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O Regresso da Dona Gertrudes - Historial

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O REGRESSO DA DONA GERTRUDES
RUBRICA GERAL
12/06/2016 - 14/08/2016

Anúncio Oficial - [AQUI]

Primeiro texto: 'Believe' de Dima Bilan - [AQUI]
Segundo texto: 'Aphrodisiac' de Eleftheria Eleftheriou - [AQUI]
Terceiro texto: 'Sound of Silence' de Dami Im - [AQUI]
Quarto texto: 'Playing With Numbers' de Molly Sterling - [AQUI]
Quinto texto: 'Fairytale' de Alexander Rybak - [AQUI]
Sexto texto: 'Glorious' dos Cascada - [AQUI] 
Sétimo texto - 'Believe In Me' de Bonnie Tyler - [AQUI]
Oitavo texto - 'I Stand' de Gabriela Guncikova - [AQUI]
Nono texto - 'Love In Rewind' de Dino Merlin - [AQUI]
Décimo texto - 'My Heart Is Yours' de Didrik Solli-Tangen - [AQUI]

15/08/2016

O Regresso da Dona Gertrudes: Décimo texto - 'My Heart Is Yours' de Didrik Solli-Tangen

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Caros fãs, é com pena que vos anuncio que hoje é a data da minha última publicação. Sim, eu sei, vão ter imensas saudades minhas e provavelmente até criar petições para eu voltar, mas escusam de se dar a esse trabalho porque eu já avisei os meninos aqui do site que a menos que me comecem a pagar, não há maneira de eu voltar a opinar sobre o que quer que seja. Eles até podem pensar que eu sou a pessoa mais desocupada do mundo, mas não sou e escrever estas coisas para eles leva-me muito tempo, tempo esse em que podia estar a conversar com a senhora da mercearia cá da rua para saber das últimas novidades. Mas já que é a minha última publicação, decidi acabar em grande com uma das minhas letras preferidas que alguma vez pisaram o palco eurovisivo. 


"You are like a sunset
Behind a mountain
Somewhere
And when I cannot see you
I know you're still there

Because my heart is yours I'll never leave you
Though we are far apart I'm by your side
My love is never gone, I feel it rise again
Through it all now my heart is yours

You say I am the moonlight
I watch you 
At night
And when you cannot see me
I’m still there in the sky

Because my heart is yours I'll never leave you
Though we are far apart I'm by your side
My love is never gone, I feel it rise again
Through it all now my heart is yours"

Já devem estar a pensar no que é que eu vou inventar desta vez. A resposta é simples: nada. Aliás, é preciso salientar que ao longo das dez análises de letras que fiz, nunca inventei nada. Limitei-me a interpretar o que estava lá escrito. Não é assim que funciona a poesia? Pois bem, no seguimento disso mesmo, tenho a dizer-vos que “My heart is yours”, a música que representou a Noruega em 2010, é nada mais nada menos que uma música sobre um assassino. Sim, isso mesmo. Olhando para o Didrik Solli-Tangen, ninguém diria que ele é um assassino, mas é mesmo assim que eles atacam. Vi demasiadas séries policiais para saber que os assassinos muitas vezes são pessoas perfeitamente normais e ter uma carinha laroca até é coisa para ajudar a atrair as vitimas. 


Não conseguem perceber de onde é que eu tirei esta ideia? Pensem comigo. Esta música, que é suposto ser uma música de amor, passa o tempo a salientar que ele está sempre junto da sua “amada” (ou presa, como lhe quiserem chamar). Mesmo que ela não o veja ele está lá. Ora, ou isto é uma nova forma de amor obsessivo que eu não consigo perceber, ou ele anda a segui-lo sem que ela saiba. Aposto na segunda opção. Senão de que outra forma é que analisam a frase “and when you cannot see me, I’m still there”? Vá, arranjem-me uma boa explicação para esta frase estar no meio de uma música de amor… Não conseguem, certo? 


Mais, se isto fosse de facto uma música de amor, porque é que a primeira frase seria “és como o pôr-do-sol, atrás de uma montanha em algum lado”? Eu entendo a metáfora com o pôr-do-sol, mas primeiro está atrás da montanha e por isso mesmo não se vê e depois, não especificar o local é só estúpido porque há lugares onde o pôr-do-sol é mais bonito do que outros, certo? Atentem também no refrão na frase “I’ll never leave you” e na segunda parte em “I watch you at night”. Se isto não é indicativo que chegue de que o Didrik é um psicopata, não sei o que será!

E agora fãs, está na hora de me despedir de vocês. Eu sei que queriam mais mas eu já não aguento estes fedelhos cá do blog a imporem-me regras e horários. Vou de férias. Talvez nos encontremos novamente um dia! 


14/08/2016
Vídeo: Eurovision.tv

O Regresso da Dona Gertrudes: Nono texto - 'Love In Rewind' de Dino Merlin

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A letra de que vos venho falar esta semana não é muito óbvia. Pelo menos não tanto quanto algumas de que já tenho falado aqui. A canção é a da Bósnia de 2012 e, confesso que quando vim o senhor que a ia cantar fiquei com esperanças. Finalmente alguém decidiu dar voz a um senhor que não tem 20 anos e com experiência no mundo da música. Não é comum acontecer mas enganei-me. “Love In Rewind” tem uma das letras mais… nem sei como descrever portanto passemos à análise da mesma.


"One to a hundred multiplied by you
It all looks great, it all looks cool 
Healthy children go to school 
My daughter’s in love, my son loves, too 
Oh, on the surface, oh in the distance
It’s all the same 
Oh, in the darkness, oh don't you notice
What a different game 

If you take this life from me today 
Tear it up and bury me away 
You'll just find two, three songs of mine 
Hundred worries of mine
Your love, your love in rewind 
You'll just find two, three songs of mine 
Hundred worries of mine 
And all your love in rewind

(Sito)

One to a hundred multiplied by two 
It's less about me, it's less about you 
We keep on running from certainty 
But don't know where to run from reality

If you take this life from me today 
Tear it up and bury me away 
You'll just find two, three songs of mine 
Hundred worries of mine 
Your love, your love in rewind 
You'll just find two, three songs of mine 
Hundred worries of mine
And all your love in rewind

Kad se moj život malo prosije 
Pa na vrhu ostane najkrupnije"

“One to a hundred multiplied by you”. Eu já saí da escola há muitos anos e com tanta revolução que se tem dado na educação em Portugal é bem provável que haja multiplicações estranhas hoje em dia, mas multiplicar por “tu” é coisa de nunca ouvi falar. O melhor é que o resultado da conta não nos é apresentado no texto – um ultraje! Já que me apresentam fórmulas matemáticas nova convém que me apresentem também a solução! Não há problema, “it all looks great, it all looks cool”. É preciso é que se saiba que a solução é “menos sobre mim e menos sobre ti”, isso é que é importante.


A parte que me preocupa verdadeiramente é que vem a seguir, aquela que se refere às crianças. Crianças saudáveis a irem para a escola, os filhos apaixonados e blá blá blá. A minha questão é: como é que ele sabe que as crianças saudáveis vão para a escola? Pode supor e seria uma suposição lógica, o que é pouco lógico é meter isso numa canção. A minha teoria pode parecer-vos um pouco radical mas alguém que está a observar crianças a irem para a escola só pode ser uma coisa. Não vou dizer o que estou a pensar porque não quero estar aqui a faltar ao respeito a ninguém mas deixo as conclusões para quem as quiser tirar.


Menos sobre a música, mas há um outro aspeto desta proposta da Bósnia que eu me vejo obrigada a referir: a coreografia. Honestamente, quem é que achou que seria engraçado arranjar uma coreografia para esta música? Já não chegam os fatos de palhaço de todos os elementos em palco, ainda se lembram de os pôr aos saltinhos em determinadas partes da música? Se só os figurinos já eram ridículos, assim tudo se tornou ainda pior. É incrível como na Eurovisão se consegue tornar sempre tudo pior.

07/08/2016
Vídeo: Eurovision.tv

O Regresso da Dona Gertrudes: Oitavo texto - 'I Stand' de Gabriela Guncikova

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Esta semana vamos voltar ao ano de 2016. A verdade é que este ano havia muitas letras dignas da minha análise, mas como estes miúdos irritantes do Crónicas de Eurofestivais me impuseram um limite de dez músicas para analisar, tive de fazer escolhas. Assim sendo achei que “I Stand”, a música que deu a primeira qualificação da história à República Checa (ou Chéquia, como se diz agora) era a mais interessante no meio de tanta desgraça.


"I’ve worn the path
I’ve hit the wall
I’m the one who rose and fall
I’ve played my heart
When I played the part
But it got me through the rain
I have felt the strain
I’ve made mistakes
With the monsters in my head
But in the end
You’re standing there
You’re the one who always cares

Cause I stand
I stand
I am standing here
Just because of you
Every part of me is a part of you
I stand

I’m standing tall
I can hold it all
Now I see where I belong
The choice I made
Helped me understand
Now this life is mine to play
I am thanking you, you made me
You are my air
I’ll always care!

I stand...

You never lose hold of me
You always trust and you see
I stand
I stand"

Vou começar por dizer que tanta gritaria quase me deixava surda. O meu pobre gato na semifinal fartou-se de miar a tentar acompanhar a Gabriela. Serviu-me de emenda e na final tirei o som à televisão. Mas vamos ao que interessa que é a letra em si. Verdade seja dita que não há grande coisa para analisar já que metade da letra é só “I stand”. Já alguma vez contaram a quantidade de vezes que ela repete o título? Não? Ainda bem que eu existo… São onze vezes. 


Toda esta letra parece baseada num daqueles livros de auto ajuda rascas que vemos em destaque nas livrarias. “Sou aquela que caiu e se levantou”, “isso ajudou-me a ultrapassar a chuva”, “mas no fim continuo firma” e blá blá blá. Se a falta de originalidade (ou a falta dela) matasse, a pessoa que escreveu esta letra já estava debaixo da terra há muito tempo. A própria Gabriela disse que isto era uma letra sobre ultrapassar as dificuldades da vida. De facto a República Checa enfrentou as dificuldades que teve sempre que participou no Festival e qualificou-se para a final na semi final mais complicada. Pelo menos nesse contexto a música faz sentido.


O que faz pouco sentido nesta lógica da “letra de auto ajuda” é o refrão. “Eu estou aqui por causa de ti, cada parte de mim é uma parte de ti”. Isto faz sentido neste contexto? Se faz para vocês, é porque têm uma imaginação muito limitada. É mais que óbvio que isto se refere à história de duas gémeas siamesas, já que cada parte de uma é parte da outra e se uma está num lado qualquer é porque a outra também estará. Com esta minha interpretação explica-se também que a música tenha tantos agudos. Partilhar o corpo com outra pessoa deve levar a muita discussão e todos nós sabemos que uma discussão a sério tem de acabar em gritaria, como as dos meus vizinhos do lado.

31/07/2016
Vídeo: Eurovision.tv

O Regresso da Dona Gertrudes: Sétimo texto - 'Believe In Me' de Bonnie Tyler

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Não sei se ainda se lembram mas na semana passada presentei-vos com uma música de 2013. Entretanto nos sugeridos do youtube estavam outras tantas desse ano. Não foi um ano que eu gostasse muito (no meu tempo é que a Eurovisão era boa), mas acabei a ver a música do Reino Unido porque a Bonnie Tyler me faz sempre rir com aquele ar falso de quem quer parecer mais nova do que realmente é. Isso e aquela voz que já não atinge nem graves nem agudos. Eu ainda sou do tempo do “Total eclipse of the heart”, mas a senhora tratou de arruinar a imagem que tinha dela ao ir ser o flop da Eurovisão em 2013. Quer dizer, pensando bem nisto, as propostas do Reino Unido nunca são flops porque eles parece que compraram um lugar cativo eterno no bottom 5. Mas não é para comentar a fraca qualidade das propostas inglesas que eu cá estou, mas antes para vos mostrar o conteúdo bíblico de “Believe in me”.

"You say you don’t believe in signs from up above
And you laugh at the thought of putting your faith in stuff like love
You never see the rainbow, you just curse the rain
You say you wanna believe but it’s just not worth the pain today

But that’s all fine if that’s how you want it to be
But if you’re feeling alone and afraid and you can’t breathe

Believe in me, yeah
Believe in me, yeah
Believe in
The way I look at you
And stand beside you
The way I speak the truth
I’d never lie to you
If you’d just believe in the things your eyes can see
Believe in me

You come and you go and there’s never no compromise
That’s why the seconds and the minutes of your life
go crawling by

But that’s all fine if that’s how you want it to be
But if you’re feeling alone and afraid and you can’t breathe

Believe in me, yeah
Believe in me, yeah
Believe in
The way I look at you
And stand beside you
The way I speak the truth
I’d never lie to you
If you’d just believe in the things your eyes can see
Believe in me

What ya gonna do when your ship is sinking
And you’re crying out for help and just the seagull’s listening
In the dark of the night, in the middle of the fight
When you’re reaching out for something and there’s nothing

Believe in me, yeah
Believe in
The way I look at you
And stand beside you
The way I speak the truth
I’d never lie to you
If you’d just believe in the things your eyes can see
Believe in me"


Sim, queria mesmo dizer conteúdo bíblico. Não me digam que não conseguem relacionar esta letra com uma história das que vêm na bíblia. Se não conseguem é porque provavelmente nunca andaram na catequese. É normal, esta juventude hoje em dia nem o crisma tem. Uma vergonha!


Sendo assim, terei de ser eu a contar-vos a história por trás desta música. Tomé era um dos 12 apóstolos de Jesus e, quando este ressuscitou, ele teve dificuldade em acreditar que tal tinha acontecido. É preciso dar-lhe o desconto. Ele sabe que Jesus morreu e daí a uns dias aparece lá em casa a dizer que está de volta? Se fosse eu também duvidava. Depois disto Tomé tocou nas chagas de Jesus e acabou por perceber que aquilo era tudo verdade. A história é contada em João 20:24-29, para o caso de quererem ir ler.

Ela passa 50% da música a dizer “acredita em mim”. Deve ser o que Jesus disse a Tomé. Afinal ele não tinha razões para desconfiar até porque Jesus diz “apenas a verdade” e “nunca lhe mentiria”, porque mentir é pecado, todos nós o sabemos. Quando percebeu que aquela conversa não ia resultar, decidiu-se por lhe dizer que se ele “acredita apenas naquilo que vê” era melhor mostrar-lhe as chagas e problem solved!


Conseguem ver as semelhanças agora? É perfeitamente normal terem achado que esta era uma qualquer música de amor sem nenhum interesse, mas depois desta explicação, ninguém irá jamais pensar isso outra vez. Aliás, se o Vaticano por mero acaso participasse na Eurovisão, não duvido que o Reino Unido tivesse conseguido mais 10 pontos (porque os 12 seriam certamente para a Itália).

24/07/2016
Vídeo: Eurovision.tv

O Regresso da Dona Gertrudes: Sexto texto - 'Glorious' dos Cascada

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Hoje trago-vos uma a análise a uma música cujo nome é “Glorious”. Achei apropriado tendo em conta os acontecimentos da semana passada. Fomos campeões da Europa, mas já era altura de se calarem com isso. Já não aguento as conversas sobre a bola que se ouvem na rua. A esta altura já acho que era melhor terem ganho os franceses! Bem, mas não é para falar de bola que eu cá estou. É para analisar ao pormenor a letra da música alemã de 2013 que foi um daqueles flops que até dá gosto ver!


“Do you know it’s time to let yourself go?
Why don’t we just let it show?
Tell me what you’re waiting for

‘Cause I, I wanna live before I die
Crash and burn and lose my mind
We can set the world on fire

Tonight we can be glorious
We are young at heart and we’re free
The world is ours, I can feel the music in me
Glorious, found a love that eyes cannot see
Delirious, oh oh oh oh, oh oh oh

I believe the little child inside of me
Can reveal my destiny
And one day I’ll be breaking free

Now’s the time, we’re running at the speed of light
I’ll meet you on the other side
Every time I close my eyes

Tonight we can be glorious
We are young at heart and we’re free
The world is ours, I can feel the music in me
Glorious, found a love that eyes cannot see
Delirious, I can feel the music in me

(Glorious) Found a love that eyes cannot see
(Glorious) (We are young, oh oh, oh oh oh)
(We are young, oh oh, oh oh oh)
(We are young, oh oh, oh oh oh)
(We are young, oh oh, oh oh oh)

Tonight we can be glorious
We are young at heart and we’re free
The world is ours, I can feel the music in me
Glorious, found a love that eyes cannot see
Delirious, oh oh oh oh, oh oh oh”


Comecemos então. Todos nós sabemos que as letras destas músicas nunca primam pela qualidade. Vocês, os mais novos, é que ouvem tudo e nem querem saber do que é que eles estão a falar. Parecem a minha vizinha de baixo. Mete-se na varanda a “cantar” cada parvoíce que nem vos digo. Eu, que sou uma pessoa com gostos requintados, aprecio uma boa música com uma boa letra. 

Digo-vos já que aquela segunda estrofe é do melhor material eurovisivo que já ouvi. Portanto ela quer viver antes de morrer mas entretanto também quer pôr fogo ao mundo! Ou isto é genial a um ponto que eu não consigo entender, ou quem escreveu isto estava com uma bebedeira digna de ver o seu país campeão da Europa. Seria uma excelente explicação, mas a Alemanha foi campeã do mundo um ano depois portanto tal explicação não se aplica. Mas então vejamos o seguinte, ela pode ser uma psicopata e querer acabar com o mundo. Claro que acabar com o mundo pressupõe que irá acabar também com a sua vida, a menos que tenha arranjado um apartamento na lua ou em Marte para ir viver sozinha. Ora, se ela já tiver vivido (e basta-lhe nascer para já o ter feito) já pode espalhar gasolina pelo mundo fora e acender-lhe um fósforo. Se bem que ao preço que está a gasolina talvez esta não fosse a melhor solução, mas ela lá deve ter o seu plano.


Esta letra é repetitiva até mais não, mas a verdade é que tem material de análise de qualidade. Ora, diz a senhora que era famosa há uns bons dez anos atrás que é são (ela e mais alguém) novos no coração e depois refere-se à criança dentro dela. Tudo isto para dizer que está mais velha do que nós nos lembramos mas continua a ser uma jovem. É mais ou menos como eu. Tenho aqui um espírito jovem que nem imaginam.


Entretanto diz que o mundo é deles. Ah, já podia ter dito logo no início da música. Tornava-se bem mais fácil perceber como é que lhe vais atear fogo. De certeza que tem algum botão vermelho (é sempre vermelho) para destruir o mundo inteiro lá em casa. E quando o fizer diz que vê quem quer que seja a quem ela se refere do outro lado. Se isto não é a maior música suicida do mundo eurovisivo, não sei qual será!

17/07/2016
Vídeo: Eurovision.tv

O Regresso da Dona Gertrudes: Quinto texto - 'Fairytale' de Alexander Rybak

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Tenho de vos dizer que já estou mais que farta de escrever para vocês. Porquê? Porque estes meninos do site são uns pobres e mal agradecidos. Não me pagam e ainda dizem que eu devia era falar das músicas vencedoras. Dizem que eu não tenho inteligência e imaginação para tal e eu, para os calar, hoje decidi presentear-vos com uma música que se fartou de bater recordes. Senhoras e senhores: fairytale de Alexander Rybak.


“Years ago, when I was younger 
I kind of liked, a girl I knew 
She was mine and we were sweethearts 
That was then but then it's true 

I'm in love with a fairytale 
Even though it hurts 
Cause I don't care if I lose my mind, 
I'm already cursed 

Every day we started fighting 
Every night we fell in love 
No one else could make me sadder 
But no one else could lift me high above 

I don't know what I was doing 
Suddenly we fell apart 
Nowadays I cannot find her 
But when I do we'll get a brand new start 

I'm in love with a fairytale 
Even though it hurts 
Cause I don't care if I lose my mind, 
I'm already cursed 

She's a fairytale, yeah 
Even though it hurts 
cause I don't care if I lose my mind, 
I'm already cursed”

Eu tenho visto vencedores eurovisivos com letras muito ridículas, mas esta exagera. Rapidamente, esta música fala de um amor que supostamente é um conto de fadas, ou pelo menos devia ser. Sim, porque a julgar por algumas passagens que vemos aqui, é tudo menos um conto de fadas. 

As conclusões a tirar disto são basicamente duas:

- A juventude hoje em dia está completamente perdida, mas isso já não é novidade para ninguém;

- O Alexander Rybak é um bipolar do pior, ou namora com duas raparigas ao mesmo tempo. 

Mas vamos começar pelo princípio, porque vocês já sabem que eu sou uma pessoa extremamente organizada. Reparem no primeiro verso: “years ago, when I was younger”. Isto é poesia ao mais alto nível. Deste verso podemos deduzir imensas coisas como por exemplo o facto de ele envelhecer. Ainda bem que ele salienta que há uns anos era mais novo porque senão o público menos erudito nunca conseguiria chegar a tal conclusão. 


Mas engane-se quem acha que a primeira estrofe se resume apenas a isto. Portanto há uns anos, quando ele era mais novo, gostava de uma rapariga que conhecia e que era dele. O mais interessante vem depois. Se o meu inglês não me falha, “isso era antes, mas antes era verdade”. Ou seja, ele estava confuso. Até porque meter o verbo to be no presente logo depois de usar um then é capaz de não estar correto (pelo menos neste contexto), mas o que é que isso interessa quando se tem um rapazinho a sorrir e fingir que toca violino?


Mas passemos então a parte em que vos explico porque é que o Alexander Rybak é adepto da poligamia. Ora, ele está apaixonado por alguém que é um conto de fadas, mas isso magoa-o. A Disney anda a fazer um trabalho enganador na promoção das suas histórias de encantar. Mas além de o magoar, o facto de ele estar a viver um conto de fadas é uma maldição. Faz sentido, sim senhor. Mas isto continua. Cada dia começam a lutar, e cada noite se apaixonam. Mais ninguém o pode fazer mais triste e também mais ninguém o pode fazer mais feliz. Ou isto são raparigas diferentes ou são ambos bipolares. E se forem bipolares é melhor tomarem medicação porque isto está grave. Tenho para mim que a única frase lógica no meio de tanta maluquice é “I don't know what I was doing” e, muito provavelmente, isto refere-se ao letrista e ao seu próprio trabalho. 

10/07/2016
Vídeo: Eurovision.tv

O Regresso da Dona Gertrudes: Quarto texto - 'Playing With Numbers' de Molly Sterling

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Olá meus queridos… Hoje sinto-me extremamente bem comigo mesma. Estive a ler um daqueles livros do Gustavo Santos enquanto apanhava sol e ouvia as músicas da Eurovisão deste ano. É impossível imaginar algo melhor para fazer a um domingo à tarde, não acham? É isso ou eu estava a usar o poder da ironia. Mas vamos ao que interessa. Hoje apresento-vos uma das razões para a Irlanda ser fail atrás de fail ultimamente. “Playing with numbers”, a música do ano passado, não só é uma valente seca, como ainda tem uma letra mais difícil de perceber que um poema do Fernando Pessoa em formato Ricardo Reis.


“Do I owe you something?
I think I do
They tied our hands
But I cut through

In the arms of the potion
They found our truth
And I made a girl
Abandoned youth

And I made the mess in your vision
And I see a debt to be paid
To give a little love was all I wanted
Give a little love was all my intent

And I was playing with numbers
And I didn’t know what it meant

Please don’t remind me
I won’t be your muse
Fragile misguided minds like mine
Only know how to use

Oh, while I played with white lies and fiction
Unbeknownst to you
I played the victim
Well that was the last time I faced you

And I made the mess in your vision
And I see a debt to be paid
To give a little love was all I wanted
Give a little love was all my intent

And I was playing with numbers
And I didn’t know what it meant

I can watch from afar, from my art on my own
All along I was lost, I was wild, this is wrong
I can’t force this, just watch as the surface surrenders it all

I made the mess in your vision
And I see a debt to be paid
To give a little love was all I wanted
Give a little love was all my intent

I was playing with numbers
And I didn’t know what it meant”


Esta talvez seja a canção menos plausível de ter uma história que vos apresento aqui, mas nem por isso deixa de ser interessante. A canção começa com a frase “devo-te alguma coisa?”. Esta devia ser a última frase da canção para podermos responder prontamente: “sim, deves-me 3 minutos de vida que nunca vou recuperar”. Ela deve-me isso, e a minha vizinha da frente deve-me 10€ que me pediu emprestados há dois anos e nunca mais me devolveu. Podia dizer que não guardo rancor, mas guardo … e muito. Ainda na mesma quadra, ela diz que lhe ataram as mãos (a ela e a mais alguém) mas que conseguiu escapar. Das duas uma: ou lhe ataram as mãos muito mal ou ela tinha uma tesoura ou coisa que se pareça a jeito. Faz lembrar aquelas séries e filmes em que há sempre uma personagem com uma lanterna no bolso porque pode vir a dar jeito. 

Era de esperar que isto melhorasse. Não. Isto é das letras mais estranhas que já ouvi na Eurovisão e dava análise para um livro inteiro. Notem que, na estrofe seguinte, aparecem poções com braços que possuem a verdade deles (dos que estavam amarrados, suponham). Tendo eu visto os filmes do Harry Potter, até admito que uma poção possa revelar verdades, mas daí a aceitar que uma poção tenha membros, vai uma distância tão longa quanto aquela que separa a Irlanda das vitorias neste século.


Quando te dizem que as poções têm braços:


Passando ao refrão, a rapariga diz que fez uma porcaria com a visão sabe-se lá de quem. Ou ela é oftalmologista, ou decidiu que era divertido espetar coisas nos olhos de outra pessoa. Recordam-se do primeiro verso? Pois bem, ela aqui diz que a dívida precisa de ser paga. Não a quero desiludir, mas a menos que ela tenha inventado a máquina do tempo, é impossível pagar esta dívida e dar-nos os três minutos de volta. Claro que desculpamos tudo porque ela só nos queria dar o seu amor. Isso e brincar com números. Uma pena que ela não saiba o que é. Alguns de vocês e dos meninos aqui deste blogue devem lembrar-se daquele famoso jogo, o “24”. Isso é uma excelente opção do que seja brincar com os números, mas a Molly é demasiado nova para se lembrar desse jogo. Mandam cachopas à Eurovisão e depois queixam-se.


“Por favor não me lembres, não vou ser a tua musa” – um prémio para quem me explicar o que raios é que isto tem a ver com todo o resto. Eu sei que nada tem a ver com nada nesta música, mas isto já é exagero. Sorte a dela que tem uma mente frágil e portanto suponho que frases soltas é o máximo que uma mente frágil consegue fazer.

03/07/2016
Vídeo: Eurovision.tv

O Regresso da Dona Gertrudes: Terceiro texto - 'Sound of Silence' de Dami Im

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Olá caríssimos leitores. Preparados para mais um dose de análise de grandes poemas que passaram pelo palco eurovisivo? Hoje trago-vos a segunda classificada deste ano. Diretamente do país mais europeu em competição (a Austrália, claro), chegou-nos "Sound of Silence". Leiam bem esta bela letra:


"Grown tired and weary brown eyes
Trying to feel your love through face time
Symphonies of dreams and highlights
Caught up in this crazy fast life
But baby, you’re not here with me

And I keep calling, calling
Keep calling ’cause

Now my heart awakes to the sound of silence
And it beats to the sound of silence
And it beats to the sound of silence

Now my heart awakes to the sound of silence
And it beats to the sound of silence
And it beats to the sound of silence

Getting hard to break through the madness
You’re not here, it never makes sense
Tidal waves of tears are crashing
No one here to save me drowning
‘Cause baby, you’re not here with me

And I keep calling, calling
Keep calling ’cause

Now my heart awakes to the sound of silence
And it beats to the sound of silence
And it beats to the sound of silence

Now my heart awakes to the sound of silence
And it beats to the sound of silence
And it beats to the sound of silence

I know I’m stronger and I’m capable
I know it’s all in my head
But I keep calling, calling
Calling, calling, oh…

Now my heart awakes to the sound of silence
And it beats to the sound of silence
And it beats to the sound of silence

Now my heart awakes to the sound of silence
And it beats to the sound of silence
And it beats to the sound of silence"

Vou começar por constatar o óbvio: para uma música chamada "Sound of Silence" oiço demasiada gritaria. E continuando nesta lógica da constatação do óbvio: para gente que fala inglês, estes australianos repetem as mesmas frases até à exaustão. Mas deixemos os pormenores poéticos de lado porque afinal nem todos podemos ser o Camões e ter o mesmo esquema rimático ao longo de dezenas de estrofes.

Comecemos por aquela palavra que muita polémica deu. É mais que óbvio que este “face time” se refere ao software da apple. Se na Eurovisão se pode fazer referência a marcas? Citando uma rábula dos Gato Fedorento: “não se deve, mas pode-se fazer”. Haverá sempre aqueles que defende que este “face time” não se refere à marca, como há os que dizem que a música da Ucrânia deste ano ou a nossa de 2011 não têm conteúdo político. Se as regras fossem para cumprir, teríamos bem menos países a concurso todos os anos, mas eu já cá ando há muito tempo para perceber como é que isto funciona. Mas para os que acham que esta letra é perfeitamente normal e não faz referência ao software, por favor digam-me o que é que quer dizer “face time” naquele contexto (ou noutro qualquer) porque o meu inglês não me deixa  perceber isso mesmo.


Mas porque é que este faceTime é relevante para a história da música? Fácil. Estão a lembrar-se da frase “I keep calling, calling”? Claro que estão, afinal ela é repetida no mínimo umas mil vezes ao longo dos três minutos. Quem é que continua a ligar sem parar? Eu digo-vos: são os senhores de call centers do meu banco (que não digo qual é porque ninguém me pagou para isso) que continuam a achar que eu quero um cartão não sei do quê quando eu já lhes disse umas mil vezes que não estou interessada. Conclusões: esta canção é sobre, nada mais nada menos, que a história de alguém que trabalha no call center da apple. E o pior é que não deve vender nada, a julgar pela quantidade de silêncio que ouve. É uma pena porque as comissões da apple ainda devem ser altas. Quem não ouve silêncio nenhum desde que esta música ficou em 2.º lugar sou eu. A minha vizinha de cima não se cala um minuto a "cantar" isto. E sim, cantar está entre aspas propositadamente!


Notem que na segunda parte da letra ela começa a descrever os sintomas de grande parte das pessoas que trabalham em call centres. Nunca estive num, mas já vi belas reportagens na televisão. Não é que eu acredite em tudo o que vejo na televisão, mas também conheci pessoas que trabalharam neste universo. A rapariga fala em “madness”, depois diz que está a chorar e até que se está a afogar. Não querendo ferir suscetibilidades (se calhar é melhor os mais sensíveis não lerem a próxima frase): é provável que esse afogamento seja causado pelo facto de em muitos call centers não deixarem os empregados irem à casa de banho.

26/06/2016
Vídeo: Eurovision.tv

O Regresso da Dona Gertrudes: Segundo texto - 'Aphrodisiac' de Eleftheria Eleftheriou

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Sofreram muito nesta semana sem mim? Eu sei que sim. Eu passo 24 horas comigo mesma e mesmo assim às vezes ainda me parece pouco tempo. Hoje trago-vos uma canção marca o início da decadência da Grécia na Eurovisão. Já sabem qual é? Sim, é daquela menina que se esqueceu de metade do vestido em casa.


"I gotta say 
what´s on my mind 
when I´m with you 
I feel alright 

You call me baby 
we spend the night 
I´m so addicted 
I feel alive 

Over and over I´m falling

You make me dance dance like a maniac 
You make me want your aphrodisiac 

I think about you all the time 
I just can´t get you of my mind 
You drive me crazy, you drive me wild 
You´re so addictive, there´s no way out 

Over and over I´m falling 

You make me dance dance like a maniac 
You make me want your aphrodisiac 

I'm craving for your touch 
I want it way too much 
I'm craving for your touch 
too much 
your touch 
too much

Over and over I´m falling 

You make me dance dance like a maniac 
You make me want your aphrodisiac"

Penso que a pergunta que se impõe depois de ler esta belíssima letra é: o que é o afrodisíaco? É uma daquelas questões à qual precisamos de responder para passar a dormir melhor à noite. 

A rapariga começa a canção a dizer que tem de dizer o que está a pensar. É uma daquelas coisas que eu aconselho a toda a gente mas que muitos poucos fazem. Eu, geralmente, digo sempre o que penso mesmo que isso seja incómodo para alguém. Levo muito a sério isto de ser uma pessoa verdadeira e também não gosto que me mintam. Se não gostam de ouvir as verdades, o problema já não é meu. Mas parece que ela só pensa que quando está com seja lá quem for se sente bem. Confesso que estava à espera de uns pensamentos mais elaborados, mas de alguém que vai para um palco europeu meia nua também não se pode exigir muito.

Chamem-me antiquada, mas a rapariga diz que basta chamarem-lhe "baby" para ela passar logo a noite com quem quer que lho chame. Se isto são atitudes de uma rapariga decente, vou ali e já venho. A única coisa que se aproveita nesta música é o ritmo que deixava o meu gato Lulu completamente doido.


"I'm so addicted, I feel alive" – caríssima pessoa com um nome impossível de pronunciar: se fores viciada em droga ou álcool, é normal que te sintas viva. E olhem que com a minha idade, já aturei muitas pessoas “vivas”. 

À medida que avançamos na letra desta bela melodia percebemos que ela cai uma e outra vez. Rapariga, é possível que isso seja por te sentires "viva". E ainda dança que nem uma maníaca. São os efeitos. Não pode ser só diversão. Mas se tudo correr bem, no dia seguinte já não há memória de nada. Enfim, é esta a juventude que temos!


Chegados à segunda parte da música, temos quatro versos para dizer uma coisa que já foi dita antes. É a poesia ao mais alto nível. Lembram-se do primeiro verso? Se não se lembram andem um bocadinho para cima que eu espero e aproveito para ir ali ao jardim regar umas flores.


Já se lembram? Lembram-se de eu questionar o que é que ela poderia estar a pensar? Temos aqui a resposta. Está a pensar, SEMPRE, na pessoa a quem dirige a música. E porquê? Porque essa pessoa é viciante.

Mas, e se não for uma pessoas mas antes uma coisa? Faz muito mais sentido. Senão, pensem comigo: 
- uma coisa viciante;

- uma coisa que é difícil abandonar;

- uma coisa que a faz dançar como uma maníaca;

- uma coisa que a deixa maluca;

- uma coisa que a faz sentir bem;

- uma coisa que a faz cair uma e outra vez.

Isto é uma pessoa? Para mim não, mas isto sou eu, que gosto de acreditar que as letras das músicas têm alguma coisa interessante por baixo de tanta falta de conteúdo. Isto podia perfeitamente ser o hino dos Alcoólicos Anónimos. 

19/06/2016
Vídeo: Eurovision.tv
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