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Portugal: Salvador e Luísa Sobral condecorados devido ao seu "êxito singular" na Eurovisão

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Salvador Sobral e Luísa Sobral, vencedores do Festival Eurovisão da Canção (ESC) 2018, receberam a Ordem de Mérito, dada em mãos pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Esta gratificação foi feita no final da cerimónia de entrega do Prémio Personalidade do Ano 2017, da  Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal (AIEP), na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, devido ao "êxito singular" da vitória portuguesa eurovisiva. Esta Ordem de Mérito pretende distinguir "atos ou serviços meritórios praticados no exercício de quaisquer funções, públicas ou privadas, que revelem abnegação em favor da coletividade".

"A quase um ano do momento vivido, existe já o distanciamento que faltava no turbilhão de factos e sentimentos então dominantes", considerou o Presidente da República, que acrescentou: "Este é o instante adequado para anunciar a condecoração com a Ordem do Mérito, atribuída em nome de Portugal".

Relembramos que Portugal venceu o ESC 2017 com a música "Amar Pelos Dois", que arrecadou um total de 758 pontos. Devido a esta vitória, o festival acontece este ano em Lisboa, no Altice Arena, nos dias 8, 10 e 12 de maio.

Fonte: TSF/Imagem: Público

Portugal: Eurovisão 2017 foi o segundo programa mais visto do ano

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Sem contarmos com as transmissões de futebol, o Festival Eurovisão da Canção (ESC) 2017 foi o segundo programa mais visto de 2017.

Com uma média de cerca de 1 milhão e 400 mil telespectadores, traduzindo-se em 14,5% e um share de 34,5%, a transmissão da  grande final da Eurovisão 2017, foi o segundo programa mais visto do ano transato. Os números do TOP 10 - Programas mais vistos em 2017 (excluindo o futebol) mostram que a transmissão da RTP ficou apenas atrás do programa Pesadelo na Cozinha, da TVI.

Já tendo em conta os programas desportivos, o último jogo da qualificação para o Mundial 2018, entre Portugal e a Suiça, deram uma média de audiência em cerca de 2 milhões e 400 mil espectadores, tendo sido o programa mais visto de 2017.

Portugal estreou-se no Festival Eurovisão da Canção em 1964 e ganhou uma vez: em 2017, com Salvador Sobral e música “Amar pelos Dois”, tendo alcançado um total de 758 pontos.

Recorde "Amar pelos Dois":



Fonte: Initiative/Eurovoix/ Imagem: NiT/ Vídeo: Eurovision.tv



Roménia: detalhes do Selectia Nationala 2018 divulgados

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Foram divulgados detalhes quanto ao modo como vai decorrer o Selectia Nationala 2018, final nacional romena, do qual irá sair os representantes do país no Festival Eurovisão da Canção (ESC) 2018.

Segundo informações reveladas, a final nacional será em grande! Irá incluir 5 semifinais e uma final, que irão decorrem em 6 cidades. Esta dimensão irá servir de comemoração à maior expansão territorial do país, que em 2018, celebra 100 anos.

A Roménia estreou-se no Festival Eurovisão da Canção em 1994 e o seu melhor resultado é um terceiro lugar por duas vezes: em 2005, com Luminita Anghel e a canção "Let Me Try", e em 2010, com Paula Seling & Ovi e a canção "Playing With Fire”. Em 2017 o país foi representado por Ilinca feat. Alex Florea e a canção “Yodel It!”, alcançando o 7º lugar na final com um total 282 pontos.

Ouça "Yodel It!":



Fonte e Imagem: wiwibloggs/ Vídeo: eurovision song contest

ESC 2017: mais de 300 mil euros perdidos devido a irregularidades e fraudes

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O Escritório de Auditoria do Estado da Ucrânia revelou que mais de 300 mil euros do orçamento do Festival Eurovisão da Canção (ESC) deste ano foram perdidos devido a fraudes e a irregularidades financeiras.

No total, 364 mil euros (11.400.000 UAH, na moeda ucraniana) foram perdidos do orçamento do Festival Eurovisão da Canção (ESC) 2017, devido a fraudes relacionadas com contratos de serviços e a irregularidades. Cerca de 89 mil euros (2.800.000 UAH) foram perdidos devido a contratos excessivos, enquanto os outros 275 mil euros (8,6 mil milhões de UAH) foram perdidos devido a irregularidades durante os processos.

Além da perda de mais de 364 mil euros, o Escritório de Auditoria do Estado deixou claro que quase 400.000.000 de UAH de contratos adjudicados não foram submetidos aos procedimentos corretos.

Todos os materiais da auditoria do Escritório de Auditoria do Estado foram aprovados para as agências de aplicação da lei, que vão agora decidir como prosseguir.

Fonte: Eurovoix

Especial: as canções mais sobre e sub valorizadas do ESC 2017

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Já se passaram uns meses desde que Portugal saiu vencedor do maior evento musical do mundo. Todos os fãs do Festival Eurovisão da Canção (ESC) encontram-se naquela fase do ano de depressão profunda, com as tão populares finais nacionais ainda distantes no tempo. No entanto, e para encerrar oficialmente a edição passada, fiquem com as canções mais sobrevalorizadas e subvalorizadas do ESC 2017.  

As 5 canções mais sobrevalorizadas do ESC 2017:

5º Lugar: "Don´t Come Easy" (Austrália)




Pelo que parece, o público partilhou da mesma opinião, ao ter colocado este tema no fundo da tabela classificativa. Por outro lado, o júri parece ter adorado a aposta, acabando a Austrália mais uma vez no top 10 da classificação global. Apesar de algumas desafinações, Isaiah tem uma excelente voz, mas o tema... repetitivo e vulgar.

4º Lugar: "Gravity" (Chipre)



A nível visual foi uma inspiração na Rússia de 2016. A nível musical é igual a tantas outras. Não é que a canção tenha alcançado um grande lugar na final, mas lá está... chegou à final. 

3º Lugar: "I Can´t Go On" (Suécia)



Antes de mais, é importante realçar que a canção não é má. Mas não será um 5º lugar, para um tema tão genérico como este, um resultado acima do que realmente merece? A atuação ao vivo não foi perfeita, embora tenha sido aceitável. Duvido é que a canção fosse tão longe se tivesse sido levada por outro país.  

2º Lugar: "My Friend" (Croácia)




O freakshow da Croácia parece ter resultado, tendo conquistado o público (o júri nem tanto). Jacques tem, inquestionavelmente. muito talento, mas no conjunto saiu uma prestação pirosa. Muitos outros temas mereciam o 13º lugar alcançado pela Croácia e que nem à final chegaram.

1º Lugar: "Grab The Moment" (Noruega)




Este tema não passa de uma canção chata de elevador. O 10º lugar na final é fruto de todo a tecnologia que acompanhou o tema e não da canção propriamente dita. O tema mais sobrevalorizada deste ano.

As 5 canções mais subvalorizadas do ESC 2017:

5º Lugar: "Dance Alone" (Macedónia)




Um dos melhores temas pop contemporâneos deste ano a ficar pela semifinal. A Jana soube estar em palco e surpreendeu-me. Um dos casos em que a passagem à final não foi carimbada, simplesmente, porque se trata da Macedónia...

4º Lugar: "In To Deep" (Sérvia)



Mais um bom tema pop a ficar-se pela semifinal. Quando ouvi a canção pela primeira vez, confesso que não me conquistou. Mas ao vivo, apesar de alguns percalços vocais, o balanço foi positivo e passei a gostar mais do tema.  

3º Lugar: "Fly With Me" (Arménia)



Um tema muito original, étnico e com uma prestação vocal e visual sublime. Foge aos estereótipos eurovisivos e o resultado qual é? Um muito mal atribuído 18º lugar. "Fly With Me" era material para top 5. 

2º Lugar: "Time" (Ucrânia)



O rock não é um género musical muito vulgar no ESC e notou-se algum distanciamento dos votantes em relação a este ótimo tema. O solo de guitarra foi um dos momentos altos da final de maio e merecia muito mais do que um mero 24º lugar. Das maiores injustiças da noite.

1º Lugar: "Blackbird" (Finlândia)




Desde o momento em que escutei "Blackbird" achei de imediato que a Finlândia ia disputar o primeiro lugar do ESC 2017. O sentimento intensificou-se depois de ver Norma John na semifinal. Resultado? Nem uma passagem à final! Dos maiores crimes de todas as edições do ESC e nunca irei perceber tal resultado. Apesar de tudo, este tema vai ficar para sempre guardado dentro do meu coração.

Imagem e Vídeos: Eurovision Song Contest

[ESPECIAL]: A fórmula Eurovisiva em 2017

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A época Eurovisiva de 2018 está oficialmente aberta e, por isso, nada melhor do que falar uma vez mais sobre a edição do Festival Eurovisão da Canção (ESC) deste ano. Vamos ver o que aconteceu em Kiev...

A 62ª edição do Festival Eurovisão da Canção (ESC) deu azo a várias opiniões controversas entre os eurofãs. Ora foi a melhor edição dos últimos anos, ora foi a pior. Ora o pop era adorado, ora era odiado. Ora cantar na língua materna do país era espetacular, ora era o pior que podiam ter feito. Ora as coreografias eram quase todas perfeitas, ora eram hediondas. Mas, afinal, qual foi a fórmula para o espetáculo deste ano?!


Este ano tivemos dois géneros de música numa só canção. Senhoras e senhores, o primeiro ingrediente que apresento é Jacques Houdek, o croata que encantou, ou desencantou, ao começar a cantar num registo de ópera e a acabar num registo pop.



Nunca antes visto algo do género numa edição da Eurovisão, pelo menos que eu me lembre, este momento gerou uma grande onda de comentários... Foi bem agridoce: pessoas que adoraram e outras que odiaram, aliás, como acontece sempre com qualquer canção. Bem, mas o melhor comentário de todos é este: “Finally the neverending question – can opera singers sing in a normal voice – has been answered. Yes. Yes they can”. (“Finalmente a questão interminável – os cantores de ópera conseguem cantar com voz normal? – foi respondida. Sim. Sim, eles podem.”). E fica aqui uma conclusão em aberto; cada um interpreta ao seu gosto.


Este ano tivemos pop indie. Ellie Delvaux – quem?! –, Blanche, a cantora belga que foi numa de revolucionar,  levou ao certame uma canção que deixou toda a gente, ou quase toda, com a boca bem salgada.


Eurofãs com os ouvidos bem apurados e com uma boa memória poderão opinar que esta não é a primeira vez que o pop indie está presente no ESC. Sim, até pode não ser a primeira vez que tal género marca presença no festival, mas é a primeira vez que é tão evidenciado, tão direto.  As grandes questões que se colocam aqui são as seguintes: Está o indie a ganhar terreno no mundo Eurovisivo? Estará o pop por um fio?  

Verdade seja dita, o pop tomou conta do Festival Eurovisão da Canção como se de um concurso de música pop se tratasse, e todos o aceitámos. E aceitamos. Também é igualmente verdade que muitos dos eurofãs ainda olham de lado quando um país se decide representar com rock ou com algo mais eletrónico.

Em oposição ao referido, em maio, com o indie, tudo foi diferente. Acredite-se ou não, a oito de março a Europa ficou em choque ao ouvir a canção com que a Bélgica se faria representar; dois meses depois a Europa estava rendida a esse estilo. Primeiro estranha-se, depois entranha-se. 
Ao que parece, os eurofãs estão fartos de assistir aos Jogos da Fome da música pop.


Este ano nem as coreografias serviram para adoçar totalmente a boca dos milhares de fãs. Ninguém consegue escolher entre a dança de casamento dos Sunstroke Project, o espetáculo do macaco do Francesco Gabbani, a dança cigana dos húngaros, as aulas de fitness do Robin Bengtsson, a dança dos bailarinos da Demy e o show da trança do Slavko, por exemplo.

Robin Bengtsson, Suécia 2017

Embora ao longo dos anos as coreografias tenham vindo a perder algum destaque nas atuações, ainda há muitos países a apostar nelas. Os exemplos dados em cima são prova disso mesmo. Mas será que os eurofãs consideram as danças pitorescas ou já se cansaram disso e agora preferem simplicidades?

O vencedor desta última edição da Eurovisão, Salvador Sobral, fez os europeus pensarem com o seu discurso de vitória: “A música não é fogo-de-artifício, é sentimento. Vamos tentar mudar isto. É altura de trazer a música de volta, que é o que verdadeiramente interessa”. Este discurso gerou grande indignação, pois a verdade é que muitos dos fãs, apesar de o ESC ser um festival de música, não o veem apenas como um festival de música, mas sim como um espetáculo de música, de dança e de efeitos. Por outro lado, houve também uma grande massa de fãs do certame que se manifestou em apoio a este discurso, defendendo que não são precisas danças espalhafatosas e dramáticas para se conseguir um grande espetáculo em palco.

Estas opiniões convergentes estão a deixar todos na expectativa. Será que vamos ter menos danças no ESC 2018? Os países irão optar por algo mais simples? 


Podia acabar este especial com “este ano tivemos um vencedor que cantou na sua língua materna”, mas isso seria um erro. Não é a primeira vez que tal acontece e provavelmente não será a última.


O foco deste especial não é, de todo, uma crítica à recente edição do Festival Eurovisão da Canção. O foco deste especial era suposto ser a fórmula que deu origem à recente edição do festival, mas infelizmente não a consegui revelar, nem estive perto disso. Tentei

O meu objetivo era mostrar-vos que a edição deste ano foi diferente de todas as outras. É impossível explicar o porquê. A essência deste ano foi distinta da essência das outras edições. Outros estilos de música, nomeadamente o indie, infiltraram-se na competição, o espetáculo mais "excêntrio" parecia aborrecer e a simplicidade tomou conta do show. E quatro meses depois já ninguém comenta, já ninguém crítica nem se manifesta.

Este ano foi o ano; foi um ano de viragem, foi um ano de mudança.
Estarão os eurofãs fartos dos mesmos clichés?

Vídeos: Eurovision.tv



Rússia: país também foi multado

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Foi revelado hoje que a European Broadcasting Union (EBU) também multou a Rússia pela desistência no Festival Eurovisão da Canção 2017.

Frank-Dieter Freiling, o presidente do Grupo de Referência da EBU, explicou o porquê destas multas. A Ucrânia foi multada pelos atrasos na organização do festival e pela proibição da participante russa. Na altura não foi falada sobre qualquer penalização para a Rússia e acreditou-se que a mesma não existia, mas a delegação russa foi chamada em privado e penalizada por se ter retirado da competição e por a delegação ter faltado às reuniões.

Sobre as novas regras, Frank-Dieter Freiling afirmou que a EBU quer enviar uma mensagem clara a todos, ainda que o termo político possa facilmente ser mal interpretado e dificilmente terá uma definição clara.

Fonte/Imagem: Oikotimes



ESC 2017: participação da Irlanda custou 331 mil euros

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A emissora nacional irlandesa, RTÉ, revelou que no total gastou 331 mil euros com a participação de Brendan Murray no Festival Eurovisão da Canção 2017.

Depois da RTÉ ter recebido um pedido de liberdade de informação por parte do jornal, The Sun, foram confirmados os custos que a emissora teve com o concurso, "A RTÉ teve um custo de aproximadamente 331 mil euros com o programa Festival Eurovisão da Canção 2017" revelou um representante da emissora, sendo que o valor pode aumentar, "As contas de 2017 ainda não foram finalizadas, sendo que os custos não incluem encargos de mão-de-obra e suporte da RTÉ, e os mesmos só serão contabilizados no final do ano".

O responsável pelo anúncio relembrou ainda que o valor está na mesma ordem do custo do ano passado, mas a comitiva de este ano era composta por dezasseis pessoas: "Junto com a taxa de participação, o valor inclui os pagamentos dos artistas e designers, o custo da encenação, dos ensaios, gráficos, adereços, pirotecnia, figurinos, coreografia, filmagens do postcard e a gravação do tema", sendo o único tema que não expôs foi a quantia que Louis Walsh, o responsável pela escolha do cantor e do tema para o certame, recebeu pelos serviços prestados, sendo que o jornal avança que "todos os serviços enquanto consultor foram pagos".

A Irlanda estreou-se no Festival Eurovisão da Canção em 1965 e já ganhou sete vezes: em 1970, com Dana e a canção “All Kinds of Everything”, em 1980, com Johnny Logan e a canção “What’s Another Year?”, em 1987, com Johnny Logan e a canção “Hold Me Now”, em 1992, com Linda Martin e a canção “Why Me?”, em 1993, Niahm Kavanagh e a canção “In Your Eyes”, em 1994, com Paul Harrington & Charlie McGettingan e a canção “Rock ‘n’ Roll Kids”, e em 1996, com Eimear Quinn e a canção “The Voice”. Em 2017 o país foi representado por Brendan Murray e a canção “Dying to Try”, alcançando o 13º lugar na segunda semifinal com um total de 86 pontos.

Fonte: eurovoix



Ucrânia: Ministério da Justiça apoiará o regresso da caução de 15 milhões de euros

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O Ministério da Justiça ucraniano dará auxílio no processo legal da estação pública ucraniana, Natsionalna Telekompaniya Ukrayiny (NTU), contra a European Broadcasting Union (EBU). Em causa está a devolução da caução de 15 milhões de euros, feita pela NTU à EBU para a realização do Festival Eurovisão da Canção (ESC) do passado mês de maio, em Kiev.

O atual ministro da justiça ucraniano, Pavel Petrenko, declarou que o Ministério da Justiça da Ucrânia dará auxílio ao processo da devolução da caução no valor de 15 milhões de euros, requerida pela EBU, e que ainda se encontra na Suiça. 

A informação foi confirmada pelo atual chefe da delegação ucraniana, Mr. Alasania, que também disse que a devolução poderá ser demorada, pois o processo ainda não terá entrado no tribunal suíço, e por isso, ainda não há uma data sequer para a primeira audição. 

Recorde-se que a EBU exigiu às autoridades ucranianas um fundo monetário que pudesse garantir a organização do evento naquele país. Os 15 milhões de euros pedidos à NTU foram transferidos para uma conta bancária na Suiça, sendo que nunca foi necessário o uso dessa mesma garantia. É a primeira vez que a EBU é chamada à justiça por uma estação de televisão organizadora do ESC. 

No passado mês de Junho foi confirmado que a estação pública ucraniana contratou um escritório de advogados na Suiça, de forma a resolver o caso. O diretor da NTU afirma de que não vão desistir da devolução da garantia monetária.

Fonte: Eurovoix 



OGAE Portugal acusa Marcelo Rebelo de Sousa de "diferenciação de tratamento" por não ter condecorado Salvador Sobral

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Numa carta aberta ao Presidente da República, a Organização Geral de Apoio à Eurovisão (OGAE Portugal) questiona a razão pela qual a equipa eurovisiva, que trouxe a vitória para Portugal, não foi homenageada à imagem da equipa vencedora do Campeonato da Europa de Futebol.

Quase dois meses depois da vitória histórica de Portugal no Festival Eurovisão da Canção 2017, o presidente da Direção da OGAE Portugal elaborou uma carta em que questiona Marcelo Rebelo de Sousa "por que razão não houve por parte do Presidente da República Portuguesa uma homenagem à equipa que conseguiu este feito para o nosso País, a saber, o intérprete Salvador Sobral, a compositora Luísa Sobral e a delegação da RTP liderada pela Carla Bugalho e pelo Gonçalo Madaíl". 
Argumentando que a vitória na Eurovisão é equiparada à vitória no Campeonato Europeu a nível económico e turístico "pois ambas foram acompanhadas por milhões de pessoas por todo o mundo", a Organização Geral de Apoio à Eurovisão questiona a razão pela qual o presidente não esteve presente em Kiev ou na recepção da equipa portuguesa no aeroporto Humberto Delgado, quando "[...] A própria equipa [seleção nacional] mereceu o apoio do Presidente por várias vezes, tendo sido recebida antes da sua partida para o Campeonato e durante o mesmo o Presidente deslocou-se a França várias vezes para assistir a jogos da Seleção."
O Presidente da República ainda não se pronunciou sobre este assunto.


Leia a carta da OGAE Portugal na integra [AQUI]


Fonte: OGAE Portugal




ESC 2017: UA:PBC tem 20 dias para apelar contra a multa aplicada pela EBU

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A Natsionalna Telekompaniya Ukrayiny (UA:PBC), companhia nacional de radiofusão pública ucraniana, recebeu 20 dias para reclamar a multa de 198 mil euros aplicada pela European Broadcasting Union (EBU).

O chefe da Natsionalna Telekompaniya Ukrayiny (UA:PBC), companhia nacional de radiofusão pública ucraniana, confirmou à Detector Media que o organismo recebeu apenas 20 dias para preparar argumentos e documentação, para apelar contra a multa de 198 mil euros aplicada pela European Broadcasting Union (EBU).

A UA:PBC acredita que que a boa imagem em relação à gestão do Festival Eurovisão da Canção (ESC) 2017 ficou manchada devido à multa que, segundo a EBU, foi aplicada por causa dos atrasos na organização do certame e por falta de cooperação com estes sobre a participação da artista russa. No final da semana passada, o organismo de radiofusão público ucraniano, UA:PBC, divulgou um comunicado sobre a multa, onde revela o porquê de acreditar que não deveriam ter sido multados. Pode ler a declaração [AQUI].

Fonte: Eurovoix



ESC 2017: comunicado da UA:PBC sobre a multa aplicada pela EBU

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Natsionalna Telekompaniya Ukrayiny (UA:PBC), companhia nacional de radiofusão pública ucraniana, divulgou um comunicado em relação à multa aplicada pela European Broadcasting Union (EBU).

Após a notícia de que o grupo de direção da European Broadcasting Union (EBU) decidiu impôr uma multa à Natsionalna Telekompaniya Ukrayiny (UA:PBC), companhia nacional de radiofusão pública ucraniana, pelos atrasos na organização do Festival Eurovisão da Canção (ESC) 2017 e pela falta de cooperação em relação à participação da Rússia, a estação divulgou uma declaração oficial.

Leia a declaração da UA:PBC:

"A Natsionalna Telekompaniya Ukrayiny, como apresentadora anfitriã do Festival Eurovisão da Canção (ESC) 2017, fez todos os esforços para garantir que o festival em Kiev fosse um sucesso. A qualidade da organização da Eurovisão 2017 foi muito apreciada, não só pelas delegações dos países participantes e dos telespectadores, mas também pela  European Broadcasting Union (EBU).

Apesar disso, a  European Broadcasting Union disse que está a considerar sanções contra a UA:PBC, porque o organizador da emissora não conseguiu garantir a participação da cantora da russa, Yulia Samoilova, na competição.

A decisão de proibir a entrada de Yulia Samoilova, no território da Ucrânia, durante o período de três anos, devido à sua entrada ilegal na Crimeia ocupada, foi tomada pelo serviço de segurança da Ucrânia.

A este respeito, a UA:PBC relata que estritamente aderiu às leis da Ucrânia e que aderiu à decisão das autoridades competentes, não considerando possível violar as leis do estado sob qualquer pretexto. A Eurovisão, como qualquer outra competição internacional, não pode ser uma exceção (...).

Além disso, a UA:PBC enfatiza que a emissora pública não é o organismo que controla as fronteiras, ou que afeta a legislação da Ucrânia. A questão das leis relativas aos cruzamentos nas fronteiras e as sanções adequadas por incumprimento não são da responsabilidade da Natsionalna Telekompaniya Ukrayiny.

Dado o exposto, a UA:PBC considera que as sanções não são fundamentadas (...)."

Fonte: Eurovoix



ESC 2017: emissora nacional ucraniana será multada pela EBU

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Devido à forma como a UA:PBC, emissora nacional ucraniana, organizou e lidou o concurso, deverá ser multada pela União Europeia de Radiodifusão (EBU).

Reuters, uma agência de notícias britânica, reportou que o grupo de direção da EBU decidiu impôr uma multa à UA:PBC pelos atrasos na organização do evento e pela falta de cooperação em relação à participação da Rússia. Num comunicado, a EBU afirmou que isto ameaçou a reputação do Festival Eurovisão da Cançâo (ESC), e que a atenção desviou-se do concurso em si.

O valor da multa não foi revelado à emissora ucraniana, e não foi comentado se a Rússia irá também ser multada devido às ações que tomaram no desenvolvimento do Festival Eurovisão da Canção

Mr Frank-Dieter Freiling, presidente do Grupo de Referência da EBU, afirmou em Maio, que tanto a Rússia como a Ucrânia iriam ter sanções, e explicou o porquê de ambos os países sofrerem essas consequências, sendo que, a UA:PBC, ao não permitir que Yulia Samoilova participasse violou as regras, o Channel One, emissora russa, não compareceu nas reuniões obrigatórias antes do concuso, e o facto de terem selecionado uma cantora que violou as leis ucranianas ao ter viajado para a Crimeia sem autorização da Ucrânia, e por não terem transmitido o festival, o que poderia resultar no castigo máximo, o afastamento do concurso durante três anos, mas o Grupo de Refêrencia, optou apenas por emitir uma reprimenda.

Apesar do afastamento em 2017, o Channel One, emissora nacional russa, afirmou que Yulia Samoilova representaria a Rússia no Festival Eurovisão da Canção 2018, que será realizado em Portugal. 

Fonte/Imagem: eurovoix, escdaily



Portugal: Dihaj no Porto em Julho

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A representante do Azerbaijão no Festival Eurovisão da Canção 2017 (ESC) estará no convívio da OGAE Portugal, que se realizará no dia 8 de julho no Porto.

A equipa da OGAE Portugal revelou no Facebook a presença da cantora azeri no evento "Eurovisão à moda do Porto". Este evento compor-se-à de um jantar e de uma festa de tema eurovisivo, no clube Pérola Negra.
As inscrições para este evento podem agora ser feitas a contacto: geral@ogaeportugal.pt.

O Azerbaijão estreou-se no Festival Eurovisão da Canção em 2008 e já ganhou uma vez: em 2011, com Ell & Nikki e a canção “Running Scared”. Em 2017 o país foi representado por Dihaj e a canção “Skeletons”, alcançando o 14º lugar na final com um total de 120 pontos, sendo a favorita do júri português. 

Reveja a atuação de Dihaj:




ESC 2017: emissora ucraniana tenta reaver o fundo de garantia exigido pela EBU

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Foi confirmado ontem que o fundo de garantia de 15 milhões de euros que a emissora ucraniana transferiu para a European Broadcasting Union (EBU), na eventualidade de não conseguir sediar o evento, está congelado em Genebra, Suíça.

A emissora ucraniana, Zurab Alasania, anunciou estar a tomar medidas legais para que seja devolvido o fundo de garantia. Uma equipa de advogados foi contratada para, em palavra do director geral da emissora ucraniana, "clarificar as circunstâncias da acção judicial e para determinar o procedimento a aplicar à apreensão [do fundo de garantia], de acordo com a legislação suíça".

Ainda não foi declarada a razão pela apreensão dos 15 milhões de euros e, este ano, foi o primeiro ano em que a EBU exigiu este fundo ao país anfitrião do evento.

Fonte: Eurovoix



Crónica ESC 2017: "acabei por ganhar bem mais do que um título ou do que um troféu"

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Passaram 11 anos desde que comecei a ver o festival. No ano passado fiz questão de dizer que os eurofãs conseguiram estragar o meu prazer a assistir ao certame por causa de toda a rivalidade Rússia vs Ucrânia, mas eu não imaginava que ia ter que agradecer a todo o povo português por ter estragado o meu prazer deste ano. Estou sinceramente com medo de saber o que vão fazer para o meu 12º ano, porque pelo que eu vejo a tendência é só para melhorar. Mas já lá vamos.


Muita coisa deu errado no concurso este ano mas a que salta mais à vista é com certeza o slogan. "Celebrate Diversity" era o que eles diziam. Entretanto passamos meses a assistir a uma guerra fria entre Rússia, Ucrânia e EBU, vendo um país a ser pressionado para quebrar as suas leis enquanto outro usava uma concorrente em cadeira de rodas para conseguir atrair pena - não interessa qual é a minha posição em relação a isto, mas nota-se que houve imensa aceitação de ambas as partes. Depois disso vimos imensa diversidade linguística, com 686496684784 canções cantadas em inglês (algumas em inglês macarrónico, mas fazer o quê?) enquanto apenas 4 canções foram totalmente cantadas numa língua diferente do inglês. Também houve imensa diversidade musical - sendo que metade das músicas foram cuspidas pela mesma máquina de fazer música. Não me julguem mal, não sou nenhuma erudita, mas não há necessidade de levar com tantas músicas que parecem todas iguais. Até os apresentadores demonstraram imensa diversidade! Porque não há maior diversidade do que três homens brancos, não é verdade? Se o Jon Ola Sand tivesse um lado de Albus Dumbledore no final da votação tinha dado exactamente mais 144 pontos à Bulgária por terem acertado no slogan da edição deste ano e eles tinham ganho.


Ainda sobre a realização, notou-se os efeitos do tempo que demorou para que tudo começasse a ser feito. A quantidade absurda de caras nos ecrãs foi resultado provavelmente de não haver tempo para pensar em algo mais elaborado. Os postcards, apesar de eu ter gostado deles, também me parece terem sido vítimas dessa falta de tempo, já que só uma pequena parte deles foi gravada na Ucrânia. Em relação a erros técnicos, admito que este ano não houve nada que me fizesse especial comichão (tirando o problema com a Estónia, mas não vou negar, não me fez comichão nenhuma na mesma). Já em relação aos opening acts e aos interval acts, acho que alguém se enganou a fazer a ordem das coisas, porque meus lindos, aquela abertura da primeira semifinal foi das aberturas mais pavorosas que já vi. Para compensar gostei bastante da abertura da segunda semifinal - aquilo sim, foi celebrar a diversidade! - e adorei a abertura da final. Em relação aos interval acts, tenho que preparar a carta de agradecimento para mandar à RTP por terem cortado tantos deles. Do que vi, não digo que tenha ficado entusiasmada, mas não considero que tenham sido maus. Por fim... os apresentadores. Antes de mais, parabéns aos apresentadores da red carpet... se mandassem currículo para a CMTV tinham emprego garantido. Em relação aos três homens brancos muito diversos, notei que aos poucos eles se foram sentindo mais à vontade e acho que fizeram um bom trabalho. Senti até pena deles porque me lembraram dos tempos em que andava no rancho e me obrigavam a ficar a sorrir durante um hora, portanto eu sei como isso faz doer os músculos da cara.


Em relação às músicas, não posso evitar começar por enaltecer o fantástico trabalho dos júris. Obrigada por colocarem a Finlândia fora da final. Obrigada por colocarem a Hungria fora de um top15. Obrigada por colocarem a Austrália em 4º lugar, quando quem esteve atento ao ensaio dos júris sabe que o Isaiah voltou a desafinar. Obrigada, obrigada, obrigada. Vamos fingir que ninguém viu essa troca de pontos entre Grécia e Chipre, okay? Vamos fazer de conta que os júris de Portugal, Bulgária e Itália não evitaram dar pontos aos concorrentes diretos, sim? Parabéns júris, o vosso trabalho este ano foi uma inutilidade. É muito triste quando se dá poder a um painel de jurados que supostamente é profissional e que vota pior que o público, que normalmente vota porque gosta (ou porque é vizinho) e não pela qualidade musical. 







A minha música preferida era sim a italiana e o que eu vi acontecer com esta música foi uma barbaridade. Pensar que a Suécia ficou na frente de Itália faz-me questionar porque é que eu vejo isto - que é algo que eu questiono todos os anos, mas eventualmente eu desisto desse drama. Mas não é só a canção italiana que foi injustiçada, porque falando em injustiça, temos aí a Arménia a berrar. Mas o que aconteceu? Também fizeram intervalo quando a Artsvik actuou, foi? Não consigo entender. E da Finlândia eu nem falo, porque não dá para falar, só para chorar, mesmo. A minha alegria de ver Portugal passar para a final foi um bocado para o buraco por ver que a Finlândia tinha ficado pelo caminho. Por outro lado, eu TENHO que falar do sucesso dos SunStroke Project. Eu era aquela pessoa que tinha a Moldávia em 7º lugar no top mas que achava que toda a gente ia odiar. Eles ficaram em 3º lugar, socorro! A minha felicidade foi enorme e acho o lugar mais que merecido. Agradável surpresa foi também o lugar da Hungria, que por algum motivo não conquistou os júris (esses, que também não entenderam o slogan deste ano) mas que foi justamente premiada pelo televoto. Ganhou o meu voto e não me arrependo nada de ter votado.


Quando em Março fui ver pela primeira vez o Festival da Canção ao vivo, não fazia ideia de que estava a assistir ao momento em que escolhíamos o nosso primeiro vencedor eurovisivo. E, mesmo não acreditando que iríamos ganhar, eu senti que havia uma energia que atravessava a audiência quando o Salvador estava em palco. Não queria dizer nada, afinal somos portugueses e amamos o que é nosso, mas que senti, senti. Então sim, eu aprendi a gostar de "Amar pelos Dois", mas foi interessante discutir o assunto com a pessoa que me ensinou a viver a Eurovisão - o meu pai. O meu pai nunca acreditou. Ele era daqueles que dizia que nem da semifinal passaríamos e pelo menos tiro-lhe o chapéu porque manteve a sua opinião até ao fim (esta última frase contém uma forte indirecta, espero que tenham entendido). Eu desconfio que ele só quis ver a semifinal comigo porque queria provar-me que tinha razão. Sim, infelizmente o meu pai encaminhou-me para isto mas já há alguns anos que o desinteresse dele é notório, o que nem dá para julgar. A coisa correu-lhe mal, mas acho que no coração dele, tal como em todos os nossos corações, apareceu uma certa esperança. Aí chegou o dia da final. O meu pai quis despachar-se a jantar porque queria ver. A minha mãe contou-me que quando era pequena os pais compraram uma televisão a preto e branco para ver a Eurovisão (não sei dizer se era mesmo a Eurovisão ou o Festival da Canção porque ela, tal como 95% dos portugueses - número inventado por mim - não sabe distinguir os dois). A minha mãe, que não perde nem um segundo a falar sobre a Eurovisão, estava a partilhar histórias comigo. Os meus amigos estavam prontos para ver nos locais mais estranhos, porque eles queriam mesmo era ver. Eu nem conseguia acreditar que pessoas tão próximas de mim estavam finalmente a viver esta paixão comigo! Pela primeira vez desde que me lembro vi a Eurovisão com os meus pais, os dois, e os dois aguentaram até ao fim. E no final, quando finalmente Portugal ganhou, eu chorei, mas não foi o eu chorar que fez o momento especial. Tornou-se especial quando olhei para o lado e o meu pai também estava com as lágrimas nos olhos. E eu percebi que se era especial para mim ver aquele momento ao fim de 11 anos, não conseguia nem entender como era especial para alguém que acompanha o festival há uns 40 anos. Alguém que viu Portugal ser espezinhado, mal tratado e ignorado pela Europa ao longo dos anos. Alguém que viu imensas vitórias serem-nos roubadas. Alguém que simplesmente já tinha desistido e que não acreditou, até ao último segundo, que aquele momento aconteceria. O meu pai chorou e eu agradeço ao Salvador por isso.


Portugal ganhou. Eu vi o troféu nas mãos do Salvador e não consegui acreditar. Portugal ganhou. Estava a tentar dormir e não conseguia acreditar. No dia seguinte revi a votação umas quantas vezes até acreditar. Em todas essas vezes ainda me apetecia chorar. Nunca a Eurovisão tinha estado tão na moda em Portugal. De repente já apareciam por aí tantos campeões da posta de pescada que eram contra a Austrália, contra os Big5 (e eles nem sabiam bem o que era isso, mas acharam por bem ser do contra) e contra todo e qualquer adereço que não fizesse parte da actuação portuguesa. Acho que até quando os outros concorrentes respiravam havia algum português a criticar. Felizmente tive a sorte de estar rodeada por pessoas que não têm uma pedra no lugar do cérebro e que, mesmo que não estivessem habituadas às andanças eurovisivas, fizeram questão de ouvir as músicas todas, perguntar sobre o que não entendiam e perceber que havia mais para além da prestação do Salvador. Eles vibraram comigo, apoiaram outras músicas e eu sinto que estavam realmente no mood. Eles votaram noutras músicas, foram investigar algumas coisas sobre o passado do concurso, tiraram as músicas da net para colocar na playlist e foram os primeiros a dizer que no próximo ano querem ir ver ao vivo. No final das contas, acabei por ganhar bem mais do que um título ou do que um troféu que eventualmente vai aparecer à venda no e-bay


No próximo ano teremos Eurovisão em Lisboa (Lisboa? Porto? Ilhas Desertas?). Eu planeava ir assistir pela primeira vez ao vivo no próximo ano, mas a experiência vai ser ainda mais gratificante. "Amar pelos Diós" (é, os apresentadores ucranianos até fizeram alusão ao 13 de Maio) é agora o novo hino nacional. Enquanto isso eu já estou a vomitar Eurovisão, com o tanto que se fala nisto na televisão, com tanta foto do Salvador nas redes sociais e com tanto disparate que leio. Óbvio que fico feliz de ver os portugueses finalmente a interessarem-se no concurso, mas não há paciência que aguente tanta mania de ser superior. Deixem lá a saga do fast food e dos covers dos oportunistas que precisam do Salvador para relançar a carreira. Enquanto perdem tempo a escrever disparates, aproveitem esse tempo para fazer uma macumba para que no próximo ano apareçam mais idiomas e mais estilos musicais. Façam macumba para que o pop sueco perca a sua força. Peçam pelas pimbalhadas gregas e espanholas, peçam pelo rock, peçam pelos sons tradicionais. Seja com foguetes ou sem foguetes, cavalos, macacos ou baleias. Afinal, uma Eurovisão que tem no seu top5 um Salvador Sobral, um Kristian Kostov, uns SunStroke Project, uma Blanche e um Robin Bengtsson é uma Eurovisão que aceita, aprecia e premeia diferentes géneros musicais e diferentes apresentações em palco! E se não quiserem pedir por nada disto, peçam por algo útil para fazer nas vossas vidas, porque se perdem tanto tempo nas redes sociais a criticar estas coisas é porque andam com demasiado tempo livre. Agora vou escrever a minha proposta para enviar à RTP a pedir que o ESC 2018 se realize no meu quintal. Namasté.




ESC 2017: o investimento da Ucrânia não teve a receita esperada

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A Ucrânia recebeu, durante duas semanas, o Festival Eurovisão da Canção e as  receitas do evento não atingiram a expectativa da organização ucraniana.

De acordo com os cálculo preliminares, desde o inicio do mês de Maio chegaram 1 460 000 turistas para assistirem ao festival, em Kiev. Desse número, 200 000 foram estrangeiros e 400 000 foram turistas domésticos. A partir dos cálculos iniciais, a venda de bilhetes para aceder à arena resultará em mais de 32 milhões de euros

Foi revelado que a Ucrânia investiu mais de 30 milhões de euros na organização do evento. Comparado com os 9 milhões investidos pela Suécia em 2016, o investimento da Ucrânia superou o triplo desse valor. 

As receitas de turismo na capital também não atingiram as expectativas. A maior parte dos turistas decidiu não usufruir de transportes públicos, excursões, restaurantes locais e hotéis, optando, por sua vez, por cadeias fast food, hostels e caminhadas. Os cafés no centro da cidade observaram um aumento de vendas por 25%, mas a média de consumo nesses cafés rondou os 9 euros e a ocupação de hostels em Kiev aumentou 25% no mês de Maio, o que é uma percentagem  inferior à esperada.

Fonte: oikotimes




Crónica ESC 2017: "Portugal venceu na pior Eurovisão da década"

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Lembro-me de, em 2016, dizer na minha crónica que, uma semana depois do Festival Eurovisão da Canção 2016 ter acabado, me apercebi de que tolerei todas as músicas nesse ano não porque eram todas boas mas sim porque eram todas más e eu me contentava com pouco. Nunca pensei que essa situação pudesse mudar de figura ao ponto de eu continuar a tolerar tudo mas simplesmente não conseguir adorar nada. Quando digo adorar refiro-me a gostar tanto de uma música ao ponto de votar 10 vezes, de ter no topo de todas as minhas playlists, ouvir tantas vezes seguidas ao ponto de enjoar dela e fazer com que todos os que me rodeiam enjoem dela também. Iam saindo as músicas, uma por uma, e eu só pensava: “ah, ainda faltam bastantes, a minha grande favorita ainda vai aparecer”. Eis que chegámos ao fim de março e eu obriguei-me a escolher as minhas favoritas porque parecia errado não o fazer e porque eu, de facto, me contento com pouco.

Assisto à Eurovisão há mais de dez anos. Este foi o ano em que senti que estava menos ansiosa pelo festival, e foi o musicalmente mais fraco, sem discussão possível. Tanto que a Eurovisão terminou e eu nem tive um único sintoma de post Eurovision depression, e não, não foi por Portugal ter ganho, até porque graças a isso tornou-se verdadeiramente deprimente a quantidade de disparates que se ouve nos noticiários dos canais generalistas, disparates que incluem a afirmação de que a canção de Salvador era a única cantada na língua materna. Maiores disparates lêem-se pelas redes sociais, como é costume, vindos de novos fãs eruditos do festival, saídos sabe-se lá de onde, que começaram a ver a Eurovisão a semana passada e de repente parecem ter todo um doutoramento sobre o mesmo. 


Ainda me faz alguma impressão dizer e até escrever "Portugal ganhou a Eurovisão". Quando vi a semifinal em que “Amar Pelos Dois” foi ouvida pelo público pela primeira vez, disse instantaneamente que, de todas as canções, aquela era a única que eu conseguia imaginar na Eurovisão. Não era a minha favorita, mas foi algo que eu consegui reconhecer. No entanto, já em semana de ensaios, lia que Portugal era um dos favoritos e só conseguia pensar que estava tudo doido. Alguma vez? Portugal até podia ser dos favoritos, mas eu sempre tive a ideia de que ia acontecer algo semelhante a 2008. Não aconteceu, ganhámos mesmo. Salvador teve os seus percalços, as suas dificuldades, mas chegou e venceu com a sua boa voz, a sua postura peculiar, mas, acima de tudo, com a sua bonita canção feita por Luísa Sobral e orquestração magnífica de Luís Figueiredo.

Apesar de estar muito contente com esta nossa vitória, confesso que há algo que me prende de tecer maiores elogios a Salvador Sobral, porque a sua atitude me faz espécie. Mais do que gostar da presença de Portugal na Eurovisão eu amo a Eurovisão. Com anos bons e anos maus (como este). E ver um vencedor da Eurovisão que nunca sentiu a mínima euforia por participar nela, nem mesmo depois de vencer – veja-se que Salvador ainda ontem disse que a melhor coisa da experiência eurovisiva foi conhecer Caetano Veloso, pois que importância tem vencer o maior festival de música do mundo -, é algo que me entristece e que me faz querer que tivesse ganho alguém que realmente quisesse muito isto e reconhecesse o seu valor e dimensão. Mais ainda do que reconhecer o valor do festival, seria importante que o representante português desenvolvesse algum respeito acerca dos outros 41 concorrentes, e não limitar-se a referir que enquanto a sua música era tártaro, as restantes eram hambúrgueres – no entanto, semanas após ter dito isto, ao conhecer os Timebelle em Kiev disse não ter ouvido as músicas numa entrevista. Que interessante.


É importante que não nos esqueçamos, nós, os que estão aqui ano após ano, que vemos a Eurovisão como uma oportunidade de conhecer diferentes géneros musicais, que sabemos apoiar uma boa canção pop mesmo que no nosso dia-a-dia nem seja o género de canções que costumemos ouvir, que se a Eurovisão não tivesse esta diversidade musical muito provavelmente nem eu nem muitos de vocês estariam aí. É importante não nos esquecermos de que cada artista tem o seu género musical e ninguém é mais nem menos do que ninguém se quiser fazer canções que não sejam sentidas, que não sejam baladas, que não tenham uma orquestração magnífica, que se baseiem em efeitos visuais, porque tudo faz parte e há espaço para todos, como a Eurovisão já nos tem vindo a habituar há décadas. Ninguém tem a legitimidade para querer mudar um concurso com 60 anos de existência, quando só o começaram a ver "ontem".






A canção do Azerbaijão foi, de longe, aquela com a qual mais me identifiquei a partir da primeira vez que ouvi a canção e assisti ao videoclip oficial. Conhecendo as participações deste país, sabia que não iam fazer menos do que arrasar completamente em palco. E isso aconteceu. Dihaj quebrou a onda de más intérpretes deste país, desenvolveu o melhor conceito em palco e só foi triste não ter chegado ao merecido top10. A intérprete azeri aceitou a participação no festival de uma forma extraordinária, encarando uma personagem do início ao fim da época eurovisiva.

Não posso evitar mencionar a Moldávia. Em 2010, os SunStroke Project faziam parte dos meus favoritos, e o seu regresso em 2017 deixou-me mesmo contente. Sergei Yalovitsky tem uma voz que adoro, e o Epic Sax Guy dispensou qualquer tipo de apresentação. Prefiro “Run Away” a “Hey Mamma”, mas a verdade é que esta última foi claramente superior em palco e isso transpareceu na tabela de classificação. Terceiro lugar, o melhor resultado de sempre para a Moldávia! A juntar Portugal e a Bulgária, 2017 teve o top3 mais imprevisível e agradável.


Na Eurovisão já vem a ser hábito haver canções que não prestamos qualquer atenção até sermos surpreendidos com a sua apresentação em palco. Se eu não dava nada pela canção da Hungria até ao festival (mesmo que reconhecesse que "Origo" tinha tudo aquilo que eu defendo neste festival e que apenas o rap me incomodava), a verdade é que a performance deixou-me completamente arrepiada e rendida. Um justíssimo top10 para a Hungria. Entre as canções que surpreenderam em palco, a Arménia foi indiscutivelmente o país com a melhor produção no que toca a jogos de luzes, pirotecnia e planos de câmara. Achava “Fly With Me” uma música diferente mas mediana, mas ao vivo superou todas as expectativas.  Artsvik ficou abaixo do top15, o que a tornou numa das maiores injustiçadas da final, assim como Anja Nissen, da Dinamarca, a melhor voz desta edição que acabou por sair prejudicada por atuar entre a Itália, a grande favorita dos eurofãs, e Portugal, o vencedor. 


Quanto às semifinais, foi triste ver a Grécia na final em vez da Islândia, e ver Bielorrússia, Áustria e Croácia em vez da Estónia, Macedónia e Sérvia. Continuam a acontecer injustiças na Eurovisão e nós, como somos masoquistas, continuamos a apoiar um concurso que nos deixa emocionalmente arrasados. Confesso que ainda me custa aceitar que os Triana Park ficaram abaixo de Omar Naber na semifinal. E arrepia-me pensar que a Dinamarca podia ter ficado pelo caminho se tivesse menos três pontos.


A organização da Ucrânia surpreendeu pela positiva. Nada é comparável a uma organização da Eurovisão na Suécia, mas foram muito competentes, até a nível de grafismo, o que me leva a acreditar que Portugal não tem desculpas para não fazer um espectáculo arrebatador em 2018. A Ucrânia superou por completo a Suécia a nível dos interval acts, não por ter conseguido superar a grandeza de "Love Love Peace Peace", mas na medida em que não há a necessidade de ir buscar Timberlakes quando existem no país artistas de qualidade, como foi possível ver pela performance da incrível Ruslana e pela viagem pelos sons tradicionais dos Onuka e da orquestra NAONI.


Resta-me exprimir a minha felicidade por ir ver a Eurovisão ao vivo em 2018, principalmente por saber que vou ter a oportunidade de assistir a interval acts com medleys dos 1500 participantes de todas as edições do Festival da Canção interpretados pelo António Calvário em parceria com a Simone de Oliveira. Mal posso esperar.

Imagens: digitalspyuk, escbrasil, /Vídeos: Eurovision Song Contest



[PODCAST] EP.5- Carta Aberta a Salvador Sobral

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Depois de recuperarmos da vitória de Portugal no Festival Eurovisão da Canção, estamos prontos para construir um discurso coerente que não consista em lágrimas!

Neste episódio dirigimos-nos directamente ao grande nome a que devemos esta vitória- Salvador Sobral. Estas seriam as palavras de agradecimento que teríamos num diálogo com o grande vencedor.

Podem seguir o podcast Conversas de Eurofestivais na aplicação para smartphones Podbean, pelo media player que será publicado no nosso blog sempre que um novo episódio é publicado ou, pelo desktop, em Conversas de Eurofestivais.

Se perderam os últimos episódio do podcast, vejam: [AQUI] 

Promo da iniciativa "Conversas de Eurofestivais":

Crónica ESC 2017: "Especialidade da casa: Bife Tártaro Sobral"

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Há coisas que sempre pensei nunca chegar a ter a oportunidade de viver. Nunca pensei que o governo português voltasse a ser estabelecido na esquerda, nunca pensei ver a Telma Monteiro a trazer uma medalha olímpica para Portugal, nunca pensei ver a selecção portuguesa de futebol masculino a ganhar o quer que seja e nunca pensei, em toda a minha vida, ver Portugal a ganhar a Eurovisão.

Vivemos em novos tempo, meus amigos. Em 2017, não fomos 500 mil gatos pingados a viver a Eurovisão sozinhos e a apoiar o nosso representante de corpo e alma. Em 2017, a SIC e a TVI não foram os canais mais vistos no dia da final da Eurovisão porque muitos portugueses preferiram não ver a novela nessa noite.

A verdade é que este foi o momento histórico nacional mais importante para mim. Lamento Éder, mas o orgulho que sinto neste momento não se pode sequer comparar à minha alegria de te ver marcar golo.


A Ucrânia está de parabéns


Sabíamos, desde o início, que ia ser um desafio muito complicado para a Ucrânia organizar um evento como a Eurovisão outra vez. Não só pela sua magnitude, mas pela a necessidade de constante inovação e de conjugação bem-sucedida de culturas extremamente diferentes. Muitos estavam convencidos que a organização ucraniana ia resultar num desastre… muitos estavam errados.

O que está sempre implícito na nossa mente é: ninguém nos pode dar a qualidade de entretenimento que os suecos nos deram em 2016.

Claro que os apresentadores ucranianos não chegaram sequer aos calcanhares de Måns e Petra, mas isso não deverá ser razão para não lhes atribuir os devidos créditos. Oleksandr, Volodymyr e Timur foram extraordinários com o guião de muito pouca qualidade que lhes puseram nas mãos. O humor caiu mal porque o que estava escrito nas páginas era fraquíssimo.

Claro que os interval acts nunca chegarão aos pés de Love Love Peace Peace. Eu agradeço que a organização nos tenha exposto aos artistas nacionais, mesmo que esses momentos tenham fragmentado a coerência do espetáculo.
Com todos os percalços e negatividades, a Ucrânia conseguiu concretizar uma visão desafiadora e conseguiram que as duas semanas de festival corressem sem dramas de organização (se excluirmos a situação complicada com a delegação russa). 

Parabéns, Ucrânia. 

Os grandes vencedores não-portugueses


A história de maior sucesso desta edição tem um nome: Blanche. Uma história de evolução que me deixa feliz além-palavras. A jovem belga de 17 anos, foi considerada uma das favoritas à vitória quando a delegação revelou a canção que iria representar a Bélgica em 2017.  No entanto, no momento em que Blanche começou a pré-temporada de concertos, o favoritismo desapareceu por completo. Esta rapariga muito jovem, com uma voz incrível e com a canção mais vendida do ano, não conseguiu lidar com a pressão e teve várias crises nervosas. Começaram a chover críticas por todos os lados e os apostadores tiraram todo o seu dinheiro desta aposta.

Durante as duas semanas de preparação, conseguimos ver uma evolução extraordinária! Começámos a ver mais confiança e um maior à-vontade para lidar com a imprensa.

Chega a primeira semifinal e é impossível não sentir um eterno orgulho nesta história de sucesso. Blanche mal conseguiu conter o seu sorriso perante os milhares de fãs que a acompanharam na arena de Kiev. Chega a final, e estava certo que Blanche iria trazer outro Top 5 para o seu país e iria transportar o ESC 2017 ao colo com o seu sucesso no iTunes.  
O júri tentou afundar este barco mas estávamos cá nós para o salvar!

Parabéns, Blanche! Parabéns, Bélgica!



Se me dissessem que a Moldávia ficaria em 3º lugar na edição deste ano, eu não aguentaria o riso. A classificação dos Sunstroke Project só mostra que há um grupo gigante de televoters que vê a Eurovisão pelos Baila El Chiki Chiki: por puro entretenimento. Fico feliz por ver a moldávia a conseguir a sua melhor classificação, mesmo que ache que a canção não merecia sequer estar na final.


Prevê-se que a Bulgária se torne numa importante super-potência eurovisiva nos anos que se avizinham. Kristian Kostov teve um merecido 2º lugar e, talvez, em qualquer outro ano em que um Salvador Sobral não estivesse no mapa, a Bulgária levaria o troféu. O talento deste rapaz é algo de fenomenal e ele tem um grande futuro pela frente. Será que o voltamos a ver na Eurovisão? Se o seu mentor, Dima Bilan, lhe der alguns conselhos, garanto-vos que voltamos a ver o Kristian Kostov neste palco e, desta vez, para roubar o 1º lugar.


A Hungria conseguiu o merecido Top 10. Mais do que nos anos anteriores, este ano foi mesmo a celebração de diversidade. Celebração de línguas diferentes, raças diferentes, histórias diferentes, sons diferentes e visuais diferentes. A Hungria merecia o Top 10 e fico muito feliz de ver que, tanto o júri como o televoto, apreciaram aqueles 3 minutos de magia cultural.


Os que não mereciam louvor


Querem saber o que me chateia? Ver a Suécia a entrar no Top 5 com um PVC qualquer. Frans não merecia e Robin Bengtsson, com toda a certeza, não mereceu. Quais foram as almas pobres que meteram a Suécia à frente da Itália? Da Hungria? Da Roménia? Podemos começar a avaliar o nosso discernimento e deixar de votar na Suécia quando eles não merecem o voto? É isso que lhes dá o poder de que eles abusam todos os anos.


Eu defendo a participação da Austrália com os dentes afiados. A Austrália tem trazido imensa qualidade para o festival e, se a sua participação tem um impacto financeiro positivo, não há razão para criticar. No entanto, este ano aconteceu algo que não tinha acontecido nos dois anos passados porque a Austrália não nos deu… excelência? O standards com que avaliamos a Austrália são muito elevados e, eventualmente, eles haveriam de nos falhar.

Isaiah Firebrace é um vocalista fenomenal que nunca falhou publicamente antes de pisar o palco da Eurovisão. Quanta é a surpresa quando este jovem tem uma prestação horrenda na primeira semifinal! Mas foi-lhe dada uma nova oportunidade para surpreender na final e, sem ser tão horrenda como na semifinal, a prestação vocal voltou a deixar muito que desejar. Depois disto tudo, como é que a Austrália conseguiu ficar no Top 10, mesmo tendo o televoto consistido em apenas 2 pontos, vindos da Dinamarca? “É tudo política!”, diz o meu pai. E, neste caso, ele tem toda a razão.

Continuo a defender a participação da Austrália com os dentes afiados.






Os grandes perdedores


Com toda a sinceridade? A Áustria não merecia estar na final. Com uma canção tão medíocre, os austríacos mereciam ir para casa logo na terça-feira, em vez de ocuparem o lugar da Estónia ou da Suíça. Ninguém ficou surpreendido quando os 0 pontos do televoto caíram sobre a Áustria.

Carisma não vos leva, isoladamente, ao topo. Não tragam canções fracas feitas para serem sucessos na rádio porque, depois de todo o festival, esta canção não é nem irá ser um sucesso na rádio. Até as rádios sabem distinguir irrelevância musical de música boa feita para as massas.


E os 0 pontos do júri? Outra escolha óbvia: Espanha. Depois da selecção nacional mais ridícula do ano, a Espanha merecia ainda pior do que último lugar. Os nossos hermanos trouxeram a pior canção do ano e, de certeza, não esperavam melhor lugar do que o último.
Eu senti o karma a fazer maravilhas durante a atuação de Manel Navarro. Fora a corrupção de que o festival tem sido acusado por associação a situação como o que aconteceu  Objetivo Eurovisión! A situação abre de novo a questão se faz algum sentido haver um júri profissional nas selecções nacionais… não deveria ser o povo que vai ser representado a ter 100% da escolha e responsabilidade? O karma, meus amigos, é tramado.

Os choques


No último mês, a Arménia ocupou um lugar seguro no meu Top 3 por ser a canção mais inovadora e visionária do ano. E não é que o televoto afundou “Fly With Me”? Não é surpreendente que as pessoas não estejam receptivas a algo que parece que veio de 2025 mas tinha esperanças que o bom senso geral pusesse a Arménia num bom lugar. 18º lugar?! Surreal. 



O Reino Unido esmerou-se de uma maneira inédita, nunca antes vista. O melhor stagging do ano e uma das vocalistas mais impressionantes do ano. O buzz à volta dos ensaios de Lucie Jones levavam a crer que o Reino Unido ia conseguir a sua melhor classificação da década. Um Top 10 era mais que merecido e o júri concordou, colocando o Reino Unido em 10º lugar. No entanto, o televoto colocou esta canção em 20º lugar. O porquê? Brexit? O que podem mais eles fazer?  Eu não sei. É-me complicado perceber. 


De vez em quando, acontece algo que relembra os eurofãs de algo muito importante: A Eurovisão é uma competição imprevisível.

Durante meses e meses, todos tínhamos a certeza que não haveria nenhum cenário em que a Itália não ganhasse a Eurovisão em 2017.  Tínhamos a certeza que o macaco iria conquistar o coração do júri e do espectadores.

O que aconteceu, então?

Aconteceu algo que não é inédito na história da Eurovisão. Nem sequer é inédito na história das participações italianas. A performance simplesmente não resultou.  A canção tomou tal dimensão que, a meu ver, atraiçoou o artista italiano.  Francesco não esteve no controlo da canção como nós estávamos habituados a ver. Visualmente, foi muito fraco- resultado de várias decisões erradas por parte dos designer gráficos. Não houve magia.

Chamem-me de louca, mas Occidentali's Karma não foi feita para um palco eurovisivo. 

A bubble eurovisiva é cada vez mais enganosa. Os telespectadores casuais não viram potencial na canção italiana. E ainda bem, porque este plot twist tornou a edição deste ano tão mais interessante.


O falso patriotismo português


A Eurovisão não é para todos, eu sei. Nem todos vêem o encanto de ver e ouvir música pop-étnica-fogo-de-artifício-sueco durante 3 horas.  Os portugueses, com certeza, nunca viram o encanto porque este festival tinha, em anos passados, tanta relevância como a feira de chocolate de Óbidos.

Nunca sentiram motivação para mandar mensagens positivas à Suzy, que tão bem nos representou e que foi adorada pelos eurofãs. Não sentiram a motivação para escrever notícias sobre a Leonor Andrade, que tanto foi criticada pelos estrangeiros, mas que fez tudo o que podia para deixar Portugal orgulhoso. Não sentiram a motivação para agradecer à Filipa Sousa por levar um pouco da nossa cultura para cima do palco de Baku. Onde estavam vocês nestes momentos? Porque é que, pela primeira vez, o meu feed das redes sociais esteve cheio de patriotismo?  Porque é que a Eurovisão só vos interessa quando estamos no topo?

Para todos os que, como eu, estão muito desconfortáveis com esta hipocrisia portuguesa, vamos focar-nos na parte positiva de todo este circo: o país abriu os olhos para a Eurovisão no dia 13 de maio de 2017. A negligência acabou.


O nosso salvador

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A minha fé na atitude da RTP perante a Eurovisão sempre foi nula. Não se enganem. A minha fé na atitude da RTP perante a Eurovisão continua a ser nula. Não se atrevam a me dizer que a RTP está de parabéns pela vitória do Salvador ou que, realmente, estavam errados sobre a qualidade do Festival da Canção deste ano. Vocês não estavam errados: o Festival da Canção foi a mesma desgraça que é sempre. Os compositores convidados foram, mais uma vez, os compositores errados e a qualidade do festival foi ridiculamente baixa, seja para um programa televisivo ou para um evento musical de entretenimento.

A vitória do Salvador Sobral na Eurovisão não deve colocar qualquer mérito imerecido a esta emissora que é ainda um monopólio de dinossauros.

Não vou chamar a vitória de Portugal um acaso porque Portugal foi o claro vencedor do festival mas todo o mérito tem de ser colocado nos irmãos Sobral. A RTP teve sorte que esta dupla tivesse aparecido e nós, eurofãs portugueses, também tivemos sorte mas vamos lidar com azar no futuro próximo. A vitória de uma canção como “Amar Pelos Dois” encheu o peito da emissora: “Bem vos dissemos que isto tinha de ser em português e que não podia ser um pop qualquer! Isto é que representa a música portuguesa!”- consigo ouvir na cabeça de Júlio Isidro.  Mas será que representa? Mesmo?

A canção que representou Portugal tem um espaço reservado na minha adoração até o dia em que me cremarem, mas, nem por um segundo, me podem convencer que “Amar Pelos Dois” representa a música portuguesa, a música que os portugueses ouvem.

Quantos de vocês tinham o novo álbum de Luísa Sobral antes do Festival da Canção? Eu respondo: uma minoria quase insignificante porque se olharem para os charts em Portugal, não é Luísa Sobral que vão encontrar. Não é Nuno Feist. Não é Márcia. Não é Rita Redshoes. Não é Samuel Úria. Não é João Só.  Sem retirar nenhum mérito destes artistas formidáveis (nos quais eu já gastei um bom dinheiro para ver ao vivo múltiplas vezes), não são estes nomes que o português casual-não-pretensiosamente-chamando-se-music-expert ouve. Sabem quem são os nomes que se encontram constantemente nos charts? Agir, Nelson Freitas, D.A.M.A…. Por indução lógica, esse é o tipo música que representa o povo português. Não deixem que os organizadores profissionais de medleys dos anos 70 vos convençam do contrário.


Então como é que isto aconteceu? 
Como é que Portugal ganhou a Eurovisão? 
Como é que Portugal bateu o record de valor de pontos alguma vez atingido? Como é que Portugal bateu o record de mais 12 pontos atribuídos de sempre?




Vamos começar pelo início: a maravilhosa Luísa Sobral. Sabem qual é o record que Portugal atingiu de que ninguém fala, mas que demonstra, da maneira mais clara, a excelência deste país quando comparado com todos os outros? A canção vitoriosa portuguesa foi a primeira canção- escrita unicamente por mulheres- que ganhou o Festival Eurovisão da Canção.

A Luísa Sobral é uma compositora excelente e, em todo o lado, encontrarão louvor à sua composição, portanto, eu vou escolher alternar o discurso um pouco. Melhor do que ninguém, esta artista viveu o festival. A humildade com que respondia a todos os entrevistadores impaciente pela chegada do irmão, a curiosidade com que falava sobre as canções participantes e a forma serena como lidou com todos os imprevistos em Kiev, conquistou por completo o público eurovisivo. Estamos habituados a ver diplomatas ensaiados e jogos de marketing em toda a preparação para o dia do espectáculo e a Luísa Sobral, assim como o irmão, mostrou que é possível sobreviver à experiência sem sair do carácter genuíno e da humildade intrínseca.

Obrigada, Luísa Sobral. Devemos-te uns quantos jantares.







"Aquele que tira alguém de uma situação crítica ou que se arrisca a perder a vida [...]" 

Salvador é mesmo o nome apropriado. É complicado explicar o que os eurofãs portugueses de longa data estão a sentir neste momento. Toda a negligência que tivemos de lidar durante as últimas duas décadas.
Ganhámos com uma canção que, provavelmente, nos faz a todos muito orgulhosos. Uma canção simples mas carregada de emoções que, mesmo sendo cantadas numa língua minoritária europeia, transpareceram durante uma das melhores e mais emblemáticas performances de sempre na Eurovisão.

Milhões de pessoas criaram uma conexão com "Amar Pelos Dois"... como é que isso poderia não nos deixar em êxtase?
Milhões de pessoas pegaram no seu telemóvel para dizer "Entre macacos e efeitos especiais, o rapaz estranho e talentoso a cantar aquela canção lindíssima foi o meu momento favorito da noite".



Dia 13 de Maio de 2017 fica marcado por muitas razões, mas a mais importante: venceu o bife tártaro. 

Vencemos com uma canção a anos-luz de ser considerada uma canção festivaleira, cantada na nossa língua por um artista de que tenho imenso orgulho. Finalmente vencemos e foi sem comprometer a essência portuguesa.

Poderá este ser um ponto de viragem para o consumo de música em Portugal? Será que vamos começar a ver uma valorização de diferentes tipos de compositores no Festival Eurovisão da Canção?
Não vos sei responder porque não tenho as respostas.

A única certeza que tenho é que ver o Salvador a levantar o troféu foi um dos momentos mais felizes da minha vida. Foi um momento brilhante.

Vamos banhar-nos em glória antes de começarmos a pensar no inferno que vai ser organizar o Festival Eurovisão da Canção 2018. Isso é um problema de amanhã.

Obrigada, irmãos Sobral! Um obrigada do fundo do meu coração.



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