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Eurovisão virada do avesso 2 - Terceiro tema: E se tivesse sido a Catarina Pereira a ganhar o FC2014?

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Terceiro tema: 
E SE TIVESSE SIDO A CATARINA PEREIRA A GANHAR O FC2014?


As loucas eurovisivas piraram quando souberam que Catarina Pereira ia voltar ao Festival da Canção. “É desta que se faz justiça”, diziam. Ninguém esquece o que aconteceu em 2010 (e certamente não se irão esquecer tão cedo de toda a polémica que se gerou em 2014). Muitos jogam a “posta de bacalhau” – sem pensar duas vezes – que a Catarina teria, sem dúvida alguma, ganho a Eurovisão em 2010 ou, pelo menos, ficado nos três primeiros lugares.


Acontece que a Catarina voltou a não ganhar o Festival da Canção deste ano e a verdade é que os fãs da cantora voltaram a revoltar-se e, em certos casos, a delirar. Não faltaram especulações entre os fãs espalhados pelas redes sociais e é disso que tratamos aqui hoje. Não negando a qualidade das, segundo um grupo de pessoas, “melhores canções eurovisivas de sempre, que nos iriam dar uma vitória na certa e bla bla bla”, questionamo-nos se os fãs da Catarina são fãs da Eurovisão ou apenas veneradores da diva da rua. Isto porque dizer que uma vitória portuguesa é peanuts com a Catarina Pereira a representar-nos é ter, de facto, muita fé em todos os santinhos que pairam por este universo. Portugal. A ganhar a Eurovisão. Por ter uma música boa. Ah ah ah. 


Não passámos do 13º lugar em 2008, com uma canção que muitos fãs (da Eurovisão, não da Vânia) concebiam como a grande favorita para vencer. Seria com uma Mea Culpa, um género mais que ouvido na Eurovisão, que iríamos lá chegar? É esta a diferença entre um fã da Eurovisão e um fã da Catarina Pereira: foi a nossa canção favorita nesta edição do Festival da Canção; no entanto, nunca a tivemos como uma Mea Culpa canção vencedora. 


Além disso, um fã da Eurovisão iria considerar ridícula toda a polémica gerada à volta deste ano. Estas picardias, acusações e até mesmo ofensas pessoais, que se tornaram públicas, só ridicularizam ainda mais o festival – ameaçam mesmo quase matá-lo. Por mais que digam que houve manipulação, nada foi provado, nada foi julgado, por isso era escusado todo este drama – sendo que o festival é unicamente um programa de televisão. Pode ter a magia que quase nenhum programa tem, mas, de facto, continua a ser, simplesmente, um programa de televisão. E quando um programa de televisão é mais importante que a integridade de uma pessoa… é porque algo está, de facto, errado neste mundo. Just saying.


Em acréscimo, se não resultou com Canta Por Mim, o que Mea Culpa tem de especial? Esta última é apenas uma cópia da de 2010, o que é uma estratégia errada por parte dos criadores da mesma porque, quatro anos volvidos, deviam apostar na diferença e na versatilidade da cantora – e, basicamente foi-nos mostrado algo que já nos tinha sido mostrado.


Por fim, por mais que digam que Mea Culpa poderia ter-se safado melhor este ano: talvez sim, talvez não. No entanto, ninguém se pode queixar do trabalho realizado pela Suzy. Apesar de alguns fãs criticarem que houve promessas que não foram cumpridas, a equipa portuguesa fez o que estava ao seu alcance para levar o Quero Ser Tua além-fronteiras – num curto espaço de tempo, porque relembramos que a final portuguesa foi das mais tardias a serem realizadas. O trabalho da Suzy foi tão bom que as divas eurovisivas (Conchita, Ruth e Suzy) faziam e ainda fazem furor nas redes sociais, e existem muitos fãs que esperam que as mesmas façam algo em conjunto. Se isso acontecer, cá estaremos para apreciar e comentar!


04/10/2014

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[Grande Entrevista a Suzy]: 'Foram os três melhores minutos da minha vida'

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Consciente de que deu o seu melhor na Eurovisão de 2014, Suzy sente-se desiludida com o país que a viu nascer e pondera voltar a emigrar.

   Ao ter crescido com as reuniões familiares para assistir ao Festival da Canção e à Eurovisão, viu no convite por parte de Emanuel a oportunidade de realizar um sonho de criança. Ainda que o caminho para lá não tenha sido o que esperava, Suzy recorda com saudade as semanas que passou em Copenhaga. 


1.       Como foi pisar o palco da Eurovisão de 2014?

“Foi magnífico, eu posso dizer que foram os três melhores minutos da minha vida em termos da minha carreira musical. É indiscritível, cantar para 11 mil espetadores, porque a arena tinha 11 mil lugares, foi fenomenal. E depois ter aquela perceção e aquela responsabilidade de estar a cantar para 128 milhões de telespetadores – é a média que dizem – foi espetacular, foi extraordinário. Eu jamais vou esquecer e gostaria de algum dia repetir. Porque não?”

·         Então surpreendeu as tuas expectativas…

“Sem dúvida. Acho que este ano até houve um investimento a nível tecnológico e a nível de equipamentos acima da média. E eu tive, portanto, essa oportunidade de experienciar e de estar presente nesse grande espetáculo. E também foram 50 anos de Portugal a participar na eurovisão, então aí foi ao rubro.


·         Como era o teu dia-a-dia e o da vossa equipa naquelas semanas em que estiveram em Copenhaga?

“Eu trabalhei imenso. Não parei de fazer promoção, fiz uma promoção prévia dentro das nossas possibilidades, da minha equipe, e acho que ate então Portugal também não tinha feito, pelo menos ir a Amesterdão, ir a Londres, fui a umas entrevistas em Madrid… Gostaríamos de ter feito muito mais a nível promocional, mas como nós fomos dos últimos países a escolher a canção, só tínhamos duas semanas para fazer promoção. Tínhamos convites para ir à Moldávia mas não foi possível, pois tínhamos também que nos preparar para a Eurovisão. Em Copenhaga também não parei de fazer promoção: atuei em diversos eventos, fiz entrevistas, imensas entrevistas (risos). Portanto, o trabalho que Portugal tentou fazer a nível promocional e a nível de música foi bastante exaustivo e fizemos o nosso melhor dentro das nossas possibilidades. Como sabem não tivemos apoios financeiros para tal e então foi basicamente do nosso bolso.”

2.   Quando foste convidada para trabalhares com o Emanuel para o Festival da Canção, não estavas a trabalhar em nada relacionado com a música.
·         Como é que este convite surgiu e o que te levou a aceitá-lo?

O convite surgiu de uma maneira muito inesperada, porque eu estava a viver no Dubai e estava muito descansadinha (risos). Também estava a fazer algo na música, a preparar temas. Nunca parei por completo, sempre que eu tinha oportunidade a nível do horário eu aí faria algo na musica, porque eu tinha outro trabalho paralelo. Mas foi bastante surpreendente porque o meu irmão é que me ligou, porque tinha estado em conversa com o filho do Emanuel, o Samuel, e eles andavam a procura de uma cantora com certas caraterísticas. Quando ele disse o meu nome e o que eu tinha feito no passado o Samuel ficou bastante contente e queria mesmo que eu viesse conhecer o Emanuel. E então eu apanhei um voo, só fiquei 24horas em Portugal e vim para a reunião e quando eu cheguei deparei-me que não era só uma reunião, nem sequer vinha preparada. Era um casting porque ele tinha outras duas meninas… Sim porque eu já tenho 34, eu já sou uma senhora! (risos)

 
 
·         Para ver se tentavam concorrer ao Festival?

“Não, isto era para um projeto para um álbum, porque eles queriam tentar fazer algo a nível internacional com uma mulher. E entretanto eu, à ultima da hora arranjei dois temas, saquei da internet (risos). Eu disse “olha, eu não estava à espera, pensei que era algo definido!” então fiz o casting e ele prontamente quis ficar comigo. Só depois mais tarde é que veio a possibilidade do Festival da Canção mas isso também foi no espaço de uma semana. Eu na altura nem pensei muito, achei que era uma coisa tão querida que me estava a acontecer, porque era um sonho de menina, pelo menos as pessoas que nasceram nos anos 80… crescemos com o festival, a minha família parava. Como podes imaginar eu nem sequer tive muita preparação, nem tive tempo para ensaiar muito porque eu não podia deixar o meu trabalho assim de um dia para o outro. E foi assim que surgiu, e surgiu também o convite para ser Rainha do Carnaval na Figueira da Foz. Achei que, após 14 anos, surgir-me os mesmos convites que surgiram em 2000 foi muito giro, porque eu em 2000 também era para ter participado no Festival da Canção, a minha produtora na altura, a NZ Produções, é que não me permitiu.”

3.       Tu já lançaste o teu álbum, fizeste uma colaboração com os Anjos…

“Em 1999, o produtor dos Anjos viu-me a participar num concurso de karaoke e prontamente quis que eu pertencesse à NZ Produções. E foi assim que surgiu o convite de entrada no mercado, com um convite por parte da produtora e dos Anjos para fazer um dueto, ‘Nesta Noite Branca’.”

·         Que toda a gente ouve todos os anos, em todos os Natais!

“Claro! É verdade! (risos) Acho que ficou para sempre, a canção de Natal de Portugal, sim.”


·         Depois participaste em alguns musicais…

“Sim, com o Filipe La Féria, também com o Fernando Pereira… O Felipe La Feria foi com o ‘My Fair Lady’, nesse ano até ganhámos o Globo de Ouro. Antes, fiz com o Fernando Pereira, no Casino de Espinho, fiz o musical “3001”, foi muito giro, também. Fiz muita coisa, muita coisa.”
 
·         E depois disso, fizeste ainda algumas colaborações com DJS.

“Exato, isso já foi quando vi dos Estados Unidos, no final de 2009 até ir embora para o Dubai. Fiz live acts com o Diego Miranda, fui ao live act da marca Ed Hardy, na festa de lançamento, no Blues Café, que eu já nem sei como é que se chama, não saio à noite! (risos)”
 
·         Depois, o que fizeste? Continuaste a fazer algo relacionado com a música?

“Escrevia letras para os DJs, fazia live acts e estava a ver se reunia material para novamente fazer um álbum, mas queria fazer algo mesmo que eu gostasse e que fosse internacional. Eu estava sempre a pensar, por isso é que também fui para fora varias vezes. Claro que fui exercer também trabalhos na minha área e não na minha área. 

·         Mas isso foi porque não surgiu aquela oportunidade de fazeres o teu próprio álbum ou foi porque seguir outro caminho? 

“Não, eu aqui sempre tive convites para fazer álbuns. Maluca, pronto! Tentei de uma maneira ou de outra ir para fora. Pensei “porque é que eu não tento lá fora? Pode ser que eu consiga o american dream or something like that!” É aquelas coisas de miúda.”

 

4.       Então, viste no Festival da Canção a grande oportunidade de regressar a Portugal e tentares regressar à musica?

“Não, eu não pensei no Festival da Canção como uma oportunidade de voltar a Portugal ou de fazer um álbum porque ia fazer um álbum de qualquer maneira. Neste momento o Festival da Canção não te dá credibilidade nenhuma, tanto que a nível de audiências, as percentagens são muito pequenas. As pessoas já não seguem o Festival da Canção, infelizmente já não é algo prestigiante. Devido ao aumento dos canais de cabo, aumento dos canais generalistas e também aumento excessivo, na minha opinião, de concursos de canto. É que o mercado não sustenta tantos cantores em Portugal. É demasiadamente pequeno, devido à crise, devido à falta de apoio à nossa cultura. E a verdade é que aqueles que realmente trabalham no meio da música nos dias de hoje são sempre os mesmos, ou seja os que começaram nos anos 90, nos anos 80, não falta trabalho.”

·         Numa altura em que o mercado conseguia sustentar…

“Sustentava, sim. Eu trabalhei imenso, eu nunca tive problemas relativamente a falta de trabalho na música, nunca. E eu voltei, estive desaparecida dois ou três anos e continuo a não ter falta. Porque comecei muito novinha.”

5.       Quando venceste o Festival da Canção 2014, toda a vossa equipa foi bastante criticada nas redes sociais. Olhando para trás, e vendo todo o sucesso que fizeram ao longo destes meses no estrangeiro, o que é que tens a dizer de toda a reviravolta que se deu?

“Para já, não houve uma polémica sustentada pela população, porque foi a população que votou em mim. Logo aí não há polémica. A polémica surgiu porque as equipas não vencedoras suscitaram e criaram essa polémica, tal como criaram nos anos anteriores, sempre que não ganhavam. Isto é assim, o meio da musica não é só escrever uma canção, cantar e depois ir ao Festival da Canção. Tem que haver um trabalho promocional e de marketing bem executado. E foi o eu nós fizemos, aliás, fomos a única equipa que o fez. Portanto, logo aí a lógica de termos tantos votos. Porque fomos os únicos a ir à televisão – nós fomos à televisão entre a semifinal e a final, e antes, fui Rainha do Carnaval da Figueira da Foz com o Emanuel, logo, aí… Figueira da Foz é um dos maiores concelhos do distrito de Coimbra. Eles são muito bairristas. Só eu é que sei, que estive lá a viver, o que foi passar de carro alegórico com o número de telefone a passar pelos milhares pessoas! (risos) Fizemos entrevistas de rádio, o nosso tema passou nas rádios locais! Todo esse trabalho, tudo em tão pouco tempo… Eu pouco comia, pouco dormia, porque eu estava a viver no Dubai então eu não tive o mesmo tempo de preparação do que os meus colegas. E o que eu pensei foi: eles só estão a fazer redes sociais. Não é as redes sociais que te vão trazer votos. O que te vai trazer votos é o televoto. Telefone. E quem é que liga? Uma certa faixa etária. Que está em casa, que tem mais poder de compra.”

·         Que não estão nas redes sociais?

“Que não estão nas redes sociais! O Festival da Canção é um concurso, tal como outro qualquer, tal como o X-Factor, tal como outros concursos que é por televoto! As pessoas têm que trabalhar na promoção, têm que trabalhar no marketing. Só que, infelizmente, este ano foi com o Emanuel, e ele é uma pessoa que já tem uma carreira e tem os seus fãs implementados. E nós, pronto, foi fácil no sentido de apelar ao voto dos fãs dele, num tema dele. E eu só dei a voz ao tema do Emanuel. Porque o Festival da Canção é um concurso de canções. Não é um concurso de intérpretes, porque senão não tinham convidado compositores primeiro. Portanto, aqui, a mais-valia é os compositores, é a canção. Eu só emprestei a voz a um tema, isso não me vai definir como cantora. Lá fora foi extraordinário, porque as pessoas também não entendem o português e o que entendem é a sonoridade e o que as faz sentir. Então, quando tu tens uma canção uptempo no meio de baladas, destacas-te. E as pessoas estavam ansiosas por dançar, tanto que o nosso tema era o tema nº1 dos euroclubs em Copenhaga. Onde quer que fosses, era o tema mais tocado.


·         Quando estavas aqui, havia toda aquela história, de receberes mensagens que também te deve ter afetado um bocado. Depois chegas lá, e vês aquela receção toda, deve ter sido uma lufada de ar fresco que estavas a precisar.

“Foi, foi. Eu posso dizer que eu aqui, acho que as pessoas estão doentes. Acho que existe uma doença social em Portugal, mesmo. Antigamente éramos um povo que sabias estar, e, neste momento estou um bocadinho desiludida, e eu já vivi em muitos países. As pessoas não sabem estar e não sabem dar opiniões. Eu tiro o chapéu aos meus colegas que não venceram, que fizeram um trabalho muito bem feito de divulgação e de difamação das redes sociais, com situações não-factuais e conseguiram expandir a mensagem, porque a realidade é que só foi isso. E é engraçado porque antigamente as redes sociais iam-se alimentar do que saia nos meios de comunicação, agora é ao contrário. A imprensa, a televisão e etc. vão-se alimentar do que é divulgado nas redes sociais. E isso é muito curioso, eu estou sempre a aprender todos os dias e foi isso que eu aprendi. Lá fora, quando tu recebes amor, carinho e compreensão, tu dás na mesma moeda. E eu lá fora senti-me eu própria, e as pessoas acabaram por criar uma simpatia enorme para comigo. E eu era naturalmente alegre, era uma pessoa acarinhada. Eu digo-te, houve muitas vezes que me emocionei, porque foi um contraste enorme. Eu estava no meu quarto e vejo-me no noticiário da Dinamarca. Eu nem quis acreditar. Falaram de mim na Bélgica, em França… E eu fiquei surpreendidíssima com isso.”

6.       Apesar dos imensos apoiantes que ganhaste durante a promoção da canção, ficaste a um ponto da final.
·         Como encaraste isto? Sempre acreditaste que a canção pudesse ir à final ou estavas à espera de ficar pela semifinal?

“Eu estava à espera. Eu sou uma pessoa muito racional - e, apesar de no meu dia-a-dia ser uma pessoa muito positiva, sou muito terrena. Quando te deparas que na tua semifinal a maioria dos países são do Leste, com três países que não têm televoto (e eu sabia que os meus votos viriam maioritariamente do televoto) e sabendo eu que os júris têm mais tendência para baladas… Eu não fiquei triste, porque senti-me realizada; eu fiz o melhor que eu pude, dentro das minhas possibilidades. E só de pensar, no final, os que não passaram à final a única canção que estavam a cantar era o ‘Quero Ser Tua’, isso foi uma recompensa extraordinária. É evidente que, quando eu fui para Copenhaga, eu estava com esperanças de passar à final, por causa de Amesterdão e de Londres, porque os que tinham mais aplausos no espetáculo era eu, a Conchita e a Ruth. Chamavam-nos as três divas da Eurovisão, eu fartava-me de rir, nem sabia que estas coisas existiam! Mas depois, em Copenhaga, quando eu comecei a analisar, só pensei que tinha de dar o meu melhor e divertir-me, e foi o que eu fiz.”


·         Mesmo assim ainda ficaste em 6º lugar no televoto. Achas que as regras deveriam mudar?

“Eu acho que sim. Os júris são tendenciosos. Se fosse pelo público, nós, indo à final, teríamos arrancado um lugar muito bom.”

·         Achas que podiam ter feito algo diferente que talvez vos pudesse levar à final?

“Nós tínhamos um protocolo e um regulamento a seguir. Nós pensámos que íamos levar o tema em inglês, mas não foi aceite. As coisas não podiam ser mudadas, infelizmente. Mas, após tudo o que passámos, percebemos que não era a língua.”

7.       “Quero ser tua” era das poucas canções interpretadas na língua nativa do país este ano.

·         Qual é a tua opinião com o cada vez maior uso do inglês nas músicas eurovisivas, que à partida deviam ter nelas traços culturais de cada país?

“Nós vivemos na era da globalização, e a tendência é a uniformização. O inglês vai acabar por dominar, só se houver uma regra rígida na Eurovisão. Eu acho que isso para mim até era bom, acho que era mais justo. Mas é muito complicado, porque não se pode agradar a gregos e a troianos.” 

 

8.       Voltaremos a ver esta equipa a tentar ir à Eurovisão? Há planos para isso?

“Só se fosse a nível de convite. Já não faz sentido ir a concurso. Se fosse por concurso, tinha que ser com um outro tema, ou por outro país.”

9.       Quais são, para ti, as razões para Portugal nunca ter ganho a Eurovisão? Acreditas que a vitória do festival poderá acontecer algum dia?

“Eu acho que se houvesse uma fórmula vencedora, toda a gente a seguiria. Mas, como tudo na vida, é um totoloto, porque é um concurso. Portugal dificilmente vai sair vencedor porque não somos um país coeso, não somos uma população unida e não temos o culto do Festival da Canção nem da Eurovisão. As audiências são muito poucas – este ano, subiu surpreendente, talvez pelo fator Emanuel e pela polémica que já estava antes. Mas não é só um fenómeno português: é dos países que estão há mais tempo na Eurovisão. Os países escandinavos vivem isto e os de Leste morrem por isto.”

10.   Como foi voltar à realidade após teres vivido a magia da Eurovisão? Já sentes saudades?

“Eu não queria voltar. Quando tu és amada e acarinhada daquela forma, e sabes que tocas na vida daquelas pessoas, é fantástico... Tenho muitas saudades.”

11.   Quanto aos resultados em geral, o que achaste?

·         Concordaste com a vencedora?

“Eu fui ter com a Conchita ao camarim, e eu disse-lhe que ela iria ganhar. E ela disse ‘não digas isso, já sabes como estas coisas são’, e eu ‘tu vais ganhar e depois eu digo-te porquê’… Ela fez uma interpretação à altura. Ela era uma personagem, mas era uma personagem com uma mensagem a transmitir. E essa mensagem foi transmitida. E foi por isso que ela ganhou, também. Ela também tem talento, mas também foi pela mensagem. Basicamente: ‘todos diferentes, todos iguais’. E é por isso que ela foi uma justa vencedora, nesse sentido. É evidente que havia outros cantores com excelentes vozes, com excelentes temas - eu gostei do tema da Suécia, gostei do instrumental do da Arménia. Havia temas muito válidos.”


·         Houve algum país cuja classificação achasses injusta ou inesperada?

“Fiquei surpreendida com São Marino. Eu estava à espera porque tinha ouvido nos bastidores que ela tinha de passar – era a terceira vez. Mas nunca pensei, e foi. Os fãs são importantes, mas sempre me disseram para não tomar tanto em conta – porque se eu fosse a tomar em conta o que os fãs me diziam, eu ia super confiante e a expectativa seria alta, e ainda bem que não a tive. Existe muita coisa por detrás, muita política, e que nós não temos controlo. A única coisa que temos controlo, e que aí ninguém tem influência, é o televoto.”

12.   Na passada semana estiveste em cena com a peça 74.14

·         Como surgiu este convite?

“Surgiu devido à desistência da Diana Monteiro, que estava no elenco desde o início. Por motivos profissionais, infelizmente ela não pôde estar presente. Felizmente para mim, fui convidada pelo Henrique Feist diretamente para puder fazer parte deste elenco fantástico.”

·         Achas que foi uma boa oportunidade para os portugueses te conhecerem melhor enquanto cantora, deste ver num outro registo?

“Eu já canto desde os 5 anos, mas a geração mais nova pôde-me ver noutros registos. Consigo cantar outras coisas – eu cantei desde Deolinda, até dei um modo lírico, desde músicas pop, brasileiras. Não tanto a nível de potencial vocal.” 


13.   Pretendes fazer da música a tua única profissão daqui para a frente ou tencionas voltar para o Dubai?

“Estou a dar-me um timing em Portugal para puder viver daquilo que amo. Mas viver bem. Eu já trabalhei e estudei muito, e estou numa fase que é agora ou nunca. Já não tenho 20 anos, tenho um prazo na minha cabeça para ver se consigo fazer realmente aquilo de que gosta – que passa pela música, televisão, artes. É algo que me dá alegria, mas só me dá alegria se eu tiver algum retorno. As pessoas não vivem do ar, portanto tem de haver retorno. Se isso não acontecer, ou vou para uma profissão noutra área, ou faço a música em paralelo, ou então emigro. Porque eu, realmente, apercebi-me que sou feliz lá fora.”

14.   E que outros projetos estão já pensados para o futuro? Sabemos que há planos para a gravação de um álbum para o final deste ano. Será um álbum direcionado para que tipo de música?

“Estamos a trabalhar para o álbum - noutro registo, mas também não muito diferente. Possivelmente, vou mais para pop, porque eu quero fazer concertos. Uma pessoa tem de ser realista, pop toda a gente pode ouvir. E vou sempre gravar português e inglês. Está a ser tudo feito com calma, tem de ser algo muito bem feito.”

·         Quem é que te irá acompanhar neste projecto?

“Estamos a escolher os compositores. Estamos a analisar as músicas, porque normalmente tens de ter vinte músicas em carteira para escolheres 12.”


15.   Queres deixar alguma mensagem especial para os nossos leitores que tanto te apoiaram este ano?

“Esta vida é muito curta - portanto, aproveitem-na bem. E tentem fazer aquilo que amam – e se não for em Portugal, que seja noutro país. Para depois sentirem essa alegria inata nas vossas vidas – e também receber algum por isso (risos). Mas vão à conquista dos vossos sonhos, arrisquem sempre. Nunca é tarde para começar de novo.”

Entrevista realizada no dia 04/07/2014
Jornalista: Catarina Gouveia/Edição do Vídeo: Diogo Canudo
Imagens: Google/Vídeos: Youtube
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