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Overrated & Underrated - Quarto texto: Dima Bilan e Vânia Fernandes

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OVERRATED
DIMA BILAN- "BELIEVE" (RÚSSIA, 2008)

Ora muito bem, por onde começar? O pobre Dima já tinha tentado ganhar o Festival Eurovisão da Canção em 2006 com o “Never Let You Go”, mas, após de ter conseguido apenas o 3º lugar, voltou a tentar em 2008 com “Believe” na qual se saiu vitorioso.
Pronto, a letra é fantástica e merece sem dúvida estar no Top 5. Porém, não creio que dava para ganhar. Temos que admitir que a performance era fantástica com o violinista e o patinador olímpico mas a atuação e a letra não é tudo. A música não cativa para os telespectadores votarem para ganhar, visto que quando se pensa na Eurovisão pensa-se em algo mais ritmado, mais animado pois o Festival é uma festa em si, em que se festeja a “paz” e a “harmonia” entre os países da Europa (e mais uns quantos). Nesse ano tinha tudo para ganhar a Grécia com o “Secret Combination” pois era ritmado, um tema engraçado e a coreografia interessante, o que levava às pessoas para votarem.
Esta foi a primeira vitória da Rússia, mas esperemos que haja mais no futuro para tentar compensar o fiasco desta.

     
         




UNDERRATED
VÂNIA FERNANDES - "SENHORA DO MAR" (PORTUGAL, 2008)

Temos uma paixão enorme pela "Senhora do Mar", que em 2008 representou Portugal no Festival Eurovisão da Canção.
"Senhora do Mar" foi um dos únicos temas (levados ao certame Europeu) que melhor representou a cultura portuguesa no evento.
Com uma performance perfeita. Vânia Fernandes e os seus colegas apresentaram-se em palco, com aquilo que gostamos de chamar “a verdadeira garra portuguesa”, com um tema que, a meu ver, é “mágico”, mítico e, claro, inesquecível.
Aterramos no Festival como “possíveis vencedores”, mas tal como a mãe de uma de nós diz, “dizem isso todos os anos, e depois vê-se”. Alcançámos a Grande Final, e ao mesmo tempo, ganhámos esperança, criando por isso alguma expectativa, mas a verdade é que na Final, o final é sempre o mesmo. Portugal alcança um 13º lugar, que para nós é visto como insulto. Com isto, não queremos dizer que é um mau resultado, porque não o é, mas em relação com alguns temas, inclusive o vencedor, o nosso tema era superior. Será que é necessário andar a rebolar no chão para conseguirmos um bom lugar? Trazer assuntos políticos (quer dizer, já levamos e vimos que não correu nada bem)? Aproveitamos para agradecer aos “criadores” da Senhora do Mar, por darem ao nosso país um dos melhores temas eurovisivos de sempre.


            

Videos: Eurovision.TV
16/11/2016
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Na Luta Contra o Preconceito - O culto do corpo

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O CULTO DO CORPO

Como já foi referido inúmeras vezes, e como é do conhecimento de todos, a Eurovisão tornou-se ao longo dos tempos, uma referência que não alusiva exclusivamente ao seu contexto e qualidade musical. Uma das questões que geram polémica nesta sociedade de século XXI, também se evidencia quando falamos nos intérpretes representantes de cada país: a sua imagem estética.

Hoje em dia, e desde já há algum tempo, está enraizado o culto do corpo. Os “gordos” e os “feios” são mal vistos, discriminados, excluídos, apontados negativamente, nas mais diversas situações. Como profissional ligada à área da alimentação, este é um assunto com o qual lido diariamente, e que (ainda) continua a comover os profissionais de saúde dadas as situações com que nos deparamos. Em torno da obsessão, da vontade e do sacrifício de se querer mudar a sua imagem pessoal, estão envolvidos diversos fatores que põem em risco a saúde física e mental dos indivíduos. A pressão da sociedade ainda tem “muita culpa no cartório” com a conotação e importância que dá ao corpo bonito e visualmente bem referenciado. 

A Eurovisão é mais um exemplo de um espetáculo televisivo em que a componente visual tem um grande impacto. Poderia citar inúmeros exemplos. E poderei começar com os Portugueses, mais recentes: Vânia Fernandes (Portugal 2008) e Daniela Varela (vocalista dos Flor-de Lis – Portugal 2009). Ambas as intérpretes são dotadas de uma capacidade vocal excelente, mas não deixaram de estar na boca dos eurofãs devido à sua maior robustez comparando com os seus colegas da mesma edição. Vânia Fernandes chegou mesmo a ser “gozada” pela televisão sueca. 


Já Hera Björk, representante da Islândia em 2010, é uma cantora soul e pop muito reconhecida no seu país, e no Chile, onde reside atualmente. Nesse ano, Hera foi falada não só pela sua forma física mas também pela sua indumentária, que não favorecia em nada o seu excesso de peso. Também Chiara, representante de Malta, já por três vezes, é um exemplo de que “as aparências iludem”, e para além de carregar o peso, literalmente, carrega um notável poder vocal indescritível. 


Já recentemente, Bojana Stamenov interpretou, este ano, uma canção autobiográfica: “Beauty Neves Lies”, cuja letra descreve: “sou diferente e está tudo bem”. Este é um exemplo da consciência própria de que, não só na Eurovisão, mas no seu dia-a-dia, Bojana sente na pele o facto de ser apontada como sendo diferente, devido à sua notória obesidade. Este é um caso de que, apesar do enraizamento do culto do corpo esbelto, não existe preconceito próprio. 


A tentativa de transparência de algum tipo de discriminação no certame também se evidenciou na questão da idade dos intérpretes. Um exemplo bem recente centra-se no regulamento da França para o ESC 2016, em que só poderão concorrer artistas com idade inferior a 50 anos. É certo que nos últimos anos há uma tendência para maus resultados vindos de intérpretes mais velhos. São exemplos Engelbert Humperdinck e Bonnie Tyler pelo Reino Unido e Lisa Angell pela França. Nesta última, creio que a má pontuação foi uma insistência na sucessão do ano transato. Mas, e nos restantes? Terá sido o problema a idade dos intérpretes ou mesmo a má escolha musical? Pois… Em todo o mundo existem excelentes vozes maduras, como a própria Lisa Angell, que na minha opinião, fez uma exibição vocal excecional! Portanto, eliminar os mais velhos, não me parece ser a solução para todos os problemas, desde que a escolha da canção não seja feita a pensar nos anos 60!


Recuemos a 1986, em que a Bélgica venceu a Eurovisão com Sandra Kim. Na altura Sandra tinha 13 anos. Apesar de não haver uma idade mínima para participar, como acontece hoje em dia, Sandra foi apontada como uma menina que não teria capacidade de ir longe no concurso. O que é certo é que levou o troféu para casa, apesar de, na sua canção (de carácter autobiográfico) ter-se definido com 15 anos, tal como chegou a afirmar aos jornalistas. Isto não teria sido necessário se não tivesse sido tão polémica a questão da sua idade. Esta vitória ainda fez com que o segundo classificado reclamasse a vitória da Bélgica, devido a todo este enredo. A intenção da Suíça seria pedir a desclassificação da vencedora.


Na edição de 2003, as conhecidas mundialmente T.A.T.U. também despertaram a já habitual discriminação por parte dos russos, ao criticar a idade da representante alemã Lou, na altura com 40 anos. E por falar em russos, quem não se lembra das amorosas velhinhas Buranovskiye Babushki? Por ser a Rússia em Baku, pela canção/voz/postura em palco ser péssima, pelo favoritismo da Loreen, era evidente a revolta pelo facto de serem também candidatas ao título. Mas qual o fator mais apontado? A sua terceira idade, claro.  


Este assunto também não foi deixado de lado por uma das mais polémicas intérpretes eurovisivas. Entre linguagem inapropriada na letra da sua canção e discussões com jornalistas, Silvia Night (Islândia 2006) ainda ofendeu Carola (Suécia 1983, 1991 e 2006). Entre outras acusações, Sílvia chamou Carola de “velha”. Carola, que ainda a vimos em 2013 no Melodifestivalen a interpretar o seu sucesso "Främling", está “aí para as curvas” e certamente se representasse uma vez mais a Suécia, com uma boa canção, não faria má figura com certeza.


Já agora, e nesta linha da imagem irreverente transmitida por Silvia Night, podemos lembrar-nos dos Finlandeses Lordi. Os Lordi venceram em 2006 pelo seu estilo alternativo, marcante, ousado, irreverente e diferente de tudo o que tínhamos visto até então no certame. Hoje em dia são uma banda de sucesso mundial e, apesar de nunca terem mostrado a sua face, o impacto da sua imagem continua a ser um dos assuntos mais falados de sempre na história eurovisiva. 


Por fim, não poderia deixar de referir o uso da imagem sexual dos intérpretes em prol de sucesso, polémica e até bons resultados. Recentemente, no regresso da Polónia após uma longa ausência, surgem as “Slavic Girls”, tão admiradas na apresentação de Cleo & Donathan, em 2014. Sem dúvida que a apresentação em palco, os decotes e a beleza foram o foco para o sucesso da canção. E existem tantos outros exemplos… Ucrânia e Grécia dominam as conversas sobre estilo sensual: Helena Paparizou (Grécia 2005), Ani Lorak (Ucrânia 2008), Kalomira (Grécia 2008), Sakis Rouvas (Grécia 2009), Svetlana Loboda (Ucrânia 2009), Eric Saade (Suécia 2011) e Eduard Romanyuta (Moldávia 2015). Por detrás de cada um destes cantores está uma história acerca da exploração da sua imagem durante a eurovisão, ou por fazerem questão de a realçar, ou por serem naturalmente sensuais, ou por criarem uma apresentação em palco que marcasse visualmente os telespectadores. 


Apesar de, em alguns casos a imagem ser utilizada em benefício do espetáculo, infelizmente encontramos muitos comentários negativos de telespetadores acerca da discriminação entre “gordos e feios” ou em relação à idade e, muitas vezes, atribuem uma relação, não lógica, à canção que é defendida. Todos concordamos que as votações não devem ser influenciadas por este aspeto, que não existe muito sentido para que assim seja. Um cantor não deixa de ser bom pelas rugas que transporta, nem uma canção se torna espetacular só porque vem de dentro de um corpo escultural. Quer queiramos quer não, por mais anos que passem, e por mais desenvolvida que a sociedade se vá tornando em relação à discriminação, o conceito físico e jovial e a modelação corporal vão estar sempre lado a lado como referência nos media. 

Nós somos contra a discriminação, e tu?:



Vídeos: Eurovision.tv
13/12/2015

Autoria:

Opiniões Musicais - ESC 2015: Áustria, Espanha, França, Itália e Reino Unido

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THE MAKEMAKES - "I AM YOURS"


Luís Sousa & Vânia Fernandes: Realmente o início deste tema lembra o "Greatest Love Of All". Apesar desse pormenor é um tema bem concebido, e o intérprete dá tudo de si. É obviamente uma canção completamente diferente do tema vencedor na edição anterior, mas até é um tema que pode surpreender, pois é diferente dos restantes. Fica no ouvido, o que pode ajudar. A grande dificuldade prende-se sobretudo com o facto de a Áustria ter sido a vencedora do ano passado.

Ricardo Soler: É sempre ingrato ser-se participante quando o nosso país é o anfitrião do certame. Os Makemakes trazem uma cantiga (que juro já ter ouvido a melodia noutro lado) esquecível e com muito pouco interesse, especialmente em comparação com a participação icónica de Conchita.

Suzy:  O país anfitrião está, de certa maneira, a jogar pelo seguro, é uma balada muito bonita mas não extraordinária. Sendo este ano o ano das baladas, não se vai destacar, falta o momento de elevação do tema para que o tornasse mais interessante, algo de diferenciador que quebrasse um pouco aquela linha melódica que, ao fim de algum tempo, se torna previsível. Realmente o cantor tem uma grande voz, sem dúvida, todos têm um look atual e alternativo, que é algo que se tem vindo a observar no ESC 2015. Acredito que os The Makemakers poderão surpreender e ficar bem classificados.




EDURNE - "AMANECER"


Luís Sousa & Vânia Fernandes: A Espanha quer chegar novamente às primeiras posições do evento, com a entrada de uma canção com uma orquestração muito forte e muito bem conseguida. Além de Edurne ser linda, é sem dúvida uma excelente cantora, com uma excelente capacidade vocal. A Espanha leva um tema para ganhar, sem dúvida, e se Edurne tiver sempre uma postura forte e uma entrega vocal, como será de esperar, pode surpreender. 

Ricardo Soler: Sou fã da Edurne desde os tempos dela da Operación Triunfo. O tema prometia muito, não só pelos compositores e pela intérprete, mas também graças ao bom funcionamento da máquina de promoção espanhola. Esperava muito mais deste mid tempo étnico, mas é impossível não ficar com o refrão na cabeça. Se a apresentação em palco for boa pode ser que Espanha obtenha um dos melhores resultados dos últimos anos.

Suzy: Estou surpreendida pela positiva com o tema de Espanha. Mais uma vez, a nível instrumental, a linha melódica é poderosíssima, e o poder e com a força que este tema tem faz-me lembrar Pastora Soler. Em termos vocais, a Edurne é uma boa intérprete, encaixa-se na perfeição mas não tem a extensão vocal da Pastora Soler. A nível visual Edurne é uma cantora muito forte, carismática e muito bonita.



LISA ANGELL - "N' OUBLIEZ PAS"


Luís Sousa & Vânia Fernandes: Um bonito tema com uma bela mensagem e uma intérprete com uma excelente capacidade vocal e interpretativa. A França continua a ser dos poucos países que aposta sempre na sua língua materna, o que é muito bom para a preservação da sua cultura. A orquestração do tema é muito bem conseguida e a canção cresce, tal como a intensidade na interpretação da vocalista. 

Ricardo Soler: Dos finalistas é para mim a canção mais aborrecida. A intérprete não consegue dar vida à canção, que já nasceu com muito pouco para dar. Os temas sobre a paz e a guerra já foram muito cantados na Eurovisão, e este não traz nada de novo.

Suzy: Bravo, trés belle, à cantora Lisa, tal como ao tema. Finalmente a França levou um tema fenomenal à Eurovisão. A nível melódico é bastante forte, a nível de interpretação Lisa está excepcional. Tem uma colocação de voz muito boa, um timbre muito bonito, é uma grande intérprete, tem um olhar muito penetrante para a câmara. Sei que é uma balada entre muitas, mas esta, devido à sua intérprete e à construção e métrica das suas palavras e do seu tema, é fantástica!



IL VOLO - "GRANDE AMORE"


Luís Sousa & Vânia Fernandes: É tão bom ouvir os intérpretes a cantarem na sua língua materna, a língua italiana é maravilhosa. É um tema forte com três excelentes cantores muito competentes e talentosos, que irão certamente surpreender toda a Europa com o seu incrível aparelho vocal. Estes jovens intérpretes podem muito bem levar a vitória para o seu país, pois o tema fica no ouvido e a sua orquestração é muito forte. A Itália está a concorrer para ganhar este ano, sem dúvida!

Ricardo Soler: Das finalistas, esta é a minha favorita. Os italianos não brincam em serviço e entregam-nos uma canção muito bem cantada com melodia e letra muito bonitas, e com um poder instrumental muito acima da maioria. Poderá este grande amor trazer a vitória?

Suzy: Brava, Itália! Que grande tema! Agora que tenho estado a ouvir consecutivamente os temas, no início, realmente é indiscutível o potencial vocal destes excelentes cantores - mas o tema em si não me estava a conquistar. Mas, ao ouvir o tema de Itália várias vezes, começa-se a tomar o gosto. Está um tema ao nível do instrumental muito forte, muito cheio com grande potência que tem crescendos, que é muito importante. Estou ansiosa por ver estes três "Il Divo" (riso) a cantarem ao vivo. Espero que consigam corresponder às espetativas, que estão a crescer em torno deste tema e destes cantores.



ELECTRO VELVET - "STILL IN LOVE WITH YOU"


Luís Sousa & Vânia Fernandes: Um tema algo diferente do que se espera do Reino Unido, que está a dividir os fãs eurovisivos. O tema não é mau de todo, aliás até pode ser muito interessante, sobretudo a nível da apresentação da banda em palco. Parecem ser indivíduos muito criativos, divertidos e interessantes, e isso pode surpreender a Europa. Esperemos que sim, pois é um tema com uma sonoridade diferente de todos os outros, que até tem um enorme potencial interpretativo - embora não seja usual nos moldes eurovisivos.  

Ricardo Soler: É bom ver o Reino Unido a não se levar a sério e a participar com uma canção leve, que poderá até surpreender. É uma canção bem-disposta, cheia de sarcasmo na letra, e que em palco não será muito diferente do que é apresentado no videoclip.

Suzy: O tema é girinho, é engraçado, ouve-se bem vai dar um pouco de alegria ao certame, e pronto nada mais.



Vídeos: Eurovision.tv
06/05/2015

Opiniões Musicais - ESC 2015: Chipre, Eslovénia, Polónia, Alemanha e Austrália

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JOHN KARAYIANNIS - "ONE THING I SHOULD HAVE DONE"


Luís Sousa & Vânia Fernandes: Um tema algo descontraído, diferente de muitos outros temas e diferente do típico tema festivaleiro. Infelizmente o tema pode ser engolido pelas orquestrações mais fortes dos outros temas, mas é importante referir que John dá ao tema exatamente o que o mesmo pede, não poderia fazer mais do que está a fazer. Infelizmente a orquestração do tema não nos faz lembrar Chipre. É um tema simples, que pode surpreender por essa mesma simplicidade e pelo facto do intérprete possuir uma imagem muito honesta e humilde.

Ricardo Soler: É provável que o Chipre se qualifique para a final com uma canção deste género. Gostava muito de ouvir uma versão na língua mãe, porque com uma excelente melodia, tal como esta o é, não é preciso inglês para nada. Ponto negativo para o movimento dos braços e mãos do intérprete, que tem que aprender que: menos é mais.

Suzy: O tema de Chipre é uma balada bastante calma bem construída, muito simplista - e acho que é este o objectivo que se pretende neste tema. A nível interpretativo acho que o cantor tem uma voz mediana, faltava um pouco mais de interpretação. Uma coisa é cantar bem um tema, outra é interpretar. Acho que não é o um tema, para mim, que me surpreenda, mas facilmente passará nas rádios. 




MARAAYA - "HERE FOR YOU"


Luís Sousa & Vânia Fernandes: Maraaya tem um timbre muito interessante. É um tema que pode surpreender, pois parece que os fãs apreciam o mesmo, o que é sempre positivo. A imagem da intérprete sempre com os headphones é interessante, e distingue-a de certa forma dos restantes candidatos. A melodia fica muito no ouvido, e isso pode ser muito bom para a intérprete. A nível da orquestração não é muito surpreendente, mas é um tema bem construído e concebido. 

Ricardo Soler: Surpresa bastante agradável, com esta canção cantada com um timbre invulgar - mas que resulta na perfeição. Precisa de uns aperfeiçoamentos a nível cénico, mas de resto pode resultar muito bem!

Suzy: É peculiar como o timbre da cantora da intérprete é tão similar ao da Duffy, o tema também dentro do mesmo género que a Duffy interpreta nos seus álbuns - e é sempre de certa maneira uma aposta segura porque é uma melodia catchy, fácil de se ouvir, é uma canção alegre, moderna e que penso que até poderá ficar bem classificada. Tudo depende da performance ao vivo.



MONIKA KUSZYNSKA - "IN THE NAME OF LOVE"


Luís Sousa & Vânia Fernandes: Apesar de ser um tema bem concebido, com uma boa orquestração e crescer, parece-nos algo antiquado e a intérprete por vezes é engolida pela orquestração do tema. O inglês da intérprete pode também ser algo melhorado. Apesar de tudo isso, é um tema que pode obter uma boa classificação, pois também fica no ouvido e tem uma melodia bonita. 

Ricardo Soler: Regressa ao certame a pisar forte com uma balada com qualidade. "In The Name Of Love" é uma composição agradável, que só peca por não explodir mais. A intérprete tem uma missão muito nobre ao fazer com que a Europa ganhe mais consciência sobre a deficiência.

Suzy: O tema da Polónia é uma balada clássica, que não traz grande surpresas. A Monika tem uma voz agradável, mas também a nível de interpretação um pouco clássica. Tanto a nível de cantora como a nível de tema, não trazem grandes surpresas.



ANN SOPHIE - "BLACK SMOKE"


Luís Sousa & Vânia Fernandes: Um tema interessante enviado pela Alemanha. Apesar de Ann Sophie ter uma imagem interessante, pensamos que ainda pode melhorar muito vocalmente, sobretudo nas notas mais agudas, e na sua prestação em palco. Ann tem um timbre muito bonito e diferente dos restantes concorrentes. O tema pop está muito bem concebido, mas não se distingue assim tantos dos restantes, e não transmite muito da cultura alemã, o que é pena. Pode ser um tema que surpreenda, pois até fica no ouvido e tem uma orquestração bem executada. 

Ricardo Soler: Um dos timbres mais bonitos a concurso e que poderia ter uma canção que o servisse um pouco melhor. Contudo é uma canção com qualidade e que até veria ser passada nas rádios. A intérprete tem força e creio que, tal como na final alemã, iremos assistir a uma apresentação em palco muito clean.

Suzy: A cantora está muito à vontade no palco, é ela própria, o que poderá cativar, sem dúvida, os telespectadores presentes na arena, porque é jovem, é natural, é transparente. Gosto muito da interpretação da Ann Sophie no início do tema, no refrão não é tanto do meu agrado. Se vai vencer o ESC 2015? Penso que não, porque não é uma das minhas favoritas. 



GUY SEBASTIAN - "TONIGHT AGAIN"


Luís Sousa & Vânia Fernandes: Que agradável surpresa ver a Austrália no certame, o que abre ainda mais as fronteiras internacionais do evento. A Austrália traz um tema muito orelhudo e quer oferecer algo diferente dos restantes, o soul. Os restantes candidatos têm de ter muito em atenção este tema e o intérprete Guy Sebastian, pois o mesmo é um artista aclamado e respeitado, com uma excelente capacidade vocal e que tem em atenção a qualidade musical dos temas que apresenta. O tema tem uma orquestração forte e muito bem concebida., com momentos suaves e momentos dançantes viciantes. O tema tem um cheirinho a old school, o que é tão bom de se ouvir.  

Ricardo Soler: Continuo sem perceber o porquê da participação da Austrália e a achar que não faz qualquer sentido. No entanto a canção é orelhuda e muito bem defendida pelo Guy Sebastian, que já tenho no meu iPad há anos e que tem sempre um bom desempenho vocal e canções radio-friendly.

Suzy: Palavras para quê? A Austrália entrou em grande no ESC 2015, pela voz incrível do cantor Guy Sebastian, um tema pop com uma mixagem de R&B e soul. Sem dúvida que o ESC 2015 não está preparado para um tema assim, porque nota-se grandes influências norte-americanas. Mas, bravo! 
Este cantor tem uma voz incrível e apresenta um tema energético para quebrar as inúmeras baladas que o ESC 2015 tem. Um tema muito bem construído e produzido, a linha melódica é fantástica. Não é de todo o estereótipo de um tema eurovisivo, mas também, cada vez mais, se está a deixar de compor e produzir os chamados temas eurovisivos - cada vez as canções são mais urbanos, mais comerciais, temas que facilmente passam na rádio, e este será um deles. Poderá ser um hit internacional, acompanhado de uma boa imagem e um bom videoclip.



Vídeos: Eurovision.tv
05/05/2015

Opiniões Musicais - ESC 2015: Letónia, Azerbaijão, Islândia, Suécia e Suíça

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AMINATA - "LOVE INJECTED"


Luís Sousa & Vânia Fernandes: Uma escolha muito interessante da Letónia, que na verdade faz lembrar a artista FKA twigs. É uma canção electrónica experimental, muito diferente de todas as outras canções. Aminata tem um timbre lindíssimo, sobretudo nas partes que apresenta um registo mais suave e calmo. Nas partes mais agudas da canção Aminata pode ainda melhorar muito a sua prestação vocal. Este tema tem muita substância artística e pode surpreender tudo e todos. 

Ricardo Soler: Wow. É possivelmente a minha favorita! É perfeita em todos os aspectos e não contava nada com este tipo de canção vindo da Letónia! Está muitos furos à frente da maioria das canções deste ano, e espero que a Europa vote de forma justa.

Suzy: O tema da Letónia é brutal. A voz desta cantora é excepcional, tem um poder vocal e uma extensão vocal enorme. É um tema diferenciador de todos os temas apresentados este ano na Eurovisão 2015. Por isso mesmo, por ser um tema diferente, arrojado, alternativo, moderno de certa maneira comercial para passar nas rádios e por ir um pouco contra o estereótipo dos tema apresentado na Eurovisão.




ELNUR HUSEYNOV - "HOUR OF THE WOLF"


Luís Sousa & Vânia Fernandes: Foram muitas as vezes que nos cruzámos com Elnur na entrada no palco da Eurovisão em Belgrado em 2008, e é muito interessante ver a balada que traz este ano. Elnur é um excelente cantor, com uma extensão vocal muito rica. É um cantor muito competente e interpreta o tema de uma forma muito precisa, dando ao mesmo o que ele precisa. A orquestração não nos faz recordar o Azerbaijão e podia ainda ser mais forte do que é, mas pode levar o seu país à vitória com a sua excelente capacidade vocal e com os coros fortes e presentes. 

Ricardo Soler: Esta é a minha participação favorita de sempre do Azerbaijão. Que canção! Fiquei fã e já a canto de vez em quando. Só gostava que, quando o inglês dos intérpretes não fosse bom, que estes cantassem na língua materna... Só os favorecia.

Suzy: Elnur tem uma voz espetacular, uma voz cheia com uma grande extensão vocal, os seus falsetes são surpreendentes - mas, mais uma vez, temos uma balada, que, em termos de linha melódica, está muito bem conseguida. No entanto na parte crescente do tema, acho que é previsível e não foi muito bem conseguida.



MARÍA ÓLAFS - "UNBROKEN"


Luís Sousa & Vânia Fernandes: Parece que este ano a Islândia veio para ganhar o evento. Presenteou-nos com um tema muito forte e muito “orelhudo”, fica muito no ouvido. Pelo vídeo da música Maria faz-nos lembrar um pouco Emellie de Forest, embora pareça ter uma capacidade vocal superior e uma expressão corporal mais forte. Maria é uma excelente cantora e dá ao tema exatamente o que o mesmo pede - e parece ser muito jovem, fresca e querida. A orquestração não nos remete para a Islândia, mas é sem dúvida uma canção pop muito bem concebida e forte. O poema do tema está muito bem feito para o género de canção. Este tema pode muito bem ser o vencedor do evento, não nos surpreenderia que isso acontecesse. Mesmo que não vença é um tipo de tema que podia perfeitamente estar nas rádios. 

Ricardo Soler: Uma balada poderosa, bem cantada e até interessante - mas a roçar demasiado à excelente "Only Teardrops". Ponto positivo para a coordenação entre a intérprete e as bailarinas. 

Suzy: Gosto muito do tema da Islândia, tem uma batida agradável, vai captar a atenção do público, especialmente pela voz desta excelente cantora, que tem uma grande extensão vocal e que se enquadra bastante bem neste tema.



MANS ZELMERLOW - "HEROES"


Luís Sousa & Vânia Fernandes: Mal ouvimos o início deste tema lembrou-nos o início do tema “Nothing Left to Say”, interpretado pela Aurea. É um típico tema pop, bem concebido e muito orelhudo, com muitas influências da música pop ("Heaven" de Emeli Sande, por ex.) e eletrónica atual. O tema fica facilmente no ouvido e tem uma orquestração forte, o que pode ajudar o país a alcançar uma boa posição. Pelo facto de a Suécia presentear-nos sempre com temas ligados à música pop e eletrónica não conseguimos ter a perceção se são apenas esses os géneros musicais produzidos no país, o que é pena. 

Ricardo Soler: É uma canção incrível com um refrão que não nos larga. Uma encenação extraordinária. Um intérprete que cumpre sem falhas, mas também sem ser espetacular. Podia ser isto tudo... Mas infelizmente também é uma cópia descarada de uma canção de David Guetta, o que faz com que não seja uma das minhas favoritas.

Suzy: O tema é muito díspar do tema de 2014. É interessante, tem um refrão bastante orelhudo. Não vai obter uma classificação tão boa como a do ano passado.



MÉLANIE RENÉ - "TIME TO SHINE"


Luís Sousa & Vânia Fernandes: Mélanie é uma boa cantora, mas o tema não parece ser o melhor que poderia ser. Em alguns momentos do tema a orquestração é algo antiquada e a intérprete é engolida pela mesma. Também os coros poderiam ser melhorados, em certos momentos não estão a fazer o melhor trabalho que poderiam estar a fazer. O inglês da intérprete também poderia ser melhorado, e o poema do tema é algo cliché. Infelizmente não nos parece ser o melhor tema e não aparenta ser uma canção para ganhar o evento. 

Ricardo Soler: Letra cheia de lugares comuns. Instrumental com bastante qualidade. Intérprete que cumpre mas sem brilho. Volto a insistir na tecla da língua: se a Sr.ª D.ª Mélanie René é do cantão francês da Suíça, para que é que está a cantar em inglês?

Suzy: Não sei se vai ser suficiente para a Eurovisão 2015. Este ano o concurso está com temas muito pouco surpreendentes, e a Suíça está nesse grupo de músicas. É um tema agradável, tema pop, que se ouve bem, mas não captou a minha atenção.



Vídeos: Eurovision.tv e Melodifestivalen 2015
04/05/2015

Opiniões Musicais - ESC 2015: Malta, Noruega, Portugal, República Checa e Israel

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AMBER - "WARRIOR"


Luís Sousa & Vânia Fernandes: Amber tem um timbre muito bonito e uma voz cristalina. Mas a leveza da sua voz pode fazer com que seja engolida pela orquestração do tema. O tema não relembra a cultura do país, mas o seu refrão fica no ouvido, o que é positivo. Apesar de Amber ter uma boa voz parece ser ainda algo imatura na sua interpretação, pode melhorar e muito tanto a sua expressão corporal como a sua prestação vocal. 

Ricardo Soler: Parece que as cordas nas baladas estão para ficar este ano. É uma balada com um instrumental poderoso, mas que é igual a tantas outras que já se ouviram em anos anteriores. Pode ser que me engane...

Suzy: Malta presenteou-nos este ano com um tema muito poderoso, com muita força e carga emotiva que nos faz sentir emocionados. O conjunto de cordas utilizado ainda enriquece mais este tema.




MORLAND & DEBRAH SCARLETT - "A MONSTER LIKE ME"


Luís Sousa & Vânia Fernandes: Temos de confessar que o título do tema é algo peculiar, "A Monster Like Me" não é um titulo de tema que se espera ver neste tipo de certame. As vozes e a interpretação de Mørland e Deborah combinam muito bem, é uma balada bonita e que pode alcançar uma excelente posição, pois não é uma típica balada cliché. Este tema apresenta uma orquestração muito boa e tem uma certa substância artística, a começar logo pelo título do tema, que é interessante. Resta é saber se a Europa se apercebe disso. 

Ricardo Soler: Confesso que sou fã de temas com uma temática mais obscura, e a Noruega não me decepciona este ano. Gosto da forma como a canção se desenvolve e a química entre os dois é ótima, podendo ajudar imenso em termos de realização e consequente empatia com o público.

Suzy: Que balada excepcional, intimista, penetrante, sensibilizante, que nos transpõe para os sonhos, ou para a mensagem que transmite, que é muito forte. Realmente é um dos temas mais fortes da Eurovisão, tem um toque, se formos comparar, com artistas internacionais. Mesmo as harmonias conjugam na perfeição, mas a mensagem aqui ganha outra vida.



LEONOR ANDRADE - "HÁ UM MAR QUE NOS SEPARA"


Luís Sousa & Vânia Fernandes: Um tema pop rock muito bem elaborado e interessante. É importante realçar o facto de que o tema irá ser interpretado na língua portuguesa, o que é importante e nos coloca a par de muitos poucos países no evento. A Leonor tem um timbre muito interessante e bonito, e pode surpreender muito neste certame. Ainda pode melhorar muito tanto no que diz respeito na presença em palco como a nível vocal. Em determinados momentos, tanto a nível vocal como na expressão corporal em palco, a Leonor lembra a grande intérprete Marisa Liz, dos Amor Electro. 

Ricardo Soler: Recuso-me a comentar esta escolha feita no Festival da Canção, mas não deixo de desejar muita sorte à intérprete.

Suzy: A nossa Leonor poderá marcar a diferença, sem dúvida pela sua personalidade. É um doce de menina, muito simpática, humilde e que tem muita garra na sua interpretação - porque o tema assim o pede. Garra, um tema pop rock, que tem algumas diferenças comparativamente com todos os temas apresentados este ano. O tema "Há um mar que nos separa", por ter esse factor diferenciador do género musical, poderá ganhar apoiantes. Poderá também ganhar mais uns pontos por quebrar este prolópio de baladas existentes este ano. No seu geral considero o tema agradável, que se ouve bem e que vai fazer as pessoas aplaudir e bater palmas. Se é suficiente para chegar à final, não sei porque é uma incógnita por diversos factores - nomeadamente também os políticos e geográficos.



MARTA JANDOVÁ & VÁCLAV NOID BÁRTA - "HOPE NEVER DIES"


Luís Sousa & Vânia Fernandes: Este ano existem muitos duetos no evento, mas na verdade este parece-nos ser o menos conseguido de todos os presentes. São bons cantores, mas o tema é algo antiquado e não possui muita força a nível da orquestração, o que não torna o tema muito grandioso. 

Ricardo Soler: O sotaque inglês é terrível e distrai-me de uma balada com algum potencial - mas que se pode perder no meio de tantas baladas este ano e que são um pouco melhores que estas. Ponto positivo para o modo excelente como duas vozes tão diferentes funcionam bem juntas.

Suzy: Uma composição musical previsível, as vozes não são extraordinárias - principalmente a intérprete feminina. Um tema agradável, mas não surpreendente.



NAVAD GUEDJ - "GOLDEN BOY"


Luís Sousa & Vânia Fernandes: Israel tem-nos habituado a um determinado género musical no evento, por isso este tema é algo distanciado dessas sonoridades apresentadas anteriormente. Isso pode também ser positivo, obviamente. Mas há algo que é importante referir, os temas de Israel possuem sempre um elemento na sua orquestração típico da sua cultura, o que é muito importante. Nadav canta muito bem, mas o tema não é muito surpreendente. Aliás, a forma como começa o tema não remete para o tipo de sonoridade que depois o tema apresenta. Os coros não dão muita força ao tema, como é de esperar.

Ricardo Soler: Se esta canção não tivesse um trecho igual a "Sing" do Ed Sheeran seria possivelmente outra das minhas favoritas. O plágio deveria ser punido. Dá-me pena porque esta canção tem tudo para ficar bem posicionada (e não duvido que fique), mas a questão do plágio deixa-me muito irritado.

Suzy: Navad é um grande talento, com uma grande voz e que finalmente vem quebrar o extensivo painel de baladas desta Eurovisão 2015. É o tema que vai quebrar a monotonia deste certame, que vai colocar todos os presentes e os telespectadores a dançarem, que também é importante neste tipo de certame. Gosto muito do início do tema, tem uma batida de pop funk dançável moderno, e que depois, ao longo do tema, tem momentos étnicos, com sonoridades especificas do país - que eu acho interessante. O único senão é que ele tenta ao longo da música misturar muito e torna o tema numa salganhada.



Vídeos: Eurovision.tv e Navad Guedj Official
03/05/2015
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