. Era muito difícil, mas Filipa cumpriu, e muito bem, proporcionando-nos uma agradável atuação, que transpirou nacionalismo. A Macedónia foi poderosa em palco e assim conseguiu um lugar merecido na final, tal como a Malta. Eu adorei a atuação de “This is the night” e já dava por mim a tentar imitar a coreografia de pés. Ao contrário do que se comenta, eu acho que foi muito marcante e intensa. A Ucrânia, por mim, é que ficaria retida da segunda semi-final. Não foi um momento nem interessante, nem cativante. Os agudos de Gaitana não eram muito agradáveis. É nestas alturas que eu gostaria que a Ucrânia não fizesse parte daqueles países que passam sempre, independentemente daquilo que apresentam. 


Os resultados da grande final também surpreenderam. Se tivéssemos conhecimento das posições das semifinais, já estaríamos à espera, por exemplo, do último lugar atribuído, à Noruega. Foi um extremo exagero tão má posição. Tooji não é um excelente cantor, mas não foi, nem de longe nem de perto, a pior atuação. Essa atribui-la-ia mais depressa à França ou ao Reino Unido. A Dinamarca também merecia muito mais. Com tantos bons vizinhos e com os resultados positivos dos últimos anos, não era, de todo, esperada uma classificação tão negativa. De todas as atuações que vi da Islândia, a da final foi a menos bem conseguida. Jónsi enganou-se num pormenor da coreografia e as vozes também não estiveram no seu melhor. Mesmo assim, esta canção tão bonita que, por mim, também ficaria no top 5, não foi valorizada. As festivaleiras Chipre e Grécia são tão amigas que até na classificação ficaram “agarradinhas”. Relativamente aos lugares mais cimeiros, destaco a Estónia, a Albânia e a Sérvia, que conseguiram um excelente resultado com as excelentes vozes dos respetivos intérpretes e com a intensidade de cada atuação. Para a Espanha a fasquia era demasiado alta e, por isso, soube a pouco um 10ºlugar. Já a Itália e Alemanha foram competentes nas suas apresentações e conquistaram o carinho do público. A Turquia, amiga inseparável dos azeris, ficou igualmente bem posicionada, dando a sensação que foi um pouco “levada ao colo”, por estar a competir neste país. O Azerbaijão sentiu-se literalmente em casa e, tal como o habitual, conseguiu um excelente resultado merecido. Já a Rússia que, por mim, ficaria nos últimos lugares, arrecadou a vice-liderança. Este talvez tenha sido o mais incompreensível resultado. Sim, as vovós eram umas queridas mas o que dizer da voz? Da coordenação? Da qualidade musical? No próximo ano, a Rússia não precisa de se dar ao trabalho de organizar uma final nacional. Apenas poderá levar um cãozinho rafeiro a ladrar que está na final e no top 10! Finalmente a vitória de Loreen: a justíssima e também previsível vitória da Suécia. Euphoria, destacadamente, era a canção mais original. E ao contrário de muitas canções vencedoras, esta ficará no ouvido e nunca será esquecida. Loreen trabalhou arduamente e conseguiu surpreender. Que a carreira dela prossiga positivamente, que bem merece! E, no próximo ano, certamente iremos assistir a um maravilhoso espetáculo. Os países nórdicos são dos mais vibrantes com a Eurovisão e, com certeza, irão proporcionar-nos grandes momentos! Parabéns, Suécia! Já todos esperamos ansiosamente pelos dias 14, 16 e 18 de Maio de 2013. 

Redigido por: Cláudia Matos

[Crónica] Festival Eurovisão da Canção 2012 - por Diogo Canudo

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O Festival Eurovisão da Canção 2012 realizou-se em Baku, no Azerbaijão – um país com 9 milhões de habitantes (aproximadamente), que se rege por uma república semipresidencialista. Como forma de desculpa por ter cancelado a edição do Festival Eurovisão de Dança 2009, a EBU viu-se na obrigação de entregar uma vitória ao Azerbaijão, um país que entrou em 2008 na Eurovisão e que obtém uma das melhores médias (em termos de resultados), estando sempre presente no top10. Como diz o ditado – “Amigos, amigos, negócios há parte -, “Running Scared” ofereceu aos fãs eurovisivos uma das piores vitórias de sempre. E a EBU percebeu isso.


Primeiro que tudo foi uma má ideia terem entregue o festival a um país que tem conflitos étnicos (um dos problemas que o Estado-Nação enfrenta actualmente) com a Arménia, um país que não respeita os direitos humanos (não é por acaso que Loreen foi criticada por ter ido ouvir as histórias de vida das mulheres azeris e por a locutora alemã, no momento em apresenta os votos da Alemanha, ter afirmado que a Europa está de olhos bem abertos para a situação geo-política do Azerbaijão), um país que não tinha meios para preparar um certame de alta importância num curto espaço de tempo. A equipa alemã, que realizou a Eurovisão em 2011, é que foi a salvadora de um mísero ano.


Como prova deste insucesso, a principal causa foi a escolha dos apresentadores. Além das piadas secas, os três apresentadores não eram naturais e quase que obrigavam o público a achar-lhes piada. Além disso o inglês era péssimo – até eu fazia melhor figura – e o francês nem vale a pena falar. Catastrófico! 

Outro dos pontos negativos desta mísera edição foi o trabalho de câmaras – totalmente descoordenadas que prejudicaram imenso algumas atuações (Islândia, Bielorrússia, Portugal, Croácia, Eslováquia, França, Itália…). Além disso o palco era horrível, nada original, demasiado grande e ficava feio quando as câmaras o mostravam. Saudades que eu tenho do palco de 2008! 


Como último aspecto negativo de toda esta edição não posso deixar de referir todas as polémicas – desde os ataques terroristas à delegação da Arménia e aos arménios que queriam assistir ao vivo ao Festival, aos abates de animais para a construção da Baku Crystal Hall, aos ataques de imprensa por parte do Irão e da Islândia, às acusações azeris à Anistia International e ao Human Rights Watch por mancharem a imagem do país, à confusão na Opening Reception Party… Isto é a prova que a Eurovisão não acontece apenas em 3 dias de cada ano.

Em termos de organização, novamente, tenho de salientar quatro aspectos positivos: o postal das votações que mostravam imagens belíssimas do Azerbaijão (até fiquei com vontade de visitá-lo), os extra acts (que a nossa RTP fez o favor de pôr intervalo. Que simpática, uma doçura…), abertura da finalíssima (já que as semifinais nem isso mereceram… Vergonha!) e, antes de cada atuação, a bandeira do país que incidia sobre a estrutura que recebia o evento.


Em termos de qualidade musical, a Eurovisão 2012 foi muito díspar – havia músicas muito boas e muito más. Os chamados “cromos” reinaram este festival – desde as vovós (Rússia), aos loucos por rabos (Áustria), aos manos irreverentes (Irlanda), ao preocupado pelo Euro (Montenegro), à viciada das redes sociais (São Marino) e à anedota de toda a Eurovisão 2012 (Geórgia). 


2012 foi um dos anos mais injustos em termos de resultados. O melhor disto tudo foi o facto da melhor canção, a melhor interpretação, a melhor atuação e o melhor instrumental a concurso ter ganho (vá lá, ao menos este ano ganhou a que merecia!). E é só este aspecto é que me deixa totalmente feliz em relação à edição 2012 – a minha favorita venceu –, já que tudo o resto foi uma autêntica desgraça. Mesmo assim admito que estou ansioso pelo Festival Eurovisão da Canção na Suécia, em 2013 – se o Melodifestivalen já tem o sucesso que tem, nem quero imaginar a organização que a Suécia nos vai oferecer! Fantástico!


Começando pelas injustiças, em relação à primeira semifinal (aos não-finalistas), o Montenegro não merecia o 15º lugar (merecia o último), São Marino não merecia o 14º lugar (merecia o penúltimo) e ainda fico perplexo ao ver que a Suíça não passou à final. Mesmo assim não concordo como muitos dizem que a Suíça só não passou por causa da Hungria – os Compact Disco ofereceram um bom show ao espectador, foram mais impactantes na hora das votações e levaram a melhor letra desta edição (que menciona a hipocrisia dos povos). Se me dissessem que a Suíça merecia passar, aí eu perguntava: “Então porque é que a Rússia passou?”. 


Em relação à segunda semifinal, como injustiças (aos não-finalistas) temos a não-passagem de Portugal e da Holanda (que tinham músicas superiores à da Bósnia, à da Ucrânia e à da Malta), o penúltimo lugar da Eslovénia, que levava uma das melhores músicas da edição, o último lugar da Eslováquia – Max Jason Mai esteve bastante competente em palco e “Don’t Close Your Eyes” é das melhores músicas rock (não são muitas) que passaram nos últimos anos na Eurovisão –, o 11º lugar da Bulgária (que merecia o penúltimo lugar) e o 14º lugar da Geórgia (que merecia o último lugar).


Quanto aos finalistas de cada semifinal, aqueles que me choco e me pergunto – “Como é que passaram à final” -, tenho de apontar a Moldávia (a coreografia era caricata e a música não tinha potencial), a Rússia (mas isto é um festival de música ou de simpatia?), a Malta (isto é melhor que “Vida Minha” ou “Verjamem”? Ai, minha santa Antónia), a Ucrânia (quando oiço “Be My Guest” fico com medo… que histerismo!) e a Bósnia & Herzegovina (que sono… queria ver se fosse Portugal a levar isto se passava. Tretas!).


Na finalíssima de dia 26 de maio, tenho de salientar o resultado da Estónia, que foi muito justo (ainda se ouvem “músicas de verdade”), da Sérvia (apesar de não gostar, a música mereceu o top3), do Azerbaijão (uma das melhores interpretações da noite) e da Alemanha (simples é sempre melhor).


Como choques aos resultados, aponto a Rússia (é, nestas alturas, que tenho “vergonha” de acompanhar um festival de música que atribui o segundo lugar a idosas desafinadas), a boa classificação da Lituânia (nunca pensei que conseguisse tanto, mas Donny Montell mereceu. É um excelente artista), as más classificações dos países nórdicos que devem ter-se juntado para ajudar Loreen e esqueceram-se do resto da sua vizinhança (Islândia, Noruega e Dinamarca), ao resultado da Espanha (“Quédate Conmigo” merecia, no mínimo, o top5), ao bom resultado da Moldávia (sem comentários… “Lautar” não merecia) e da Albânia (apesar de muitos adorarem a intérprete e a música, para mim gritar não é cantar, e peço já desculpas por ferir susceptibilidades) e, por fim, ao exagero da pontuação turca (a música não é assim tão boa). 


Dos resultados que já esperava tenho de referir o lugar da França (a pior atuação da noite de 26, os planos de câmara não ajudaram em nada), da Hungria, da Malta, da Ucrânia, da Macedónia, da Bósnia & Herzegovina e do Reino Unido (notava-se, de longe, que não iam longe), da Irlanda (enjoou ver novamente os manos na Eurovisão), da Grécia (Helena Paparizou wannabe nunca resulta bem). Como lugares justos, além daqueles que já falei, temos a Roménia e o Chipre, que ficaram a meio na tabela, e a Itália, que desiludiu devido aos planos de câmara. 


Em relação à participação de Portugal, tenho de agradecer à Filipa Sousa e à toda a sua equipa pelo esforço em dar uma boa imagem de Portugal lá fora. Com uma semifinal muitíssimo difícil, já era de prever a não-passagem; mas, na Eurovisão, normalmente não passa à final quem merece. Não querendo tocar no ponto do Festival RTP da Canção 2012, pois já tive oportunidade de falar, tenho de fazer uma crítica à RTP, que já é um hábito. Foi vergonhoso a falta de publicidade ao certame, à falta de apoios à delegação portuguesa, ao facto de não terem pago a viagem a Baku aos criadores da música... Muita coisa tem de ser feita e o resultado de “Vida Minha” foi uma demonstração disso mesmo! Algo tem de mudar - e não são os fãs, os cantores, os compositores que têm de mudar primeiramente; é, sim, a RTP! 



Apesar de inúmeras injustiças, a Loreen venceu e isso é que é mais importante. Em 14 anos a ver o festival, nunca o meu favorito tinha ganho; por isso tenho um apreço especial por “Euphoria”. São estas coisas que fazem ainda delirar mais pelo certame. Ainda me lembro o ano passado que, quando assisti à vitória de Ell & Nikki, afirmei nunca mais voltar a ver o certame… No entanto o amor pelo festival não acaba e só quem é fã sente… A nossa vida é esta: acordar com o festival, respirar com o festival, viver com o festival. 

Redigido por: Diogo Canudo

[Crónica] Festival Eurovisão da Canção 2012 - por Jessica Mendes

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Há quem me diga que eu estou sempre a criticar tudo e todos, pois bem, se me pedem a opinião, é a minha opinião que dou e não aquela que acho que vai agradar a toda a gente. Para aqueles que esperam mais uma opinião de uma euphorica é melhor não começarem a ler! Então começando pela vencedora, não tenho muito a dizer. Contra factos não há argumentos, era a preferida da grande parte dos eurofãs e levou o título para casa. Quanto a mim, não sou fã da música. Reconheço valor à voz/performace envolventes desta vitória mas nada mais. Podem chamar-me antiquada, mas dou muito valor a “instrumentos reais” e são raras as músicas deste género das quais gosto (mas existem algumas!). De qualquer modo parabéns à Suécia (e à Loreen) que tenho a certeza que nos vai oferecer um grande espetáculo no próximo ano.


Falando do espetáculo em si, houve muitas promessas de uma grande organização e foi aquilo que se viu. O espetáculo de abertura da final foi desastroso, não achei nada de especial. O trabalho de câmaras da organização foi do piorio e tenho a certeza que muitas músicas foram prejudicadas à custa disso (como a Espanha). Outra coisa foi os problemas de som em algumas das músicas. É vergonhoso que isto continue a acontecer. O design era uma cópia do ano passado. Quanto aos apresentadores, nem vale a pena falar. Eu, sem experiência, fazia melhor que aqueles três, principalmente o Eldar que tinha o sorriso mais forçado que eu já vi em toda a história eurovisiva. Destaque positivo para as bandeiras no exterior da arena que davam um cenário muito bonito.


Em relação às músicas, tivemos momentos excelentes, mas também momentos muito medíocres e os momentos medíocres continuaram na votação. Se há coisa que me irrita são os votos. Antigamente odiava ver os votos e mudava sempre de canal nessa altura, agora fico a vê-los não sei bem porquê. Porque é que continuam a votar nos vizinhos e não votam na melhor música? Se calhar as pessoas deviam começar a pensar assim, mas claro que é mais fácil votar no vizinho com esperança que o vizinho vote em nós. Aqueles 12 da Grécia para o Chipre, do Chipre para a Grécia, da Bielorrússia para a Rússia entre tantos e tantos outros são das coisas mais irritantes que existem. Certo que houve lugares merecidos como o da Grécia que manda uma “Helena Paparizou wannabe” à espera de um lugar no top 10, ou do Chipre (que a mim nada me surpreendeu), ou o da Espanha (que mesmo não gostando da musica, reconheço-lhe valor). Mas também é certo que houve músicas sobrevalorizadas começando pela do país anfitrião que não era assim tão boa e a da Bósnia que foi do mais chato que passou por todo o festival. Mas o prémio de músicas mais sobrevalorizadas da noite vai para … Albânia e Rússia. A sério, quinto lugar com uma gritaria daquelas? Acho que a minha mãe a gritar comigo consegue fazer mais sentido que aquela música. Acerca da Rússia só tenho a dizer que se fosse a minha avó a ir lá, ficava em último porque era por Portugal. Como é que é possível que júris que supostamente percebem de música darem pontos àquela espécie de música? Senti-me super envergonhada quando vi que Portugal deu 8 pontos à Rússia.


Se por um lado há as músicas sobrevalorizadas, depois há aquelas que ficam no fundo da tabela. Os países nórdicos tiveram uma noite para esquecer (à exceção da Suécia). Dinamarca, Islândia e Noruega ficaram no fundo da tabela, não se percebe muito bem porquê. A Islândia era das favoritas à vitória e foi o que se viu. Tudo bem que a prestação desiludiu, mas não merecia aquele lugar, assim como a Dinamarca. Mas a maior injustiça da noite (e uma das maiores da história eurovisiva) caiu no último lugar obtido pela Noruega. É óbvio que nem toda a gente tem de gostar da música (até eu estou surpresa por gostar) mas foi uma das mais bem aceites pelo público em geral e ficou em último. Onde é que estão então os supostos fãs número um da música na hora de gastar 0.74 cêntimos para votar? É certo que o Tooji teve oscilações ao longo da música mas, como o próprio disse, foi a primeira vez que atuou num palco assim. Diga-se de passagem que, para primeira vez, a dançar e cantar assim, eu diria que ele já tem anos de experiência. Ficar em último no próprio dia de anos, pobre rapaz!


Outra das injustiças da noite foi para o Reino Unido. O Reino Unido é sempre aquele país que luta pelo último lugar, mas se isso se justifica em alguns anos, este não é o caso. A atuação foi linda e o senhor canta que se farta. Não admira que eles queiram desistir do festival.


Quanto à nossa música, acho que era muito boa e a voz da Filipa também, mas a atuação foi super esquecível. Pode ser que assim aprendam a mandar algo diferente. Todos os anos mandamos baladas com grandes vozes, mas já se viu que isso não resulta (se a Senhora do Mar não resultou, nenhuma vai resultar). A RTP até tentou fazer algo diferente, mas não resultou. A ideia dos castings foi boa (e diga-se de passagem, muito profissional na maneira como foi executada), mas depois faltaram as músicas. Ponto positivo para o Pedro Granger que foi muito profissional nos comentários e aprendeu muito bem os nomes dos artistas.


Acabo este comentário com um agradecimento à Sérvia que voltou a mandar um grande senhor da música: Zeljko Joksimovic. Tenho a dizer que, para mim, tinha ganho a Sérvia (mas não tendo ganho, merecia o segundo lugar). De qualquer dos modos, foram os melhores três minutos que já passei em frente à televisão. 

Redigido por: Jessica Mendes

[Crónica] Festival Eurovisão da Canção 2012 - por Rafael Lopes

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E está terminada mais uma edição do Festival Eurovisão da Canção! No passado sábado, decorreu, em Baku, capital do Azerbaijão, a grande final do ESC 2012.

Após grandes dúvidas que preencheram os eurofãs espalhados por essa Europa fora, o festival correu de maneira pacífica e sem qualquer problema adjacente. Mas e o espetáculo? Aí entramos numa conversa totalmente diferente. Amadora é como eu descrevo a organização do Azerbaijão, que tanto lutou para vencer, até que o conseguiu (ainda não descobri como), com Ell & Nikki.


O amadorismo começa logo no ínicio do espetáculo, mal os apresentadores abrem a boca, e tentam pronunciar qualquer coisa em inglês (e francês!) que não se entende se não for escutado com atenção. Um verdadeiro apresentador dum evento desta dimensão, deveria saber como falar estas línguas estrangeiras. Eldar, Leyla e Nargiz, obviamente, não cumpriram os requisitos.

Mas nem tudo foi mau, os resultados foram bastante surpreendentes até. Desde a eliminação da Eslovénia, ficando no bottom 3 da semifinal, até ao empate da Bulgária com a Noruega, que era uma das favoritas. Ou mesmo o último lugar desta última na grande final, para enorme espanto dos fãs. 


A vitória recaiu na sueca Loreen, e o seu tema “Euphoria”, para euforia de muitos, e sem qualquer surpresa para a maioria das pessoas que acompanham o ESC. Apesar de não achar injusta a vitória, creio que a votação na final não foi entusiasmante, e até bastante previsível. A troca de galhardetes entre os países, continua bem visível, e este ano, notou-se ainda mais! O 2º e 3º lugar também não surpreenderam, já o 5º lugar alcançado pela Albânia, apanhou todos de surpresa, mostrando assim, que a qualidade ainda tem lugar na Eurovisão.


Falando de outros aspectos gerais, como por exemplo, a realização na hora das atuações, que considero ter sido pouco profissional, pelo menos nas semifinais. Na final melhorou um pouco, mas mesmo assim, os planos das câmaras estiveram longe de serem excelentes. Problemas de som também assolaram algumas delegações, como por exemplo, a romena, na qual Elena se viu aflita por não conseguir ouvir a sua voz no auscultador. Num país que prometia tamanha inovação, posso dizer que a montanha pariu um rato, e o que tivémos foi, um espetáculo de proporções gigantescas, mas com um baixo nível de profissionalismo, onde praticamente tudo foi feito por estrangeiros e os azeris apenas contribuiram financeiramente (pois claro!).

 

 Quanto à participação portuguesa, que passou muito despercebida nesta edição do ESC: considero que foi moderadamente positiva. Aplaudo o esforço da Filipa Sousa e da sua equipa, mas pelo contrário, continuo a condenar a posição da RTP perante o maior evento musical do mundo, e que deveria ser levado tão a sério como a mesma leva, por exemplo, o Futebol. Sem aposta, não há retorno, e a continuar assim, Portugal nunca irá ganhar a Eurovisão. 

Continuamos a ser o patinho feio da Europa Ocidental, o país que não inova e não sai da sepa torta. Aquele país que não quer vencer, apenas marcar presença. É algo que tem de terminar rapidamente.


E assim terminou mais um ESC, que vai deixar saudades (pela qualidade musical maravilhosa), esperando que a Suécia no próximo ano eleve o nível a 200%, que é algo que sabemos que irá acontecer.

Redigido por: Rafael Lopes

[Crónica] Festival Eurovisão da Canção 2012 - por Miguel Rodrigues

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Sábado, dia 26 de Maio de 2012, para alguns, o dia mais esperado do ano. Para mim, como fã, era sem dúvida, depois do dia 24 de Maio onde se encontrava o lutador Portugal, que fez de tudo para ter um lugar na Final (mas que não teve sorte). Em relação ao espectáculo de início, tenho a dizer que foi uma lufada de ar fresco para a Europa - isto porque os azeris mostraram-nos o quão fortes são culturalmente; além disso adorei o senhor do “espaço” e as bailarinas da maravilhosa dança azeri, nos acts. De seguida voltaram novamente os nossos apresentadores, estes que, desde a passada terça, mostraram que não tinham potencial para apresentar um programa deste calibre. Não consegui perceber muitas palavras que eles disseram em inglês (e principalmente em francês). Outro dos pontos fracos desta edição deveu-se aos fracos planos de câmara.


Este foi, sem dúvida, um dos festivais com melhor qualidade musical – apenas 2008 e 2010 superam. Em termos de espectáculo não houve nada de novo, aliás só se colocaram abaixo da edição de Dusseldorf, pois os vídeos de apresentação serviram para mostrar o quão belo é o país anfitrião (mas isso poderia ter sido mostrado no postal na hora das votações). Se formos, então, falar na organização, tenho de admitir que a arena de Baku era muito bonita – além disso o único aspecto agradável de se ver era o pormenor das cores das bandeiras, antes de cada atuação. O palco era monstruoso para colocar apenas seis pessoas. 


Em relação às músicas desta edição tenho de referir que “Euphoria” foi merecedora do prémio, pois nenhuma das outras músicas lhe conseguia fazer frente – a melhor interpretação, a melhor atuação com um instrumental muito moderno. A música ganhou imenso com Loreen!


Mas como a Eurovisão não é feita de justiças, este ano teve imensas injustiças. Na primeira semifinal, a injustiça foi a não-passagem da Suíça – uma das melhores interpretações da noite e “Unbreakable” punha qualquer música rock “no bolso”. A segunda injustiça deve-se à passagem da Hungria, que roubou o lugar à Suíça. A terceira injustiça, por ordem cronológica, mas a maior deste festival foi o 17º lugar da Eslovénia – “Verjamem” tinha imenso potencial e não merecia o resultado que obteve. 

Como mais inúmeras injustiças, temos a passagem da Ucrânia (a música não faz sentido), Bósnia & Herzegovina (se Portugal levasse uma música igual ficaria nos últimos lugares) e os últimos lugares da Noruega e da Islândia. 


Mesmo assim, a injustiça que me gerou mais perplexidade foi o 2º lugar das vovós russas (“Party for everybody” nada tinha de original, era banal – o único ponto positivo eram as intérpretes serem ternurazinhas) – que eu saiba a Eurovisão continua a ser um festival de música e não de personagens burlescas. Mas como é possível a Rússia ter ficado melhor que a belíssima canção da Sérvia? 


Outra injustiça foi mesmo o nosso país vizinho que merecia muito e muito mais, por ser simplesmente único. A Pastora Soler foi a melhor voz da noite e “Quédate Conmigo” tem um instrumental lindíssimo. Se a Suécia não tivesse uma música perfeita, talvez votaria 10 vezes na Espanha. 

Em relação aos flops do ano, posso dizer que foram entregues à Eslovénia (por ter ficado muito abaixo do esperado, pois a sua música era uma das mais claras na final), à Grécia (a sua apresentação foi fraca, nada de inovador) e à Islândia (muitíssimo injustiçada, até merecia vencer). 


Sem mais demoras, queria mencionar a prestação portuguesa que deixou, sem dúvida, os portugueses orgulhosos – eu, pelo menos, fiquei. A Filipa representou-nos muito bem e só não passámos à final devido ao voto político. Mesmo assim ficámos em 13º, que não acho mau de todo. Queria mencionar que a Filipa tornou a música ainda mais bonita, pois como sabemos no palco da Eurovisão tudo muda. “Vida Minha” só fica abaixo de “Senhora do Mar”. Muitos parabéns Filipa, e obrigado por tudo!


Concluo que foi um bom ano. A melhor canção venceu e tenho de felicitar a Sérvia, a Alemanha, a Espanha, a Itália, o Chipre, a Macedónia, a Roménia, o Azerbaijão, a Estónia e a Turquia por actuarem com atitude e personalidade. 

Redigido por: Miguel Rodrigues

[Crónica] Festival Eurovisão da Canção 2012 - por Andreia Fonseca

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Numa crónica eurovisiva, onde a minha opinião deve ser expressa de forma fundamentada, não posso deixar de referir que em todos os meus anos de eurofãs (e acreditem que já são alguns!) nunca uma favorita minha tinha vencido – isto até o marcante dia 26 de maio de 2012! Sei que alguns de vós já começaram a barafustar internamente, dado que esperam mais uma crónica de uma fanática pela Loreen! Pois bem, caso estejam à espera de duras críticas à vencedora, este texto não será do vosso agrado. Loreen foi uma justíssima vencedora, tendo sido a sua avantajada vitória uma das poucas justiças do ESC 2012!


Fonte: eurovision.tv

Comecemos pela organização… A Arena de Baku era de facto muito bonita, tendo o seu design captado a minha atenção desde o início. O mesmo não se pode dizer do palco! É das tais coisas que parecem prometer muito, mas depois na hora H desiludem. Não posso dizer que o palco e o cenário envolvente sejam feios, simplesmente são desprovidos de originalidade e não têm aquele toque especial que nos faça arrepiar. O palco era estupidamente grande, aliás, demasiado grande para um limite de seis elementos por atuação. Eu prefiro qualidade a quantidade, e neste caso, tentaram criar algo megalómano, mas esqueceram-se do glamour que o certame exige. No entanto, tenho de apontar o excelente pormenor estético que foi a projeção das cores da bandeira de cada país no exterior da Arena – sem dúvida a grande inovação azeri do ano!


A realização do concurso também deixou muito a desejar, com muitos planos de câmara sem nexo, e alguma falta de timming nas transações entre os mesmos. Algumas atuações perderam pela pobre realização - nomeadamente a portuguesa, onde mal consegui vislumbrar a cara dos elementos em palco. Para “ajudar à festa” tivemos o trio de apresentadores – com direito a uma advogada e tudo – que demonstraram, claramente, que estavam pouco capacitados para tal função. Sempre que tento recordar graciosos momentos destes “artistas” só me recordo das intermináveis piadas sobre a tradução em francês. Mesmo assim, uma palavra de apreço pelo esforço, e pela presença agradável, embora fraquinha.

Ponto positivo para o espetáculo de abertura da grande final, que contou com alguns pormenores coreográficos bastante interessantes, mesmo que não tenham sido estonteantes. Também me agradou o medley realizado pelos últimos vencedores eurovisivos, transmitido no intervalo da segunda semifinal, mas não me surpreendeu de forma alguma.


Fonte: mirror.co.uk


Passando ao mais importante, as músicas a concurso, o aspeto mais positivo desta edição da Eurovisão foi mesmo a vitória sueca. Há muito que a Suécia ambicionava esta vitória, e nada melhor para o conseguir do que uma intérprete brilhante e humilde como Loreen, com um tema que promete ocupar lugares cimeiros em Tops internacionais. “Euphoria” é daquelas músicas que dificilmente será esquecida, sendo um hit eurovisivo da Era moderna.


Infelizmente, contrariando algo muito bom, surgem muitas e muitas fatalidades eurovisivas! A primeira? O segundo lugar russo! Tudo bem, as avozinhas são muito queridas e fofinhas, mas este trata-se de um concurso MUSICAL! E do ponto de vista musical o tema russo era dos mais fraquinhos do ano (e do século!). Tenho muita pena que os espetadores se deixem levar pelas aparências e se esqueçam do verdadeiro propósito da Eurovisão. Pior ainda, é uma blasfémia que jurados, supostamente, entendidos na matéria optem por atribuir qualquer pontuação a uma música que preza pela falta de musicalidade! Mas que se pode fazer… A Rússia é a “mãe” de muitos dos países a concurso no certame. Outra qualificação de bradar aos céus foi a da Turquia (sétima posição)… A amizade é algo que se deve prezar, mas a contínua troca de galhardetes entre o país anfitrião e os turcos foi um exagero! Aquele “barco” bem que devia ter afundado já na semifinal. Para além do tema ser desprovido de qualquer ponta de qualidade, o cantor tinha uma voz equiparada ao balido de uma cabra – sem querer ofender os apreciadores.


Depois de referir algumas classificações injustas, em excesso, tenho de mencionar prestações que foram prejudicadas e descredibilizadas. Mesmo podendo tomar a classificação espanhola como algo positivo, dado que há já vários anos nem “cheirava” o Top 10, soube a pouco! Pastora tinha um dos temas mais harmoniosos, marcantes e inspiradores. Para mais, a sua capacidade interpretativa foi uma das melhores da noite – que vozeirão! Falando ainda em injustiça, não posso deixar de referir as posições no fundo da tabela dos países nórdicos – excepto a Suécia, pois claro! Se por um lado se tornou evidente a “jogada” subjacente a este facto, foi decepcionante ver temas como o islandês e o dinamarquês a serem ultrapassados por músicas medíocres como a ucraniana ou a romena. Nem refiro o tema norueguês uma vez que, embora fosse um dos meus preferidos no pré-ESC, deixou muito a desejar no momento da verdade – mesmo assim, a última posição foi uma penalização demasiado dura!



Fonte: scandipop.co.uk

Por falar em decepção, um dos maiores flops da noite foi o tema cipriota! Já se avizinhava este fim desde a semifinal, pelo facto de Ivi não conseguir dar ao tema aquilo que este precisa – energia, poder vocal e mais interatividade. Foi, mesmo assim, muito interessante assistir à tentativa do Chipre em marcar esta edição eurovisiva. Outro grande flop foi o do tema esloveno que nem passou do décimo sétimo lugar na semifinal! Uma das maiores injustiças desta edição! Eva, mesmo com a sua tenra idade, colocou num bolsinho muitos dos grandes nomes que já passaram por este certame. Outro pseudo-flop remeteu para a prestação grega. Mas já era de esperar, dado que o tema não apresentava argumentos para lutar por uma posição cimeira!


Mas nem tudo foi injustiça! Algumas interpretações obtiveram posições merecidas, como foi o caso da Sérvia, do país anfitrião (que, de resto, apresentou o mais belo vestido da edição), da Itália e da Alemanha. Alguns destes poderiam, e mereciam, obter uma melhor classificação, principalmente quando se tem em conta que a Rússia terminou em segundo! Mesmo assim, e no geral, fico feliz por terem terminado no ambicionado Top 10!

Claro que não podia terminar esta crónica sem mencionar a prestação portuguesa! Um tema muito agradável (mesmo sem impressionar!) que acabou por ser prejudicado pela semifinal em que foi incluído. Podemos agora entrar em eternos “ses” e questionar se passaríamos caso estivéssemos na primeira semifinal. Mas isso não interessa minimamente a este ponto! Portugal mesmo tendo sido competente, acabou por apresentar um tema que se tornou esquecível, muito por culpa dos temas mais ritmados que o rodeavam. Se Portugal merecia passar? Sem margem para dúvidas! Embora a realização não nos tivesse favorecido, tivemos uma das prestações vocais mais certinhas. O que correu mal? Para além da nossa falta de amiguinhos, faltou-nos aquele “fator X”, algo que marcasse o espetador! Talvez se a RTP tivesse permitido aos autores do tema que alterassem e aprimorassem a sua obra, teríamos mais hipóteses…

Ainda referindo Portugal em Baku tenho de transmitir uma palavra de apreço pelos comentários de Pedro Granger. Confesso que não apreciei o seu trabalho no FC 2012, tendo-o expressado em comentários anteriores. Mas nos dias eurovisivos podemos contar com comentários apropriados, com uma revisão histórica e uma breve referência à interpretação a que iriamos assistir. Para apimentar a situação, Pedro chegou a referir algumas particularidades interessantes, como a breve alusão aos votos geopolíticos e às apreciações dos outros comentadores. Ficará, também para sempre, na minha memória a mensagem especial direcionada a Eládio Clímaco que, de resto, foi muito bem merecida – todos podem e devem expressar a sua opinião, mas sem desrespeitar ou denegrir outrem! No geral, Pedro saiu-se muitíssimo bem, demonstrando que é sempre interessante poder contar com a presença de um eurofã na transmissão da Eurovisão.

No geral, esta edição do Festival Eurovisão da Canção ficar-me-á sempre na memória por um simples motivo – venceu o melhor tema a concurso! Mais ainda, com a vitória sueca avizinha-se um excelente espetáculo, que fará renascer a chama eurovisiva, por vezes apagada, em muitos espetadores! Depois de algumas vitórias enfadonhas, “Euphoria” promete dar um novo ser à grande festa da música europeia!


Redigido por: Andreia Fonseca

[Crónica] Segunda semifinal do ESC 2012

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Três palavras: um autêntico desastre! Se, por ventura, esta semifinal foi mais diversificada musicalmente que a primeira, foi também a mais injusta, em termos de resultados.


O país anfitrião, Azerbaijão, que ganhou a Eurovisão com uma das piores vitórias de sempre, teve a coragem de organizar um certame de tão alto gabarito para a Europa fora. Conclusão: um país que teve o apoio da equipa alemã, na organização, nada fez para surpreender os fãs e, de certeza, que as duas últimas semi-finais, transmitidas esta semana, foram o comprovativo disso. Onde é que surgiu a abertura do espetáculo, com imenso fogo de artíficio e uma atuação de cortar a respiração? Onde é que estão apresentadores magníficos, que saibam falar francês e "atirar" piadas decentes? Não há, lá está! A crise já chegou à Eurovisão, de forma bastante abstracta (porém angustiante).


Sérvia foi a primeira a atuar ontem, dia 24 de maio. Apesar de não simpatizar com a música (nem com o cantor), "tenho olhos na cara" e admito que Zeljko proporcionou aos fãs da Eurovisão uma atuação bastante profissional, arrepiante e contemporânea. A sua vaga na final já estava quase prevista; por isso não suscitou qualquer choque.


Next, Macedonia! Estou chocado com esta apuração; não é que a cantora seja má, mas a música é bastante esquecível e, como a Macedónia iria atuar tão cedo, nunca pensei que conseguisse a vaga na final. Para além disso havia melhores músicas que não passaram que esta. Uma palavra: boring


Holanda... Há muito tempo que não via uma Holanda tão perigosa! Apesar de "You And Me" não me "cheirar a rosas", admito que a atuação foi bastante sólida e cheguei até a pensar que o júri iria amar e dar uma carrada de pontos a este belo país! Não foi desta; porém há que saber aplaudir Joan Franka por aumentar a fasquia de qualidade! Depois de um tema tão negro como o macedónio, um countryzinho calha sempre bem!


Ai Malta! Que popzinho tão fraco! Como é que isto passou à final? Mas o júri anda cego? Sim, isto deve ter sido uma masterpiece para o júri, já que Malta não é um país forte no televoto! O ano passado com Glen Vella, o júri já bem tinha ameaçado; mas este ano foi de vez! Mas onde é que isto é melhor que o tema português ou esloveno? Ah, já sei, foram os pés que salvaram a Malta! Santa Antónia, dê-me paciência! 


Eles bem tentaram... mas já se previa que não iam longe! O primeiro erro foi terem alterado a música para mais pop, algo que deixou os seus fãs tristes! Sem apoio dos fãs, iriam ter de uma Europa cega? Mesmo assim, merecem palmas pelo esforço e pela atitude de palco da banda. 


PORTUGAL, PERFEITO! Filipa Sousa, mesmo sem passar à final, calou muitas bocas mal lavadas! Atuação arrepiante, do início ao fim! Coro fantástico e o palco mais belo de toda a edição! Onde é que o júri andava nesta altura? A lavar os pés à Malta? A operar os olhos da Lituânia? O júri ajuda imenso alguns países com fracos resultados, mas há que ter a lucidez de analisar que "Vida Minha" é bem melhor que "This Is The Night" ou "Love Is Blind"! Porém não seria novidade a nossa não-passagem, devido a termos imensos países de leste numa só semifinal. Se tivéssemos na primeira semifinal, passávamos! 


O tema ucraniano é de cortar os pulsos! Que histerismo! "YOU CAN BE MY GUESSSTTTTTTTTTTT!". Gaitana é uma excelente artista, mas a música é completamente horrorosa. Uma finalista injusta, que só passa por ser da Ucrânia! Queria ver se Portugal levasse esta música, se passava à final! Países de leste ON FIRE! Porém a atuação foi bastante boa, corroendo (quase) a regra de seis elementos de palco! Muito bem pensado! 


Olha esta a imitar a Inna... A música é "de atirar com as pedras da calçada" e a atuação foi uma nódoa negra, a mais fraca de todas a concurso. Sofi Marinova não deve ter percebido que, numa música dance, são precisos bailarinos em palco (e não um sorriso encantador e um "abanar de rabo" descoordenado). Porém há que saber aplaudir os países mais fracos e agradecer a simpatia de Sofi durante esta longa temporada! 


Apesar de Portugal ter sido bastante injustiçado, a maior injustiça deste ano foi a não-passagem da Eslovénia! Eva Boto, apesar da sua tenra idade, calou muitos artistas que têm uma longa carreira no seu historial. "Verjamem" foi das canções mais arrepiantes da noite e a atuação uma das melhores! É agora que me pergunto: onde anda o júri? Como é que possível não terem ajudado a Eslovénia? Se isto fosse levado pela Rússia era top5 certo! Vergonha! 


Que sono! Apesar de amar "Nebo", a Cróacia foi a mais fraca do lote dos balcãs. Toda a performance estava bastante confusa, Nina arrebentou demasiado tarde na música e nada estava à altura do potencial desta balada. Que desilusão!


Aos mais cépticos, Loreen desiludiu! Aos mais frenéticos (como eu), Loreen encantou! O início da atuação começou muito mal, com ligeiras "comidelas de palavras", porém, com o desenrolar, aumentou-se a fasquia e o final foi mágico. Eu, como super fã de Loreen, tenho de criticar os planos de câmara mal feitos que não enalteceram os movimentos corporais; apenas foram bem feitos no final. "Euphoria" é uma das favoritas à vitória e espero que isso aconteça! A Eurovisão já precisa de uma vitória à la Alexander Rybak, já que as duas últimas vitórias foram de saltar da ponte 25 de abril!


És mesmo um joker... Apresento-vos a pior atuação da noite! Medo, muito medo! Anri teve o seu efeito borboleta e passou de um monge para um... excêntrico! A atuação está deveras confusa e via-se perfeitamente que o intérprete não sabia ocupar o palco! O júri só foi bom numa coisa: em não passar a Geórgia! 


Para muitos uma atuação horrorosa, um lixo musical; porém eu gostei (finalmente) de que o Can Bonomo fez em palco. A atuação estava bastante original e a música vicia. Mas se isto é melhor que Portugal e que a Eslovénia? Claro que não! Passou só por ser da Turquia, porque se fossemos nós a levar "Love Me Back" queria ver, queria...


MAGNÍFICO! A Estónia proporcionou aos fãs eurovisivos a melhor atuação da noite! Muito forte, confiante e com uma voz estrondosa, Ott Lepland arrepiou a Europa e mereceu, sem quaisquer dúvidas, a vaga na final! Espero que lute por um bom lugar, porque realmente merece! Um dos meus favoritos! 


Max Jason Mai partiu o palco ontem à noite. Com um vocal pouco seguro (mas afinado), Max mostrou todo o seu potencial em palco e apresentou à Europa uma grande música rock. Sinceramente é triste observar a escassez de músicas rock na finais da Eurovisão, não me importava nada que a Eslováquia fosse à final (antes "ela" que a Malta)! "Don't Close Your Eyes" foi uma das melhores músicas rock dos últimos tempos na Eurovisão! Atuação estrondosa!


Tooji... desiludiu! Apesar de não ter quase alterado quase nada na sua atuação, encontrava-se bastante nervoso e os seus agudos foram caóticos! Valeu pela autenticidade da coreografia e dos bailarinos! Espero ver um "Stay" mais forte na final. Mereceu a vaga, porém foi muito abaixo das minhas altas expectativas! Soube-me a pouco...


Por muitos intitulada como "A Viúva Negra", a Bósnia apresentou a canção mais chata da semifinal. Não é que não tenha má qualidade, não é que a cantora seja má, é sim porque, com uma semifinal tão diversificada, a Bósnia deveria ter ficado pela semi-final. Portugal e a Eslovénia foram bem melhores que "Korake Ti Znam"! Palmas para os votos dos "amiguinhos"! Se levássemos esta música, ficávamos na semifinal!


É caso para dizer: Eu bem tinha dito! "Love Is Blind" é um pop antiquado muito fraco... porém adoro a voz de Donny Montell e a sua atitude em palco! Ao contrário da Bulgária, ele, sem bailarinos, encheu o palco e mostrou, novamente, a sua versatilidade. Talvez a sua passagem não seja das mais justas (Portugal e Eslovénia eram bem melhores), mas eu gostei! Antes este que o maltês! 


Viva o voto diáspora que reinou toda a segunda semi-final! As maiores injustiças foram a não passagem de Portugal e da Eslovénia e as passagens da Malta, Ucrânia, Bósnia e Lituânia! Esperemos que os votos da final sejam melhores (o que duvido). 

Parabéns à Estónia pela melhor atuação da noite! 


Imagens/Vídeos: Eurovision.tv/Youtube

Redigido por Diogo Canudo

[Crónica] Primeira semifinal do ESC 2012

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22 de Maio, chegou o dia pelo qual todos os fãs eurovisivos esperaram ao longo de um ano. Em Baku estava tudo a postos, e a primeira semi-final começou! Uma entrada em grande... ou pelo menos esperava de um país com supostamente tantas ideias. Mas afinal apenas um plano do palco e as boas-vindas da praxe, vindas dos três apresentadores azeris: Leyla, Nargiz e Eldar. Os três mostram-se poliglotas; no entanto, é notável a falta de conhecimento de qualquer uma das línguas estrangeiras que tentaram pronunciar. Foram satisfatórios, mas muito fracos para um evento desta dimensão.

O espetáculo prossegue e fomos então diretamente para a primeira “canção”, do Montenegro. Antes de falar das canções, tenho a destacar os postcards, que não sendo originais, são um grande postal turístico de Baku e do Azerbaijão. Outro ponto a destacar é a mudança das cores da Crystal Arena, na apresentação de cada canção. Bastante original!


Montenegro em acção! "Euro Neuro" faz-se ouvir, mas receio que metade dos telespetadores por essa Europa fora tenham desistido de continuar a ver o espetáculo, tal não é a má impressão que esta música faz à primeira audição. Horrível, sem comentários.


Depois chega-nos a Islândia, que fará com que esqueçamos o que vimos anteriormente. Gréta e Jónsi estão muito elegantes em palco, a magia nórdica faz-se sentir na Crystal Arena, mas não tanto como eu esperava. As vozes não estiveram no ponto e os planos de câmara não foram os melhores. No entanto foi uma belíssima atuação.


A Grécia segue com a sua sensual atuação, cheia de bailarinos e com uma coreografia dejà-vu. Com a voz melhor do que nos ensaios, Eleftheria chega até a surpreender o espetador mais céptico. Eu que o diga. Apesar de tudo, penso que ficou na memória.


De seguida chega-nos a Letónia, talvez, com a música que menos se destacou em toda a semi-final. Nada nos fez lembrar-nos de Anmary no fim do espetáculo, o que é uma pena (pois até é uma canção simpática). As vozes também não foram as melhores e a atuação morta.


E eis que nos chega a diva da noite, Rona Nishliu. É preciso um bom ouvido para apreciar uma masterpiece como esta. A Albânia deu-nos o ponto alto da semi-final e talvez de toda a edição do ESC. Vozes como estas são raras e o poder que esta canção exige... Rona têm-no a 100% nas suas cordas vocais e na sua alma. Uma perfeição.


Após um intervalo entre as atuações são mostradas algumas imagens da festa de receção, que precedeu o evento. Os apresentadores relembram novamente algumas regras de votação e o espetáculo prossegue com a atuação da Roménia.


Os Mandinga agarraram ao máximo o seu tema, no entanto existiram problemas de som, que impediram com que a canção romena brilhasse em palco, fazendo com que Elena cantasse com muito esforço e fora do tempo. Mesmo com todos esses percalços, até foi uma atuação positiva e animada.


A primeira aposta rock da noite vem da Suíça. Uma espantosa atuação, que prende o telespetador ao televisor. O inglês do vocalista melhorou 200% e a música é muito mais poderosa ao vivo do que em estúdio. Sem dúvida um grande momento nesta semi-final.


A Bélgica trouxe-nos Iris, uma jovem com uma voz doce e uma canção igualmente doce. Nada mais que isso, não se destacou minimamente. Visualmente foi uma coisa bonita, o cenário era lindo, mas nem isso ajudou o país a destacar-se.


O mesmo problema aconteceu com a Finlândia, que atuou logo a seguir à Bélgica, com uma canção do mesmo género e igualmente esquecível aos ouvidos do telespetador (que não tem conhecimento prévio das canções). Apesar de ter sido um dos meus momentos favoritos da noite, vi logo que não iria longe.


Israel esteve melhor do que eu estava à espera. Uma das canções mais originais deste ano, mas também uma das mais ignoradas pelos fãs da Eurovisão. A atuação foi engraçada, mas penso que não terá agradado muito, talvez por ser demasiado alternativa.


E chega-nos a nossa querida Valentina Monetta, a representar São Marino, com uma canção sobre redes sociais. Odiada por muitos, amada por outros tantos, Valentina defendeu o tema com toda a garra possível, mas não foi isso que deu brilho ao tema, que é fraquíssimo. Uma nota positiva para a sua voz, que é fantástica.


Ivi Adamou em palco! Uma das favoritas dos fãs eurovisivos não esteve nos seus melhores dias. Creio até que teve uma prestação vocal inferior à da Eleftheria, da Grécia. No entanto, a música é melhor e fica bastante no ouvido. Ivi estava também lindíssima e a coreografia foi sensual e inesquecível. Foi uma boa atuação.


A Dinamarca segue o Chipre e Soluna Samay entra em palco com o seu chapéu de marinheira. Uma canção agradável, muito radio-friendly, e uma atuação um bocado morna, sem destaque. A sua sorte foi talvez atuar já mais perto do fim, ficando assim na memória. E talvez também a ajuda do júri.


E agora... um dos momentos mais esperados do ano. Buranovskiye Babushki em palco! As avozinhas preenchem-nos o ecrã com toda a sua ternura e boa disposição. Fantásticas em palco, sem qualquer noção da grandiosidade do evento, e sem quaisquer nervos! Receberam um dos maiores aplausos da noite e ainda me deram mais a certeza de que poderão vencer no próximo sábado!


Os Compact Disco entram de seguida em palco para interpretar o seu tema “The Sound of Our Hearts”. Não é uma canção que me diga alguma coisa e, portanto, passou-me um bocado despercebida. Das apostas rock desta semi-final prefiro claramente a da Suíça. Foi uma atuação um pouco esquecível.


Chegou a vez dos Trackshittaz, a representar a Áustria com as suas bailarinas de fatos luminosos enquanto dançam no varão. Demasiado sexual? Não creio. Acho que foi uma atuação bastante bem conseguida e um dos melhores momentos da semi-final. O seu azar foi talvez o júri não ter gostado do que foi feito em palco pelos austríacos.


A Moldávia é o penúltimo país a entrar em palco. Pasha Parfeny esteve muito melhor do que nos ensaios e melhorou imenso a coreografia terrível que lá nos tinha mostrado. Com tudo isto fiquei a acreditar que a Moldávia iria mesmo chegar à final este ano, coisa que tinha dúvida anteriormente.


E por fim, chegam-nos os gémeos mais frenéticos de todo o planeta (e arredores), os Jedward! Os manos irlandeses contagiaram o público na Crystal Arena e também em casa com a sua atuação. Os seus fatos eram bastante engraçados, assim como os penteados, e achei especialmente fantástico a fonte que apareceu no meio do palco (onde os Jedward tomaram um banho no fim da atuação).


Após todas as atuações as linhas são abertas pelos 3 apresentadores. Cada votante apenas pode votar um máximo de 20 vezes, o que me parece uma boa medida para acalmar um pouco o voto da diáspora. Uma recapitulação das 18 canções é transmitida e segue-se um momento musical de um grupo tradicional azeri.


Depois da atuação chegou o momento de encerrar as linhas telefónicas. Estão assim escolhidos os 10 finalistas. Leyla começa, então, a anunciar um por um, quem passa à grande final do próximo sábado. Roménia é o primeiro país, sobrevivendo assim a todos os problemas com que se deparou. De seguida sai a Moldávia, marcando mais uma vez presença na final. O terceiro país foi a Islândia, também sem surpresas. Seguiu-se a Hungria, que não esperei que passasse (sendo assim o primeiro finalista surpreendente). Dinamarca, Albânia e Chipre passaram de seguida, também sem surpresas. A Grécia foi o 8º país a chegar à final, contrariando o que pensei que fosse ser o flop da edição. Os dois últimos finalistas foram, os que considero que devem ter ficado em 1º e 2º lugar, a Rússia e a Irlanda.


No geral foram finalistas previsíveis, tirando dois ou três casos. Penso que injustiçados foram a Finlândia e a Bélgica, que devem ter-se anulado uma à outra, e também a Suíça que teve uma prestação muito melhor que a Hungria, merecendo mais o lugar do que esta. A Áustria também esteve muito bem e merecia um lugar na final; porém não teve o apoio dos fãs (nem do júri).


O espetáculo terminou assim, com todos os 10 finalistas em palco, como habitualmente acontece. Os apresentadores despedem-se e convidam os telespetadores a assistir a segunda semi-final, no próximo dia 24!

Redigido por Rafael Lopes

[Crónica] Artistas que ficaram pelo caminho em 2012

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A festa eurovisiva não se cinge, unicamente, aos três dias onde ocorrem as semifinais e final da Eurovisão. Muito está para além das cerca de quarenta delegações que se apresentam no local eurovisivo, existindo toda uma preparação por parte das mesmas para se apresentarem na sua melhor forma – pelo menos, assim deveria ser! Neste seguimento, surgem as finais nacionais, as escolhas internas e, até mesmo, os cantores que quereriam ingressar nos eventos eurovisivos, mas não o chegaram a fazer (como é exemplo, Mihai Traistariu). Futebolisticamente falando, esta seria uma espécie de “pré-época”, onde se trabalha no sentido de escolher o melhor representante, o melhor tema, limando arestas e acertando vorazes tácticas vencedoras.


Deste modo, a “pré-época” pela qual terminamos de passar foi, como de costume, rica em escândalos, alegrias, desilusões e, até mesmo, alguns momentos dignos de “carimbo” humorístico. Como não poderia deixar de ser, tivemos direito a assistir a “pérolas” do mau gosto, como apalpões a apresentadoras, manifestações xenófobas e, como sempre, polémicas devido a plágios. Mas nem tudo é mau… No meio de tanto maldizer, pudemos assistir a brilhantes espetáculos de seleção nacional, com o habitual destaque do Melodifestivalen (que muitas vezes supera a qualidade inerente ao próprio ESC).


Um dos principais destaques desta temporada de seleções nacionais foi a eliminação direta de Carlotte Perelli com o seu “The Girl”. Mesmo sem ser um tema inovador e arrebatador, revelou-se uma agradável surpresa em termos cénicos, com uma boa coreografia e performance vocal, merecendo, no mínimo, um lugar no Second Chance! Deste modo, a vencedora do ESC 1999 protagonizou um dos maiores flops pré-ESC, mesmo sem o ter merecido. Mas esta não foi a única repetente a ficar pelo caminho, as Afro-Dite (ESC 2002), Dima Bilan (ESC 2006 e vencedor ESC 2008), Lys Assia (primeira vencedora do ESC) e Yulia (ESC 2003) foram alguns dos nomes, já bem conhecidos, a tentar a sua sorte, sem conseguir o “passaporte” para Baku. Ao que parece, ter prestígio e renome não é mais uma condição determinante para o sucesso eurovisivo… A criatividade, originalidade e, por vezes, a “palhaçada” parecem conquistar os votos dos habitantes europeus. 


Apesar de todo o burburinho que se fez em torno da eliminação de Charlotte, nenhum momento conseguiu, a meu ver, chocar tanto como as vencedoras russas. Não nutro qualquer tipo de preconceito para com artistas com mais idade, o meu problema é mesmo a música! Até porque, e mesmo não sendo fã de Dima Bilan, a música deste com Yulia tinha muito mais qualidade que “Party For Everybody”! Apesar de ser um tema com sonoridades já “batidas” e conhecidas, consegue tornar-se mais agradável do que ouvir (e ver) seis senhoras, vestidas tradicionalmente, a cantar cada qual em seu tom e tempo.


Para muitos o segundo lugar de Danny foi um “falhanço” eurovisivo, dada a sua popularidade e expectativa que existia em torno da sua participação. Na minha opinião Danny não ficou aquém do que se esperava, tendo-se apresentado em excelente forma na final nacional. Simplesmente o seu “Amazing”, mesmo sendo muito bom, não conseguiu “tapar” o efeito quase “hipnótico” que “Euphoria” criou em torno dos eurofãs! Desta forma, penso que seria muito interessante caso fosse permitido à Suécia levar mais que um representante e eliminar da lista de países participantes nomes como Montenegro ou Geórgia. Brincadeiras à parte, temas como o de Danny e Molly (repetentes no Melodifestivalen), mesmo não tendo sido selecionados, têm qualidade inerente, tendo essa sido, completamente “mortificada” pela extraordinária Loreen.

Como não podia deixar de ser, tem de ser feita referência à nossa final nacional – o nosso tão querido Festival da Canção! Numa crónica dedicada a falhanços, não posso deixar de salientar a falta de qualidade de realização e musical inerente a este evento. Depois de assistir ao Melodifestivalen, ver o espetáculo proporcionado pela nossa estação pública torna-se, quase, angustiante. Eu sei que existiu uma tentativa de inovar, com a introdução de acts mais dinâmicos e originais, mas mesmo assim soube a pouco! Sem falar que todo o cenário envolvente parecia mais propício para uma apresentação circense do que para um Festival da Canção!


Não vou entrar em detalhes quanto à qualidade musical (ou falta dela!) das músicas a concurso, destacando, somente, o tema de Carlos Costa como maior flop português. Esperava-se algo mais arrojado, com um toque de pop sueco quiçá… Não um pop-pimba, sem qualquer toque carismático além do próprio cantor! Apesar da boa pontuação por parte do público, como seria de esperar, os pontos atribuídos (ou falta deles!) pelos vários júris fez sobressair a fraca qualidade do tema “Queres que eu dance?”. No entanto, nem tudo é mau! Ricardo Soler, quanto a mim um dos melhores cantores portugueses, apresentou-se com um tema interessante (mesmo sem ser brilhante), tendo-o embelezado com a sua excelente voz e poder interpretativo. Falando em excelente voz, não podia deixar de mencionar a belíssima voz de Rui Andrade… Mais uma excelente voz sem uma música à sua altura!


Uma das primeiras finais nacionais a ser realizada foi a suíça, que apresentou uma agradável (ou não!) surpresa… A volta de Lys Assia às lides eurovisivas, meio século após a sua vitória. Mesmo sendo a grande favorita, esse favoritismo não resultou numa vitória! Porquê? Aparentemente, o ESC mudou e Lys Assia não! Fica, assim, assente uma grande lição… Quando se vence uma edição da Eurovisão, não se deve voltar porque vai acabar em desilusão!

Imagens: Obtidas mediante pesquisa no Google
Vídeos: Alojados no Youtube
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20/03/2012

Redigido por Andreia Fonseca
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