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[Especial]: as polémicas da Rússia no Festival Eurovisão da Canção

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Nos últimos anos, a Rússia tem sido o país mais polémico no Festival Eurovisão da Canção, devido a inúmeras situações. Este artigo não pretende ser um texto de apoio ou de oposição a este país, mas sim uma reflexão daquilo que pode ser trabalhado no futuro por todas as partes.

Desde 2012 que têm sido constantes as polémicas que a comitiva e o governo russo apresentam aos seguidores do Festival Eurovisão da Canção. O ponto fulcral para ter começado esta inimizade foi a partir da implementação da lei contra a comunidade gay, onde Putin fez questão de afirmar que "é proibido falar como um gay, andar como um gay e andar de mãos dadas com alguém do mesmo sexo". Os fãs eurovisivos, fazendo ou não parte desta comunidade, revoltaram-se e temeram que a Rússia pudesse organizar o evento no futuro, devido às complicações que esta lei podia implicar. Estas considerações até levaram, em 2013, a Eurovision Broadcasting Union (EBU) a enviar uma carta de advertência aos russos que eles devem respeitar as normas do concurso.

Após este incidente, seguiram-se tantos outros em 2014. Primeiro que tudo, a Rússia tentou que os votos da Crimeia fossem provenientes dos seus - mas ficou decidido que seria a Ucrânia a recebê-los. A Crimeia, desde sempre, que tem sido um espaço geográfico polémico, porque está dividido entre russos e ucranianos. Neste mesmo ano, foi promulgada o tratado da anexação da Crimeia e Sevastopol à Federação Russa e que foi reivindicado pela Ucrânia como República Autónoma da Crimeia e de Sevastopol. E, a partir daí, tudo se desmoronou: todos os artistas russos que pudessem apoiar a causa Ucrânia ou pisar este mesmo país seriam considerados como rebeldes anti-russos - exemplo disso foi a cantora Anastasia Prikhodko, que representou a Rússia no concurso em 2009.

No entanto, o escândalo mais espalhafatoso para o concurso da Eurovisão foi mesmo o drama da vitória de Conchita Wurst. As reações à vitória da Conchita Wurst não foram de todo boas. O governo russo temeu que as gerações mais novas fossem influenciadas no futuro por aquilo que viram na televisão. Até Vladimir Jirinovski, presidente do Partido Liberal Democrático, afirmou à televisão estatal russa Rossiya-1 que "a nossa indignação é ilimitada, isto é o fim de uma Europa que ficou completamente louca. Eles têm mais mulheres e homens lá em baixo mas preferiram apresentar um travesti de barba", acrescentando que "há 50 anos o exército soviético ocupou a Áustria e desocupá-la foi um erro, devia ter lá ficado".

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Após isso, o Governo Russo anunciou que iria acontecer o Intervision Song Contest, um programa semelhante ao Festival Eurovisão da Canção e que fosse de acordo aos ideais e às leis russas. E o local não podia ser mais escandaloso: Sóchi, perto da Crimeia. Mas estes planos foram por água abaixo: tudo foi cancelado devido à situação política que o país vivia na altura.

E o que a Rússia ganhou em troca? Imensos assobios com a sua participação "Shine" das Tolmachevy Sisters, que deixaram as gémeas cantoras de rastos. Muitos tentam acreditar que a Eurovisão é apenas um concurso musical, mas é para além disso: também é político. É óbvio que as cantoras não têm culpa do que o governo russo tinha vindo a cometer, e foram apenas mais umas peças no tabuleiro de xadrez... mas quem semeia ventos, colhe tempestades.


A indignação dos fãs continuou em 2015, quando a Rússia apresenta "A Million Voices", interpretada por Polina Gagarina - uma música que apela à paz mundial e ao amor universal. Sendo ou não uma resposta da televisão estatal às leis do seu próprio país, as afirmações de apoio que a cantora representante fez sobre a comunidade gay e o episódio de ter dado um beijo a Conchita Wurst deixou o governo russo bastante incomodado.

Mas pára tudo! Em 2016, a Rússia veio melhor que nunca: veio mesmo para ganhar. "You Are The Only One" de Sergey Lazarev, desde o momento que foi apresentada, foi considerada como a clara candidata à vitória. Mas, por muito que os fãs eurovisivos pudessem gostar da música, começaram a aplicar uma política de ódio ao facto de a Rússia poder organizar o concurso em 2017 - a EBU até realizou um comunicado em que prometia que todas as questões de segurança seriam asseguradas caso este acontecimento pudesse existir. 


No entanto, a reviravolta acontece: a Ucrânia vence o concurso nesse ano, sem ser a favorita do júri nem do público; e vence com uma música histórico-política que afirma todo o sofrimento que os russos causaram em 1944, na Crimeia. Os russos não perderam tempo: apresentam a sua indignação a este facto e consideraram que o concurso estava a favorecer um país em detrimento deles face a um problema político-militar: "Foi a política que ganhou à arte", afirmou o senador Frantz Klintservitch que apelou ao boicote russo na próxima edição.

A organização de 2017, protagonizada pela Ucrânia, começou logo com um imenso senão: a criação de uma lista negra em que vários artistas russos, intitulados como ameaças à segurança nacional da Ucrânia, seriam proibidos de entrar no país. Apesar de a EBU ter realizado milhares de reuniões para que qualquer artista russo pudesse participar no concurso sem censura, tudo isto foi em vão. "Isto não é mais sobre boa música, isto é um show de pessoas com mentes perversas, propósitos LGBT secretos e por aí adiante", disse Medvedev, o primeiro ministro russo, à imprensa, na altura.

A escolha russa recaiu em  Julia Samoylova, que foi logo proibida de participar no concurso por ter violado as leis ucranianas: entrou na Crimeia para dar um concerto. E Jon Ola Sand, supervisor executivo eurovisivo, tentou, mais uma vez, entrar em negociações com a Ucrânia: "Pela primeira vez na história do ESC, estamos numa situação em que um participante pode não ter a oportunidade de viajar para capital-sede. Devemos, então, encontrar uma solução que dê a oportunidade de que a representante russa participe. A decisão foi tomada pelas autoridades locais, que precisam de seguir as leis locais. Entretanto, estamos em conversações com o Primeiro Ministro e o Governo Ucraniano para anularem a decisão." Mas, adivinhem... não serviu de nada.


O resultado disto foi que a Ucrânia foi multada pelos atrasos na organização do festival e pela proibição da participante Julia, e a Rússia por se ter retirado da competição e ter faltado às reuniões agendadas.

Tudo isto que tem acontecido é de lamentar. Qual a conclusão que podemos tirar disto?

Numa primeira instância, eu, como cidadão europeu, espero que, por mais leis e conflitos militares que haja, todos os países respeitem a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Já num ponto de vista eurovisivo, é mais do que óbvio que a política não pode entrar dentro de um programa musical televisivo, porque isso não faz de todo um bom entretenimento. Os fãs juntam-se à frente da televisão para celebrar a cultura europeia, uma tradição televisiva que cada vez mais é vista mundialmente. E estes conflitos, além de se afastarem do propósito do concurso, só o destroem - em vez de estarmos a comentar uma música que acabou de ser apresentada, estamos a interrogar-nos das intenções que cada país pode ter sobre determinado acontecimento.

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Além disso, os fãs eurovisivos têm de perceber que nem sempre os cantores escolhidos pela Rússia representam de todo as leis do governo e todas as polémicas têm vindo a público. Assobios só nos fica mal, já que somos cidadãos europeus e inclusivos.

Por fim, o governo russo tem de suavizar as críticas que faz ao concurso. Além de alimentarem a imprensa local, estão a desviar-se dos seus propósitos. O principal objetivo devia ser perceber as necessidades que a sua população precisa, e não preocuparem-se com um programa de televisão. Sim, porque, na sua génese, a Eurovisão é um concurso de televisão. Não vamos confundir as coisas, por favor.

Se houver mais comunicação entre todos, em que haja espaço para o diálogo e para dizer sem medo as preocupações que cada um tem, tudo ficará mais fácil. Se houver uma mudança de perspetiva, poderão olhar para a Eurovisão com outros olhos. Se houver uma predisposição de paz e de união entre todos, tudo correrá melhor. A Eurovisão promove a diversão, a alegria e a paz entre todos - não promove a guerra.

Esperemos que em 2017 estes conflitos acabem e que a Rússia nos continue a enviar os melhores artistas musicais que tem no seu país - porque esses, sim, têm feito as delícias a nós, fãs. Até maio!

Imagens: itv.com, doutboilethesauce.com, eurovision.tv, mirror.co.uk e theindependent.co.uk/Vídeos: Eurovision Song Contest

Lançamentos Musicais - 22/08 a 11/09/2016

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Músicas, videoclips ou álbuns novos... De seguida podem encontrar todas as novidades dos artistas eurovisivos das últimas semanas.

New songs, videos or albuns by eurovision artists... You can find everything from the last few weeks next.

Helena Paparizou (Grécia/Greece 2001 & 2005) & Sergey Lazarev (Rússia 2016) - You Are The Only One




Conchita Wurst (Áustria 2014) - Blue Bloom




Andrius Pojavis (Lituânia/Lithuania 2013) - Air of the place




Amir (França/France 2016) - On dirait




Softengine (Finland/Finlândia 2014) - Free Rider




Måns Zelmerlöw (Sweden/Suécia 2015) - Hanging On To Nothing




Mick Pedaja (Eesti Laul 2016) - Valgeks




Ani Lorak (Ucrânia/Ukraine 2008) - Razve ty ne lyubil




Greta Salóme (Iceland/Islândia 2012 e 2016) - Row




Dino Merlin (Bósnia 2011) - Kad Zamirišu Jorgovani




Lisa Ajax (Melodifestivalen 2016) - Love Me Wicked




Sieneke (Holanda 2010) - Donkere Dagen




Margaret (FN Polónia/Poland NF 2016) - Elephant




Markus Riva (Supernova 2015 & 2016) - Ty Vlyublena




Anouk - Down Daddy Down (Holanda/The Netherlands 2013) 




Ryan Dolan (Irlanda/Ireland 2013) - Diamonds




Kristína Peláková (Eslováquia/Slovakia 2010) - Láska bombová




Donny Montell (Lituânia/Lithuania 2012 & 2016) - Light It Up




Céline Dion (Suíça/Switzerland 1988) - Recovering




Cleo (Polónia/Poland 2014) - Bastet



Fontes: Wiwibloggs, esctoday, oikotimes, ESCPedia/Vídeos: Conchita Wurst, Donny Montell, CelineDionVEVO, CleoVEVO,  LisaAjaxVEVO, Berk Music, Ryan Dolan,  Antonio Aguilera, SoftengineVEVO, Andrius Pojavis, NINAmusic, ΕΛΕΝΑ ΠΑΠΑΚΩΝΣΤΑΝΤΙΝΟΥ, IlVoloVEVO, Mick Pedaja, Greta Salóme Stefánsdóttir, Anouktv, Markus Riva, Warner Music Sweden, Dino Merlin Official, Amir, StarPro, Kristína Peláková
11/09/2016

Na Luta Contra o Preconceito - Eurovisão e a comunidade LGBTI

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EUROVISÃO E A COMUNIDADE LGBTI

A Eurovisão deixou de ser, há muito tempo, um evento puramente musical. Em jogo estão agora, entre outras, questões políticas, sociais e económicas. Como seria de esperar, e subjacentes a estas questões, estão muitos preconceitos e, consequentemente, atos discriminatórios. Estes atos prejudicam o evento, não só por impedirem a “construção de pontes” entre eurofãs, mas também por cercarem a Eurovisão de medo e opressão. Hoje vamos falar de dois tipos específicos de discriminação: homofobia e transfobia. Quando referimos estes termos, decerto que muitos exemplos surgem nas nossas mentes, mas comecemos pelo início, até porque não é segredo a forte ligação da comunidade homossexual à Eurovisão. Esta já organiza festas para assistir à Eurovisão há anos, tendo os primeiros clubes de eurofãs com estreitos laços LGBTI surgido na década de 1980… E esta tendência só tendeu a aumentar nas décadas posteriores. 

Embora exista uma vasta comunidade LGBTI que segue o evento, este também conta com histórias onde esta comunidade sofreu de atos discriminatórios, tendo sido prejudicada e duramente criticada. Dana e Conchita são nomes que exemplificam bastante bem o sucesso manchado pelo ódio, onde a liberdade conseguiu triunfar mesmo perante pressões políticas. No entanto, até estas Divas terem ascendido ao palco eurovisivo, muita história já havia corrido e, por isso, comecemos a percorrer a história eurovisiva.

Em 1997, o cantor pop islandês Paul Oscar tornou-se no primeiro participante eurovisivo assumidamente homossexual. Paul interpretou o tema "Minn hinsti dans" ("A minha última dança"), numa atuação bastante ousada, à qual nem um sofá faltou. O arrojo não foi bem recebido, tendo o comentador da BBC, Terry Wogan, intitulado a participação islandesa como "o momento pelo qual as aberrações de PVC têm estado à espera desde que a noite começou", numa sátira à indumentária utilizada durante a atuação. Qual foi o resultado? Aparentemente os jurados não gostaram, e a Islândia terminou no 20º lugar, entre 25 participantes. Terá a homossexualidade de Paul condicionado este resultado? Segundo muitos eurofãs esta atuação estava 10 anos à frente do seu tempo, pelo seu arrojo. Curiosamente (ou não!), palavras como “peculiar”, “arrojado” e “ousado” costumam estar muito associadas a atuações LGBTI eurovisivas, sinal de que ainda temos uma cultura bastante convencional enraizada. 


Nem só de maus resultados se fazem as participações LGBTI na Eurovisão. Uma das mais reconhecidas mulheres transsexuais a nível global, Dana International, venceu o Festival Eurovisão da Canção em 1998 com o tema “Diva”. Mas nem tudo foram rosas, bem pelo contrário! Quando, após muita persistência, Dana foi selecionada para representar Israel, surgiram muitas manifestações de desagrado por parte de judeus ortodoxos, que chegaram a realizar manifestações contra a participação de Dana e a enviar-lhe mensagens de ódio (incluindo ameaças de morte). As mensagens perpetuaram-se, e mesmo após a vitória, Dana continuou a sofrer “na pele” as consequências de se ser “diferente”, chegando a recorrer a serviços de segurança para se proteger. Dana sabe, e muito bem, o que é ter uma parte do seu próprio país que a rejeita, mesmo após ter conquistado um troféu em representação da sua nação. Aparentemente, e para algumas pessoas, o ódio consegue “falar mais alto” do que o patriotismo. 


Quem conhece, e muito bem, o que é estar na “pele” de Dana é Conchita Wurst. Quem não se lembra dos comentários negativos, vindos de políticos de Leste, à participação de Conchita? Pois bem, nem este cenário, repleto de cruéis ataques verbais, vindos de vários países da Europa de Leste, impediu a vitória austríaca, que recebeu pontuação máxima de 13 países, incluindo Rússia, Albânia e Azerbaijão. Irónico, não? Nem mesmo Portugal escapou a esta febre de preconceito. A Eurovisão passou a ser notícia, não por conta da notável capacidade vocal de Conchita, mas pelo facto de uma artista drag ter vencido um concurso musical. A barba ganhou mais destaque do que a música, e assistimos a uma avalanche de comentários “pseudohumorísticos”, que fomentaram a homo e transfobia. 


Falando ainda de vitórias, não podíamos esquecer a participação da sérvia Marija Serifovic em 2007, mesmo que interpretada no “armário”. A atuação foi bastante comentada, não só pela qualidade do tema, mas também pela aparência da intérprete, com bastantes insinuações referentes ao género da mesma. Marija assumiu-se como lésbica num documentário em 2013 e, desde então, permanece envolvida na política, pedindo frequentemente uma atitude mais tolerante para com a comunidade LGBTI da Sérvia – ainda terá uma dura luta pela frente!


Segundo as normas, é proibido, na Eurovisão, que os participantes façam qualquer tipo de declaração política durante as suas atuações. No entanto, alguns artistas têm desafiado esta proibição, como foi o caso da cantora finlandesa Krista Siegfrids, que marcou a interpretação da sua música "Marry Me" em 2013 com beijos lésbicos, deixando em pulveroso os debates políticos europeus sobre o casamento homossexual. Quem seguiu o exemplo da finlandesa Krista foi a Lituânia em 2015, com beijos lésbicos e gays entre os seus backing vocals – haja diversidade. Existiram protestos, afirmando que a Eurovisão é um programa familiar, tendo Viena respondido com mais beijos homossexuais, alguns deles até protagonizados pelos espectadores – até porque os homossexuais também têm famílias, e beijos ainda não constituem crime.


Desengane-se quem considera Krista uma pioneira nas questões dos beijos homossexuais! Não podemos deixar de atribuir o mérito aos Ping-Pong (Israel, 2000), com o polémico beijo entre dois dos seus integrantes masculinos. Beijo gay, apelo à paz, bandeiras à mistura, e os Ping-Pong foram abandonados à sua mercê, tendo custeado a sua própria participação eurovisiva. Mais uma vez, Israel voltou costas aos seus representantes, por conta do ódio e da guerra (que acabam por se sinónimos, não?).


Embora não tenha resultado num beijo lésbico, a atuação das t.A.T.u foi das que mais gerou polémica, uma vez que a dupla costumava preencher as suas atuações com miniespectáculos pseudoeróticos. A dupla tanto foi advertida, que acabou por apresentar uma atuação contida, tendo surgido em palco de mãos dadas, que devia ser o máximo de intimidade permitida... Lembram-se daquele longo beijo em 1957? Isso era só para heteros! Mesmo com toda a polémica gerada, não só pelo suposto (forjado!) lesbianismo, mas também pela rudez das cantoras, estas saíram com um honroso terceiro lugar. 


Existem mais participações que merecem ser referidas, não só pela ousadia, mas pela discussão que espoletaram. O trio Sestre representou a Eslovénia na Eurovisão em 2002, tendo os seus integrantes atuado vestidos como comissárias de bordo. Esta participação não gerou muito consenso, tendo suscitado uma onda de protestos anti-gay na Eslovénia, com manifestações nas ruas de Ljubljana. Os protestos chegaram ao Parlamento esloveno e à própria União Europeia, não tendo, no entanto, surtido grande efeito. Outra interpretação extravagante coube a DQ em representação da Dinamarca em 2007. Aparecer em palco com um vestido rosa berrante e penas não é para todos, e embora não tenha alcançado a final, o tema tornou-se num hit junto da comunidade gay. Muitos apontam este mau resultado ao facto de DQ ter enfrentado uma concorrente direta, Verka Serduchka da Ucrânia, que tinha uma atuação mais extravagante e memorável. 


Mesmo com todos os incidentes descritos anteriormente, a Eurovisão procura ser cada vez mais um espaço de aceitação (que o digam os semáforos de Viena), no entanto, não nos devemos esquecer dos protestos anti-gay, dos cantores que têm de esconder a sua orientação sexual, e dos comentários preconceituosos que frequentemente se encontram nas redes sociais ou que são referidos por políticos. Estes maus exemplos fizeram da Eurovisão um evento mais maduro, que procura aprender o valor da tolerância, e proporciona um espaço livre, onde os seus fãs podem expressar a sua individualidade sem receios. Quando ligamos a TV para assistir à Eurovisão, e temos planos de câmara com casais homossexuais a trocar afetos, percebemos que a Eurovisão deixou, efetivamente, de ser um simples concurso musical, e passou a desempenhar um papel preponderante na sociedade. Como eurofãs podemo-nos sentir livres e orgulhosos por pertencermos a uma comunidade que ultrapassa preconceitos e onde artistas trans vencem pressões políticas… Um evento onde a música tem notas de liberdade. “We are unstoppable”!

Nós somos contra a discriminação, e tu?:



Vídeos: Eurodictionary, cafusia, Eurovision.tv, escbelgium4, EurovisionFanTV, webuvision
29/11/2015

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Lançamentos Musicais - 09/11 a 15/11/2015

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Estas são as novidades, que foram divulgadas ao longo da última semana, dos últimos lançamentos musicais de artistas eurovisivos.



Começamos a viagem desta semana por uma das cantoras mais famosas a pisar o palco eurovisivo nos últimos anos. Falamos de Anouk que lançou um "Greatest Hits" que conta, logicamente, com os maiores êxitos da sua carreira. Entre as 30 canções do álbum encontramos a famosa "Nobody's Wife", a canção que levou ao ESC2013, "Birds" e ainda "Hold Me", um dueto com Douwe Bob, representante holandês de 2016. Se quiser ouvir o álbum completo, pode fazê-lo [AQUI].



Seguimos para França onde Nina Morato está de volta ao panorama musical. A representante francesa de 1994 tem novo single intitulado "Fanfaron" depois de quase 15 anos de paragem na sua carreira. Pode ouvir um snippet [AQUI].

 


Conchita Wurst, a vencedora do ESC 2014, tem novo single e um vídeo com a letra do mesmo. "The other side of me" faz parte do primeiro nome da cantora e o vídeo apresenta-nos um grande conjunto de fotos de vencedora eurovisiva.

Veja o vídeo:




O primeiro (e único até ao momento) representante australiano na Eurovisão, Guy Sebastian, tem música nova chamada "Black & Blue". Poderá ver o vídeo da mesma (que à data desta publicação ainda não se encontrava disponível no nosso país) [AQUI]. 



Nayah, representante francesa de 1999, vai lançar um novo álbum em breve intitulado "N'efface pas demain" e, já está disponível um teaser com partes de algumas músicas.

Veja o vídeo:



Fonte/Imagem: ESCToday, Songtexte e Oikotimes/Vídeos: Conchita Wurst e Rémi Orts
15/11/2015

FBI Eurovisão - Oitavo texto: o beijo que mudou a Eurovisão (1957)

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Atenção! Chamem a FBI Eurovisão, ou calem-se para sempre! Neste artigo irão ser apresentados casos e conspirações, que, apesar dos anos, nunca foram concluídos. Muitos deles nem investigados! Será a Eurovisão um concurso musical exímio ou um evento repleto de emoções? 

Estávamos no segundo ano da Eurovisão: 1957. E a Dinamarca, que tinha entrado neste preciso ano na competição, destacou-se logo, oferecendo o primeiro beijo em direto, e também o mais longo (11 segundos), da história da Eurovisão! Birthe Wilke e Gustav Winckler interpretavam uma autêntica canção de amor, que se descrevia como uma despedida do casal porque o homem ia para a guerra. 

Como se vivia nos anos 50, este beijo longo criou um pouco de escândalo em alguns países. No entanto, o resultado foi animador para a Dinamarca – top3, dando assim um bom começo para a Escandinávia na Eurovisão. Também muitos alegam que o beijo foi tão noticiado e falado nos media por ter sido a primeira vez que o Festival Eurovisão da Canção era transmitido na televisão. Apesar de, em 1957, muitos espectadores assistirem ao concurso através da rádio, o concurso começou a ter impacto através da televisão. Também em 1957 havia mais concorrentes do que em 1956: além da Dinamarca, Áustria e Reino Unido juntaram-se à festa. Sendo que havia mais países a concurso, as regras foram alteradas: só se podia levar uma música por país, e não duas (como aconteceu em 1956).


A pergunta que permanece na nossa cabeça, além do porquê do beijo, é o como? Não, não queremos saber como beijar, mas sim, como é que deixaram, em plena década de 50, que fosse transmitido um beijo de tal duração. Oficialmente, foi explicado que o membro da produção responsável pelas marcações do espetáculo se esqueceu de exibir o pré-aviso, num cartaz direcionado para os artistas, de que o beijo deveria terminar. Esquecimento? Não se consegue apurar qual o grau de intencionalidade, até porque, muitas vezes, é de dentro que se iniciam as verdadeiras revoluções. É curioso, ou talvez não, que esta marco tenha sido protagonizado pela Dinamarca, país onde aparenta ser fomentada a liberdade, tal como ocorreu em 2014 com a vitória de Conchita. 

A verdade é que desde então os beijos já são uma constante no palco eurovisivo, funcionando como parte das coreografias e/ou elementos cénicos. Já tivemos a oportunidade de assistir a beijos dos mais variados tipos, incluindo entre pessoas do mesmo sexo, provando a evolução do certame. Se estes não causam polémica? Sim, mas longe vão os tempos onde as t.A.T.u foram advertidas para não se beijarem em palco. O fator “sexo” é uma constante no evento, não pelo ato em si, mas pela sensualidade das apresentações, onde existe cada vez menos espaço para o pudor. Nem todas as nações aceitam bem isso, que o diga a Turquia, mas a verdade é que aquele beijo dinamarquês deu à Eurovisão outra faceta, onde as emoções funcionam como forma de aliciar o espectador.


Apesar de não ter sido divulgado publicamente, o que é certo é que Birthe Willke voltou dois anos mais tarde, também pela Dinamarca, com a música cujo título “I wish you were here” (“eu queria que tu estivesses aqui”). Muitos consideram que esta proposta foi uma continuação da de 1957, de uma forma até irónica – no entanto, tanto uma como outra, mostravam o reflexo de uma realidade que se tinha dado há muito pouco tempo, a 2ª guerra mundial. Numa atuação a solo, não houve espaço para beijos, e o resultado foi mais modesto, com um quinto lugar. Falta de beijos? Quem sabe, até porque as pessoas gostam de romance e, acima de tudo, por muito que não admitam, os espetadores gostam de escândalos. 

Os mistérios eurovisivos existem, e sempre existirão, até porque muitas coisas ficaram de fora dos registos, quer por esquecimento, quer por conveniência. Podemos não ter as respostas, mas procuramos fazer as perguntas necessárias para refletir sobre temas “enterrados” na História eurovisiva. Com beijos ou sem beijos, a Eurovisão é um evento mundial, onde a música importa, mas os mistérios não deixam de existir. Inimizades, preconceito, política… Tudo isto existe na Eurovisão, mas no final o que mais importa são as emoções que este evento nos proporciona, e a essas não existe mistério que as abale.

11/11/2015

Imagem: bbci.co.uk/Vídeo: escbelgium3

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FBI Eurovisão - Sexto texto: uma vitória perigosa (1998)

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Atenção! Chamem a FBI Eurovisão, ou calem-se para sempre! Neste artigo irão ser apresentados casos e conspirações, que, apesar dos anos, nunca foram concluídos. Muitos deles nem investigados! Será a Eurovisão um concurso musical exímio e um evento que promove as diferenças? 

Muitos consideram que o ano fulcral de mudança eurovisiva foi em 1998. Além de a orquestra não ter sido incluída no concurso pela primeira vez, a vitória da transsexual Dana Internacional espalhou-se pelos media europeus como um fenómeno. Para muitos, era uma mensagem de força às minorias, para outros o símbolo de modernismo – o que é certo é que “Diva”, além de ser uma música ícone no mundo eurovisivo, foi um sucesso além-fronteiras – ficando em muitos top10 pela Europa fora. 

No entanto, nem todos receberam a música da mesma forma. A escolha de Dana International gerou controvérsia entre os grupos conservadores – até foi preciso segurança policial para a cantora pisar a sede eurovisiva.


É difícil idealizar este cenário após termos presenciado o fenómeno Conchita… Mas este ícone austríaco “colheu os frutos” do trabalho desenvolvido por Dana, que conquistou Birmingham com o tema "Diva". Esta vitória ocorreu mesmo quando judeus ortodoxos e outros grupos conservadores se opuseram fortemente à sua seleção, tentando, inclusivamente, anular a sua participação no concurso. Para imaginarmos a dimensão desta forte oposição, estes grupos chegaram a realizar manifestações públicas e a enviar ameaças de morte à cantora. 

Desengane-se quem considera que estas ameaças pararam com a vitória de Dana… Consta que a cantora continuou bem protegida com a sua equipa de guarda-costas, mesmo quando foi entregar o prémio eurovisivo a Charlotte Perrelli da Suécia em 1999. Aparentemente atrapalhada com o peso do troféu, Dana tropeçou e caiu, tendo sido imediatamente coberta por guarda-costas. Entretanto, Charlotte, já se avizinhando o que iria acontecer em 2008, saiu do palco de mãos vazias.

Os medias adoraram Dana! Emissoras como CNN, BBC, Sky News e a MTV concentraram-se no percurso na cantora antes da Eurovisão e num país como Israel. No entanto, Dana International não teve medo de enfrentar as reações e prolongar as críticas à religião, afirmando que a sua vitória trata-se de uma mensagem de reconciliação: “A minha vitória prova que Deus está do meu lado, e eu quero enviar aos meus críticos uma mensagem de perdão e dizer-lhes para eles tentarem aceitar-me e ao meu estilo de vida. Eu sou o que sou, e isso não invalida que não acredite em Deus. Eu faço parte da nação judaica.”

Dezasseis anos depois, o discurso de Dana, apesar de ser diferente, continua a apelar ao fim de qualquer tipo de perseguição e discriminada às minorias. Entrevistada em 2014, aquando a Parada Gay de Amesterdão, Dana declarou não ser de nenhuma religião e, acima de tudo, é israelita. “É hora de acabar com a perseguição sobre motivos religiosos ou nacionais. É essa a minha mensagem.”

Voltando à parte preocupante da história, e se efetivamente se tivesse consumado algum atentado a Dana? E se as entidades israelitas tivessem cedido à pressão e retirado a cantora do concurso? Terá a EBU exercido alguma influência nesta escolha, ou na sua manutenção? Será que o evento se preparou de forma a salvaguardar, não só a segurança de Dana, mas também de todos os presentes no concurso? O facto de ter sido realizado no Reino Unido terá potenciado esta presença mais “arrojada”? São tantas as questões e tão poucos os detalhes conhecidos.


Sabemos que a Eurovisão é um evento de grande escala, pelo que zela pela segurança, mas não nos podemos esquecer que em pleno ano de 2010 um indivíduo invadiu o palco eurovisivo na atuação espanhola – que mesmo tendo atuado duas vezes não convenceu a audiência. Que ou quem terá impedido uma possível invasão com vista a prejudicar Dana? Acreditamos que o bom senso, aliado a uma forte preparação do evento, contribuíram para uma noite bem passada em 1998, mas é sempre interessante (mesmo que pela negativa) constatar como a Eurovisão consegue funcionar como fator desencadeador de ódios, quando pretende “construir pontes” entre culturas. 

Em relação a Dana Internacional, esta pouco se importou com as críticas e goza confortável de grande sucesso no seu país nativo. Além de ser uma referência musical de Israel, é uma das maiores Divas eurovisivas, e mostrou ao mundo que todas as diferenças devem ser respeitadas. Porque na Eurovisão… a discriminação não entra!

Não perca, na próxima semana, um novo mistério eurovisivo...

28/10/2015
Imagem: eurovision.tv/Vídeo: romania3

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Lançamentos Musicais - 21/09 a 27/09/2015

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Estas são as novidades, que foram divulgadas ao longo da última semana, dos últimos lançamentos musicais de artistas eurovisivos.



O grupo Maraaya, que representou a Eslovénia este ano no ESC, apresentou o seu novo single, "Living Again", no programa Slovenia Got Talent. 

Oiça a música:





Edurne, a representante espanhola deste ano, tem novo videoclip para o single "Basta".

Veja o vídc:




Conchita Wurst está de volta com um novo single. Desta vez a vencedora da Eurovisão do ano passado presenteia-nos com "#WHATGMG", uma sigla para "Where Have All The Good Men Gone?".

Veja o vídeo com a letra:


 


Os Il Volo, terceiros classificados da Eurovisão deste ano e vencedores do voto do público, têm novo álbum. "Grande Amore (International Version)" é o nome do novo trabalho do trio italiano que conta com 16 músicas.



O grupo que cantou "Efter soslken" no Melodifestivalen em 2014 e que acabou no 9.º lugar da final nacional sueca tem novo single chamado "Fyrverkeri" (fogo de artifício). Pode ouvi-lo [AQUI].



Monika Linkyte, que este ano representou a Lituânia juntamente com Vaidas Baumila, tem novo álbum. Ao todo são onze músicas que fazem parte de "Walk with me", entre elas uma versão a solo de "This time".

Fonte/Imagem: ESCToday.com, Oikotimes, Wiwibloggs, escapenews, Il Volo, Edurne, EurovisionJack/Vídeos: Dimitris Ioannou, Edurne, Conchita Wurst
27/09/2015
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