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JESC D'Ouro - Quarto Texto

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16. Os regressos e as estreias de 2014

Em 2014, o Festival da Eurovisão Júnior (JESC) chegou a Malta. O país, apaixonado pela Eurovisão, mostrava-se entusiasmado por receber pela primeira vez um evento eurovisivo e pelos vistos o resto da Europa também. 2014 foi um ano de renovação no JESC. O festival contou com 16 participantes entre eles quatro regressos e três estreias na competição. Bulgária, Croácia, Chipre e Sérvia voltaram à competição enquanto que Itália, Montenegro e Eslovénia estrearam-se no certame.

O JESC 2014 foi num país com muito brilho e amor à Eurovisão e a Europa sentiu isso. 


17. O sucesso espanhol no JESC 

Nuestros Hermanos têm um recorde impressionante no JESC. Apesar de terem saído da competição em 2007 e de só terem participado quatro vezes nunca ficaram abaixo do 4º lugar. Ora vamos lá recordar a breve história espanhola no JESC. No ano de estreia em 2003, Sergio representou o país com "Desde el cielo" onde ficou no 2º lugar e a nove pontos do país vencedor, a Croácia.

Em 2004, María Isabel deu a Espanha o seu mais recente título eurovisivo. No JESC 2004 que decorreu na Noruega, Espanha e "Antes muerta que sencilla" conquistaram o 1º lugar e 171 pontos na competição. O lugar no pódio voltou a repetir-se na Bélgica em 2005 quando Antonio José e o seu "Te Traigo Flores" só foram batidos pela vencedora Bielorrússia e ficaram no 2º lugar com 146 pontos. No último ano (até agora) de Espanha no JESC chegou o resultado mais fraco e os espanhóis podem com orgulho dizer que o seu pior resultado no JESC foi um 4º lugar (sim um lugar no top 5!). Dani Fernández interpretando "Te doy mi voz" tiveram 90 pontos o que deu a Espanha um 4º lugar entre 16 participantes. 


18. As idades no JESC

Como sabe (ou talvez não) para competir no JESC tem que ser menor que 16 anos pois a partir dessa idade já lhe é permitido participar no Festival dos Graúdos (o ESC). E de que forma a idade do concorrente influencia o seu resultado no JESC? Pois parece que não é um fator determinante. Os vencedores do Festival da Eurovisão Júnior apresentam muita variedade nesta questão. Começando pelos mais novos, a concorrente mais nova a ganhar o JESC foi María Isabel em 2004. Com apenas nove anos (agora com 20 anos), María Isabel encantou o público europeu com o seu "Antes muerta que sencilla" e deu a Espanha o seu primeiro e único título no JESC.

Como o vencedor mais velho (até agora) temos Ralf Mackenbach. No JESC 2009, organizado na Ucrânia, Ralf representou a Holanda com "Click Clack" onde conquistou o 1º lugar com 121 pontos. Na altura da competição, Ralf Mackenbach tinha 14 anos e tornou-se o participante, a atuar a solo, mais velho a ganhar a competição. E sim a solo porque se formos ver os grupos que ganhar o Festival Júnior há uma participante que era mais velha do que Ralf quando ganhou o JESC. Em 2011, o grupo Candy ganhava o JESC com a canção "Candy Music". Ora num grupo composto por cinco raparigas uma delas tinha já 15 anos quando ganhou a competição. Falamos de Ann Khanchaliani uma das "Candy" nascida ainda em 1996.



19. A solidariedade no JESC

Ao realizar um festival eurovisivo mais dedicado às crianças porque não aproveitá-lo para podermos ajudar outras crianças? Deve ter sido este o pensamento da European Broadcasting Union (EBU) quando decidiu que parte do lucro vindo do televoto iria ser destinado a associações humanitárias que lutam principalmente pela defesa dos direitos das crianças.

De 2007 a 2010, o lucro recolhido reverteu para o conhecido órgão das Nações Unidas, para a UNICEF. Em 2011 e 2012 alterou-se o destino mas não o objetivo. Em 2011, o dinheiro recolhido foi para a World Vision, uma associação não governamental internacional de ajuda humanitária. E em 2012 e com o JESC a ser recebido na Holanda, o dinheiro foi para a fundação KidsRights, uma associação que tem a sua base em Amesterdão e que tem como principal objetivo apoiar as crianças mais vulneráveis espalhadas por todo o Mundo. 


20. A vitória no ano de estreia

Com a recordação dos momentos mais marcantes no JESC chegamos ao ano de 2014. Como já referido anteriormente, 2014 foi o ano dos regressos e das estreias no JESC realizado em Malta. Para uma estreia em particular, o JESC 2014 foi um ano marcante. A Itália surpreendeu ao anunciar a estreia do país na competição dos mais pequenos contudo se era para se estrearem que fosse em grande. E assim o foi, Vincenzo Cantiello já tinha participado no “Ti lascio una Canzone”, o programa mais popular em Itália para jovens cantores, e tinha sido escolhido para representar a Itália em Malta com "Tu primo grande amore". Em Malta, arrasou com o coração do televoto (onde ficou em 3º lugar) mas especialmente do júri onde foi considerado o melhor da noite tendo ultrapassado a Bulgária e levou o título no JESC 2014 no ano de estreia do país na competição. 


Fonte: JuniorEurovision.tv/Vídeos: PierreCachia, JuniorSongContest, Yulianna, escbelgium6, MarcOokiiee e JuniorEurovision.tv
19/11/2015

JESC d'Ouro - Primeiro texto

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1. Crashing JESC

Estamos em 2003 e eis que começa o segundo Festival do grupo Eurovision com mais longevidade: o Festival Eurovisão da Canção Júnior. Este programa – mais conhecido pela sigla JESC – é um novo formato que promete prender os espectadores mais jovens à TV durante uma das noites nos últimos dois meses do ano.

Se pensa que esta edição ficou apenas marcada pela vitória da Croácia com“Ti si moja prva ljubav” do artista Rock Dino Jelusic desengane-se. Conta-se que houve um pequeno problema não no concurso em si, mas relacionado com o seu intervalo.

Do conhecimento público é a actuação da extinta girlsband britânica, Sugababes. “Hole in the Head” foi interpretado no primeiro intervalo de sempre de um JESC e conseguiu chegar à parada musical americana mais famosa, o Billboard Hot 100 e até ao primeiro lugar da Billboard US Charts. No entanto, o primeiro intervalo foi ocupado pelos Busted, banda rock pouco conhecida em Portugal mas multipremiada no país de origem.

“Crashed the wedding” foi cantado em Copenhaga, sim, por todos os membros da banda excepto por um dos vocalistas da banda. Charlie Simpson, um dos membros mais carismáticos, acabou por não actuar no JESC 2003, justificando doença. Contudo, segundo consta, não foi bem isso que se passou: no dia seguinte, Charlie e os seus colegas revelaram numa entrevista para a rádio que o artista não esteve doente. Charlie Simpson simplesmente não quis actuar por “odiar” o Festival Eurovisão da Canção. Que dizer? O artista poderia ter vincado a sua posição mais atempadamente mas bom... gostos não se discutem!


2. Polónia rima com último lugar 

O Festival Eurovisão da Canção Júnior difere do Festival Eurovisão da Canção por várias razões. Uma delas é a pontuação. Em 2003 e 2004, as regras da votação ainda eram semelhantes às praticadas no ESC, ou seja, a votação ainda era feita exclusivamente por televoto e todos os pontos atribuídos resultariam apenas desse método.

No entanto, como sabemos e falarei adiante, em 2005 o cenário muda de figura! Pois é, até se instaurar a regra dos 12 pontos, houve um país em particular que por meras circunstâncias ou mero azar, ficou no último lugar da tabela classificativa nos dois primeiros anos em que se organizou o Festival dos mais pequenos: a Polónia.

Ficou em último pela primeira vez em 2003, com Kasia Zurawik e “Cos mnie nosi” – uma canção que, se prestarmos bem atenção ao festival, apesar de ter muita qualidade, realmente não se destaca no lote. O mesmo resultado se verificou em 2004: com apenas 3 pontos, a Polónia voltou a ficar em último lugar com a mesma pontuação. A canção das Kwadro é um Pop animado que entra no ouvido mas que para além de levar cantoras já adolescentes (que por norma parecem não consquistar muitas votos sejam de que país forem), também sofreu com a animação de outras canções mais sonantes. 
O certo é que a Polónia nunca mais voltou ao Festival Eurovisão da Canção e honestamente, sentimos a sua falta!



3. Os 12 pontos virtuais 

Em 2005 inaugura-se a regra dos 12 pontos. Pois é, no Festival Eurovisão da Canção Júnior nenhuma canção fica com 0 pontos. Pelo menos na prática...

Os 12 pontos são automaticamente atribuídos pelo próprio festival de modo a premiar todos os pequenos artistas que, com uma idade tão baixa, têm a coragem de se expor e de se mostrar frente a câmaras que estão a transmitir o programa para a toda a Europa e até para o mundo.

No entanto, poderemos colocar a questão: será esta uma medida benéfica para as próprias crianças? A própria ideia de competição envolve sempre – e os pais terão o papel principal nessa situação – a ideia de que ou se pode ganhar ou se pode perder. Na realidade, os 12 pontos equivalem a 0 pontos e mais tarde as próprias crianças saberão reconhecer isso (se é que na altura já não o reconhecem). Por esta razão, questionamo-nos: não será positivo para as próprias crianças lidarem desde estas idades com a noção de derrota? Afinal, a vida é feita das conquistas – que todos já experienciámos e que sabem tão bem – tal como das situações menos boas, das quais retiramos lições e também aprendemos. Aliás, mais do que isso: são estas que nos fazem crescer quando não temos a arrogância de pensar que fizémos tudo da melhor forma possível, sendo que se os outros ganharam, foi certamente devido a outras razões, apesar de até terem feito bem pior que nós. A derrota também é ela desafiante e estruturante e nesse ponto o JESC poderá estar a falhar. Ou não: tudo depende da perspectiva.

4. A família Sandén

Molly, Frida e Mimmi. Podia ser o nome de três raparigas suecas da mesma girlsband – que até poderia ter participado no Festival Eurovisão da Canção Júnior. Mas não. Estas três raparigas são todas irmãs e são todas artistas. Mas o mais impressionante é que todas participaram no JESC... individualmente e de forma consecutiva.

Sim; todas representaram o seu país natal na Suécia. Frida e Mimmi fizeram os coros da sua irmã mais bem-sucedida, Molly, no Festival Eurovisão da Canção Júnior 2006, onde a Suécia alcançou o seu lugar mais alto na competição até aos dias de hoje: o 3ºlugar. Molly cantou “Det finaste någon kan få”, uma poderosa balada que mostrava todo o seu potencial vocal e que se destacava claramente das canções restantes.

No ano imediatamente seguinte, foi a vez de Frida Sandén representar os suecos: “Nu Eller Aldrig” é uma canção completamente distinta da anterior. Esta entrada Pop/Rock conseguiu destacar-se: alcançou um espantoso 8ºlugar com um género que à semelhança da edição dos crescidos e em pleno 2015, continua sem arrecadar a preferência dos votantes europeus em JESC e ESC. No entanto, podemos dizer que a irmã do meio conseguiu um óptimo resultado dado estarem a concurso, espante-se, dezassete canções.
Por fim, em 2008 a Suécia não participa mas em 2009 marca presença. E com quem? Com a irmã mais nova das Sandén, claro está. Mimmi abriu a sétima edição com “Du”, uma canção com sons electrónicos que conseguiu um honroso 6ºlugar para os suecos.

Das três irmãs a mais conhecida é também a mais bem-sucedida no Festival Eurovisão da Canção Júnior. Molly tem somado primeiros lugares nos charts suecos e continua a tentar a sua sorte no Melodifestivalen, a pré-selecção com que os europeus mais vibram. Para além disso, proporcionou à comunidade eurovisiva no JESC 2009 um fabuloso e inesquecível interval act com “Spread a little light.”




5. Portugal, o azarado do Eurofestival

2006 é só mais um ano para os comuns fãs eurovisivos. Não para nós. Após uma noite de muita música e animação no dia 29 de Setembro de 2006, Pedro Madeira sagrou-se vencedor do I Festival RTP da Canção Júnior. 

Deixando para trás jovens talentos hoje também conhecidos do público português –  Filipe Keil (Tiago Batista), que se deu a conhecer na primeira edição do Factor X; o multifacetado Liberdade (Gustavo Almeida, como integrante da banda União Verbal); Mariana Pacheco, na altura “Mariana António”, hoje uma das actrizes pricipais na telenovela da SIC, “Coração d’Ouro”, ou Marisa Almeida, ex-concorrente do A Voz de Portugal e cantora residente no Casino da Póvoa – o artista conseguiu estabelecer-se como um dos artistas jovens mais promissores da música Pop nacional escrita e composta em português; por e para portugueses.

Pedro foi a Bucareste representar Portugal com todo o patriotismo possível. A sua garra e força saltaram à vista numa actuação que, dadas as estatísticas, não lhe seria muito favorável logo à partida por actuar em primeiro lugar. Apesar de isso não ter afectado Pedro ou os seus coralistas e bailarinos (que com o intérprete vendasnovense fizeram toda a coreografia sem qualquer apoio da estação pública nacional), o nosso resultado no Eurofestival saiu bem afectado: 22 pontos e um 14ºlugar em 15 países. Tirando os 12 virtuais, ficámos com três pontos de Malta e sete de nuestros hermanos.

Este foi um resultado fracassado para Portugal que se volta a repetir na nossa segunda tentativa no certame. No JESC 2007, Jorge Leiria (conhecido pelo programa “Uma Canção para Ti”) levou a canção “Só quero é cantar” a Roterdão e quedou-se, novamente, no fim da tabela com apenas dois pontos da Arménia e um do Chipre.

Olhando em retrospectiva: o investimento não terá sido muito, é certo, mas as nossas prestações e canções eram – e acho que não há qualquer dúvida neste ponto – bastante aceitáveis. Teremos ficado sempre nos últimos três lugares da tabela por teremos levado dois anos consecutivos baladas que não nos distinguiram no meio de canções mais animadas e mais apelativas ao público infantil? Ou será simplesmente Portugal um azarado nos Festivais Eurovisão da Canção? Talvez uma mistura das duas, arrisco.


Fonte: Junior Eurovision TV/Vídeos: Nathanaël Viiperi e Junior Song Contest
16/11/2015
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