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FBI Eurovisão - Historial

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FBI EUROVISÃO
RUBRICA DE ANDREIA FONSECA, BRUNA MATTOS E DIOGO CANUDO
23/09/2015 - 11/11/2015

Anúncio oficial: [AQUI]

Primeiro texto - a vitória dinamarquesa com uma mão vizinha (1963): [AQUI]
Segundo texto - Ping-Pong pagaram pelo apelo à paz (2000): [AQUI]
Terceiro texto - ditador espanhol impede vitória de Cliff Richard (1968): [AQUI]
Quarto texto - Arménia e Azerbaijão de costas voltadas: [AQUI]
Quinto texto - muito mais do que ABBA (1974): [AQUI]
Sexto texto - uma vitória perigosa (1998): [AQUI]
Sétimo texto - vitória belga em 1978... só na Jordânia: [AQUI]


11/11/2015

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FBI Eurovisão - Oitavo texto: o beijo que mudou a Eurovisão (1957)

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Atenção! Chamem a FBI Eurovisão, ou calem-se para sempre! Neste artigo irão ser apresentados casos e conspirações, que, apesar dos anos, nunca foram concluídos. Muitos deles nem investigados! Será a Eurovisão um concurso musical exímio ou um evento repleto de emoções? 

Estávamos no segundo ano da Eurovisão: 1957. E a Dinamarca, que tinha entrado neste preciso ano na competição, destacou-se logo, oferecendo o primeiro beijo em direto, e também o mais longo (11 segundos), da história da Eurovisão! Birthe Wilke e Gustav Winckler interpretavam uma autêntica canção de amor, que se descrevia como uma despedida do casal porque o homem ia para a guerra. 

Como se vivia nos anos 50, este beijo longo criou um pouco de escândalo em alguns países. No entanto, o resultado foi animador para a Dinamarca – top3, dando assim um bom começo para a Escandinávia na Eurovisão. Também muitos alegam que o beijo foi tão noticiado e falado nos media por ter sido a primeira vez que o Festival Eurovisão da Canção era transmitido na televisão. Apesar de, em 1957, muitos espectadores assistirem ao concurso através da rádio, o concurso começou a ter impacto através da televisão. Também em 1957 havia mais concorrentes do que em 1956: além da Dinamarca, Áustria e Reino Unido juntaram-se à festa. Sendo que havia mais países a concurso, as regras foram alteradas: só se podia levar uma música por país, e não duas (como aconteceu em 1956).


A pergunta que permanece na nossa cabeça, além do porquê do beijo, é o como? Não, não queremos saber como beijar, mas sim, como é que deixaram, em plena década de 50, que fosse transmitido um beijo de tal duração. Oficialmente, foi explicado que o membro da produção responsável pelas marcações do espetáculo se esqueceu de exibir o pré-aviso, num cartaz direcionado para os artistas, de que o beijo deveria terminar. Esquecimento? Não se consegue apurar qual o grau de intencionalidade, até porque, muitas vezes, é de dentro que se iniciam as verdadeiras revoluções. É curioso, ou talvez não, que esta marco tenha sido protagonizado pela Dinamarca, país onde aparenta ser fomentada a liberdade, tal como ocorreu em 2014 com a vitória de Conchita. 

A verdade é que desde então os beijos já são uma constante no palco eurovisivo, funcionando como parte das coreografias e/ou elementos cénicos. Já tivemos a oportunidade de assistir a beijos dos mais variados tipos, incluindo entre pessoas do mesmo sexo, provando a evolução do certame. Se estes não causam polémica? Sim, mas longe vão os tempos onde as t.A.T.u foram advertidas para não se beijarem em palco. O fator “sexo” é uma constante no evento, não pelo ato em si, mas pela sensualidade das apresentações, onde existe cada vez menos espaço para o pudor. Nem todas as nações aceitam bem isso, que o diga a Turquia, mas a verdade é que aquele beijo dinamarquês deu à Eurovisão outra faceta, onde as emoções funcionam como forma de aliciar o espectador.


Apesar de não ter sido divulgado publicamente, o que é certo é que Birthe Willke voltou dois anos mais tarde, também pela Dinamarca, com a música cujo título “I wish you were here” (“eu queria que tu estivesses aqui”). Muitos consideram que esta proposta foi uma continuação da de 1957, de uma forma até irónica – no entanto, tanto uma como outra, mostravam o reflexo de uma realidade que se tinha dado há muito pouco tempo, a 2ª guerra mundial. Numa atuação a solo, não houve espaço para beijos, e o resultado foi mais modesto, com um quinto lugar. Falta de beijos? Quem sabe, até porque as pessoas gostam de romance e, acima de tudo, por muito que não admitam, os espetadores gostam de escândalos. 

Os mistérios eurovisivos existem, e sempre existirão, até porque muitas coisas ficaram de fora dos registos, quer por esquecimento, quer por conveniência. Podemos não ter as respostas, mas procuramos fazer as perguntas necessárias para refletir sobre temas “enterrados” na História eurovisiva. Com beijos ou sem beijos, a Eurovisão é um evento mundial, onde a música importa, mas os mistérios não deixam de existir. Inimizades, preconceito, política… Tudo isto existe na Eurovisão, mas no final o que mais importa são as emoções que este evento nos proporciona, e a essas não existe mistério que as abale.

11/11/2015

Imagem: bbci.co.uk/Vídeo: escbelgium3

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FBI Eurovisão - Sétimo texto: vitória belga em 1978… só na Jordânia

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Atenção! Chamem a FBI Eurovisão, ou calem-se para sempre! Neste artigo irão ser apresentados casos e conspirações, que, apesar dos anos, nunca foram concluídos. Muitos deles nem investigados! Será a Eurovisão um concurso musical exímio ou um evento repleto de inimizades entre países?

Estávamos em pleno ano de 1978, quando uma canção de amor venceu a Eurovisão em representação das cores israelitas… Consumava-se, assim, a primeira vitória eurovisiva de Israel. Mas nem tudo foi amor nesta vitória, não estivéssemos nós a falar de Israel, um país que mantém, ainda hoje, algumas relações tensas com países vizinhos. Como seria, então, de prever, esta vitória causou desagrado em vários países do Norte de África e Médio Oriente, onde já na altura se seguia o certame, mesmo não participando no mesmo.

O desagrado foi tanto que, segundo o autor John Kennedy O'Connor, quando se tornou clara a vitória israelita durante a votação, a maioria das estações árabes terminou a sua transmissão do concurso. Mais ainda há mais… A emissora da Jordânia terminou a transmissão com a emissão de uma foto de narcisos na tela, após ter anunciado que o tema belga (que terminou em segundo) foi o grande vencedor. Como na altura ainda não se recorria à Internet, acreditamos que muitos jordanos morreram a acreditar que a Bélgica tinha surripiado ao certame a Israel num golpe de magia. 


Neste mesmo ano, e para contentamento luso por não deter todos os records negativos, a Noruega terminou em último lugar, pela quinta vez, tendo conquistado os primeiros zero pontos do atual sistema de votação - que havia sido implementado em 1975. Mas não se riam eurofãs portugueses, porque Portugal não ficou longe da Noruega, tendo terminado a competição no 17º lugar com uns meros cinco pontos (eram 20 concorrentes). 

A música vencedora “A-Ba-Na-Bi” insere-se no estilo disco up-tempo, muito particular dos anos 80. Por, talvez, estarmos em 1978 e este estilo musical ainda não estar na berra, a canção foi desde logo ridicularizada, sobretudo em relação ao seu título – mas a mesma é considerada pela maioria dos fãs como uma das melhores entradas de sempre na história da competição. No concurso, o grupo usou roupas brancas, talvez por apelar a Israel a paz com outros países.

Apesar de a Eurovisão se tratar de um concurso musical, é também o reflexo de muitas políticas que acontecem no mundo. Os conflitos de Israel e Jordânia tiveram início oficial em 1948, com as relações entre os líderes judeus e a dinastia Hashemite. Em 1978, a guerra entre os dois países estava bastante acesa, com várias ameaças de ataque.


A assinatura do Tratado de Paz só se deu em 1994, e consideram que o acordo foi feito pelos esforços do Processo de Paz Israel-Palestina entre Israel e a Organização de Libertação da Palestina, representante da Autoridade Palestiniana. A Jordânia tornou-se o segundo país, depois do Egipto, a fazer as pazes com Israel. O tratado estabelecia seis pontos principais: a demarcação da fronteira Israel-Jordânia, os recursos hídricos, a segurança, a liberdade de movimentos, os lugares históricos e religiosos, e os refugiados e as pessoas deslocadas.

Se na altura estas interrupções nas transmissões não acarretaram grandes consequências, o mesmo não se pode dizer da atualidade. De tal forma que o Líbano tentou repetir a peripécia jordana em 2005, tendo logo sido advertido pela EBU e forçado a desistir. Sabemos que nesta época é difícil travar a propagação de informação, mas se esta tendência se tivesse mantido já só conseguimos imaginar a Rússia a cortar a emissão em 2014, anunciando a vitória Holandesa e emitindo uma foto de um jarro de camomilas. 

Para o bem e para o mal, a Eurovisão deve ser igual para todos, mesmo quando Portugal termina em último, caso contrário já só conseguimos imaginar a RTP a cortar a emissão na hora das votações anunciando a vitória lusa… Isto se fosse dia 1 de abril!

Não perca, na próxima semana, o último mistério eurovisivo do FBI Eurovisão...

04/11/2015
Imagem: wikipedia.en/Vídeo: escbelgium3

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FBI Eurovisão - Sexto texto: uma vitória perigosa (1998)

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Atenção! Chamem a FBI Eurovisão, ou calem-se para sempre! Neste artigo irão ser apresentados casos e conspirações, que, apesar dos anos, nunca foram concluídos. Muitos deles nem investigados! Será a Eurovisão um concurso musical exímio e um evento que promove as diferenças? 

Muitos consideram que o ano fulcral de mudança eurovisiva foi em 1998. Além de a orquestra não ter sido incluída no concurso pela primeira vez, a vitória da transsexual Dana Internacional espalhou-se pelos media europeus como um fenómeno. Para muitos, era uma mensagem de força às minorias, para outros o símbolo de modernismo – o que é certo é que “Diva”, além de ser uma música ícone no mundo eurovisivo, foi um sucesso além-fronteiras – ficando em muitos top10 pela Europa fora. 

No entanto, nem todos receberam a música da mesma forma. A escolha de Dana International gerou controvérsia entre os grupos conservadores – até foi preciso segurança policial para a cantora pisar a sede eurovisiva.


É difícil idealizar este cenário após termos presenciado o fenómeno Conchita… Mas este ícone austríaco “colheu os frutos” do trabalho desenvolvido por Dana, que conquistou Birmingham com o tema "Diva". Esta vitória ocorreu mesmo quando judeus ortodoxos e outros grupos conservadores se opuseram fortemente à sua seleção, tentando, inclusivamente, anular a sua participação no concurso. Para imaginarmos a dimensão desta forte oposição, estes grupos chegaram a realizar manifestações públicas e a enviar ameaças de morte à cantora. 

Desengane-se quem considera que estas ameaças pararam com a vitória de Dana… Consta que a cantora continuou bem protegida com a sua equipa de guarda-costas, mesmo quando foi entregar o prémio eurovisivo a Charlotte Perrelli da Suécia em 1999. Aparentemente atrapalhada com o peso do troféu, Dana tropeçou e caiu, tendo sido imediatamente coberta por guarda-costas. Entretanto, Charlotte, já se avizinhando o que iria acontecer em 2008, saiu do palco de mãos vazias.

Os medias adoraram Dana! Emissoras como CNN, BBC, Sky News e a MTV concentraram-se no percurso na cantora antes da Eurovisão e num país como Israel. No entanto, Dana International não teve medo de enfrentar as reações e prolongar as críticas à religião, afirmando que a sua vitória trata-se de uma mensagem de reconciliação: “A minha vitória prova que Deus está do meu lado, e eu quero enviar aos meus críticos uma mensagem de perdão e dizer-lhes para eles tentarem aceitar-me e ao meu estilo de vida. Eu sou o que sou, e isso não invalida que não acredite em Deus. Eu faço parte da nação judaica.”

Dezasseis anos depois, o discurso de Dana, apesar de ser diferente, continua a apelar ao fim de qualquer tipo de perseguição e discriminada às minorias. Entrevistada em 2014, aquando a Parada Gay de Amesterdão, Dana declarou não ser de nenhuma religião e, acima de tudo, é israelita. “É hora de acabar com a perseguição sobre motivos religiosos ou nacionais. É essa a minha mensagem.”

Voltando à parte preocupante da história, e se efetivamente se tivesse consumado algum atentado a Dana? E se as entidades israelitas tivessem cedido à pressão e retirado a cantora do concurso? Terá a EBU exercido alguma influência nesta escolha, ou na sua manutenção? Será que o evento se preparou de forma a salvaguardar, não só a segurança de Dana, mas também de todos os presentes no concurso? O facto de ter sido realizado no Reino Unido terá potenciado esta presença mais “arrojada”? São tantas as questões e tão poucos os detalhes conhecidos.


Sabemos que a Eurovisão é um evento de grande escala, pelo que zela pela segurança, mas não nos podemos esquecer que em pleno ano de 2010 um indivíduo invadiu o palco eurovisivo na atuação espanhola – que mesmo tendo atuado duas vezes não convenceu a audiência. Que ou quem terá impedido uma possível invasão com vista a prejudicar Dana? Acreditamos que o bom senso, aliado a uma forte preparação do evento, contribuíram para uma noite bem passada em 1998, mas é sempre interessante (mesmo que pela negativa) constatar como a Eurovisão consegue funcionar como fator desencadeador de ódios, quando pretende “construir pontes” entre culturas. 

Em relação a Dana Internacional, esta pouco se importou com as críticas e goza confortável de grande sucesso no seu país nativo. Além de ser uma referência musical de Israel, é uma das maiores Divas eurovisivas, e mostrou ao mundo que todas as diferenças devem ser respeitadas. Porque na Eurovisão… a discriminação não entra!

Não perca, na próxima semana, um novo mistério eurovisivo...

28/10/2015
Imagem: eurovision.tv/Vídeo: romania3

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FBI Eurovisão - Quinto texto: muito mais do que ABBA (1974)

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Atenção! Chamem a FBI Eurovisão, ou calem-se para sempre! Neste artigo irão ser apresentados casos e conspirações, que, apesar dos anos, nunca foram concluídos. Muitos deles nem investigados! Será a Eurovisão um concurso musical exímio ou um evento dominado por interesses políticos?

1974 foi um ano marcante para a Eurovisão. A primeira imagem que pode surgiu na cabeça de qualquer eurofã é a marcante vitória dos ABBA, no entanto, esta edição eurovisiva contou com outras histórias igualmente interessantes, que envolveram países com tradição – não, não estamos a falar da revolução de abril. Atualmente a Eurovisão contam com uma regra interessante, a passagem direta dos Big5, que conta com países como França, Reino Unido, Alemanha, Espanha e Itália. Curiosamente dois desses países protagonizaram histórias polémicas em 1974. 

A França retirou-se do concurso em 1974 após a morte do seu presidente, Georges Pompidou, cujo funeral se realizou no mesmo dia da realização do certame – até para morrer existem datas impróprias. Já a Itália recusou-se a transmitir a Eurovisão na emissora nacional, pelo simples (ou não!) motivo dos políticos italianos acreditarem que a letra do seu tema representante, “Si” (“Sim”), poder vir a surtir um efeito subliminar no referendo sobre o divórcio que estaria na iminência de ocorrer.

No entanto, “Si” conseguiu o segundo lugar na competição, com um total de 18 pontos. Este lugar foi para alguns uma “chapada de luva branca” a quem tentou impedir o sucesso da canção – até esta altura o melhor resultado de Itália tinha-se dado dez anos com a própria Gigliola Cinquetti a interpretar “Non Ho L’éta”.


Mesmo assim, limitações foram feitas. Devido à censura imposta, as duas canções não tiveram o impacto esperado no seu próprio país – a França tinha escolhido a sua representante Dani com a música “La vie à vingt-cinq ans” ainda antes de tomar a sua decisão final. No entanto, enquanto não deram crédito nenhum a Dani, Gigliola Cinquetti gravou o seu “Sí” em inglês (“Go (Before you Break My Hear)”), alcançando o oitavo lugar no Reino Unido.

A decisão francesa acaba por ter uma análise mais simples, decorrente do falecimento de uma figura de relevo, tendo sido dada preferência à homenagem a Georges Pompidou, em detrimento da consagração da festa eurovisiva. No entanto, a decisão italiana, que poderá até ter prejudicado o tema, acaba por ser menos consensual. Não é a primeira vez que letras de temas eurovisivos geram polémica – vejamos o exemplo da Geórgia em 2009, que até rendeu um afastamento -, no entanto, o cerne do problema não se encontra só na componente política, mas também religiosa. O aborto era, e continua a ser, um ato condenado pelo Vaticano (que se localiza no “coração” da Itália), pelo que este estado exerce enorme pressão para que não seja legalizado. Com o referendo em ação, todas as possíveis variáveis em jogo eram ponderadas, inclusive o “Sim” do tema italiano… Que poderá ter sido criado com esse fim, não sejamos hipócritas a ponto de acreditar que os temas eurovisivos não escondem pistas para fins extra-eurovisão. Mesmo assim, e mesmo estando em 1974, a liberdade de expressão deveria ter sido salvaguardada, e as “cartas” deveriam ter sido colocadas todas na mesa, porque no final do jogo quem sofreu foram os artistas, o certame e os eurofãs.


Parecendo ou não irónico, 1974 foi o ano derradeiro para Gigliola Cinquetti. Apesar do sucesso da música em inglês e de ter alcançando o número 17 nos Estados Unidos da América com a música “Door to the sun”, a mesma foi-se afastando da indústria musical progressivamente. Hoje em dia, dedica-se ao jornalismo e à apresentação de programas da emissora RAI, tendo já cerca de 30 anos nesta área laboral. Já Dina deu importância ao teatro e ao cinema, tendo deixado a arte da música para outras pessoas capazes de enfrentar a censura subjacente.

Não perca, na próxima semana, um novo mistério eurovisivo...

21/10/2015
Imagem: wikipedia.org/Vídeo: mozpiano2

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FBI Eurovisão - Quarto texto: Arménia e Azerbaijão de costas voltadas

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Atenção! Chamem a FBI Eurovisão, ou calem-se para sempre! Neste artigo irão ser apresentados casos e conspirações, que, apesar dos anos, nunca foram concluídos. Muitos deles nem investigados! Será a Eurovisão um concurso musical exímio ou um evento repleto de inimizades?

Muitas vozes críticas ridicularizam o Festival Eurovisão da Canção, apontando-o como um evento fútil, onde a aparência tem mais preponderância do que a capacidade musical – e existem algumas atuações que suportam este argumento. Mas mesmo considerando este fator, quando olhamos para o percurso que a Eurovisão tem feito, sendo acompanhada por mais de 100 milhões de pessoas anualmente, percebemos que esta desempenha um importante papel sociocultural, funcionando como um “barómetro” da Europa contemporânea e dos conflitos internos que o continente enfrenta. Exemplo do exposto, é a relação atribulada entre a Arménia e o Azerbaijão, que tem vindo a acompanhar a Eurovisão em anos recentes.

A Arménia tem participado no certame desde 2006, enquanto o Azerbaijão iniciou a sua participação em 2008. O contínuo conflito entre estes países, por conta da região de Nagorno-Karabakh (considerada como parte do Azerbaijão pelas Nações Unidas, mas que tem estado sob controlo arménio desde 1993), tem afetado o Festival Eurovisão da Canção em várias ocasiões.

Os conflitos entre a Arménia e o Azerbaijão surgiram na Eurovisão, pela primeira vez, em 2006, quando os media azeris criticaram o site oficial do evento por anunciar Nagorno-Karabakh como local de nascimento do primeiro representante da Arménia - André. No entanto, os problemas não ficaram por aqui e até tenderam a aumentar de proporções… Em 2009, durante as semifinais, as autoridades azeris opuseram-se à exibição do monumento We Are Our Mountains, situado em Nagorno-Karabakh, no vídeo de apresentação do tema arménio. A Arménia não “comeu e calou”, e como forma de retaliação, exibiu várias imagens do monumento durante a divulgação da sua votação. Após a competição, surgiram suspeitas de que a emissora azeri adulterou a sua transmissão eurovisiva de forma a censurar o tema arménio. Mais ainda, o governo azeri foi acusado de interrogar cidadãos que votaram na Arménia, considerando que revelava falta de patriotismo e uma ameaça à segurança. Na sequência das devidas averiguações, o Azerbaijão foi multado pela União Europeia de Radiodifusão (EBU) por violar a privacidade dos votantes.


Neste confronto, até os jovens sofrem… Os conflitos chegaram à Eurovisão Júnior quando, em 2010, os media arménios afirmaram que a emissora azeri cortou a transmissão no momento em que a vitória arménia se tornou evidente. No entanto, ficou por esclarecer se o evento chegou, em algum momento, a ser transmitido no Azerbaijão.

Outro dos momentos mais marcantes neste confronto ocorreu em 2012, quando o Azerbaijão sediou o Festival Eurovisão da Canção, após a sua vitória em 2011. Na altura, um grupo de músicos arménios organizou um boicote, tendo culminado com a desistência do país da competição – tal levou a que a EBU tenha multado o país por o aviso tardio. Esta desistência foi criticada por um político azeri e pela emissora do país, que consideravam que a participação da Arménia poderia ter funcionado como um símbolo de paz entre os dois países.

Os conflitos mais recentes, na Eurovisão, surgiram na época pré-eurovisiva de 2015, com algumas críticas apontadas à letra do tema arménio, “Don't Deny”, sugerindo que era uma alusão ao genocídio arménio, cujo 100º aniversário foi comemorado no mês anterior à realização da competição. Como o Azerbaijão nega o genocídio, as autoridades do país emitiram um comunicado acusando a Arménia de tentar usar a Eurovisão como meio para as suas “ambições políticas”. Em consequência, a delegação arménia negou que o tema seja especificamente sobre o genocídio, tendo-o renomeado para “Face the Shadow”, de forma a minimizar as preocupações sobre supostas associações de carácter político.

A nível de resultados, são dos países mais fortes da Eurovisão. O Azerbaijão sempre marcou presença na final, e já conta com seis top10. Já a Arménia, apenas não se qualificou uma vez para a final e também já esteve por seis vezes no top10! É caso para dizer que, tanto um como outro país, lutam pelos resultados. Quaisquer que sejam as diferenças políticas, geográficas e sociais, estes dois países ajudam a fomentar a diversidade musical num concurso que tem uma forte componente ocidental. Melhores dias virão para a Arménia e Azerbaijão, esperemos nós...

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13/10/2015
Imagem: neurope.eu

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FBI Eurovisão - Terceiro texto: ditador espanhol impede vitória de Cliff Richard (1968)

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Atenção! Chamem a FBI Eurovisão, ou calem-se para sempre! Neste artigo irão ser apresentados casos e conspirações, que, apesar dos anos, nunca foram concluídos. Muitos deles nem investigados! Será a Eurovisão um concurso musical exímio ou um evento dominado pela ditadura?

Durante anos, Cliff Richard tem vindo a ser foco de inúmeras notícias, seja pela sua música, seja pela vida amorosa, ou até pelos seus vinhos portugueses. No entanto, e após mais de quatro décadas, existe ainda uma ferida que teima em não sarar na carreira do cantor: o seu segundo lugar eurovisivo em 1968.

Esta derrota tem muito que se lhe diga, ainda para mais após uma curiosa investigação conduzida por terras espanholas, que deu origem a um documentário. Esta investigação, levada a cabo décadas após o ocorrido, veio sugerir que o ditador espanhol Franco fraudou a votação em 1968, garantindo que o cantor britânico, na altura com 27 anos de idade, não vencesse a Eurovisão, com o tema “Congratulations”.

De acordo com Montse Fernandez Vila, diretor do documentário denominado “1968: I lived the Spanish May”, Franco estava determinado a reivindicar a glória eurovisiva para terras espanholas. Mais ainda, Franco estava muito interessado em melhorar a imagem internacional da Espanha, facto que o levou a enviar executivos de TV corruptos por toda a Europa de modo a comprar votos durante o período de preparação para a competição. Vila chegou mesmo a especificar aquando de um entrevista: “É do domínio público que os executivos da Televisión Española viajaram pela Europa a comprar séries que nunca iriam ser transmitidas e a assinar contratos para concertos com grupos e cantores desconhecidos. Esses contratos foram traduzidos em votos”. 


No entanto, nem todos concordam com as afirmações do documentário, existindo quem afirme que a chave para o sucesso espanhol em 1968 residiu na promoção do tema, dando como exemplo a participação de Massiel num programa de TV germânico bastante popular. É importante considerar todas as versões da história, mas também é pertinente não esquecer que o tema de Cliff era apontado como favorito dos jurados da competição, realizada no Royal Albert Hall, tendo perdido o certame por apenas um ponto, após uma última ronda de votações favorável à Espanha.

Massiel foi transformada numa heroína nacional, com direito a festas em sua homenagem, potenciando uma imagem diferente do regime que imperava em Espanha. Este aparenta ser um caso onde uma vitória num concurso musical unificou um país, funcionando como um “trunfo” político.


Estas polémicas revelações levaram a que o próprio Cliff se demonstrasse satisfeito com a perspetiva de ser declarado como vencedor: "Eu vivi com este segundo lugar durante tantos anos, seria maravilhoso se alguém oficial do concurso se virasse e dissesse ‘Cliff, depois de tudo, ganhaste esse maldito'". No entanto, e tendo estas palavras sido verbalizadas em 2008, até a data nada foi declarado oficialmente, e a vitória continua em mãos espanholas.

No entanto, e apesar desta derrota, a música "Congratulations" teve ainda maior sucesso nas tabelas musicais internacionais. Ocupou o primeiro lugar na Bélgica, Irlanda, Holanda, Noruega, Reino Unido e até na própria Espanha! No entanto, e talvez por apenas mero acaso, no ano seguinte ganharam quatro países, em que estavam incluídos Espanha e Reino Unido. Mesmo com a derrota britânica em 1968, no ano seguinte puderam-se contentar com a segunda vitória no certame! Por mais que digam quem é realmente o vencedor de 1968, tanto Massiel como Cliff Richard marcaram a Eurovisão. As suspeitas permanecerão, mas estes dois artistas serão sempre relembrados como pontos fulcrais da Eurovisão Clássica.

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07/10/2015

Imagem: Eurovision.de/Vídeo: escbelgium3

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FBI Eurovisão - Segundo texto: Ping-Pong pagaram pelo apelo à paz (2000)

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Atenção! Chamem a FBI Eurovisão, ou calem-se para sempre! Neste artigo irão ser apresentados casos e conspirações, que, apesar dos anos, nunca foram concluídos. Muitos deles nem investigados! Será a Eurovisão um concurso musical exímio ou um evento carregado de politiquices?

Para os mais esquecidos, 2000 foi um ano triste para os eurofãs portugueses, dada a nossa ausência no modernizado palco sueco. No entanto, a inovação não esteve só no cenário, algumas das performances foram, no mínimo, arrojadas, contando com índios e tambores. A Dinamarca “limpou” o concurso, e a polémica ficou em mãos israelitas.

Após dois anos da vitória da emblemática Dana International, os Ping Pong quiseram também chamar a atenção, e também por boas razões. Em 2000, Israel e Síria estavam em guerra, e a delegação israelista decidiu incluir nos ensaios bandeiras sírias, como se estivesse a promover a paz entre os dois países. Porém, o resultado/efeito não foi o mais animador...

A performance gerou uma azáfama tal que a emissora israelita, responsável pela transmissão eurovisiva, renegou o próprio tema. Como cada ação tem a sua consequência, o revolucionário grupo foi obrigado a cobrir as suas despesas decorrentes da participação eurovisiva, tendo o presidente da emissora israelita referido que estes não iriam representar Israel, apenas “a eles mesmos”.


O tumulto começou aquando dos ensaios, onde os Ping-Pong deram a conhecer as suas ideias para a apresentação do tema – nomeadamente, o aceno das polémicas bandeiras, além de realizarem gestos polémicos com pepinos e protagonizarem um beijo homossexual. Segundo o, na altura, diretor artístico da banda e responsável pela coreografia: "Assim que descemos do palco, os faxes começaram a chegar vindos de Israel a dizer para não aparecerem com as bandeiras de Israel e da Síria". Como seria de esperar, a banda recusou o pedido e chegou a arriscar a desqualificação.

Para os Ping-Pong o tema retratava o amor e a paz, tendo usado as bandeiras como mote, dados os confrontos entre os dois país. No entanto, para muitos estas bandeiras representavam um ultraje, que era potenciado pelo resto da atuação.

Nas palavras dos intérpretes, a música e a letra representavam os ideais israelitas, bem como a vontade de não continuar a guerra com a Síria. E que tudo isto se tornou uma mera jogada política contra eles: "Nós representamos um novo tipo de Israel, que quer ser normal e ter paz. Queremo-nos divertir e não ir para a guerra, mas a ala direita não está feliz com este assunto", afirmou um dos elementos da banda. Sendo ou não uma canção que representa a nova mentalidade do povo israelita, o que é certo é que a música conseguiu atingir os lugares cimeiros das tabelas musicais do país, e tornou-se das mais vendidas desse mesmo ano.


Mas afinal quem tinha razão? Cada um deve ser responsável pelos seus atos, e foi a emissora israelita que escolheu os Ping-Pong como representantes. Embora não soubesse qual o rumo que estes dariam à sua atuação eurovisiva, o facto de os sancionaram, obrigando-os a custear as suas despesas, não iria apagar das nossas memórias a sua atuação, muito menos a sua associação a Israel. Esta participação foi tão marcante que, em 2006, foi divulgado um documentário intitulado "Sipur Sameach", no qual é relatada a viagem da banda à Suécia.

Muitos dirão que a Eurovisão não é espaço para politiquices, nem gestos obscenos, ou até beijos homossexuais, mas qual terá sido o principal fator potenciador da reação da emissora israelita? Terão sido somente as bandeiras, ou terá sido todo o arrojo da atuação?

O que é certo é que desde a participação dos Ping-Pong, Israel nunca mais foi o mesmo na Eurovisão em termos classificativos. Enquanto na década 80 e 90, era um país habitual no top 10, nos últimos dez anos falhou cinco idas às finais e o melhor resultado foi dois nonos lugares, em 2008 e em 2015.

Não perca, na próxima semana, um novo mistério eurovisivo...

30/09/2015
Imagem: Abc.net.au/Vídeo: 2000ESC2003

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FBI Eurovisão - Primeiro Texto: a vitória dinamarquesa com uma mão vizinha (1963)

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Atenção! Chamem a FBI Eurovisão, ou calem-se para sempre! Neste artigo irão ser apresentados casos e conspirações, que, apesar dos anos, nunca foram concluídos. Muitos deles nem investigados! Será a Eurovisão um concurso musical exímio ou um evento carregado de trocas de interesse?

A vitória dinamarquesa em 1963 é um destes casos! Até hoje em dia, nunca se soube perceber se a vitória de “Dansevise”, de Grethe & Jorgen Ingmann, foi, de facto, a que teve maior pontuação! O Festival aconteceu no Reino Unido, um dos maiores pólos musicais do mundo. No entanto, os países nórdicos nunca se quiseram ficar atrás face ao Reino Unido e à demais concorrência. Apesar da grande reviravolta ter acontecido em 1974 quando os ABBA venceram pela Suécia o Festival, sendo um dos maiores marcos modernos de um país na Eurovisão, já houve tentativas anteriores.

Na grande noite Eurovisiva de 1963, os Ingmanns atuaram em oitavo lugar com o tema "Dansevise", uma música tida como sofisticada e diferente de tudo que já se havia ouvido na Eurovisão. A par com a Suíça, este tema era um dos grandes favoritos à vitória, tendo este destaque sido evidenciado na tabela de pontuações.

Quando chegou a hora da votação, o júri norueguês anunciou a sua votação (que variava de um a cinco), que foi a seguinte: 5 - Reino Unido; 4 – Itália; 3 – Suíça; 2 – Dinamarca; 1 - Alemanha. No entanto, como o porta-voz não deu os resultados no formato exigido (na altura parece que existia um rigoroso protocolo), a apresentadora britânica Katie Boyle pediu-lhe que repetisse a votação. O porta-voz aparentou alguma confusão perante o pedido, tendo a apresentadora concordado, de forma a evitar atrasos, que voltariam ao júri norueguês após as votações dos restantes países.


Após terem sido divulgados os votos luxemburgueses, a Suíça estava em primeiro lugar, com mais um ponto do que a Dinamarca. Se os votos originalmente anunciados pela Noruega tivessem prevalecido, a Suíça teria vencido com 42 pontos, perante os 40 pontos dinamarqueses…. Mas o destino acabou por ser outro. Boyle voltou a contactar o porta-voz norueguês e, para espanto geral, este anunciou uma votação diferente: 5 - Reino Unido; 4- Dinamarca; 3 –Itália; 2 – Alemanha; 1 – Suíça. Com esta votação, a Noruega entregou, de bandeja, a vitória à Dinamarca, com uma vantagem de dois pontos.


Apesar de a União Europeia de Radiodifusão ter afirmado em comunicado que não havia qualquer irregularidade quanto aos segundos votos revelados, as dúvidas persistem. Muitos consideram que os vizinhos noruegueses apoiaram a candidatura dinamarquesa e fizeram com que a mesma ganhasse – como isso fosse um exemplo do triunfo dos países nórdicos na Eurovisão. De facto, foi a primeira e a única vez, antes dos ABBA, que um país nórdico venceu.

Também de destacar que a Noruega nesse mesmo ano ficou em último lugar com uns redondos 0 pontos. E, por já saberem à priori, que não tinham hipóteses nesse ano, juntaram forças para ajudar o seu vizinho! Também a Suécia foi muito amiga da Dinamarca: deu-lhe a pontuação mais alta, 5 pontos! Ah, e bem como a Finlândia! Jogos de interesse? Ah, e tanto a Suécia e a Finlândia também ficaram em último lugar, com também uns redondos 0 pontos! De facto, tudo isto é muito estranho, não é?


Apesar da controvérsia, "Dansevise" é um tema bastante reputado nos circuitos eurovisivos. Este surge frequentemente em discussões sobre os melhores vencedores da Eurovisão, sendo mencionado como um dos melhores exemplos. Decerto que os eurofãs suíços não serão tão adeptos do tema dinamarquês, tendo ainda esta vitória no “goto”. Para quem gosta de regras, certamente que considera estranho que se possa alterar uma votação, em pleno evento eurovisivo, sem que tal dê direito a um inqueritozito por parte das entidades competentes. Como se diz na Sueca (jogo de cartas), “carta batida não é retirada”, e é, no mínimo, estranho que em tão pouco tempo as opiniões de jurados especialistas se tenham alterado. Terá sido algum problema burocrático? Estaria o sistema informático com um vírus? Não, que na altura ainda não existia essa complexidade tecnológica na Eurovisão. Até podia ter sido uma mera coincidência, mas na Eurovisão é difícil acreditar em coincidências, principalmente no que toca às votações… vizinhas!

Não perca, na próxima semana, um novo mistério eurovisivo...

23/09/2015
Imagem: ESCToday.com/Vídeo: EurovisionSubtitled

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A equipa Crónicas de Eurofestivais anuncia que, a partir do dia 23 de setembro, estreará uma rubrica, intitulada de "FBI Eurovisão", com o objetivo de ocupar as suas quartas-feiras. O desfecho está previsto para 11 de novembro de 2015. No total serão 8 publicações, redigidas por Andreia Fonseca e Diogo Canudo.

Uma coisa fundamental na Eurovisão são as suas eternas conspirações. Desde confrontos entre países, manipulações de votos e vitórias muito polémicas, o CE irá explorar a fundo todas estas problemáticas.

A rubrica seguirá uma via mais de investigação, e não tanto de humor, com o objetivo de aprofundar os assuntos sérios escolhidos, que sempre assombraram o mundo eurovisivo.

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23/09/2015
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