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[Crónica] JESC 2013 - escrito por Rita Pereira

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JESC 2013: CONSIDERAÇÕES E PREVISÕES

A Eurovisão Júnior 2013 decorrerá no dia 30 de novembro de 2013. Como já vem a ser hábito, Portugal não participará nem transmitirá a emissão da Eurovisão dos mais pequenos, que terá lugar este sábado em Kiev, capital da Ucrânia. 

O JESC 2013 será transmitido na plataforma online do site junioreurovision.tv, às 18:00h em Portugal, e o intervalo terá a participação das vencedoras do ESC 2004 e 2013, Ruslana e Emmelie de Forest, e do JESC 2012, Anastasiya Petryk. Deixo-vos aqui algumas considerações sobre as músicas deste ano, bem como a minha opinião sobre o que se irá passar em termos de resultados.


SUÉCIA


A abertura do espectáculo fica a cargo do pequeno Elias, com “Det är dit vi ska”. E que mau para a Suécia ter ficado a abrir o espetáculo. A música já de si é muito pouco apelativa para crianças e atuando em primeiro... ficará nos últimos lugares com toda a certeza. Não é necessariamente a pior música – longe disso – mas receio que mesmo o meio da tabela seja uma missão impossível para os suecos.

Classificação: 5/10


AZERBAIJÃO


Com um título que é bem familiar à comunidade eurovisiva - “Me and my guitar” –, este ano o Azerbaijão traz-nos a sua segunda participação no Festival Eurovisão da Canção Júnior. 

Quando a música foi escolhida, não fiquei muito convencida de que conseguisse um bom lugar, apesar de ter gostado da mesma. Mas agora até penso que poderá conseguir um lugar satisfatório para o país.

Não sei se o Azerbaijão conseguirá chegar mais alto que um 7º lugar (não seria nada assim tão improvável), mas devido à polémica – infundada, quanto a mim - que instaurou o ano passado por ter ficado mal classificado no JESC (vejam a ironia, caros fãs eurovisivos...), penso que ficar a meio da tabela já seria muito bom. 

É um dos países que tenho mais curiosidade em ver como se irá sair, confesso!

Classificação: 8/10 


ARMÉNIA


Quando a ouvi, tive a sensação de que esta poderia ser a música vencedora. Como alguns fãs apontam, as músicas com comida – mais concretamente doces – têm dado resultado com a Geórgia, algo que se poderá extrapolar para a Arménia, sem dúvida.

A forma como se apresentam em palco é muito boa –  destaco particularmente os excelentes bailarinos. Estas características, aliadas ao poderio da Arménia no JESC (por poderio entenda-se os excelentes resultados que o país tem e a ajuda dos seus vizinhos), fazem-me crer que, pelo televoto, conseguirá bastantes pontos. 

Penso que “Choco factory” é uma música extremamente catchy que conseguirá, certamente, o top 3 do JESC 2013, sendo também uma das favoritas a vencer o concurso.

Classificação: 6/10


SÃO MARINO


Aqui temos um estreante na Eurovisão Júnior! São Marino irá participar pela primeira vez com uma música italiana.

O único estreante deste ano traz-nos uma das melhores músicas de 2013, o que, como é hábito nas lides eurovisivas, raramente se traduz em boas classificações. E São Marino não será exceção: não estou muito confiante num lugar acima do 8º. Aliás, penso que é um forte candidato a ficar... nos últimos três lugares da tabela.

Classificação: 8/10


MACEDÓNIA


Aqui está um país no qual não deposito esperanças. A Macedónia é um país fraquíssimo no JESC (exatamente a mesma situação que na Eurovisâo), e este ano leva à Ucrânia uma canção pouquíssimo apelativa, apesar de a apresentação em palco estar bem pensada.

Curiosamente vejo alguma excitação, mas penso que esta não será nem uma música onde os pequenos gastem dinheiro e muito menos uma canção em que os júris votem. 

Tenho muita pena mas difícil será adivinhar em que lugar ficará dos três últimos...

Classificação: 2/10


UCRÂNIA


O lugar com que Sofia Tarasova ficou na ordem de apresentação das músicas não é dos melhores. A Ucrânia é um país forte na Eurovisão, mas no JESC, curiosamente, tem grandes oscilações em termos de resultados.

A música, com sons eletrónicos, vem na sequência de uma vitória de 2012. Uma boa voz e um bom jogo de luzes na final poderão fazer com que “We are one” chegue a um lugar no top 5 (ou pelo menos até ao 7º lugar) em 2013. Quanto a mim, é uma boa aposta da Ucrânia, mas não uma vencedora.

Classificação: 3/10


BIELORRÚSSIA


A Bielorrússia é uma das grandes potências (se não A potência) no JESC. Este ano o país será representado por Ilya Volkov, um pequeno artista de apenas 11 anos.

A música “Poy so mnoy” (Canta comigo) é bem animada, muito ao estilo das canções típicas da Eurovisão Júnior. Sinceramente já estive mais convicta de que o país pudesse ficar mal classificado. Visto que o sorteio lhes foi favorável e a apresentação de palco é muito boa, penso que a Bielorrússia terá muito boas hipóteses de conseguir alcançar um top 5.

Classificação: 7/10


MOLDÁVIA


A Moldávia é um país recente que ainda não conseguiu destacar-se, apesar de levar sempre pequenos cantores com vozes muito boas.

Este ano prevejo um lugar temeroso para a Moldávia de Rafael Bombeica. Se ficar em 10º lugar, surpreender-me-ei pela positiva... Penso mesmo que o país deverá ter o seu pior lugar de sempre.

Realmente, os resultados desfavoráveis perseguem Portugal. Portugal...? Sim. A título de curiosidade: o representante moldávio nasceu em terras lusas!

Classificação: 3/10


GEÓRGIA


 Com duas vitórias a caminho, a Geórgia é, muito provavelmente, o país mais forte no JESC neste momento – participa desde 2007 e sempre conseguiu um lugar de top 5 (exceto em 2009, em que ficou em 6º lugar).

Este ano verifica-se uma quebra com as atuações dos anos anteriores. A música é de qualidade e não muito jovem, mas a apresentação em palco é tão boa e os artistas têm tanto carisma que fazem com que a atuação resulte muito bem. Acredito seriamente em que a Geórgia poderá surpreender e atingir um lugar muito bom.

Se ficar acima do 6º lugar, o país consolidar-se-á como a primeira potência no JESC.

Classificação: 9/10


HOLANDA


As gémeas Mylène e Rosanne trazem-nos, muito provavelmente, a musica mais catchy do JESC. “Double me” é uma grande candidata à vitória, que dificilmente ficará mal classificada: este é um país que tem uma grande evolução desde a vitória de Ralf, em 2009, e que penso que ficará acima do 7º lugar (tendo grandes hipóteses este ano de chegar ao top 5).

Classificação: 4/10


MALTA


Uma balada chamada “The Start” é a música que Malta nos traz este ano. Gaia Cauchi (uma das melhores intérpretes que o JESC já viu), é dada como a vencedora de 2013 por muitos sites e por muitos fãs.

Concordo com a ideia de que a música é mais adequada à Eurovisão que propriamente ao JESC, e penso também que a cantora conseguirá atingir um bom lugar, sendo muito possível conseguir a primeira vitória para este pequeno país. Digo “quase” porque Malta não é um daqueles países com muito poder na Eurovisão. 

Caso Gaia cante como fez nos ensaios será muito votada pelo público e favorecida meritoriamente pelos júris. O top 5, esse, já é quase certo. 

Acho que é o país por que se vai ficar à espera a noite inteira. Por esta artista, já vale a pena ver o JESC.
Classificação: 9/10


RÚSSIA


A Rússia não aprende. Há dois anos que envia músicas muito ao estilo schlager do Melodifestivalen eurovisivo – relembremos a talentossíssima Ekaterina Rybayova com Romeu e Julieta e Lerika, em 2012, com o mesmo estilo da antecessora. Músicas que não ganham, mas é um género em que a Rússia continua a insistir; não consigo bem entender a razão, confesso.

A cantora é óptima – aliás, como já tem vindo a ser costume – e a apresentação de palco será, com toda a certeza, muito boa, mas não creio que a música consiga vencer (nem sequer com a ajuda de fechar o espectáculo). No entanto, ficará no top 5.

Classificação: 4/10


EM RESUMO:

Os países que penso que sairão vencedores deste JESC serão Malta, Arménia, Rússia, Geórgia e Holanda, com uma possível surpresa pela parte do Azerbaijão e a Bielorrússia. A Ucrânia manter-se-à forte. Já a Moldávia, Macedónia, São Marino e Suécia ficar-se-ão pelos últimos lugares da tabela.

Links: [AQUI]!

Imagem: Google
29/11/2013
Rita Pereira

[Crónica] ESC 2013: final da Eurovisão - por Diogo Canudo

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Não vás embora, melhor Eurovisão de sempre!

É com pena que digo isto: a 58.ª edição do Festival Eurovisão da Canção chegou ao fim. É triste quando algo de que nós gostamos tanto chega ao fim. O que vale é que para o ano que vem há mais, e isso é a única coisa que me dá alento. Como eu costumo dizer: eu vivo para o festival, eu respiro festival e eu só quero ver festival.

A edição de 2013, que se realizou em Malmö (Suécia), foi, desde que comecei a assistir ao certame (2005), a minha favorita. Já esperava algo em grande por parte dos suecos; no entanto, os diferentes géneros musicais, os simpáticos artistas e as grandes performances tornaram-no num ano demasiado perfeito. Não havia, decerto, nenhuma música estrondosa - havia, sim, muitas que eram boas -, mas também não havia muito más e muito menos burlescos. Os artistas foram para a Eurovisão com o espírito de querer honrar o certame e não se puseram com coisas que nem lembram ao menino Jesus para se fazer sobressair nas votações. O que importou foi, eu acho, a música, a paixão pela música e o respeito que se tem pela música.


Os suecos não brincaram em serviço, isso é certo. O palco estava lindo. E o momento grandioso da abertura da primeira semifinal foi completamente arrepiante e de deixar qualquer um com lágrimas nos olhos. A final também teve uma boa abertura - com a entrada dos artistas com as bandeiras no recinto -, pois criou um ambiente de grandiosidade, fazendo-nos, por vezes, sentir que estávamos num conto de fadas. O interval act de Agnes e Darin mostrou que a Suécia tem músicos investidores e com qualidade. E não nos podemos esquecer de Loreen, com o seu medley na Grande Final, que arrebatou tudo e todos, e provou que vai ser a melhor vencedora durante muitos anos.

Em relação aos outros acts que não frisei, apenas digo que foram bons momentos, mas esquecíveis. De certeza que ficou tudo a um nível bastante superior, e, comparados com muitos anos, os deste ano foram muito bons. Os sketchs feitos por Lynda Woodruff também foram bons e interessantes.

Também tenho de dar os parabéns à SVT pela escolha da apresentadora. Primeiro que tudo, só ter uma apresentadora tornou tudo mais fluído, e menos ensaiado. E a Petra Mede é uma boa profissional. Talvez até tenha sido a melhor desde que assisto - adorei as piadas, o entusiasmo e a garra. Tornou tudo muito excitante.


O grafismo com a borboleta foi um dos mais bonitos logótipos de sempre na Eurovisão, ficou tudo muito bem em televisão. Os grafismos das votações, das revelações dos finalistas, das apresentações das canções e os postcards mostraram bom gosto e seriedade.

Mas como não tenho o hábito de gostar de tudo, tenho críticas a fazer. Porque é que deixaram atuar a Sarah Dawn Finner com "The Winner Takes It All"? Muito bem, ela é um marco para os suecos e para o Melodifestivalen, mas na Eurovisão faria mais sentido uma Carola ter uma atuação completa (sim, porque aqueles dez segundos em que apareceu não foram rigorosamente nada). Além disso, a música, apesar de ser dos ABBA, em nada tem a ver com o mundo eurovisivo. Ficou tudo muito mal contextualizado.

Em relação ao apresentador da Green Room, Eric Saade, tenho a dizer que foi horrível! O jovem até é bastante simpático, porém só o escolheram por ter tido um terceiro lugar em 2011. Aqui, a SVT não ligou, de facto, às qualidade de apresentação e pôs lá um amador. Estava muito nervoso, sempre a olhar para os cartões... É uma pena...


Incidindo-me na organização, foi no geral um bom serviço. Os planos de câmaras estavam bem feitos, os cenários esplendorosos (dos melhores que já vi na Eurovisão) e o ambiente da arena era resplandecente. Há, porém, a apontar as várias dificuldades iniciais em divulgar os votos - eles tiveram tempo mais que suficiente para pôr tudo perfeito! Há ainda a sublinhar a falta de respeito por terem festejado a vitória dinamarquesa antes de divulgarem todos os votos. Se eu fosse um artista e estivesse em competição sentir-me-ia bastante revoltado.

Também não entendi o facto de não terem aberto os primeiros ensaios. Se era para não criarem expectativas aos fãs, fiquei na mesma. O que interessa é a atuação na Eurovisão, ao vivo, em direto. O resto é secundário.

Por fim, é uma pena todas as polémicas que se criaram à volta da edição: desde as de plágio de "Glorious" às de "Only Teardrops", ao suposto favorecimento da Geórgia na competição, à não-comparência da delegação da Moldávia a uma conferência de imprensa, à não emissão da final por parte da Turquia por causa do beijo lésbico de Krista Siegfrids (por favor, estamos no século XXI!) até às acusações de russos e azeris terem comprado votos.

Em relação aos resultados, 2013 nem foi um ano muito injusto. A segunda semifinal foi bastante superior à primeira, mais diversificada e que nos deu muito mais para ver em palco - muitas das canções de que eu não gostava encontravam-se aqui e, após vê-las a atuar, comecei a admirá-las e dar valor. 2013 foi uma descoberta para mim: aprendi a não pôr de parte uma música que, inicialmente, não me tinha transmitido nada. Cada uma tem a sua grandeza.


Na 1.ª semifinal, sinceramente, não fiquei chocado pela não-passagem da Áustria. Natália Kelly canta muitíssimo bem - no entanto, a música não sobressaiu em palco e ficou tudo muito insonso. Fiquei apenas chocado com a passagem da Lituânia - que mereceu - e da não da Sérvia - que teve uma das piores atuações do ano. E além disso a Eslovénia foi super horrível em palco - ainda oiço aos altos berros as desafinações da Hannah Mancini, que horror! O voto geopolítico traiu muitos países em 2013, principalmente os da ex-Jugoslávia, e sinceramente fico feliz que isto tenha acontecido: ver a Bélgica e a Malta bem classificadas despertam me um sentimento de esperança em relação a Portugal: sim, porque os pequenos também conseguem ter bons lugares!

Ainda em relação à 1.ª, tenho de aplaudir a irreverência do Montenegro - que me surpreendeu muito em palco -, a grandiosidade de Chipre e o profissionalismo da Croácia. A melhor nesta semifinal foi a Moldávia, enquanto atuação - mas não tinha o brilho que "Only Teardrops" tem.


A 2.ª foi mais desesperante, porque eu, após ver as atuações, passei a gostar de quase todas. Os PeR ofereceram a melhor atuação de entrada de sempre, a Elitsa & Stoyan estiveram ao seu melhor nível, os Takasa ao seu género. Fiquei extremamente chateado pelo facto de a Macedónia, Israel e São Marino não terem passado - considerei estas três em questão umas das melhores da noite. A Hungria, que tem uma canção muito aborrecida e foi a pior da noite, a Arménia, que só passou por ser a Arménia, e a Roménia (aquela voz deixa-me todo arrepiado, no mau sentido) não deviam ter passado. O melhor nesta 2ª semifinal foi o Azerbaijão - mas de referir que a Islândia esteve inexplicavelmente perfeita! E a Macedónia foi o meu grande amor - a Esma transmitiu-me uma energia tão boa em palco, uma simpatia enorme e a música era muito especial.


Em relação à Grande Final, temos um top 5 muito bom! O Azerbaijão mereceu, sem dúvida, o 2.º lugar (a atuação estava completamente perfeita), a Ucrânia o 3.º (apesar de não ser fã da música e de a parte do gigante ter sido do mais foleiro de sempre, valeu ao país a qualidade vocal da intérprete), a Noruega o 4.º (a minha favorita e a melhor na noite da Grande Final, ainda bem que lhe deram o valor devido) e a Rússia o 5.º (Dina é uma excelente cantora e mereceu o destaque).

Já se previa o flop de muitos dos BIG5: a Espanha trazia uma música sem sal e uma cantora que não sabe cantar, a Alemanha foi arrasada por causa da Merkel (merecia muito mais, um top10), a França porque a música não se enquadrava nos parâmetros musicais normais eurovisivos (no entanto, Amandine teve uma presença de palco fortíssima) e o Reino Unido, que continuou a apostar no setor sénior - setor esse que já não é o que era, tem menos voz e menos força em palco. Esperei que a Suécia ficasse no top 10, porque tinha tudo para ficar bem classificada, e esperava um top 5 da Itália. É pena estas duas que acabei de referir não terem ficado como eu gostaria, porque elas estão cheias de qualidade e mereciam muito mais.


A Grécia, apesar de divertida, a Malta, apesar de ter uma música muito fresca e atual, e a Roménia, apesar de ter uma das melhores vozes da edição, não mereciam os lugares que tiveram - muitas músicas que eram superiores a estas três ficaram atrás e isso é injusto. Não sei também como a Hungria ficou no top 10 - como disse, a música é chatíssima.

O lugar da Holanda também me deixa muito feliz - não sou fã de "Birds", mas Anouk foi completamente arrasadora em palco. A Irlanda não merecia de certeza o último lugar e nem a noiva lésbica da Finlândia o ante-penúltimo (se estivesse no lugar deles estaria frustrado). E a Islândia, Bielorrússia e Estónia podiam ter ficado um pouco melhor, também. A Geórgia, apesar dos horripilantes desafinanços, merecia estar melhor posicionada devido à qualidade musical.

No geral, o Azerbaijão e a Moldávia tiveram as melhores apresentações em palco, a Noruega a música mais moderna e contemporânea da edição, o São Marino e a Macedónia as grandes atuações que ficaram pela semifinais, a Itália foi a mais clássica, a Holanda e a Hungria as mais diferentes, a Roménia e a Finlândia as mais irreverentes, e a Dinamarca a que agradou mais às massas.

Notou-se que este ano, apesar das polémicas das votações, houve um equilíbrio: os nórdicos e os de leste continuaram a dominar o certame. Porém, os países pequenos e sem grande expressão ficaram bem: é o caso de Malta, Bélgica, Hungria e Holanda. Os Ex-Jugoslávia, que costumam ter uma forte presença, este ano nem à final foram. É bom haver isto por vezes, porque assim tenta-se dar valor a cada país no certame - e muitos deles já mereciam ficar bem classificados. Não é por ser do leste que se deve ficar bem classificado, não é por ser do ocidente que se deve ficar mal classificado. Há que saber quebrar as "rotinas" e fazer a diferença. E este ano fez-se, claramente.


Apesar de querer que tivesse ganho uma Noruega ou uma Suécia, fico feliz por uma das minhas favoritas ter ganho. A Dinamarca já anda a merecer há bastante tempo este troféu e parece que este ano juntou-se o útil ao agradável: boa artista, boa apresentação musical, bom instrumental e boa letra. "Only Teardrops" não é das melhores vitórias eurovisivas e é bastante inferior a "Euphoria", mas é competente e dá seguimento a uma nova Era da Eurovisão. Uma Era onde se dá mais importância ao certame, onde se compram e se divulgam mais as músicas (se estas forem boas) e onde se começam a mudar mentalidades. Porque a Eurovisão tem qualidade e valor, e "Only Teardrops" é uma conjugação competente dessa qualidade que foi explícita o ano passado pela "Euphoria". Certamente a música fará imenso sucesso nos charts internacionais.  


Em relação a Portugal, senti um pouco de nostalgia por não ver o meu país representado no festival de música mais importante do mundo. Mesmo sabendo que a conjuntura atual é propícia a fazer investimentos em outros planos primários, acho mesmo que se deve investir num concurso que dá imensa visibilidade ao país. Nós só temos a ganhar! Faço um agradecimento à RTP, que se importou em transmitir as semifinais e a final deste ano (e que até teve bons resultados audiométricos), e espero que Portugal esteja na competição em 2014, na Dinamarca. No entanto, peço à Sílvia Alberto um pouco de moderação nos comentários que dá sobre as músicas: muito bem, ela está ali como comentadora e é certo que não estávamos a concorrer e que não podíamos votar; no entanto, tornou-se enervante estar sempre a ouvi-la dizer que o Azerbaijão não merecia a quantidade de 12 pontos que teve. Por vezes, em vez de se criticar, deve-se pensar sobre o porquê de "Hold Me" ter tido tantos admiradores.

Até para o ano! Vocês não se vão livrar de nós, dinamarqueses!

Imagens: Google/Vídeos: Youtube
27/05/2013

[Crónica] ESC 2013: final da Eurovisão - por Ricardo Mendes

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Assim acaba mais uma temporada eurovisiva! 

É com muita tristeza que olhamos para o fim de um evento de classe mundial, e que tantas alegrias e tristezas nos dá! Tive o privilégio de assistir ao vivo a este evento, em Malmo, mesmo sem Portugal na competição, e não me arrependo! A televisão sueca SVT está de parabéns pela realização e produção do ESC 2013! Numa arena relativamente pequena (comparando com a Crystal Hall Arena de Baku) conseguiu realizar um espectáculo televisivo que ficará na memoria de todos!


A abertura da grande final do ESC iniciou-se com um novo hino, produzido propositadamente para este ESC 2013 por dois membros da famosa banda ABBA: Björn Ulvaeus and Benny Andersson. Foi criada uma atmosfera cheia de simbolismo e muito bem enquadrada no espírito e no lema de 2013: “We are One”. Gostei muito do conceito desenvolvido, muito em forma de jogos olímpicos - neste caso um campeonato de músicas europeias! Outro aspecto deste espectáculo foi o conceito das pulseiras LEDs, que deram a sua graça ao espetáculo, num conceito bem original e moderno. 

Quanto às músicas que fizeram parte desta grande final europeia, devo destacar várias! Azerbaijão, pela magnifica apresentação em palco - o país não brinca quando se trata de assuntos eurovisivos!  A Ucrânia pela sua originalidade -  de facto um gigante no palco do ESC foi algo nunca visto até agora. A Itália pela sua simplicidade e pela excelente performance em palco de Marco Mengoni! A Anouk pela sua opção de simplicidade, sem muitos elementos cénicos na sua atuação (foi lindo ouvir toda a Arena a cantar a canção “Birds”)!


Desilusões e injustiças neste ESC? Sim, houve muitas! San Marino merecia ter lugar na final com a fabulosa prestação de Valentina Monetta! A performance, a encenação, o tema escolhido... estava tudo perfeito! Com muita pena vim a saber que ela teria o 11º lugar na sua semi-final, quase a garantir a qualificação.

Outra injustiça foi o resultado de Israel! A Moran Mazor não merecia ter ficado na semi-final! Uma das melhores vozes a concurso! Uma apresentação com classe, por parte de Israel! Fiquei muito triste ao saber que a canção apenas ficou em 14 lugar. 


Outra das injustiças neste ESC foi a Alemanha! De facto, a Alemanha não merecia um resultado final tão penoso! Muitos criticam a prestação de Natalie na final, devido à sua qualidade vocal, mas o impacto visual, quer ao vivo quer na televisão, esteve fantástico! Foi um dos momentos mais agradáveis e de festa,dentro da Arena!  
   
Quanto à vencedora, digo que não era a a minha canção favorita de todo para ganhar o ESC 2013. No entanto, logo que cheguei a Malmo, senti que o  próximo ESC seria a 14 Km de Malmo! Fiquei ainda mais com essa certeza quando tive a oportunidade de assistir ao ensaio de júri da semifinal, onde a Dinamarca atuou e encantou tudo e todos! Não é uma canção comercial e nem irá ter o sucesso europeu que a Loreen teve no ano passado; é sim, apenas, uma canção para recordar de vez em quando!


Uma palavra final para uma possível participação portuguesa em 2014 e um recado à RTP! A Eurovisão é um programa que faz parte da história de Portugal, bem como da música pop comercial portuguesa contemporânea! Poderemos dizer que, há uma década, o Eurovision Song Contest parecia desenquadrado da realidade, que já não fazia sentido nos dias de hoje, e eis que uma equipa de executivos de televisão, principalmente nórdicos, veio para o resgate e criou a fórmula atual. Essa equipa deu o melhor cenário suportado pela mais recente tecnologia e design, introduziu o televoto, inseriu a Europa Oriental e, especialmente, modernizou o conceito musical europeu, envolvendo as produtoras, editoras e artistas! Basicamente, foi um movimento liderado por empresas e especialistas suecos e dinamarqueses! O resultado está à vista! Finlândia, Noruega, Suécia e Dinamarca já sentiram o sabor da vitória, ao longo de 15 anos de história de ESC! Ao lado do desporto, as emissoras desses países têm dedicado o maior tempo de antena ao maior evento musical e de televisão de todo o mundo! E esse deverá ser o caminho da RTP! Já muito se falou de um formula mágica para uma canção vencedora no Eurovision Song Contest! Mas a fórmula mágica é simplesmente ter uma boa canção. Uma canção para a Europa, não para o consumo do mercado local. Um grande artista e uma coreografia que marque e que seja uma referência a nível nacional, bem como a internacional! 

Até lá, Dinamarca!
Imagens/Vídeos: Eurovision.tv
26/05/2013

[Crónica] ESC 2013: final da Eurovisão - por Catarina Gouveia

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Mais um ano de saudade!

E chegou ao fim mais uma edição da Eurovisão. Duas semanas carregadas de emoções e, por fim, o vazio que se sente ao ver que ainda falta um ano para a próxima! O que vale é que a Eurovisão é todo ano e, num ápice, voltam a começar as seleções nacionais.

Há um ano atrás, quando se soube que Loreen era a grande vencedora da Eurovisão de 2012, começaram a crescer as expetativas para um festival organizado pela Suécia, este que nos presenteia todos os anos com o inigualável Melodifestivalen, sem dúvida a mais rebuscada de todas as seleções nacionais. “Vai ser a melhor edição de sempre” para cá, “é o país com mais potencial para organizar o festival” para lá. A verdade é que o que foi prometido foi cumprido. Nada de muito elaborado e sem grandes apetrechos mas com muita, muita qualidade! O palco era pequeno e, realmente, estava à espera de outra coisa, sobretudo no que toca ao cenário, nem tanto devido ao tamanho. Os planos de câmara estavam no ponto, muitas atuações tornaram-se em algo totalmente diferente e claramente melhor do que eu esperei.


Fiquei um pouco desiludida com a abertura da 1ª semifinal. Foi um momento emocionante, sim. Deixou-me de boca aberta? Não. Já tinha sido visto, foi praticamente um copy-paste. Adorei a abertura da 2ª semifinal, foi espectacular visualmente e resultou muito bem. Na final, o desfile de todos os concorrentes com as respectivas bandeiras também foi giríssimo e muito bem pensado, sendo que, das três, esta foi aquela de que mais gostei.

Adorei a apresentação da Petra Mede! Fez um excelente trabalho, mesmo estando a apresentar sozinha. É uma grande profissional e foi a prova de que vale mais do que a utilização de dois ou três apresentadores que se esforçam para ter graça e caem redondamente no ridículo. Um aplauso igualmente forte para Sarah Dawn Finer, com a sua Lynda Woodruff! Os seus momentos foram excelentes para desanuviar de toda a carga de nervos que todos temos neste evento!


No que toca à grande vencedora deste ano, Emmelie de Forest, não houve surpresas. Ainda tive ali um momento ou outro de incertezas e de esperança de ser surpreendida. Não fui. Quando se teve a certeza de que seria a Dinamarca a vencer, pensei logo: "Vá, pronto, que seja...", porque realmente não acho piada nenhuma a já se saber o desfecho da Eurovisão meses antes. No entanto, Emmelie foi uma justíssima vencedora, com uma música atual, orelhuda, com uma atuação muito bem pensada. Vocalmente não foi perfeita - nunca foi - mas isso foi completamente abafado com as restantes componentes da atuação. 

Tivemos uma semifinal muito forte, outra semifinal não tão forte, mas a insatisfação com os resultados é o prato-do-dia da Eurovisão por isso nem vale a pena toda esta revolta que se tem sentido nos últimos dias. No entanto, há que referir algumas boas músicas que ficaram pelo caminho. 


Um país que me partiu o coração por ter ficado pelo caminho foi Montenegro. Gosto de Igranka desde o primeiro dia e sempre vi potencial naquilo. Os Who See ofereceram-nos um excelente espectáculo visual. Eu adorei aquilo! A Nina Zizic tem um vozeirão, um dos melhores do ano. Pecou por não ser uma música própria de Eurovisão, o que foi triste.

Não tenho explicações para a passagem da Lituânia, da Irlanda, e da própria Bélgica, que alcançou um incrível 12º lugar. Macumbas, bruxarias, não sei. Não vi potencial em nenhuma das três, não gostei de nada, foram para a final ocupar espaço - talvez isto seja um truque qualquer para que a malta tenha um tempinho para ir à casa-de-banho. 


Na segunda semifinal, é impossível não se falar de São Marino, com a nossa Valentina! Realmente, isto tinha tudo para passar à final. Boa voz, boa atuação, excelente música, e ainda mais excelente profissional. São Marino é São Marino, portanto não fiquei de todo surpreendida que não tivesse passado, fiquei, sim, com muita pena. O flop de Israel, como é óbvio, também foi surpreendente. Apesar de não ser grande fã, reconheço que é melhor do que parte das músicas que passaram, como a Arménia, Hungria e Malta. Há gente com panca por músicas básicas, sem conteúdo e que nos façam dormir, sem dúvida. Não sei de onde apareceu Malta e o que é que viram de especial naquela atuação. Ainda hoje, quando vejo a classificação final e vejo Malta em 8º e Hungria em 10º fico em estado constante de roll-eyes.

Não houve nenhuma atuação tenebrosa de fugir, o que é surpreendente. Sim, admito que quis fugir e abraçar a minha mãe quando ouvi o ladrar da Esma, da Macedónia. De resto, tudo muito normal, sem vozes abruptamente más. 

Falando em coisas boas, as minhas atuações favoritas: Holanda, Ucrânia, Moldávia, Noruega e Azerbaijão. Não será necessário dizer que fiquei com o coração cheio de por ver quatro deles nos 10 lugares cimeiros, à excepção da Moldávia, que ficou um lugar a seguir. Sou geralmente fã de tudo o que é Disney ou com ritmo balcânico mas este ano foi uma excepção. 


A atuação da Anouk, com Birds tocou-me de uma maneira que nenhuma outra o fez. Uma atuação do mais simples que há, um guarda-roupa ainda mais simples (as botas, quero as botas), uma canção misteriosa, um pouco sombria, calma. Uma voz que me arrepia inigualavelmente, uma presença em palco sublime. Arrepiei-me na semifinal, quase tive um ataque quando nove países já tinham sido divulgados e nunca mais chegava aquele "The Netherlaaaaaands". Voltei a arrepiar-me na final. Esta cantora merece tudo, tem uma carreira excelente e espero que, depois disto, seja devidamente valorizada. Well done, girl!

"Ah e tal, a Zlata tem uns movimentos muito forçados. Ah e tal, o gigante é ridículo". Gravity foi, desde o início, uma das minhas favoritas e na Eurovisão passei a gostar ainda mais. Uma das vozes mais fortes, uma música brutal, um trabalho de movimentação por parte de Zlata muito bom. Ok, o gigante podia ser evitado, mas funcionou bem. Um ambiente de fantasia que mereceu totalmente o terceiro lugar. 


A Moldávia perdeu bastante por atuar em 3º e não deu o seu melhor na final. Mesmo assim, podia ter corrido pior na tabela final. Polémicas à parte, o Azerbaijão teve a sua melhor canção e atuação desde 2009, e mereceu muito mais este 2º lugar do que a vitória em 2011. Quanto à Noruega, posso dizer que respirei de alívio, pois tive medo de que a canção não "pegasse", mas pegou. Fiquei felicíssima por Margaret ter feito uma excelente atuação e, claro está, pelo 4º lugar.

Os nossos Big5 prometeram e prometeram, com o regresso à música desta e daquela e falharam absolutamente.  A Suécia teve uma atuação boazinha mas não merecia mais do que o 14º lugar. A Itália, que tantos suspiros gerou, é, para mim, a entrada mais overrated, onde a péssima postura em palco de Marco Mengoni não ajudou minimamente. Satisfeita por ter ficado de fora do Top5. Não fiquei surpreendida e concordei com os lugares, bem lá no fundo, da Alemanha, Reino Unido e Espanha. A prova de que a Eurovisão serve para lançar novos talentos, não para desenterrá-los.


Já que falamos no fundo da tabela, é importante realçar a Finlândia, que teve uma atuação divertidíssima e merecia muito mais do que um mísero 24º lugar, e a França, que abriu a final com uma prestação brilhante. Excelente prestação vocal, com uma agressividade tremenda, um visual que funcionou lindamente e uma canção igualmente boa. Mais uma vez, o facto de ter atuado em primeiro não ajudou, tal como o facto de não ser uma música adequada para a Eurovisão. A Bielorrússia, por nos ter dado uma música mesmo eurovisiva, merecia ter feito parte do Top15.

Injustiças lá do topo: Itália, Malta, Hungria e Rússia, sendo que, sobre esta última, todos já sabemos que basta a Rússia mandar algo audível que é suficiente para ficar no Top5 - always the same, Mother Russia!

And that's it. Resta-nos ficar atentos aos lançamentos dos álbuns dos artistas, ir conhecer o seu trabalho anterior e esperar pela Eurovisão em 2014, na Dinamarca! Prefiro ter as expectativas mais em baixo desta vez, mas espera-nos um grande ano! Um último adeus à Eurovisão 2013, já com muita saudade!

Imagens/Vídeos: eurovision.tv
25/05/2013

[Crónica] ESC 2013: final da Eurovisão - por Miguel Rodrigues

4 comentários

E ainda agora acabou, e já eu queria outra Eurovisão!


E pronto: chegou ao fim mais uma edição do Festival Eurovisão da Canção. E que posso eu dizer? Bem, foi realmente um excelente show. A EBU está mais uma vez de parabéns, tal como a SVT, que fez de tudo para que o Festival funcionasse bem. Já todos sabíamos que um festival organizado na Suécia iria ser cinco estrelas, mas, como nem tudo é um mar de rosas, nesta edição houve também muitos aspetos que é importante criticar (do antes, durante e após festival). 

O antes e o durante vão ao encontro um do outro, já que têm ambos a ver com a decisão de que a SVT e a EBU determinariam os lugares de atuação de cada país, tanto nas semifinais como na Final. Agora pergunto: se todos os anos houve sorteio para decidir em que posição cada país subiria ao palco, qual a razão para neste ano não haver? Achei ridícula esta escolha. 

O após tem que ver com os pontos dados e não dados, e os conhecidíssimos rumores de compra de votos, que, se um dia chegarem a ser provados, deveriam ser razão para “castigar” os países que se inserem nestes esquemas. De resto, foi um Festival a seguir quase sem erros. 

Tenho imensa pena de uma coisa: agora terei de esperar mais um ano para a próxima edição, na qual espero ver Portugal a pisar o palco, com um excelente representante acompanhado de uma fantástica música. 


Sobre o que terminou há uma semana, começo por falar na vencedora. Já toda a gente sabia que era a grande favorita, e não surpreendeu ninguém. Fiquei feliz; é uma música com um bom instrumental e com uma boa letra também. Emmelie foi muito simpática e isso só a ajudou a ganhar mais pontos. A música e atuação estavam muito bem construídas, e vale a pena falar de todos os acessórios usados, de modo a que a atuação ficasse ainda melhor. No fim de contas, foi uma vencedora justa e que ficará marcada como uma das melhores vitórias de sempre. 


Gostei muito de ver Petra (e não Pietra, como a nossa Sílvia a chamava) a apresentar todos os espetáculos, embora sinta que houve muita coisa que não funcionou bem. Acho que faltou mais um apresentador ao lado dela, para que tudo resultasse na perfeição, até porque os diálogos feitos em 2011, por exemplo, dão uma maior simpatia e alegria. Apesar de tudo, Petra foi muito competente, mas mais um ou dois apresentadores não faria mal a ninguém. Isto, para mim, não foi inovar, foi mesmo regredir. 

Pegando no que disse no início, a SVT está realmente de parabéns: este foi um dos melhores festivais alguma vez realizados.

Falando na parte técnica do festival, todos os arranjos das atuações estavam brilhantes, o mesmo para os cenários, que não eram tão maçadores como os de 2011 e 2012, resultaram muito bem. O palco foi o mais pequeno dos últimos quatro anos, e acho que fizeram muito bem: estavam a tornar cada vez mais o festival em algo gigantesco. É certo que ele o é, mas não o devem mostrar através dos palcos mas sim pela organização que está por detrás. 


O palco era apenas giro; acho que neste aspeto faltou um pouco de criatividade, mas, apesar de tudo, resultou bem em quase todas as atuações (na verdade, daquilo de que me lembro, não vejo uma única que não tenha funcionado). Fiquei muito feliz por este palco ser todo à base das luzes e isso já não era visto desde 2008. Os LED’s foram sempre a base dos palcos, mas este ano não, e isso foi realmente uma grande ideia, pois as luzes dão um maior dinamismo nas performances do que os LED’s.

Para mim o grafismo estava bom, ainda que nada de especial nos quadros das votações e no quadro dos qualificados das semifinais. Achei, contudo, muito engraçada a maneira como apresentaram os finalistas, colocando todos os países participantes na semifinal à vista, lado a lado; uma excelente ideia e que devia ser seguida para os próximos festivais. Gostei muito também das bandeiras no início e no fim das apresentações dos países, e especialmente no oráculo dos músicos e letristas. 

Falando ainda dos postcards (vídeo de apresentação), foi uma grande ideia, para nos ajudar a conhecer melhor os artistas e desde logo percebermos mais ou menos como são, ainda que noutro ambiente. 


Em relação às aberturas dos espetáculos, fiquei especialmente estupefacto em relação ao da primeira, pois a mim tocou-me, e bem, as crianças a cantarem daquela maneira tão afinada, e depois com um arranjo muito bonito, “Euphoria”. Foi mesmo uma abertura de arrepiar. Gostei da forma como Petra entrou em palco na primeira gala. O da segunda foi também giro de se ver, pois achei que estava muito bem estudado e estruturado, e com um grande conceito por trás. A abertura da final foi bastante inovadora e muito bonita, gostei imenso. Aí se percebe que a SVT tem uma experiência imensa neste tipo de eventos. Não sei porquê, mas assim que vi esta abertura lembrei-me de imediato dos Jogos Olímpicos. 


Em relação à música propriamente dita, achei as semifinais fracas, comparando com os anos anteriores. Ainda assim, para mim, a primeira semifinal era um pouco mais forte que a segunda. Este foi dos anos em que os finalistas tinham melhores músicas do que os países que se encontravam nas semifinais, e isto é algo que raramente acontece (para os meus gostos, pelo menos).

Os resultados da primeira semifinal não surpreenderam, mas chocaram. E o que chocou foi mesmo não ver um único país da ex-Jugoslávia na final, porque acho que a Sérvia, apesar de não ter uma música brilhante, merecia mais a final do que a Lituânia, que, a nível musical, não acrescentava nada. Achei o top 3 desta eliminatória nada surpreendente e bem aceitável. Até cheguei a pensar que a Rússia tinha acabado em primeiro lugar. Dinamarca e Ucrânia eram duas que sempre achei provável que ficassem no top 3 também. Fiquei realmente surpreendido com o 5º lugar da Bélgica, algo em que não acreditaria se me tivessem contado, mas que, a meu ver, mereceu (apesar de não ser nada simpático com aqueles olhares nervosos para as câmaras). Fiquei triste pela Moldávia, que, pelo meu gosto, foi a melhor da noite; merecia igualmente um top 3. Os quatro países eram bons, mas só podia haver três que ocupassem o pódio. De resto, só me chocou mesmo a Áustria, que ainda achei que tivesse ficado à beira da passagem mas que acabou num mísero 14º lugar; Natália não merecia essa posição. 


No caso da segunda semifinal, que para mim foi a mais fraca dos últimos anos, houve realmente resultados surpreendentes, começando pelo segundo lugar da Grécia, algo que nunca esperaria que ficasse tão bem. O previsível primeiro lugar do Azerbaijão é bem aceitável, visto que se não foi a melhor atuação da noite esteve próximo. O terceiro lugar da Noruega a mim não me agradou; merecia sem dúvida o segundo ou o primeiro lugar. Malta ficou muito bem posicionada, talvez pela música ser muito cacthy, mas também por Gianluca ser muito simpático; foi um resultado realmente inesperado, embora justo. Quanto ao resto, não concordo nem um bocado com os resultados. São Marino merecia passar e ficar à frente de quase todas as músicas. Não sei como o júri deixou este tema ficar pela semifinal. Do televoto já se esperava uma fraca ajuda, mas do júri? A Roménia tinha uma grande atuação, mas uma música de fugir até à casa de banho. Geórgia  Israel e Suíça mereciam também mais e melhor. Estas três são melhores que as músicas da Hungria, Finlândia e Arménia. O que ninguém esperava mesmo era a eliminação de Israel. 


Na final gostava de 20 em 26 músicas, algo que por si só é um indicador negativo. Habitualmente só não costumo gostar de uma ou duas. Ainda assim, foi uma final que valeu a pena por nos apresentar vários géneros e tipos de músicas. Não achei que a ordem de atuação tivesse sido bem escolhida. Houve claramente favorecimentos por parte da SVT e da EBU

A nível de atuações houve melhorias por parte da Geórgia, que foi uma total desafinação na semifinal, e da Noruega, que foi brilhante e das melhores apresentações do Festival. 

Em relação às finalistas tenho de referir que estiveram todas muito bem, mas que houve claramente um elo mais fraco, que foi a Espanha. ESDM portaram-se muito bem em palco, mas Raquel esteve muito fraca vocalmente. Também a Alemanha esteve perto da Espanha, mas não assim tão má. Natalie teve um pequeno problema no primeiro refrão mas depois conseguiu dar a volta. 

Para mim, as melhores da noite foram mesmo as da Itália e da Suécia, que, sendo as minhas primeira e segunda favoritas, respetivamente, deram conta do recado. Entre as duas, achei a Itália superior em termos vocais, já que Robin desafinou um pouco na parte final do tema. No entanto, achei as duas atuações cheias de profissionalismo, bem estudadas e com planos de câmara excelentes - especialmente a de Robin, já que tinha a vantagem de vir do país anfitrião. 


Bonnie Tyler foi surpreendente, apesar de a música ser um pouco monótona. Bonnie e a sua simpatia deram a volta e tornaram a música muito mais agradável. A proposta  francesa agradou-me muito mais do que qualquer outra vez que a tenha ouvido, talvez porque a atuação foi muito bem conseguida e muito profissional. Amandine pareceu-me louca, mas eu gostei disso.

Desde que vi as duas semifinais só me vinham à cabeça três possíveis vencedores: Dinamarca, Azerbaijão e Ucrânia, aqueles que acabaram por ser o top 3. Para mim ganhou a melhor das três. É sem dúvida uma música que se ouve bem e que pode muito bem passar nas rádios. Emmelie tem uma voz muito própria e muito querida, por isso pode vir a ser uma sucesso comercial. Não sei se terá sido uma vitória consensual entre júri e televoto; penso que o júri votou mais no Azerbaijão. 


Resultados um pouco injustos foi o que houve este ano: um top 5 definitivamente bom, mas, ao chegarmos ao sexto lugar, começo a pensar se ele terá sido pela música ou pelo país. Como é que a Grécia ficou nesta posição? Esta música não traz nada de novo à cultura musical e a letra é apenas uma piada. Será que o júri ajudou ao sucesso desta música? Não sei, mas quero acreditar que não! Um 7º lugar para a Itália é mau, já que merecia sem dúvida um top 5. Marco tem uma voz mágica e foi uma das melhores actuações da noite.

Malta a levar para casa um 8º lugar, que a mim me indignou um bocado apesar de gostar da música. O 9º lugar da Holanda achei justo. Fiquei estupefacto com o 10º lugar da Hungria: se já me tinha surpreendido na semifinal depois de passar, ainda me surpreendeu mais na final quando chega ao top10. Moldávia, uma das minhas favoritas, classificou-se num 11º lugar - devia ter sido mais, visto que foi uma interpretação muito bonita. Bélgica e Roménia à frente da Suécia, completamente injusto; “You” foi totalmente desvalorizada. Sempre achei que conseguia ficar do lado esquerdo da votação. Pena que a Eurovisão não perceba o que é música boa. 

Já sabia que Alemanha, França e Espanha ficariam mal, por isso não me surpreenderam. Mas será que foi merecido? Não! E a Irlanda jamais mereceu o último lugar! A música não é nada de especial, eu sei, mas teve uma boa atuação e Ryan esteve muito bem. 

Foi realmente um grande Festival. Tenho pena de que ainda falte um ano para a próxima edição, mas agora é esperar que a RTP diga sim e que tenhamos uma música e um cantor excelentes. Vou fazer figas para que isso aconteça. 

Indtil nu, Danmark!
(Até já, Dinamarca)

Imagens: Eurovision.tv, Google/Vídeos: Youtube
24/05/2013
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