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Eurofestival em Histórias - Quarto Texto

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À semelhança do que aconteceu em 1969, em 1991 verificou-se um empate no primeiro lugar, já que Suécia e França terminaram com uma pontuação de 146 pontos. No entanto, para resolver os empates que pudessem surgir e evitar mais vitórias a quadriplicar, em 1970 foi criada uma regra de desempate. Esta regra era simples: em caso de empate, o país vencedor seria aquele que recebesse mais vezes os 12 pontos. Em 1991, os dois países receberam os 12 pontos o mesmo número de vezes, e então o país vencedor foi o que recebeu mais vezes os 10 pontos. A Suécia foi assim consagrada vencedora, já que tinha recebido os 10 pontos cinco vezes, enquanto a França tinha recebido apenas duas vezes. No entanto, hoje em dia a Suécia não teria sido vencedora, já que actualmente o país vencedor é aquele que é votado por mais países. A França foi votada por dezoito países, ao passo que a Suécia foi votado por dezassete. Assim sendo, aos olhos das regras de desempate actuais, a França seria o país vencedor.





A Irlanda é, actualmente, o país com mais vitórias no Festival Eurovisão da Canção. Apesar de os resultados mais recentes não terem sido muito favoráveis para o país, já que este ano a Irlanda nem esteve na final do concurso, a verdade é que o país teve os seus anos de ouro, o que lhe conferiu o título de país com mais vitórias. A primeira vitória da Irlanda foi em 1970, ganhando novamente em 1980 e 1987. Mas foi nos anos 90 que a Irlanda foi rainha, ao arrecadar quatro vitórias, nomeadamente em 1992, 1993, 1994 e 1996. Para além destes brilhantes resultados, foi ainda o primeiro e único país a conseguir três vitórias consecutivas. É ainda de realçar que até 2000 o país nunca tinha ficado classificado abaixo do 20º lugar. Infelizmente, a Eurovisão não tem sorrido para a Irlanda, mas este continua a ser o país que provavelmente mais fez história no festival.


Se no início do festival o aspecto visual tinha uma importância irrelevante, hoje em dia o que acontece é exactamente o contrário. Uma cara bonita faz milagres, um vestido torna uma actuação mais brilhante ou um fato de gala faz os olhos saltarem das órbitas. E foi no âmbito de avaliar as roupas, neste caso, as piores, que foi criado o Barbara Dex Award, em 1993. O prémio recebeu este nome quando Barbara Dex, representante belga em 1993, se apresentou com um vestido que foi, digamos, escolhido por alguém com muito pouco bom gosto. Apesar de ser um prémio que nada acrescenta ao festival, a moda pegou, e todos os anos os fãs escolhem o representante mais mal vestido. Digamos que é o preço a se pagar por não se ter espelhos em casa. Portugal pode nunca ter ganho o festival, mas já conta com um Barbara Dex Award, conseguido em 2006 pelas Nonstop.


Sim, já falamos aqui de como a Irlanda é a rainha da Eurovisão. No entanto, não é só de vitórias que se faz este país, que inúmeras vezes nos provou o seu talento. A ocasião mais sonante foi provavelmente em 1994, com a apresentação de um espectáculo de música e dança tradicional irlandesa, conhecido como riverdance. A apresentação surgiu no interval act e teve a duração de sete minutos. Michael Flatley e Jean Butler, campeões de dança, fizeram parte do espectáculo, bem como a Orquestra de Concertos da RTÉ e o grupo coral céltico Anúna. Apesar de este ter sido um festival realizado com baixo orçamento, teve um dos interval act mais bem sucedidos de sempre. O espectáculo recebeu uma ovação de pé e mais tarde a BBC encomendou uma repetição do acto para o Real Variety Show de 1994.



Curiosamente, vinte anos depois, ou seja, este ano, o riverdance esteve de novo no palco eurovisivo. Os Can-Linn, grupo musical irlandês, presentearam todos os espectadores com uma performance de dança tradicional irlandesa mas infelizmente não se qualificaram para a final.
 


Corria o ano de 1996 quando Lúcia Moniz venceu o Festival da Canção com a sua música “O meu coração não tem cor”. Devido ao grande número de países a concurso, os vinte e nove países concorrentes tiveram que passar por uma semi-final, da qual vinte e dois passariam à final. Lúcia Moniz ficou no 18º lugar, com 32 pontos, o que foi suficiente para ditar a passagem à final. No entanto, e face ao resultado obtido na semi-final, não era de todo previsível o que acabou por acontecer na final. Com um total de 92 pontos, Lúcia Moniz conseguiu o 6º lugar da tabela classificativa e o melhor resultado para Portugal até hoje. É um marco para a história de Portugal na Eurovisão e para os fãs portugueses.



Fontes: eurovision.tv; en.wikipedia/ Imagem: Google /Vídeos: Youtube
22/10/2014


Lançamentos: Robin Stjernberg, Farid Mammadov, Ortal & Lúcia Moniz

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Com o verão a findar e o regresso às aulas e ao trabalho de muitos fãs eurovisivos, o Crónicas de Eurofestivais aqui deixa algumas novidades musicais e cinematográficas de alguns dos nossos artistas preferidos: 

   Robin Stjernberg, o representante sueco de 2012, lançou um nova música de nome “Body Language”. De sons eletrónicos, esta é uma canção pop com um vídeo que ilustra o excesso de peso, problema pelo qual o artista passou há alguns anos. 
   Do Azerbaijão, Farid Mammadov traz-nos uma nova balada poderosa: chamada Adima Layiq, está a ter uma boa receção pela parte do público nas redes sociais. A canção continua na linha de “Hold Me”, segunda classificada na Eurovisão 2013. 
   Ortal (França, ESC 2005) faz parte do grupo Back to Amy, primeiro grupo francês de homenagem à artista. A banda que toca músicas dos dois únicos álbuns lançados enquanto Amy era viva Frank e Back to Black, conta com a participação de grandes músicos franceses como Eric Mula, Jeff Ludovicus, Vincent Pochy e Nadir Oudni. 
   Já Lúcia Moniz será a protagonista do filme “O Sonho Certo” (The Right Juice) que contará também com a participação do ator português Miguel Damião e do famoso Mark Killeen (Batman: o cavaleiro das trevas renasce e série The Game of Thrones). 
   Este é um filme realizado por Kristjan Knigge, dinamarquês com origens portuguesas eque conta a história do inglês Oliver Fellows (Killeen) que imigra para Portugal, mais concretamente, para o seu terreno no Algarve de modo a fazer negócio da conceituada laranja algarvia, abundante na zona. Por lá fará dois amigos, as personagens Manel António (Damião), o seu vizinho e Nesta (Moniz), que o ajudarão a impor-se contra os indivíduos que o querem proibir de lançar o seu negócio. 
  Uma produção que reúne profissionais dos EUA, Portugal, Dinamarca e Holanda e que tem estreia marcada para dois dias: 18 de setembro em Faro, Tavira, Portimão, Lagos e Guia e dia 2 de outubro nas restantes salas nacionais.

Pode ver o trailer do filme aqui:


Fontes: ESCPortugal, Oikotimes, Wiwibloggs, ESCToday, IMDb, wikipedia/Imagem: ESCxtra/Vídeo: Youtube
1/09/2014

Em cada canção, uma mensagem - Sétima letra: O Meu Coração Não Tem Cor, de Lúcia Moniz

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LÚCIA MONIZ - "O MEU CORAÇÃO NÃO TEM COR" (PORTUGAL, 1996)


Andamos todos a rodar na roda antiga
Cantando nesta língua que é de mel e de sal
O que está longe fica perto nas cantigas
Que fazem uma festa tricontinental

Dança-se o samba, a marrabenta também
Chora-se o fado, rola-se a coladeira
P'la porta aberta pode entrar sempre alguém
Se está cansado diz adeus à canseira

Vai a correr o corridinho
Que é bem-mandado e saltadinho
E rasga o funaná, faz força no malhão
Que a gente vai dançar sem se atrapalhar
No descompasso deste coração

E como é? E como é? E como é?
Vai de roda minha gente
Vamos todos dar ao pé

Estamos de maré, vamos dançar
Vem juntar o teu ao meu sabor
Põe esta canção a navegar
Que o meu coração não tem cor
(x2)

Andamos todos na ciranda cirandeira
Preguiça doce e boa, vai de lá, vai de cá
Na nossa boca uma saudade desordeira
De figo, de papaia e de guaraná

Vira-se o vira e o merengue também
Chora-se a morna, solta-se a sapateia
P'la porta aberta pode entrar sempre alguém
Que a gente gosta de ter a casa cheia
Vamos dançar este bailinho
Traz a sanfona, o cavaquinho
A chula vai pular nas voltas do baião
Que a gente vai dançar sem se atrapalhar
No descompasso deste coração

E como é? E como é? E como é?
Vai de roda minha gente
Vamos todos dar ao pé

Estamos de maré, vamos dançar
Vem juntar o teu ao meu sabor
Põe esta canção a navegar
Que o meu coração não tem cor
(x3)

Hey!
(E vai de volta, vai de volta, p'ra acabar)
Que o meu coração não tem cor

  Este é um dos meus poemas preferidos de todo o Festival da Canção. Para além de ser estruturado de forma muito tradicional possui versos muito ricos, que se identificam claramente com a cultura portuguesa. O poema inicia com duas quadras de rima alternada. As estrofes que antecedem o refrão possuem duas composições diferentes: um quinteto com rima mista (emparelhada e cruzada) e um terceto com uma repetição e rima alternada. O refrão possui uma estrutura tradicional, semelhante às primeiras quadras e às quadras seguintes. Repete-se cinco vezes ao longo de toda a canção. O poema termina com três versos livres: uma interjeição, um verso branco e um verso que transcreve o título da canção.

    Coincidentemente, uma das minhas letras favoritas levadas por Portugal ao ESC, é também uma letra que marca por uma mensagem a transmitir e que trouxe a melhor classificação do país, até ao momento, na Eurovisão: o 6º lugar.
  A letra é um constante elogio à língua lusófona e ao nosso país. O português é doce como o mel e salgado como o sal: uma ótima conjugação de sabores. A língua portuguesa chega aos três cantos do mundo: é uma festa tricontinental, pois é falada na Europa, na África e na América do Sul, aproximando aquilo que está longe. Assim, é dada uma referência a todos os da comunidade lusófona e também aos portugueses que já não se encontram a viver em Portugal. Tudo é uma junção de sabores. Também se valorizam as danças típicas desses países: no Brasil, dança-se o samba, a ciranda, a chula e o baião. Em Angola o merengue, em Moçambique o marrabenta. Em Cabo Verde, anda-se ao som da colandeira, do funaná e da morna. Porém, também há uma metáfora em relação à emigração. Os que estão longe, ao chorar de saudade, escutam o fado, que é do nosso Portugal. Quando regressam em férias, matam esta saudade nas festas das aldeias, naqueles dias de união e casa cheia, ao ver o rancho folclórico a dançar o corridinho, o vira e o malhão. Na Madeira recorda-se o bailinho e nos Açores a sapateia, ao som de instrumentos tradicionais como a sanfona e o cavaquinho.
  Esta temática está (ainda) tão adequada aos dias de hoje. Ainda há bem pouco tempo foram divulgados números assustadores de habitantes que deixaram o nosso país no último ano. A porta da emigração tem estado sempre aberta, e a cada hora entra alguém por ela. Se estamos cansados desta vida, neste nosso país tão único, mas que impossibilita a nossa evolução, temos que dar ao pé e ir dançar para outro lado. Talvez desta forma se consiga dançar sem nos atrapalharmos e dizer adeus à canseira. Quem dera a muitos não ter que deixar esta preguiça doce e boa, mas a verdade é que se quisermos navegar, não há outro remédio senão ser obrigado a sentir uma saudade desordeira das nossas origens: beber guaraná e comer papaia em vez do nosso figo transmontano.
  Enquanto o ritmo desta dança evolui, e até que não sintamos que a nossa música toca sem desafinação no nosso país, o coração de todos os emigrantes vai sentindo-se num descompasso. Para eles, e para os que ainda irão partir, o seu coração continuará a ter a mesma cor: o verde e o vermelho.


22/07/2014

Portugal: Lúcia Moniz em foco em site internacional!

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O escXtra dedicou a última edição da sua iniciativa "Whatever happened to..." ("O que aconteceu a...") à representante portuguesa no Festival Eurovisão da Canção de 1996 - edição onde Portugal obteve a sua melhor qualificação de sempre no certame, um honroso sexto lugar. Neste editorial, o redator explora o percurso artístico da cantora/atriz, levando o leitor a conhecer os projetos atuais da mesma.


Fonte e imagem: escXtra


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