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[Crónica] JESC 2014: a noite das pequenas grandes vozes

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A décima segunda edição do Festival Eurovisão da Canção Júnior realizou-se na noite de ontem, dia 15 de Novembro, no Marsa Shipbuilbing, em Malta. A Itália coroou-se vencedora de uma noite de grandes actuações.

A apresentação esteve a cargo de Moira Delia, conhecida dos fãs eurovisivos pela apresentação da green room maltesa de 2013.

O espectáculo foi amplamente elogiado nas redes sociais pela dimensão do palco e pelos meios tecnológicos utilizados para a sua organização, bem patentes tanto nas actuações dos artistas como nos intervalos. Estes, que se davam a cada actuação – para tormento dos espectadores, ressalve-se –, foram preenchidos com música electrónica e actuações de vários grupos de cantores e de escolas de bailarinos profissionais malteses.

A edição teve, à semelhança da anterior, a participação da vencedora de 2013 Gaia Cauchi, a votação 50-50 (combinação de júri e televoto) mais o extra do voto de “estrelas eurovisivas” (do JESC) e “outras jovens estrelas bem-sucedidas de todos os países em competição”, segundo Moira Delia.

A abrir esteve a canção da Bielorrússia com“Shokal” (Falcão). Este que é um dos melhores países no JESC, quedou-se no 7ºlugar apesar de ter dado uma das melhores actuações da noite: a intérprete Nadezhda Misyakova melhorou bastante a sua performance da final nacional e mostrou-se segura e competente em termos vocais. Também os bailarinos preencheram bem um palco que esteve simples mas completo muito devido à roupa – também ela étnica – que transportava o espectador para a sonoridade da canção.


Os favoritos Krisia, Hasan & Ibrahim foram os segundos a actuar. A pequena artista, que se debateu com problemas vocais durante a semana, conseguiu subir a palco e deslumbrar a audiência – ainda que não tenha dado a sua melhor performance devido a esses condicionamentos. Ainda assim, “Planet of the Children”, uma das poucas músicas de qualidade no JESC deste ano, conseguiu arrecadar um honroso segundo lugar para a Bulgária – a sua melhor classificação de sempre na Eurovisão Júnior. Nota máxima também para a postura ao piano dos rapazes e para o vestido de Krisia, a endumentária mais vibrante da noite.

    

Em terceiro lugar actuou São Marino e The Peppermints com "Breaking My Heart". A girlsband, composta por cinco das meninas mais velhas da competição, surpreendeu pela positiva. A sua actuação apesar de simples foi bastante dinâmica, com as raparigas bem seguras e irrepreensíveis no que toca à sua interpretação vocal e à-vontade no palco. Apesar de tudo isto, infelizmente, São Marino continua a não obter resultados favoráveis na Eurovisão Júnior. Talvez pela falta de força da canção e pela sua idade, à semelhança do passado ano de 2013, o país quedou-se no fim da tabela classificativa, desta vez em 15ºlugar – o penúltimo em 16 países.


Se The Peppermints estavam seguras, o mesmo não se pôde dizer de Josie, da Croácia. O conceito da canção adequava-se às imagens que passavam nos LED e à própria coreografia interpretada pela intérprete e pelos seus dois bailarinos. Contudo, o país acabou por retornar ao JESC com a pior actuação da noite, muito por culpa da pequena artista que se mostrou bastante nervosa em palco – o que foi decisivo para obter o último lugar da tabela.


Após uma ausência de quatro anos, o Chipre, outra das grandes favoritas da noite, regressou em grande ao palco do JESC. “I Pio Omorfi Mera” de Sophia Patsalides foi uma das canções mais bem interpretadas da noite e a artista foi mesmo uma das mais expressivas em palco sendo que, apesar de estar sozinha, não deixou a canção electrónica ficar mal. Não podemos, no entanto, deixar de realçar que os bailarinos eram indispensáveis numa actuação deste género. Outra indumentária – mais vistosa – também poderia ter feito com que o Chipre conseguisse uma classificação mais elevada. 

No compto geral, o 9ºlugar soube a pouco para a actuação cipriota de 2014.

 

“Happy Day” de Lizi Pop foi a sexta canção a apresentar-se no palco maltês em Marsa. A Geórgia, outro dos países com melhores classificações em Eurovisão Júnior, obteve o seu pior resultado de sempre na sua História na competição (11ºlugar). 

Apesar da tenra idade, Lizi mostrou-se com um à-vontade extraordinário em palco sendo até a única artista (a par do duo montenegrino) 
a interagir com o público presente. Sofreu, talvez, pelas comparações que sofreu com a canção “Wrecking Ball” de Miley Cyprus e com o facto de a própria canção ser das composições mais fracas do espectáculo. Nota máxima para os elementos cénicos e para os exímios bailarinos que acompanhavam a artista em palco.

 

A artista que se seguiu foi Julia Kedhammar da Suécia. Julia interpretou "Du är inte ensam" (Tu não estás sozinho), uma canção curiosamente de Thomas G:son, o compositor da vencedora do ESC de 2012 “Euphoria”. 

O palco foi bem aproveitado pela delegação sueca, que o preencheu com as bailarinas de Julia. Bailarinas com 15 anos ou menos que foram vestidas de forma muito mais adulta, o que causou o espanto dos que comentavam o JESC nas redes sociais. No geral, a actuação foi competente mas "Du är inte ensam" acabou por ficar em 13ºlugar por uma única razão: dentro das canções do género a competição, não se conseguiu destacar.


Este ano a Ucrânia – outro dos países com melhores resultados na competição – trouxe-nos o trio feminino Sympho-nick com “Spring will come” e as artistas repetiram a actuação com os elementos que as fizeram vencer a final nacional. De vestidos azuis, as três jovens interpretaram irrepreensivelmente a sua mágica balada que nos fazia lembrar “Gravity” de Zlata Ognevich (ESC 2013). Apesar de não ser das actuações que mais se destacou, a canção conseguiu atingir o 6ºlugar da tabela classificativa com 74 pontos, à frente de outras canções que os fãs pareciam preferir como a música cipriota, eslovena e sueca.


Seguimos para a Eslovénia, que fez a sua estreia na Eurovisão Júnior este ano. A canção chamava-se “Nisi Sam” (A luz) e outra das canções preferidas pelos fãs. A jovem artista, Ula Lozar premiou-nos com uma das melhores actuações da noite: com um palco simples, que contou com pirotecnia a partir do segundo refrão, Ula deslumbrou-nos com a sua poderosa voz e inocência. Infelizmente – e não sabendo bem porquê – a Eslovénia acabou por nem sequer chegar a meio da tabela classificativa. Ficou com um parco 12ºlugar e uns míseros 29 pontos (de onde 12, lembre-se, são obrigatoriamente dados a todos os concorrentes pelo Festival, no início da votação). Ou seja, no total, a Eslovénia apenas conseguiu 17 pontos, incluindo os 0 pontos do júri das crianças. Esta foi, muito possivelmente, a maior injustiça desta edição.


De seguida, tivémos a actuação do Montenegro - outro estreante na Eurovisão dos mais pequenos com "Budi dijete na jedan dan" (Sê uma criança por um dia). Esta foi, provavelmente, a canção menos rememorável desta edição. 

Maša Vujadinović & Lejla Vulić defenderam a sua canção bastante bem mas a mesma mas a mesma não parece ser muito adequada nem muito apelativa às crianças, o público para o qual o JESC é destinado. Por esta razão talvez tenham ficado nos últimos três lugares da tabela classificativa (14ºlugar com 24 pontos). Esperemos que no próximo ano o Montenegro regresse em força!       


     
A actuar no número 11 tivémos a Itália com o único rapaz como intérprete principal: Vincenzo Cantiello, o grande vencedor do JESC 2014. 

Com uma presença em palco fora do normal, este menino conseguiu conquistar a Europa – tanto jurados como telespectadores. E é fácil de perceber porquê ao ver a actuação: Vincenzo deu tudo o que tinha – e o que não tinha – em palco. 

Esta foi a primeira vez que um país que se estreia na Eurovisão Júnior vence. E tinha logo de ser a Itália – uma nação que já quando concorre no festival dos “adultos” também concorre sempre com as melhores canções. O JESC não foi excepção: “Tu primo grande amore” era, numa das Eurovisões Júnior mais fraca dos últimos anos, uma – senão a melhor – canção a concurso. Pode não ser a vitória que os fãs esperavam, mas foi, sem qualquer sombra de dúvidas, a melhor actuação da noite. Bravo, Vincenzo!

                                         

A Arménia trouxe-nos a canção mais orelhuda de toda a edição: a música Pop “People of the Sun” e o palco cobriu-se de cor e electrizou-se com a actuação de Betty e dos seus companheiros bailarinos. A artista, que nos faz relembrar Ekaterina Ryabova no JESC 2009, deu ao espectador a actuação mais colorida e dinâmica, para a qual muito contribuiram as cortinas penduradas acima da plataforma colocada no centro do palco, que dava destaque a Betty. Esta poderia ter sido, facilmente, uma canção vencedora, não fossem as poderosas canções e vozes de Krisia e Vincenzo. Ainda assim, a Arménia acumula outro terceiro lugar ao seu já grande palmarés de top 5s em JESC.  


Pela Rússia, temos a competição uma das canções que também era das favoritas dos fãs, Alisa Kozhikina com “Dreamer” (Sonhador). A vencedora do The Voice Kids russo, actuou sozinha em palco e com a sua doçura deslumbrou a Europa, que lhe decidiu atribuir um merecido 5ºlugar. Alisa, a melhor intérprete feminina em palco, tinha uma forte competição de vozes e canções bem mais orelhudas que a sua, o que não lhe permitiu conseguir chegar mais alto na tabela classificativa. Apesar de tudo, este foi um lugar justo para o país que, curiosamente, já há três anos consecutivos ficava no 4ºlugar!

  

A canção número 14 dá pelo nome de "Svet u mojim očima" (O mundo nos meus olhos) e é uma balada que foi interpretada pela Emilija Đonin, uma menina de também 14 anos. Emilija cantou metade da canção ao piano e depois levantou-se para interpretar o resto da canção (onde é que os fãs eurovisivos já viram isto?). Esta foi também uma das canções que mais despercebida passou no JESC deste ano apesar do profissionalismo da artista. A música sérvia acabou por ficar num lugar mais alto que o que seria de esperar (possivelmente devido à votação dos júris que a organização não revelou): 10ºlugar com 61 pontos.

 

O país organizador foi o representante que se seguiu. Frederica Falzon com “Diamonds” foi a actuação mais aplaudida da noite e uma das melhores intérpretes em palco. A pequena artista cantou uma canção operática de forma irreprensível, e conseguiu, mais por isso que pela música em si, o 4ºlugar do JESC 2014. De facto, a artista poderia ter chegado mais longe não fosse a canção que não é, nem de perto nem de longe, tão forte como a potente voz da maltesa. Este país, que por norma não é muito bem-sucedido na Eurovisão Júnior, consegue aqui outro grande lugar para juntar à vitória de Gaia Cauchi, em 2013.


Para fechar, os Países Baixos levaram a canção electrónica mais bem sucedida do festival: “Around”. Esta (que nos faz lembrar, de imediato, da canção “Million Voices” de Otto Knows), foi interpretada da mesma forma que na Final nacional, já não com um palco em tons de azul e roxo mas laranja e vermelho. À semelhança de Julia da Suécia, a holandesa também se fez acompanhar de bailarinos, mas do sexo masculino, que deram a vida à canção. Este foi o segundo 8ºlugar consecutivo dos Países Baixos, sendo que conseguiram 70 pontos em 2014 (mais 11 que na edição anterior).


Fontes: junioreurovision.tv/ Imagem: junioreurovision.tv/ Vídeo:Youtube
16/11/2014

[Crónica]: 74.14 - As músicas dos últimos 40 anos

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O Coliseu dos Recreios abriu portas para um espectáculo – 74.14 – que tinha como objectivo celebrar os grandes êxitos musicais dos últimos 40 anos – desde o 25 de abril até à atualidade. Tanto músicas estrangeiras como nacionais foram abordadas, como alguns dos acontecimentos principais de cada década.

4.14, um conceito de Henrique Feist, contou com a produção da ARTFEIST e Buzico com a direção musical de Nuno Feist e com a interpretação de Henrique Feist, Lúcia Moniz, FF, Vanessa Silva, Rui Andrade e Suzy. Além disso ainda contou com 4 coristas e 4 bailarinos, com coreografias de Claire Feist e Marco Mercier.

Com cerca de duas horas e meia, o espetáculo reuniu mais de 100 canções e só esteve 3 dias em cena, 27 a 29 de junho. Em declarações ao Correio da Manhã, Henrique Feist descreveu o processo de escolha das músicas: “Foi muito difícil a escolha das músicas. São muitas e não há tempo para pôr tudo. Centrámo-nos naquelas que resultam melhor em espetáculo e em termos de encadeamento.”
     
cortinados do palco do Coliseu abriram-se e no ecrã o noticiário do dia 25 de Abril de 1974, onde se comunicava o controlo total da rede emissora da RTP pelo Movimento das Forças Armadas. Foi o cartão-de-visita para o início do desfile de canções, numa primeira parte, percorrendo a década de 70. A relevância do Festival Eurovisão da Canção foi enaltecida, onde pudemos ouvir êxitos de personalidades icónicas do certame, como Paulo de Carvalho, Marie Myriam, ABBA e Brotherhood of Man. Numa perspetiva da música internacional, Village People, Bee Gees e Queen avivaram também a memória de todos os presentes.  
     
Nos anos 80, um ano marcado por guerras, atentados e pelo empobrecer da música portuguesa com a morte de António Variações e Carlos Paião, retratou-se a aposta no rock português com canções como "Chico Fininho" e “Deixa-me Rir”, êxitos sobre o amor como "You Give Love a Bad Name" e “Sweet Dreams” mas também o soul de Tina Turner com a canção “Private Dancer” e música brasileira como a sempre atual “Lambada”. 
     
Na passagem para os anos 90 foi feito um medley de grandes nomes da altura que continuaram a trabalhar ao longo da década seguinte, como os proclamados reis da pop, Madonna e Mickael Jackson.  
     
Os anos 90 foram marcados neste espetáculo pela inclusão de várias músicas pop de boysbands e girlsbands como Backstreet Boys, Excesso, Spice Girls, Anjos e Santamaria. Numa década de emancipação feminina, no masculino continuou-se a cantar sobre o amor. Nesta parte, foram interpretados êxitos de André Sardet, Santos e Pecadores e Ornatos Violeta.  A música em italiano e em francês não foi esquecida, sendo que os intérpretes masculinos interpretaram “Strani Amori”, de Laura Pausini, e “Pour Que Tu M’aimes Encore”, de Céline Dion, pelas intérpretes femininas. As intérpretes da música pop tiveram, no fim desta década, uma grande influência entre miúdos e graúdos. Britney Spears, Christina Aguilera, Anastacia, Jennifer Lopez, Shakira e Mariah Carey foram algumas das personalidades cujos êxitos de lançamento não foram esquecidos. Mas foi com “Sonhos de Menino” de Tony Carreira, que a audiência cantou toda a letra em uníssono.
     
A passagem para o novo século é retratada neste 74.14 como uma crescente ameaça à música em todo o mundo, com o avanço das tecnologias e com todas as canções à distância de um clique. 
     
O hit de Michael Teló não passou despercebido, onde se viu o público a acompanhar a coreografia caraterística de “Ai Se Eu Te Pego”. De seguida cantaram-se músicas pop como “Feel” de Robbie Williams, “Single Ladies” de Beyoncé, “Don’t Cha”, das Pussycat Dolls, e “Grace Kelly”, de Mika. 
       
Perto do fechar do espetáculo, cantaram-se as músicas que hoje passam nas rádios, de artistas como Miley Cyrus, One Direction, Lady Gaga, Sia, Rihanna, Pharrell Williams e Robin Thicke.
Apesar da linearidade de todo o espetáculo, foi com “E depois do adeus” que se fecharam os panos, num anfiteatro em pé que simplesmente não queria parar de aplaudir.
     
O 74.14 deixou sorrisos nas caras de um público satisfeito, com o coração cheio de melodias que fizeram parte das vidas de todos: “O 74.14 só mostra que nós temos artistas, tão bons ou ainda melhores, do que aqueles que estão no topo do mundo. Isto é uma obra-de-arte!”, disse, euforicamente uma espectadora, Isabel Silva, de 44 anos.
     
Cada espectador deve guardar o 74.14 com uma mensagem: a cultura existe se nós a deixarmos existir, valorizando tudo o que temos, pois a cultura é a nossa identidade: “(…) com a fase que o País atravessa, a cultura não deixa de ser a identidade do País, e é importante que uma instituição com a responsabilidade social da Santa Casa dê esse apoio aos artistas nacionais”, afirmou Ana Delgado, diretora de Comunicação da Santa Casa da Misericórdia, instituição patrocinadora do espetáculo.

Foto: Catarina Gouveia e Diogo Canudo

Imagem: SCML
01/07/2014
 

[Crónica] ESC 2014: final da Eurovisão - por Diogo Canudo

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Deixa-te só ficar por mais uns dias, 59.ª edição.

Não, não, não! Não vás já embora, Festival Eurovisão da Canção. Deixa-te só ficar por mais uns dias, 59ª edição. Que foste das que mais me impressionou, nos últimos anos... De facto, é triste ver que algo chegou ao fim, algo de que nós gostamos tanto... Mas as coisas são mesmo assim, e para o ano há mais: relembro que, em 2015, vão-se comemorar os 60 anos desde o nascimento do maior concurso musical e programa de televisão europeu.
     
A edição de 2014, que se realizou na Copenhaga (Dinamarca), talvez tenha sido a minha favorita, em termos cénicos e visuais. Antes de a mesma se realizar, pensava que tínhamos uma das edições mais fracas, a nível musical - mas até neste campo me enganei: houve bastantes músicas que me impressionaram, e viu-se que todos os artistas encararam este desafio muito a sério. Há alguns anos tínhamos imensos cromos eurovisivos, e sentia que a Eurovisão perdia muito a sua essência, por também ser levada como uma brincadeira. Por ser o programa mais visto, talvez, do planeta, as pessoas devem ter alguma consideração pelo mesmo...


O palco, talvez, não fosse o mais lindo e o melhor de sempre - no entanto, todos os efeitos visuais conferiram-lhe uma outra beleza - mais estética, e menos técnica. E a abertura do Festival foi muito boa, ao recordarmo-nos da música que venceu o ano passado: "Only Teardrops", de Emmelie De Forest. Notava-se que a cantora estava um pouco doente na abertura da semifinal, mas esteve capaz do papel que lhe coube. Aliás, as melhores extra-atuações foram mesmo dela - o "Rainmaker" foi mágico, com a entrada de todos os artistas a palco. Também um ponto positivo, mas não de destaque, para a atuação da australiana Jessica Mauboy. Já o resto das atuações foi bastante esquecível: por isso, um ponto negativo para a DR, emissora dinamarquesa.
     
Tenho de felicitar, no entanto, a DR pela escolha dos apresentadores. Apesar de não terem sido melhores que a brilhante Petra Mede, que considero que foi das melhores de sempre a apresentar este concurso, os deste ano foram bastante competentes, e viu-se que estavam bastante ensaiados e à vontade com o que estavam a dizer. E, felizmente, pareceram naturais em frente ao ecrã - algo que não aconteceu, por exemplo, com os apresentadores de 2012. 


O grafismo com o diamante, algo muito semelhante ao jogo The Sims, não foi um dos mais bonitos logótipos de sempre na Eurovisão; mas, por acaso, ficou tudo muito bem em televisão. Os grafismos das votações, das revelações dos finalistas e das apresentações das canções mostraram bom gosto e sobriedade. E o melhor de tudo foram mesmo os postcards, que estavam completamente incríveis e penso que foram os melhores de sempre do certame. Mais uma vez, a Eurovisão a superar-se!
     
Um ponto positivo: a DR não pôs muitos encha-chouriços, e não se pôs a convidar artistas só porque sim. E fico contente por não terem posto um apresentador na Green Room: aqueles 3 desempenharam muito bem as suas tarefas.


Incidindo-me na organização, foi no geral um bom serviço. Porém, alguns planos de câmaras desfavoreceram, e muito, as atuações. Além disso, achei, tal como aconteceu o ano passado, uma falta de respeito ao festejarem a vitória antes de divulgarem todos os votos. Se eu fosse um artista e estivesse em competição sentir-me-ia bastante revoltado.
     
Por fim, é uma pena todas as polémicas que se criaram à volta da edição: da suposta manipulação de votos de alguns países, como a Geórgia, e acabando na guerra de Aram MP3 e Conchita Wurst - posso compreender que os dois tenham tido educações diferentes e tenham crescidos em ambientes e sociedades distintos, mas o Aram MP3 só perdeu com todas as declarações que fez sobre Thomas.
     
Em relação aos resultados, 2014 foi um ano mais injusto, se compararmos com 2013. A segunda semifinal foi bastante superior à primeira, mais diversificada e que nos deu muito mais para ver em palco.


Na 1ª semifinal, sinceramente, fiquei chocado pela não-passagem da Estónia. Não é qualquer um que faz todas aquelas acrobacias malucas, é preciso um enorme esforço vocal e corporal - se fosse eu, desafinava logo no primeiro segundo que desse uma cambalhota. Apesar de "Amazing" ser bastante wannabe, pelo menos merecia a final pelo todo o trabalho que a cantora desempenhou (e anoto que esta foi das atuações mais prejudicadas, a nível de planos de câmara). E fiquei bastante surpreendido pela passagem de São Marino e da Islândia. No entanto, hoje em dia, compreendo as suas passagens: a Islândia por trazer também uma mensagem forte, como a Conchita levou; e São Marino, porque Valentina disse que não voltaria mais ao ESC se não passasse desta vez à final. Como este último país é muito pequeno, só deve ter uma cantora lá: Valentina - e, para São Marino participar porque Valentina fez esse ultimato, a EBU lá fez essa vontade à mesma (brincadeira). Em relação à melhor da noite: foi mesmo a Holanda.


Em relação a Portugal, fico triste pela não-passagem. Suzy esteve deslumbrante e conseguiu dar uma chapada às pessoas que diziam que ela não sabia cantar - no entanto isso não foi suficiente para a sua passagem. O palco estava lindíssimo e toda a composição do mesmo, com os bailarinos, e não só. Espero que a RTP não desista e que façamos parte da grande celebração dos 60 anos da Eurovisão: temos artistas muitos bons e que nos querem representar. Por isso, ponham-se já a trabalhar, por favor.


A 2.ª foi mais desesperante. No entanto sabia, para mim, quais as que mereciam a passagem. E acertei quase todas: aliás, acertei mesmo todas. Apesar de a melhor da noite ter sido mesmo a Áustria, e realço também a excelente prestação da Suíça, a maior desilusão foi mesmo a Irlanda - a atuação foi horrível e os desafinanços da vocalista foram assustadores: simplesmente, não estava à vontade com o tema. Já, a não-passagem da Lituânia, Geórgia e Macedónia eram mais do que previsíveis. E também considero previsível a de Israel, apesar de achar que merecia a passagem e de concordar com a insatisfação dos fãs pelo lugar que o país teve: os graves da cantora, apesar de serem perfeitos, não ficam bem em televisão, e a mesma era demasiado agressiva para o telespectador pegar no telemóvel e votar. Além disso, tem sido habitual não ver Israel na final...


Em relação à Grande Final, temos um top 5 muito bom! A Holanda mereceu, sem dúvida, o 2º lugar (a segunda melhor música do ano), a Suécia o 3º (apesar de não ser fã da música, por achá-la demasiado overrated, tenho de admitir que a cantora e a sua qualidade vocal são irrepreensíveis), a Arménia o 4º (quer queiramos, quer não, "Not Alone" tinha o melhor instrumental do ano, e os efeitos em palco estavam muito bons) e a Hungria o 5º (há muito tempo que este país andava a merecer uma boa classificação, e András esteve impecável, com uma excelente atuação).
   
Em relação aos BIG5 e ao país anfitrião: a França mereceu o último lugar - aquilo não é música para levar à Eurovisão e atuação foi demasiado estranha e pouco profissional - e a Alemanha já se esperava o lugar mediano que teve - apesar de eu ser fã da música e de ser das que mais oiço diariamente -. Além disso, não compreendo o lugar do Reino Unido, porque, de facto, Molly até esteve bastante bem ao vivo. Mas fico feliz por ver a Espanha, novamente, no top10, com uma grande diva eurovisiva, e a Dinamarca também: "Cliche Love Song" é uma música de que todos gostam. Já a Itália, a minha segunda favorita, foi uma desilusão, e por isso eu compreendo o lugar: Emma desafinou e foi demasiado estranha em palco, achei aquilo tudo demasiado - até mesmo para a irreverência dela:


A Bielorrússia, apesar de divertida, a Islândia, apesar de trazer uma mensagem forte, a Polónia, apesar de ter trazido um grande êxito de 2014, e a Rússia, que trouxe a música mais overrated da edição, não mereciam os lugares que tiveram - muitas músicas que eram superiores a estas quatro ficaram atrás e isso é injusto.
     
O lugar da Holanda também me deixa muito feliz: era das melhores da competição, e a junção daquela dupla é completamente genial. O mesmo acontece com a Ucrânia: apesar de todas as coisas que se têm vindo a passar neste país, a Maria conseguiu ser profissional e apresentar uma das melhores atuações da noite.
   
Como lugares justos, destaco a Noruega, que foi bastante sóbria, a Finlândia, por trazer um rock de qualidade, a Roménia, que conseguiu manter o seu nível de classificação, e a Grécia, a Malta e São Marino, por não terem música para um melhor lugar... Como lugares injustos, destaco o Azerbaijão, adorei a naturalidade da cantora ao expressar-se vocalmente e gestualmente, o Montenegro, por trazer a música com mais detalhes étnicos da edição, a Eslovénia, por ter trazido uma grande voz e uma grande atuação em termos visuais, e a Suíça, por ter trazido um rapaz super multifacetado - merecia o top5, sem dúvida.
     
Notou-se que este ano, apesar das polémicas das votações, houve um equilíbrio: os nórdicos ficaram bem, como alguns países centrais e alguns de leste. Só ficou mesmo a faltar os do Sul, que esses é quase sempre a mesma história... Acima de tudo, foi um festival bastante equilibrado, a todos os níveis. DR, muitos parabéns, e fico feliz por teres feito algo grandioso - já que 2001 foi uma podridão.
     
Em relação à Áustria, a vencedora: continuo sem palavras... Estamos em pleno 2014 e é bom notar que, apesar de tudo, ganhou a melhor música e a melhor intérprete. A Eurovisão vai ter uma bela reviravolta nos próximos tempos, mas isto foi uma valente chapada para os países de Leste que não respeitam os direitos humanos, como a liberdade e a igualdade. Um vencedor, além de ter uma boa música, também tem de passar uma boa mensagem: e isso é o que a Conchita Wurst faz melhor. E é tão bom saber que a minha favorita ganhou, pela segunda vez - a primeira foi em 2012 com a The Queen Loreen e o seu mágico "Euphoria". Parabéns, Áustria. E, principalmente, por seres um grande exemplo: parabéns, Conchita!


Imagens: Google/Vídeos: Youtube
22/05/2014

[Crónica] ESC 2014: final da Eurovisão - por Elizabete Cruz

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A noite em que a discriminação não levou a melhor.

Este foi, para mim, um ano um pouco azedo, pelo simples facto de que não tive a possibilidade de acompanhar as semifinais. Quer dizer, já é duro o suficiente que este espectáculo ocorra apenas em três dias do ano, para mim este ano foi apenas um. Por isso, todo o encanto das semifinais se perdeu, para mim, porque tive que ver mais tarde tudo no Youtube. Ainda assim, e apesar de tudo, este foi um ano com um gostinho especial para mim, porque foi um ano em que fiz uma fã eurovisiva do outro lado do oceano, que acompanhou e delirou comigo durante a final. No final só me disse "obrigada por me teres apresentado a Eurovisão". Podem criticar a Eurovisão quantas vezes quiserem, mas este é um espectáculo que une pessoas e, como fã eurovisiva que sou, é impossível não achar que isto vale mesmo a pena.


Falando agora do espectáculo propriamente dito, tenho a dizer que certamente superou as minhas expectativas. A começar pela arena, que inicialmente ameaçava ser horrível, e a acabar nas músicas, que não pareciam nada de especial, a verdade é que tudo acabou por ser bem mais surpreendente do que aquilo que eu esperava. O palco permitiu uns efeitos visuais fantásticos, apesar de em alguns momentos o ter achado um pouco claustrofóbico. Mas o que é certo é que muitas prestações foram extremamente favorecidas pelo palco e pelos efeitos, que foram dos melhores que vi nos últimos anos. Ponto positivo também para os postcards. Foi original terem pegado naquilo que representa cada país e usarem para fazerem a bandeira e, quando tal não era possível, terem arranjado uma maneira de dar a volta ao assunto sem se tornar algo banal. Em relação aos apresentadores, tirando o erro com a canção portuguesa, não tenho nada a apontar. Competentes, tal como se pedia. Achei, no entanto, curioso que na altura da entrega dos pontos, fossem dois homens a ficar no palco, e não um homem e uma mulher, como seria de se esperar. Pode ser só interpretação minha, mas vejo até aqui uma mensagem de tolerância e de não discriminação, ou não fosse a Dinamarca um dos países mais liberais do mundo. 


Apesar de na altura das finais nacionais, não haverem muitas músicas que eu achasse geniais, a verdade é que a minha opinião foi mudando com o tempo. Há muita música deste ano que pretendo continuar a ouvir. Mas vamos primeiro a Portugal. Não é novidade para ninguém que nunca fui fã desta música. Mesmo assim, sei reconhecer o trabalho realizado pela delegação portuguesa, que se esforçou por tornar uma música que de si não tem grande qualidade em algo que pudesse marcar a semifinal que estava. Era difícil, todos nós sabíamos, por estar na semi dos grandes monstros eurovisivos, mas chegou a um ponto em que eu acreditei que passaríamos. Se foi justa a não passagem? Mais uma vez refiro, não era um tema propriamente com qualidade, mas outros que passaram também não eram. A Europa queria Portugal na final, e o balde de água fria não foi só para nós, portugueses. Portanto, não, não considero justo não estarmos nesta final. Mas este já costuma ser o nosso azar, portanto é esperar que quem venha para o ano faça um trabalho ainda melhor.


Há músicas pelas quais nada dava que realmente me surpreenderam. Uma delas foi sem dúvida a música da Ucrânia, que eu odiei desde o início, e que basicamente só me convenceu na semifinal. Claro que a música continuava a ser extremamente vazia de conteúdo, mas Mariya tornou este tema em algo audível e até agradável ao defendê-lo da melhor forma possível. Claro que todo o cenário montado ajudou bastante, sendo sem dúvida um dos mais bem conseguidos. Também a Suíça me surpreendeu, muito, e me deixou extremamente orgulhosa, por ser o país onde nasci. Acho que foi a primeira vez que vi a Suíça a aproveitar bem um palco para fazer um bom espectáculo. Para além disso, Sebalter demonstrou-se bem melhor que na final nacional e conquistou-me com a actuação na semifinal. Na final segurou um bom lugar, e deixou o meu ego mesmo feliz. 


Depois existem aquelas músicas que foram exactamente o que eu esperava delas. Carl Espen brilhou e continua para mim a ser um dos melhores da edição. Sanna Nielsen esteve igualmente muito bem, defendendo uma música da qual aprendi a gostar com o tempo. András Kállay-Saunders chegou às semifinais como meu preferido e aí decaiu no meu top, mas continua a ser uma das minhas preferidas. Impossível ficar indiferente àquela interpretação e à própria temática da música. Os Freaky Fortune foram uma desgraça a nível de resultados, mas continuo a amar a prestação deles. Não é qualquer música que me põe aos saltinhos feita doida no sofá. Basim animou toda a arena e todas as pessoas em casa, com aquela música orelhuda pela qual me apaixonei de início. E por fim, os Softengine deram exactamente o espectáculo que eu esperava deles. A proposta mais rock e uma das que mais beneficiou com os efeitos visuais, aliada ao facto de ser uma excelente música.


Por fim, as desilusões. A Irlanda foi uma delas, tendo em conta que era uma das minhas músicas preferidas. Infelizmente, era uma música demasiado boa para a voz que a acompanhava. A Itália juntou-se ao lote, apesar de não ter sido propriamente uma desilusão. Já tinha visto vídeos da Emma a cantar esta música e constatado que ela apresentava sempre alguma dificuldade. Gosto muito da Emma, mas já esperava um deslize destes. O Azerbaijão foi outra desilusão para mim, talvez a maior. Apaixonei-me por aquela música à primeira audição e esperava um grande resultado de parte dela. Mas aquela prestação em palco foi extremamente pobre. Nem sei como me conformar acerca desta música. E por fim, apesar de não poder chamar de desilusão, tenho a França. Não me surpreende o último lugar, nem digo que não merecia, mas tornou-se um guilty pleasure e doeu um bocadinho ver apenas dois pontos para o país. E depois há as desilusões com aqueles que estavam na final e nem lá deviam estar. San Marino? Os meus ouvidos não devem ter ouvido a música de igual forma que o resto da Europa. E a Polónia? Bem, é melhor nem dizer o que acho da música, para não ser desagradável.


E, claro, a música vencedora. Conchita Wurst foi a grande vencedora da noite e levou o troféu para casa. Mas não foi um troféu que ela ganhou. Ela ganhou a hipótese de se mostrar a uma Europa preconceituosa e provar que não quer saber dessas pensamentos mesquinhos. Ela é o que é, cada um é o que é, e ninguém deve ter vergonha de se mostrar. Sim, a Conchita é apenas uma personagem, por trás dela existe um Tom, mas a "Mulher Barbuda" veio abrir mentalidades e provar que na hora de se mostrar talento não se importa se se é uma mulher com barba ou um homem com mamas. Com o dom da voz, Conchita arrasou com todos os comentários maliciosos e provou ser a melhor e merecedora da vitória. Esta era uma música que estava já no meu top no início e que me fez arrepiar na semifinal. Ainda agora arrepia. Sem dúvida, a melhor performance, aquela que mais me tocou, e aquela que me fez dizer imediatamente "Meu Deus, isto tem de ganhar!". Não, não sou inocente ao ponto de dizer que Conchita venceu apenas pela música. A imagem ajudou. Até a Rússia, com tanta polémica, ajudou. O que é certo é que o triunfo foi para a Áustria.



E, para finalizar, recordo um dos momentos que mais me comoveu nesta final. Emmelie de Forest subiu ao palco e interpretou brilhantemente "Only Teardrops" e "Rainmaker". Nesta última, os vários representantes de cada país subirem ao palco, juntamente com as suas bandeiras, e cantaram e dançaram a música. Sabem aquela história da Europa unida? É nestes momentos que vejo a Europa unida pela música. Com ou sem divergências, estamos todos ali, cantamos todos a mesma música e naqueles minutos ninguém pode estragar isso. E repararam que a Conchita estava a dançar justamente junto às gémeas da Rússia? Pois é, em palco não há estas polémicas que estragam um espectáculo lindo. Não há comentários preconceituosos, não há guerras entre países vizinhos, não há países ricos, pobres, fracos ou pobres, hão há júris que são injustos a dar pontos e telespectadores que não sabem votar. Em palco somos um só, e somos aquela Europa unida para a qual este concurso nasceu. 

Encontramo-nos em Viena!

21/05/2014

[Crónica] ESC 2014: final da Eurovisão - por Ricardo Mendes

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E O ESC 2014 CHEGOU AO FIM...

Pois é! Mais um Festival Eurovisão da Canção finalizou e, desta feita, mais uma temporada eurovisiva acabou! Já sinto saudades dos fins-de-semana passados agarrado ao computador a ver as finais nacionais dos países a concurso! Dos nervos que se apanha ao tentar assistir sem falhas de sinal de internet às emissões pela web! Das alegrias em quando sabemos que as nossas canções favoritas adquirem o bilhete para o evento! Das tristezas que temos quando outras canções de que gostamos, ficam por terra! Enfim, vida de eurofan é assim!


Quanto ao evento em si, tive o privilégio de o assistir in loco, na Dinamarca, em Copenhaga, e deixem-me dizer, que a organização do Festival, ficou muito aquém das expectativas que tinha em mente! O local escolhido para a realização do evento (Eurovision Island), foi dos piores que assisti até agora! Um local nada convidativo para se visitar, passear, ver vistas! Isto porque o local estava em condições miseráveis, sem chama eurovisiva, sem glamour! Ao chegar ao local deparei-me com um sítio cinzento, aparentemente em obras ainda, com inúmeros pavilhões fabris, estradas sem estarem alcatroadas, vedações com arames farpados, uma autêntica zona de guerra! Já para não falar do press center e locais onde ficaram as delegações, antes de entrar na arena, com tendas que mais parecia que eu estava num campismo gigante! A nível de recepção, estes dinamarqueses não se importam de impressionar! Julgam-se bons! Adiante... Quanto à arena, montada num barracão enorme, com bancadas de metal improvisadas para o efeito, achei horrível! Fiquei decepcionado! E um pormenor, que me incomodou bastante, foi a ausência de indicações de evacuação caso houvesse algum acidente no interior, bem como as portas de saída da arena serem em contraplacado! Foi por isso, que minutos antes do espetáculo começar, fomos elucidados das regras de evacuação do espaço! Concordo e fizeram bem, mas questiono-me sobre as pessoas que chegaram depois desse aviso? Como é que elas saberiam? 


Quanto ao evento em si, tivemos um grande programa de televisão, sem dúvida alguma! A ideia do início da primeira semifinal, com as imagens recolhidas da net, das pessoas a cantarem parte da canção vencedora de 2013, foi genial e resultou muito bem em televisão! Quanto ao palco, devo referir a originalidade do mesmo, em todo o conceito! Muita luz, muita cor, e o efeito da agua, está, simplesmente fantástico.
     
A apresentação do espectáculo decorreu na normalidade e os apresentadores fizeram o seu papel de trazer vida ao programa, com momentos bons e menos bons, mas isso acontece aos melhores! No seu todo, estiveram muito bem!


Quanto aos participantes, e é o que interessa, tivemos grandes presenças, grandes interpretações, grandes momentos de televisão! Tenho de destacar as fantásticas performances de Espanha, Suécia, Suíça e Holanda! Foram performances de encher o olho e que se irão tornar clássicos da Eurovisão, em anos futuros. Performances irrepreensíveis! Mereceram o Top 10!


Devo destacar outras performances que ficaram na minha mente e foram muito desvalorizadas! Foram as performances da Roménia, Eslovénia, Israel e Itália! Fiquei muito triste com a não passagem à final de Israel, em detrimento de outras que não mereciam estar na final, como por exemplo, a Bielorrússia! A Mei esteve fantástica e encheu o palco no seu todo! Não se compreende! De referir, ainda, a atuação fantástica da Emma, pelo simples facto de ser uma canção potente e capaz de levar ao rubro a Arena!
     
Uma palavra para Portugal e para a nossa Suzy! Fiquei muito feliz da nossa prestação, apesar de não ter chegado à grande final do Festival! Foi fantástica e o meu peito encheu-se de orgulho, quando ouvi mais de 15 mil pessoas a cantar e dançar a nossa música! Para quem não se deu conta, ou não sabe, a nossa canção foi a mais tocada em festas relacionadas com a semana eurovisiva! A nossa canção andava a ser cantarolada a toda a hora, quer no press center, quer no Euroclub! De referir o ultimo dia que estive em Copenhaga, e da festa eurovisiva, organizada pela OGAE Internacional, onde a Suzy atuou e deu a sua alegria e a sua positividade ao evento, com 3 actuações da nossa canção! E os eurofans queriam mais! Poderia ter sido a noite toda! O que é certo é que a nossa canção passou umas 7 vezes! Para mim como ultima noite em Copenhaga, não poderia ter acabado da melhor forma! Obrigado Suzy pelos fantásticos momentos que proporcionaste a todos os Eurofans europeus e particularmente, aos eurofans portugueses que estiveram lá a apoiar-te! 


Uma palavra final para a grande vencedora do 59º Festival da Eurovisão da Canção, a Áustria! A Conchita Wurst defendeu as cores da Áustria, com a canção “Rise Like a Phoenix”! Como disse anteriormente em comentários sobre a música, quase poderei dizer que será uma letra autobiográfica da própria Conchita Wurst. Retrata um momento de mudança, de transformação. Nunca pensei que a Conchita Wurst pudesse vir a arrecadar o prémio final, pois julgava que a própria Europa não estivesse preparada para julgar da melhor forma a imagem do "alter ego" de Tom Neuwirth! Fico muito contente em saber que temos uma Europa que respeita as diferenças e as minorias, seja elas quais forem! Claro que ainda existe um longo caminho a percorrer, mas penso que um grande passo foi dado! E digo que não será um exemplo só para a Europa, bem como para todo o planeta em que vivemos! Parabéns Europa pela decisão! Parabéns Europeus pela atitude! Parabéns Conchita, pela irreverência! Para o ano há mais! Que venha o Eurovision Song Contest 2015 na Áustria, ao Som da Música do Coração!


THE HILLS ARE ALIVE WITH THE SOUND OF CONCHITA!  

20/05/2014

[Crónica] ESC 2014: final da Eurovisão - por Miguel Rodrigues

Sem comentários

"O Festival Eurovisão da Canção é um projeto baseado na tolerância, aceitação e amor"

Oh não! Outra vez? Mas ainda agora começaste, porque é que já tens que acabar? É verdade chegou ao fim mais uma edição do festival dos festivais, um ano com um misto de emoções, desde a alegria à tristeza, da euforia ao nervosismo, da raiva à ternura. Aliás este misto de emoções sentem-se talvez em todas as edições, mas nesta sentiu-se muito mais. Não só por termos de volta à competição o nosso país, mas por ser mais um ano, e a cada ano que passa acho que a emoção ao ver o festival cresce mais.

Primeiro que tudo, tenho que começar por condenar um dos apresentadores do concurso, eu sei que não foi de propósito e que se calhar não interferiu na votação do público, visto que ficámos em 6º, mas erros graves como Pilou Asbaek cometeu, podem interferir no resultado final. Estou a falar da apresentação da nossa canção em que este apresentador, que já referi, apresentou mal o número da canção. De resto o trabalho dos apresentadores, foi correto, competente e sem mais erros. Em comparação a outros de anos anteriores, estão a um nível mediano, em termos de qualidade, mas não se pode pedir que numa edição seja tudo “do melhor que há”.



Creio, que vou dizer isto durante as próximas 10 edições, mas este foi sem dúvida o melhor palco do ESC, desde a maneira como foi pensado, à maneira como foi usado e transmitido na televisão.Não houve uma única falha. Tem o tamanho necessário, não tem apenas um quadro gigante de led’s e o diamante com água à volta mostra toda a criatividade conceptual que nele existe.

E os postcards? Também não foram dos mais giros nos últimos tempos? Cá para mim foi uma ideia do “caraças”, e via eu a semifinal com a minha família e o que diziam eles no fim de cada canção? Diziam com uma enorme vontade: “Ai e agora, como é que vão fazer esta bandeira?”  Estavam bastante emocionados a ver o festival, com já não os via há alguns anos. E como não podia de deixar de ser, talvez fosse o orgulho a falar mais alto, o de Portugal estava muito bom, para mim o melhor e o mais original. 



Depois de comentar todas as vertentes técnicas desta edição, o meu comentário tem que ir sem dúvida, para a maneira como foi organizada toda esta edição. Só houve três falhas que não deviam ter acontecido, aquela que já comentei e também o facto de terem mostrado a recap três vezes na segunda semifinal. Podiam ter optado por falar com todos os participantes na greenroom, ou talvez outra coisa que os fizesse improvisar de um momento tão incomodo, para quem via o programa no seu sofá. O último foi o facto de terem parado o espetáculo no intervalo da música 23 para a 24, depois mesmo de já ter sido mostrado o postcard. O palco podia não estar totalmente constituído, mas para que servem os ensaios, então?

Em relação às músicas da edição, tenho que começar por referir a minha preferida da edição, e que mesmo pelo que todos dizem, não deixa de o ser. É a Itália, e sim, pode não ter sido a melhor atuação da noite, mas não concordo quando dizem que foi má, horrível e desesperante. A Emma não teve uma grande capacidade vocal, isso é certo, mas não se pode dizer que foi uma má atuação, apenas não sobressaiu em relação às outras, daí o seu mísero e injusto 21º lugar.



Não podia fazer esta crónica sem referir que pela primeira vez, desde que vejo a Eurovisão, Portugal não dá pontos a Espanha, logo numa das que mais gostei. Eu pensava que os 12 pontos estavam certos, já que a música não é má e depois da atuação que teve, foi das que mais sobressaiu. Mas pronto, até acho que pelos comentários que os Espanhóis estão a fazer mereciam que durante algumas edições Portugal os boicotasse da votação. Apesar de todos estes dramas, Ruth Lorenzo esteve bem e merecia pelo menos qualquer coisa. No fim de todo este drama Ibérico, pela primeira vez, Portugal deu as três maiores pontuações ao top 3. 



Em relação aos países que mais me surpreenderam durante esta jornada, foram sem dúvida a vencedora Áustria, que nos trouxe a razão de sermos uma Europa.  A pequena Holanda, que foi a música sensação deste ano e o que é certo é que cada vez gosto mais dela e só de pensar, que quando saiu, dizia que era um tema certo para ficar na semifinal. Contudo, não acho que seja um tema para 2º lugar, mas também não me chateia. Muito bem trabalhado Holanda, a ver se continuam assim durante alguns anos! A ucraniana, Mariya Yaremchuk, foi para mim uma das melhores artistas em palco, nesta edição. Não pela sua beleza, mas pela maneira como tratou dum tema, que ao inicio eu não achava nada de especial, tornado num tema bastante convincente e merecedor do lugar que obteve. É certo que a atuação, ajudou nisso, mas é de salientar, que não foi só a atuação que o tornou num tema eficaz. 



Os temas e atuações que não podiam faltar na minha crónica, são sem dúvida, o da Finlândia, que me surpreendeu com o lugar que obteve, achava que na final ia ser um fracasso total, e que ia ser bottom 5,  quase no fim da tabela. Mas ainda bem que não foi, pois estava no grupo das melhores músicas da edição. A Arménia e o Aram Mp3 tiveram dos melhores palcos da edição que valorizou muito na hora da votação e também na hora da atuação. Esperava um top 10 mas não um top 5, pois não sabia se a Europa ia realmente apegar-se a este tema, da maneira que os fãs se apegaram.  A Hungria foi um país com altos e baixos no meu top, durante o pré-ESC, mas penso que no fim segurou  o lugar que merecia, e por isso concordo com a posição que a Europa lhes ofereceu.  Por último a Noruega, que nos trouxe a música mais intimista e tocante da edição. Foi das melhores em palco e não percebi a pontuação de Portugal, achava que ia ser muito mais valorizada. 



Os flops da edição eu vejo mais como injustiças, porque todos aqueles que foram um flop mereciam uma melhor posição. Em relação à maior injustiça da edição, o prémio vai para o Israel. Não percebo porque a Europa não votou neste tema, tinha tudo o que era necessário para brilhar, uma boa atuação, uma boa artista, boa dinâmica em palco, para não falar da coreografia, que estava bastante bem enquadrada. Tenho uma pena enorme deste país não ter passado à final. Outra injustiça foi de Portugal, eu nem sequer gostava do tema e acho que merecíamos sem dúvida ter um lugar na final, pela atuação e diversidade do tema em relação aos outros todos. Fiquei orgulhoso de ser o meu país, não pela música, porque continuo a não dar grande valor, mas pela atuação em si. Pela primeira vez vejo uma atuação bem construída, estudada, enquadrada e constituída. Só para não dizer que Suzy, apesar de tudo, fez tudo bem, só faltou mesmo um ponto. O outro país, que no meu entender merecia muito mais do que aquilo que obteve, foi o Montenegro a música era linda, só para não falar da força que o instrumental e a própria atuação tiveram. Mas este país está bastante sozinho no meio de tanta Europa que talvez tenha sido por isso. Espero que continuem a trazer música boa, como fizeram este ano, porque como se viu, todos os países conseguem passar à final. Têm é que trabalhar para isso!



Depois dos flops tenho que colocar aqui temas que nesta edição foram sobrevalorizados, alguns até demasiado. Começo pela Polónia, não sei se foi pelos trajes em que atuaram, ou se foi pela própria música que a Europa votou neste país. Mas se foi pela segunda, deixem-me dizer que estou bastante desiludido, a música é feia e sinceramente não mostra nada de novo. É triste este tema conseguir passar à final, ainda ser top 5 e deixar o tema como o de Israel na semifinal em penúltimo lugar.  A sueca, Sanna Nielsen, faz também parte deste grupo de países sobrevalorizados, isto porque “Undo” não traz nada de novo ao panorma musical que a Eurovisão é, e deixem-me que vos diga, acho que Sanna tanto na semifinal como na final não esteve bem e merecia mais um 10º lugar do que um 3º lugar. A Rússia por mim entra todos os anos nesta categoria, ah espera... eles querem sair do concurso (finalmente!). As irmãs Tomalchevy, tinham um tema bastante fraco, com uma atuação bastante simples e inovadora. Não merecem o 7º lugar que obtiveram, “nem aqui, nem na china” o tema não é mercedor de um lugar tão bom, para a música que este país levou, ficando à frente de inúmeros países, que mereciam, de longe ficar à sua frente.

Por fim, e muito mais importante do que já escrevi ao longo desta crónica, ganhou a única vencedora possível. Conchita Wurst, trouxe à Europa o slogan que demonstra à Russia e aos seus “criados”, de que somos todos iguais, somos todos humanos, ninguém é menos do que ninguém. Um homossexual é um humano. Um bissexual é um humano. Um heterossexual é um humano. Na noite de 10 de Maio, não ganhou só Conchita Wurst. Ganhou o mundo!
Não sei se a Áustria, foi a vencedora pela música que levou, mas sei que foi a vencedora, porque tinha de ser. Apesar de tudo, foi durante a semifinal que todos nós percebemos que ia ser a grande vencedora da edição, já estava escrito! Pode não ser a minha preferida, e nem se quer estar perto de o ser. Mas a partir do momento em que a Europa faz dela a vencedora, isto quer dizer que há tolerância e acima de tudo, como já o disse, que somos todos iguais. 



PARABÉNS CONCHITA, PARABÉNS ÁUSTRIA E PARABÉNS EUROPA!

Vai apanhar laranjas Rússia!

19/05/2014

[Crónica] ESC 2014: final da Eurovisão - por Catarina Gouveia

1 comentário


"The Eurovision Song Contest is a project based on tolerance, acceptance and love"

Fui "digerindo" as canções concorrentes à medida que foram saindo com alguma insatisfação.Nunca houve aquele "clique" que costuma haver todos os anos, que me tenha feito ficar loucamente agarrada e a fazer figas por essa canção. Hoje, findada a 59ª edição do Festival Eurovisão da Canção, mantenho a opinião de que este ano foi um pouco pobre em termos de qualidade das canções. Isto refletiu-se, aliás, no facto de não se saber até antes do início do festival quem iria ser o vencedor - algo que não acontecia há alguns anos. As músicas não eram más, mas não houve nenhuma que se destacasse ao longo da fase de seleções nacionais.

Isto só prova aquilo que eu apoio desde sempre: a Eurovisão não é só um festival de canções. Nunca foi, nunca será. A Arménia, segundo as apostas, seria a vencedora. Porquê? Porque a música era, realmente, boa - de todas, chegou, a certa altura, a parecer-me a melhor. No entanto, a teatralidade e a diferença da Conchita sobrepôs-se à atuação (boa, mas pouco marcante) da Arménia.  Porque a Eurovisão é assim. Podem ter tudo pensado, mas o tudo resume-se àqueles minutos em palco. Se assim não fosse, os concorrentes não investiam em indumentárias marcantes, em pirotecnia e noutros elementos cénicos.
     
      
Numa visão geral, e numa perspetiva pessoal, este festival, em termos de organização, deu dez a zero a todos os festivais feitos desde 2009. Num ano em que não havia grandes expetativas - não tivesse este sido feito num "barracão" - o palco estava simplesmente fantástico. Num espaço em que nada podia ser pendurado no teto, a organização dinamarquesa criou um espaço brutal, que resultou mesmo bem nos nossos ecrãs. 
    
O trio de apresentadores também me surpreendeu. Ainda que pudessem estar pouco à vontade em certas alturas, penso que foram muito bem escolhidos e que souberam lidar com a apresentação de uma forma séria e divertida ao mesmo tempo - a conversa entre a Lise Rønne e a Conchita na green room deu cabo de mim!


Devo confessar que fiquei um pouco desiludida com os interval acts e até mesmo com as aberturas.  Nada de grandioso, nada que fosse marcante e que nos colocasse agarrados ao ecrã. No entanto, tenho de salientar a atuação da Emmelie de Forest com o hino desta edição do festival, "Rainmaker". O efeito que a água deu a esta atuação deixou-me de boca aberta, estava mesmo fantástico!


Há ainda que realçar os postcards de apresentação de cada concorrente desta edição. Uau! Os concorrentes tinham a função de criar a bandeira do seu país de uma forma original e com elementos caraterísticos. Eu nunca estou atenta a estas apresentações, mas este ano estava sempre curiosa por saber o que é que cada um estava a criar. Entre os meus favoritos, a bandeira em bodypainting da Suzy, a bandeira de vestidos da Conchita e a bandeira com autocarros da Molly.
     
Este ano até a Austrália foi convidada! A Austrália, um país que apoia muito mais a Eurovisão do que muitos países que participam no concurso, teve o seu espaço neste festival. Muito se falou, muito se especulou e saiu aquilo. Aquilo, uma atuação super aborrecidinha que não aqueceu nem arrefeceu ninguém. Oh well... Espero que voltem a pisar o palco eurovisivo com algo que seja mais marcante.


No que toca a semifinais e respetivos resultados este foi um ano igual aos outros. Com surpresas, com injustiças. Eurovisão igual a si mesma, simplesmente. Quanto à primeira semifinal, não posso não começar por falar de Portugal.Vi potencial nesta canção desde o início. Apesar de saber que podia ser um pouco antiquada para o que se tem visto pelo festival, sabia que "Quero ser tua" ia acordar a arena e todos os telespetadores. E isso aconteceu. Um honroso 6.º lugar no televoto, nesta que era uma semifinal complicadíssima, que ninguém nos tira. A barreira que nos separou da final - um ponto - acaba por significar muito pouco. Não me lembro da última vez em que apoiei o meu país na Eurovisão da maneira que apoiei este ano. Não me lembro de ter uma equipa tão competente - com um excelente assessor, Vasco da Câmara Pereira, tão prestável e incansável. Orgulho de ser portuguesa, orgulho de ver a nossa bandeira naquele palco, orgulho por ouvir a arena a gritar por Portugal quando apenas faltava saber-se o último finalista. 
   
Ainda sobre esta semifinal, não posso deixar de referir a passagem de São Marino e do Montenegro. A primeira de sempre, destes países. A meu ver, A Albânia e Portugal deviam estar no lugar destes dois, mas no fim de contas penso no que esta passagem significa para estes países. A Valentina ficou tão feliz e a felicidade dela foi, de facto, contagiante. O resultado da persistência dela deu frutos e eu só posso é estar contente por ela.


Quanto à segunda semifinal, devo dizer que me revoltou mais um pouco. As canções da Finlândia e de Malta são daquelas que me deixam mesmo sem paciência para sequer reagir. A meu ver, não valiam nada e tiraram o lugar de grandes músicas. A Macedónia tinha uma das minhas canções favoritas. No entanto, tenho de admitir que aquela atuação foi uma autêntica confusão que resultou muito mal. A Irlanda e, sobre tudo, o Israel, tiveram atuações irrepreensíveis. A Mei Finegold, a meu ver, tinha a melhor voz do ano e uma música muito poderosa que não merecia, de todo, o penúltimo lugar da semifinal. Penso que o Israel tem vindo a tornar-se num "Portugal II".
     
A final foi preenchida por grandes canções e outras não tão grandes. A Ucrânia, criticada por ser uma música muito má (não para mim, mas pronto) e por ter uma "roda de hamster" abriu o festival com uma das melhores atuações. O Teo da Bielorrússia teve uma atuação simples mas engraçada, com uma boa coreografia. O Azerbaijão com a pior aposta e resultado de sempre. A Islândia, apesar de não ter uma música que me agradasse, passou uma boa mensagem com uma das performances mais divertidas. A Noruega a ganhar, para mim, o prémio de música mais overrated de sempre. A Roménia com a minha dupla favorita de sempre com uma prestação bem inferior à de 2010. A Polónia a voltar a marcar presença na final com a função de ensinar os espectadores a fazer pão e a lavar roupa. A Grécia com uma das suas piores participações de sempre. A Suécia a voltar a provar que é o país que mais apoia a Eurovisão com a Sanna a ser irrepreensível em palco. A Rússia com a performance mais awkward do ano. A Eslovénia a brindar-nos com um dos meus instrumentos favoritos e com um dos melhores cenários. A Suíça, uma das melhores canções do ano, dos únicos países que conseguiu usufruir do palco a 100%. A Hungria a dar a uma grande música uma performance "pequena". A Holanda a ser a surpresa do ano com uma atuação intimista e com uma canção que está a conquistar dezenas de países.


Os big5 e anfitrião voltaram a ser uma desilusão. Sou sincera, apesar de a Itália e da França fazerem parte dos meus favoritos, ao vivo desiludiram-me um pouco. Senti que faltava algo, faltava treino e investimento numa atuação marcante. E isso comprovou-se com os resultados. Até mesmo o Reino Unido, canção da qual não gostava minimamente mas que entendia o porquê de ser uma das favoritas, espalhou-se ao comprido com uma atuação pobre.


Finalmente, há que falar da nossa grande vencedora. Apesar de não ter nenhum grande favorito até ao início da Eurovisão propriamente dita, isto prontamente mudou após a segunda semifinal. A única canção que me arrepiou da cabeça aos pés. A única atuação que transmitia garra e vontade desmedida de lá estar. A única concorrente que tinha em si a mensagem que a Eurovisão quer passar. A união, a tolerância, a luta pela igualdade. A necessidade de sermos quem queremos ser. Nós mesmos. Independentemente de todas as condicionantes que possam existir. 
     
Nunca uma vencedora me deixou tão feliz como a Conchita o fez. Por tudo o que ela significa, por ser uma pessoa que me deixa completamente derretida ao falar em entrevistas. You go girl!
    
Espero que, agora que a Eurovisão está na boca do mundo, este concurso volte a ganhar a relevância que um dia teve e que merece, mais do que qualquer evento que exista por aí.
     
E fecha-se aqui mais um capítulo eurovisivo, sendo esta a última peça que escrevo a respeito da Eurovisão de 2014.  Com um misto de emoções. Com nostalgia e já com muitas saudades. Com vontade de acordar em Maio de 2015. Foi um grande, grande ano. Obrigada, Copenhaga!

Vídeos: eurovision.tv


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